segunda-feira, 4 de maio de 2026

35 ANOS DAS ESTREIAS DE TRÊS SÉRIES DE TOKUSATSU NA MANCHETE

 

No dia 22 de  Abril de 1991, estreava na programação da extinta Rede Manchete  um pacote de três séries japonesas do gênero tokusatsu que vieram na onda da explosão de Jaspion e Changeman no final dos anos 1980.

As três séries em questão a qual estou me referindo são: Guerreiro Dimensional Spielvan, Kamen Rider Black e Defensores da Luz-Maskman.








Vamos recordar do que se tratava cada uma dessas séries que estrearam na grade da Manchete há 35 anos.

 

 

 

 

GUERREIRO DIMENSIONAL SPIELVAN



 Em Guerreiro Dimensional Spielvan (Jikuu Senshi Spielban (時空戦士スピルバン, Jikū Senshi Supiruban,Japão, 1986-1987) foi uma produção da Toei Company que estreou no Japão em 7 de Abril de 1986, portanto completou 40 anos agora em 2026 de sua estreia no Japão, compondo a franquia dos Metal Hero, foi a sucessora do Jaspion no Japão.

Tanto que até curiosamente por uma estratégia de marketing recebeu aqui no Brasil  o nome de Jaspion 2. Cuja distribuidora foi a mesma de Jaspion, a  Everest Video de propriedade do senhor Toshihiko Egashira.

A trama de Spielvan girava em torno do jovem Kenji Sonny/Spielvan e sua companheira Diana/Lady Diana, eles são os únicos sobreviventes do Planeta Clean que foi destruído pelo malvado Império Water.  Essas crianças são mandadas por suas mães dentro de uma nave em animação suspensa, onde lá dentro da nave  crescem após adormecerem  e vem para a Terra, onde aqui vão tentar impedir que o Império Water domine nefastamente a humanidade.



Ao longo de sua jornada Spielvan descobre que os Water haviam separado do seu pai Dr. Paul  e de sua irmã Hellen quando os sequestraram, fizeram uma lavagem cerebral que os transformaram em Dr. Bio, o subordinado  da Comandante da Nave Water Rainha Pandora e Hellen virava a androide maligna Herbaira.

Hellen que depois resolve  se aliar a Spielvan e vira reforço com sua armadura de Lady Hellen que é semelhante a Diana, na luta  contra Water e seus exércitos formados pelos Soldados Clowns, General Deslock, Trio das Tropas Espiãs e os Guerreiros Mecanóides e Bionóides enviados a cada episódio como os monstros do dia.




Spielvan contou ao todo com 44 episódios, sendo que os quatro  últimos do 41 ao 44 nunca passaram no Brasil. 

A autoria do roteiro é atribuída a Saburo Yatsude, que na verdade, se trata de um codinome coletivo creditados a todos os roteiristas da Toei em qualquer produção de tokusatsu.




A série contou como protagonista de Spielvan com Hiroshi Watari, que  protagonizou  Sharivan em Detetive Espacial Sharivan(Uchuu Kenji Sharivan, Japão, 1983-1984)  que foi exibido no Brasil pela Bandeirantes(atual Band) em 1990. E foi  o Boomerman no Fantástico  Jaspion(1985-1986).


Diana é interpretada por Makoto Sumikawa que em 1988 seria Reiko em Kamen Rider Black RX (Japão, 1988-1989) que estreou no Brasil em 1995, sendo exibido também pela extinta Rede Manchete junto ao pacote de Solbrain(1991-1992).

 

E Helen/Herbaira é interpretada por Naomi Morinaga que  foi a Annie em Policial do Espaço Shaider(Uchuu Kenji Shaidá, Japão, 1984-1985), que foi exibido no Brasil também estreando em 1991, sendo que pela Rede Globo. Um fato curioso é que ela logo após a série foi fazer carreira no cinema de entretenimento adulto.






A série também contou em seu elenco com a participação de Machiko Soga(1938-2006), que também foi presença marcante nas produções de tokusatsu dos anos 1980 que passaram no Brasil.

Outro fato curioso a respeito do elenco de Spielvan diz respeito a participação do saudoso  Ichiro Mizuki(1948-2022), que representou o pai de Spielvan, Dr.Paul antes de sofrer a lavagem cerebral e virar o Dr. Bio. Ele era um popular cantor no Japão, que gravou muitas músicas para animes e tokusatsu, ele inclusive também gravou a música de abertura e encerramento de Spielvan. Quem representa o papel do Imperador Guiotini que aparece mais para frente da série vindo do futuro é Mickey Curtis, que apesar do nome, ele é japonês mesmo de nascença, ele é filho de pais nipo-britânicos.


 
Quem representou o papel do pai de Spielvan foi
o cantor Ichiro Mizuki que também 
cantou a abertura da série. 


Quem faz a voz do General Deslock é o saudoso Shōzō Iizuka(1933-2023) que já participou  de muitos trabalhos de voz em produções de animes e tokusatsu, ele tinha feito a voz original do Satan Goos em Jaspion.




Spielvan teve sua dublagem feita na Álamo, onde quem dublou o protagonista foi o saudoso Ézio Ramos(1936-1999) que também ficou encarregado de dirigir todos os episódios, quer dizer quase todos, visto que ficamos sem ver os quatro últimos e a Manchete só fazia reprises constantes até esgotar.



Um fato curioso é a maneira como os Water chamam as criaturas robóticas criadas por Deslock de Mecanóides e as hibridas  criadas por Dr. Bio de Bionóides. 


  




Os sufixos  óides costuma significar para formas, aparências,  aspecto ou semelhança. Costuma ser amplamente utilizado na anatomia e biologia para descrever estruturas que se parecem com algo específico (ex: escafoide = em forma de barco) e, em contextos pejorativos, indica um tipo inferior ou falso.

No caso aqui da série,  os mecanoides vem derivado da junção de mecha que vem da palavra inglesa mechanical para descrever robôs inteligentes e autônomos, comumente retratados em contextos de ficção científica como máquinas de guerra, mineração ou uso doméstico avançado. Podem ser autônomos ou controlados.

Quanto ao termo bionoide é usado para descrever seres que misturam características biológicas com mecânicas ou mágicas, com "Cristais Bionóides" sendo um item citado nesse contexto de fantasia espacial.

O nome dos soldados rasos de Spielvan que são Clown tem origem na palavra inglesa que significa palhaço, são androides de combate que compõem a primeira linha de defesa do Império Water. Usam roupas negras, possuem face dourada e olhos vermelhos. Talvez pela maneira da expressão facial na cabeça arredondada  e dourada façam lembrar palhaços e a maneira de agir pantomímicas lembrassem justamente o humor pastelão dos palhaços.

A dublagem modificou alguns nomes de personagens: O nome original do protagonista em sua identidade civil é Yuusuke Jou que foi modificado para Kenji Sonny, Hellvira era o nome original da Herbaira, a forma mecanoide maligna de Helen, Riki era o nome original de Lay do trio de assistentes femininas de Walter, Gasher era o nome original de Gash, Deathzero era o nome original de Deslock do mesmo modo que os três veiculos de Spielvan foram alterados na dublagem.

É curioso imaginar que Spielvan inspirou a adaptação de V.R. Troppers(EUA, 1994-1996).  






Trata-se de uma adaptação americana da Saban Entertainment de Spielvan juntando com outra série metal hero Metalder-O Homem Máquina(Chuoujink Metarudã, Japão, 1987-1988). 

Essa Saban em questão é mesma responsável por Mighty Morphin  Power Rangers adaptando outra franquia de tokusatsu que é Super Sentai. Uma realização de um antigo desejo de exportar tokusatsu para o Ocidente, através dessas adaptações.

Eu acompanhei essa versão de V.R.Troopers quando estreou na grade da Rede Globo em 1995, passando no extinto matinal infantil da TV Colosso(1993-1996) quando eu tinha 10 anos. E confesso cheguei a achar “legal” a proposta  mesmo tendo fresco na memória a exibição de Spielvan na Manchete apesar da estranheza pela temática de realidade virtual que era uma novidade naquele fase ainda analógica que vivíamos nos anos 1990. Eu não acompanhei Metalder quando passou na Bandeirantes(Band) em 1990 a quem foi feito  uma fusão nessa adaptação e que ao revisitar anos depois quando esteve disponível na Netflix sem a dublagem clássica da Herbert Richers pude perceber o quão tosco era  e porque não descrever como brega foi essa produção. Muita coisa ali mostrou que ficou datado e certas características  da estrutura do roteiro terminaram mostrando como a obra envelheceu  mal.

Bizarro era ouvir na versão dublada quando os Troppers enfrentavam os soldados rasos Clown que nessa adaptação  tiveram seus nomes trocados para Skugs soando parecendo Skanks, nome da popular banda brasileira de pop/rock/reggae que estava se lançando na época. Cuja finalização na batalha com os Troppers na forma civil  mostrava eles se chocando era muito estranho para se dizer o mínimo.

 

 

KAMEN RIDER BLACK

Kamen Rider Black (Japão, 1987-1988) trata-se de uma produção também da Toei Company que pertence a uma importante franquia que teve início nos anos 1970, criado pelo mangaká Shotaro Ishinomori(1938-1998). Cuja primeira série dessa marca foi lançada em 1971*.




A trama de Kamen Rider Black gira em torno de Issamu Minami que foi raptado na noite do seu aniversário de 19 anos acompanhado de seu irmão adotivo Nobuhiko Akizuki pela seita dos Gorgons para serem transformados nos Imperadores Seculares.  



Issamu por sorte consegue escapar graças a seu pai adotivo Dr. Soichiro Akizuki, é ele quem revela sobre o pacto que ele fez com os Gorgoms quando ele e Nobuhiko nasceram no mesmo dia durante um eclipse solar  para se tornarem os imperadores seculares de Gorgom e seu pai é morto pela seita e ele se transforma em Kamen Rider Black que dá início a sua jornada contra Gorgom que mantém o corpo de seu irmão Nobuhiko em estado de larva para virar Shadow Moon e Issamu como Kamen Rider Black vai precisar enfrentar as ameaças dos monstros enviados por Gorgom com suas motos  Patrol Hopper e Lord Sector eliminando com o soco do Golpe Insectus e Golpe Louva-A-Deus.

Kamen Rider Black superficialmente pode ser considerado por nós brasileiros como mais uma das produções de tokusatsu que a Manchete exibiu no final dos anos 1980 e  começo dos anos 1990.




No entanto, no Japão ela foi muito importante porque marcou o retorno da franquia  Kamen Rider após um hiato de sete anos que a marca  ficou parada. Durante os anos 1970, haviam sido produzidas sete produções ininterruptas de Kamen Rider: Teve início com Kamen Rider Ichigo e Nigo(1971-1973), Kamen Rider V3(1973-1974), Kamen Rider X(1974), Kamen Rider Amazon(1974-1975), Kamen Rider Stronger(1975-1979), Kamen Rider Skyrider(1979-1980) e Kamen Rider Super-1(1980-1981) e fora que nesse intervalo houve um lançamento de um especial para a tv de Kamen Rider exibido em 1984 intitulado de Jugo Tanjo! Kamen Rider Zen'in Shugo!!.




Grande parte desses aqui mencionados, apesar de serem séries inéditas no Brasil, no entanto, ainda assim  nós chegamos a conhecer a esses heróis especificamente quando eles apareceram nos últimos episódios de Kamen Rider Black RX(1988-1989) uma sequência direta de Kamen Rider Black mantendo o Issamu Minami vivido por Tetsuo Kurata que a Manchete passou a exibir em 1995 eles apareceram para nós colaborando com RX em sua batalha decisiva contra o Império Crisis. Provavelmente para marcar a transição histórica do Japão da Era Showa para a Era Hesei** depois que o imperador Hiorohito havia falecido em 1989 e foi sucedido por seu filho Akihito e após a renúncia deste em 2019 e sendo sucedido por seu filho Naruhito vivemos na Era Reiwa.



O elenco de Kamen Rider Black contou com as participações de alguns atores que participaram de produções de tokusatsu que a Manchete havia passado como Shozo Iizuka que fez a voz original do Satan Goss em Jaspion, e em Kamen Rider Black foi a voz do Sacerdote Gorgom Danker, Tomishi Takhashi que fez o Ikki em Jaspion o cara por trás da máscara do Sacerdote Gorgom Barom, Joji Nakata que fez o Caçador Espacial Kaura em Flashman participa de um  episódio de Kamen Rider Black, Hiroko Nishimoto que foi a Sayaka/Change Mermaid em Changeman, Yutaka Hirose que fez o Wandar em Flashman  também participam  de um episódio enfim esses são alguns dos exemplos.

Na audição que o protagonista Tetsuo Kurata passou junto com outros concorrentes onde competiu com  mais de 8.000 pessoas pelo papel.

Onde Kurata foi o escolhido pelo próprio criador Shotaro Ishinomori, mesmo achando que não estava ido bem na audição. Quem também concorreu com ele nessa audição foi Ryoma Sassaki que acabou sendo escolhido para protagonizar em seguida o Osamu/Mercúrio em Cybercop-Os Policiais do Futuro(1988-1989), essa foi uma produção da concorrente da Toei, a Toho que foi um dos tokusatsu que a Manchete*** exibiu nos anos 1990.



Além de ser o protagonista, Kurata também foi o responsável por cantar a música de abertura da série. Cuja composição das músicas incidentais são creditadas a Eiji Kawamura que também assinaria a trilha  da série sucessora que Kamen Rider Black RX,  e de Ryûdô Uzaki.

E teve como dublê, melhor dizendo um suit actor foi Jiro Okamoto, a pessoa por trás do traje de Kamen Rider Black.

 

Além de contar com Shotaro Ishinomori como roteirista,  a série também contou com nove roteiristas que ficaram encarregados de escrever os 51 episódios, dentre esses roteiristas estava Shozo Uehara(1937-2020) que foi uma das mentes criativas por trás do Jaspion. E sua direção é creditada a sete diretores.




Na dublagem brasileira da Álamo  de Kamen Rider Black ele teve seu nome invertido para Black Kamen Rider ou ás vezes sendo referido como Blackman, fora que o nome civil do protagonista que era Kotaro Minami, foi modificado para Issamu Minami, o nome de Katsumi, namorada de Nobuhiko teve seu nome alterado para Satie, uma provável referência ao pianista francês Erik Satie(1866-1925). Do mesmo modo que dois do trio de sacerdotes Gorgons foram adaptados na dublagem como Darom para Danker e Bishum para Madame Pérola.

Também adaptou o nome do Espadachim de Gorgom que aparece mais para frente que é Taurus que no original é Bilgenia que foi interpretado pelo ator Jun Yoshida que interpretou em outra série de tokusatsu  a Sacerdotisa Paú em Policial do Espaço Shaider(Uchuu Kenji Shaidá, Japão, 1984-1985), série que não por acaso passou aqui no Brasil, sendo que   na Rede Globo em 1991 onde seu personagem foi dublado por uma mulher, no caso Maria Helena Pader no extinto estúdio de dublagem da Herbert Richers**** no Rio de Janeiro.




Do mesmo modo que a dublagem adaptou os nomes das motos de Kamen Rider Black de  Battle Hopper no original   para Patrol Hopper. De  Road Sector teve para Lord Sector.  

 A dublagem também adaptou os nomes dos golpes usados por Kamen Rider que são:  Rider Punch no original foi adaptado para Golpe Insectus e de   Rider Kick foi adaptado como Golpe Louva-a-Deus.

  O termo Henshin, usado nas transformações do herói, foi um dos poucos mantidos do original. Ele significa transformação, ficou tão marcado que mesmo nas dublagens de produções recentes de Kamen Rider trazidas no Brasil, esse termo foi mantido.

A dublagem fez uma confusão ao adaptar o nome Black Sun para Senhor Black, que é como Shadow Moon se refere ao herói. Isso ocorre por conta da confusão da sonoridade da palavra  em inglês Sun que é Sol se parecer com a palavra japonesa San que é usada como tratamento formal dos japoneses como Senhor ou Senhora.

Porém, a maneira como ele era referido por Shadow Moon como Black Sun era porque ele simboliza o Sol que numa tradução fica Sol Negro e Shadow Moon simbolizava a lua  que numa tradução fica Lua Sombria.

A dublagem clássica de Kamen Rider Black produzida nos anos 1990 pela Álamo exibida na Manchete,  passou todos os episódios menos o 51. A explicação se deve a problemas nos transportes de importação das fitas masters que a antiga distribuidora Everest Vídeo tinha sido responsável por trazer.  O que ocasionou numa longas reprises exaustivas que durou até 1994, sem a exibição desse último episódio. Somente 30 anos depois, quando a distribuição da série passou por outra que foi da Sato Company é que foi possível fazer a dublagem desse último episódio que foi produzido em 2020 no estúdio da Centauro no lugar da extinta Álamo. Os dois principais dubladores formado por Elcio Sodré como Kamen Rider Black e Francisco Bretas como Shadow Moon é quem dublaram os respectivos papeis,  cuja direção contou com Nelson Machado que também dublou a voz do Grande Rei no lugar do saudoso João Paulo Ramalho(1932-2006) cuja exibição ocorreu em 2023 numa sala de cinema da Sato Company em São Paulo.

Em 2022 foi produzido uma nova versão de Kamen Rider Black Sun, com a pegada mais sombria que Ishinomori havia pensado nessa versão, mas que foi preciso dar uma suavizada principalmente para atrair brinquedos.  



Ele imprimiu a sua ideia de fato como queria no mangá que aqui no Brasil foi publicado em 2022 em três volumes pela NewPop.




O criador Ishinomori participou do filme derivado de Kamen Rider Black Kamen Rider Black: Hurry to Onigashima(1988), um filme que é inédito no Brasil, onde ele faz um pescador que auxilia Issamu em sua luta contra os Gorgons. Ele é uma produção que foi lançada durante a exibição que está conectada com a série se passando entre os episódios 21 e 22.  




Foi exibido durante o Festival da Toei Manga Matsuri, na Primavera de 1988, junto com os animes de Cavaleiro dos Zodíaco: A Batalha dos Deuses.

Essa produção contou com a direção de Michio Konishi e teve seu roteiro assinado por Shozo Uehara.

Em 2026, foi publicado o livro Kamen Rider Black-Guia Visual Definitivo, escrito pelo brasileiro Ricardo Cruz, que também foi o responsável por publicar no mesmo formato os livros sobre Jaspion e Jirayia.




Um almanaque cheio de curiosidades da produção, com fotos de bastidores, entrevistas com gente envolvida e muito mais.

 

 

 

      DEFENSORES DA LUZ-MASKMAN




E quanto a Defensores da Luz-Maskman(Hikari Sentai Maskman, Japão, 1987-1988) também é uma produção da Toei Company e pertence a longeva franquia iniciada nos anos 1970 assim como a exemplo Kamen Rider e também foi concebida pela mente criativa de Shotaro Ishinomori, essa franquia é chamada de Super Sentai que teve início com Hitsmisu Sentai Gorenger*****(Japão, 1975-1976) série que é inédita aqui no Brasil.




O enredo de Maskman girava em torno de Sanjuro Sugata, um estudioso da mente humana, onde ele toma conhecimento da existência do Império Subterrâneo Tube, localizado debaixo  da Terra. No começo era pacifico, até o momento onde o nefasto   Zeba passa a comandar o trono e manda suas tropas subirem no reino debaixo da terra para começar a escravizar a humanidade, dando início a um reinado de trevas.  




É então que “Sugata reúne 5 jovens, cada um especializado em um estilo de artes marciais e começa a treiná-los para que desenvolvam o Poder Aura (poderosa energia existente no corpo humano que é despertado por meio de treinamento).”

(Wikipédia)

Esses cinco jovens são formados por:   Takeo / Red Mask: o líder do grupo. Tem 23 anos e é um especialista em Karaté e piloto de Stock Car japonesa. Sua arma especial é a Espada Mask e seu veículo é o Avião Mask.

  Kenta / Black Mask: armado com a Barra Mask ( bastão que pode se tornar uma barra tripla), seu estilo de luta é o Kempo Japonês e tem 21 anos. Seu veículo é a Broca Mask.

  Akira / Blue Mask: com apenas 16 anos, ele é o caçula da equipe. Sua arma de batalha é o Mask Truco, ou Tonfa Mask, pilota o Tanque Mask e seu estilo marcial é o Kung Fu; quando não está transformado se utiliza de um par de espadas  Tai Chi. É um rapaz bem bonito e humorado. Mesmo tendo 16  ele é confundido como criança por causa de sua estatura baixa. Ele também é transformado em Espadachim Subterrâneo Unas através da tramoia de Igan.

 Sayaka/ Yellow Mask: tem 19 anos e foi criada em uma família de Ninjas, portanto luta Ninjutsu. Como arma especial tem o Rotor Mask e seu veículo é o Jato Mask.

 Keiko/ Pink Mask: especialista em Tai Chi Chuan, tem 19 anos. Sua arma é o Mask Ribbon e seu veículo é o Helicóptero Mask.





Quando estava competindo um campeonato de kart, Takeo é chamado a atenção de sua amada Miho ao ataque de Tube, sem desconfiar que ela se tratava da Princesa Ian, que havia sido mandada para a superfície terrena para espionar os humanos e vista como traidora ao se envolver amorosamente com Takeo ao conhece-lo numa casualidade virou a traidora e foi punida aprisionada em um bloco de gelo pelo Rei Zeba por sua traição, tornando-se o motor emocional da série.




E a partir dai temos o ponto de partida para o começo da batalha dos Maskman contra o malvado Império Tube e seus asseclas mandados diferentes que serão pelos Maskman reforçados pela  pelo robô Great Five e pelo robô Land Galaxy e pela Bomba Projetil que após ser destruída pelo Cavaleiro Ladrão Kiroz passaram a usar o Jato Canhão.




Sobre Maskman superficialmente nós aqui no Brasil, tendemos a ter uma vaga lembrança de que  ela foi só mais uma das séries tokusatsu que passou na Manchete e não vemos tanto diferencial com relação as outras.

Devido ao fato  de que como  sua repercussão em território nacional  foi mediana, já pegou aquela fase de saturamento mercadológico do gênero.

Ela como já antecipei na introdução faz parte da franquia Super Sentai, sucedeu a duas séries  dessa franquia que já haviam passado na Manchete que foram:  Esquadrão Relâmpago Changeman (Degenki Sentai Changeman, 1985-1986) e Comando Estelar Flashman(Choushsei Flashman, Japão, 1986-1987) e ai já entra um diferencial entre essas duas que ela antecedeu, é que a ameaça que eles lidam não vem de uma organização espacial como Gozma em Changeman ou mesmo o Cruzador Imperial Mess em Flashman.



Aqui a ameaça que eles lidam é de um império demoníaco chamado de Tube  localizado no subterrâneo, uma curiosa analogia com o inferno.  




Fora que também ela foi a primeira nessa franquia a contar com um robô gigante Great Five sendo  formado por cinco veículos como:  o Avião Mask pilotado por Red Mask, a Broca Mask pilotada por Black Mask, o Tanque Mask pilotando por Blue Mask, o Jato Mask pilotado pela Yellow Mask e o Helicóptero Mask pilotando pela Pink Mask.




Desde que o conceito de robô gigante para enfrentar uma batalha contra o monstro agigantado  passou a ser usado na franquia sentai  em Battle Fever J.(Japão, 1979-1980) que eles costumavam serem montados por três veículos.

Maskman incluiu uma interessante abordagem filosófica com inspirações no budismo sobre as meditações dos poderes aura pela abertura que começa com a frase:

"Uma misteriosa e inexplicável força se esconde por trás do nosso corpo. Quanto mais treinarmos o nosso corpo, essa força infinita se manifestará!"

 Na dublagem brasileira quem faz a locução dessa frase é o narrador Carlos Alberto Amaral(1946-2009) cuja voz original é narrada por Hiroshi Takeda.

Essa simbologia filosoficamente mística  também pode ser notada pelos gestos motores que cada membro usa para meditar, soltar o poder aura e se transformar que são chamadas de Kujin In que significa tradução literal de nove selos de mão, os gestos de cada Maskman tinham seus significados:



O gesto motor de Takeo é o Zai (ambas as mãos abertas com as palmas voltadas para frente, unidas pelas pontas dos dedos indicador e polegar, formando uma pirâmide no centro do gesto), que representa o controle das forças da natureza. No episódio 6, consegue juntar o poder aura num só ponto para manifestar o God Hand.



Já o gesto motor  de Kenta é o Jin (todos os dez dedos enlaçados num punho único), que simboliza a adivinhação de pensamentos e intenções das outras pessoas.

Quanto ao gesto motor de Akira  é o Retsu (os dois punhos juntos, sendo que o dedo indicador direito aponta para fora), que encarna o domínio do tempo e espaço.

Já o gestor motor de Sayaka é o Tou (todos os dez dedos, exceto os anelares e mínimos, juntos num punho único), que personifica a harmonia com o Universo.

E por fim, o  gesto motor da Keiko  é o Sha (todos os dez dedos, exceto os indicadores, juntos num punho único), que enquadra a cura de si mesmo.

Fora também que dá para se notar referências a maçonaria na simbologia dos seus uniformes.

A provável explicação esteja no fato de que os envolvidos na produção quiseram trazer um pouco do reflexo do que vinha acontecendo ao Japão dos anos 1980 vivendo o auge do crescimento econômico com sua moderna indústria tecnológica fosse com os eletrônicos ou mesmo com as marcas de carros e estava esquecendo um pouco de manter suas tradições milenares.

E a série trazia um pouco disso na maneira como mostra o desenho de um Buda com um corpo metade humano e metade metálico com toques tecnológicos que mostra a união harmônica entre a tradição milenar  e o moderno.

Essa imagem “surge quando o Comandante Sugata levita ou quando os heróis se concentram para despertar seu Ki (Aura Power). O Buda representa o estado de iluminação e o domínio absoluto da mente sobre o corpo, necessário para manipular o Ki.”(Pesquisa do Google).




Ou seja, a aparição tem um significado que não é só decorativo para a trama.

A trama de Maskman foi concebida pelas mãos de quatro roteiristas, dentre  esses estava presente: Shotaro Ishinomori, Hirohisa Soda, Kunio Fujii e Toshiki Inoue e teve sua direção assinada por Keita Amemyia e por Minoru Yamada(1926-1995).

A música de abertura e encerramento foi cantada por Hironobu Kageyama, o mesmo que cantou a música de abertura e encerramento de Changeman.

Um fato curioso sobre o elenco é que dois atores haviam participado de Flashman, mas,  não no mesmo episódio. No caso estou me referindo a Ryôsuke Umizu que representou o Takeo-Red Mask participou do episódio 27 de Flashman Golpe da Amizade, representando o amigo de Dan que é transformado em monstro por Mess, e Mina Assami que representou em Maskman o papel de Miho-Princesa Ian participou do episódio 40 de Flashman como a Sibéria, a guerreira de Mess.

 Inclusive, a mesma Mina Asami também representou a Igan, já que eram gêmeas. E após a série se aventurou no entretenimento adulto assim como a exemplo de Naomi Morinaga que participou de Spielvan.





Por falar em Flashman, o ator Yasuhiro Ishiwata que protagonizou o Gô-Blue Flash participa do episódio 34 de Maskman representando a forma humana do monstro de Tube Grondogla que seduz a Keiko-Pink Mask.




Outras curiosidades sobre o elenco da série é que Hissei Hirota que protagonizou o papel de Akira-Blue Mask, no ano seguinte participou de Jirayia-O Incrivel Ninja (1988-1989) na pele do ninja Ryu-Yanin Spiker.




O ator Hayato Tani que representou na série o papel do Chefe Sugata, já era popular no Japão por apresentar um programa chamado Takeshi Castle, um game show que no Brasil teve seu formato importado para virar o famoso quadro do Domingão do Faustão chamado de Olimpiadas do Faustão.




O ator por trás da máscara do Oyubu, o fiel ajudante de Barrabás que se caracterizava pela pele vermelha e por andar veloz era comparável ao Flash da DC Comics era Yoshinori Okamoto, que havia participado de duas produções de tokusatsu exibidas na Manchete, ele foi o Buba em Changeman e foi Galdan em Flashman.




No episódio 25 de Maskman, teve uma participação de Daigaku Sekine, que havia feito o Zampa em Jaspion.

No episódio da Mãe de Barrabás, temos a participação de Machiko Soga, representando o papel da mãe do vilão. Ela esteve presente em grande parte dessas produções de tokusatsu exibidas na Manchete.




No episódio A Aparição de Mask X-1, ocorre a repentina aparição  de Ryu Asuka, ajudando os Maskman se transformando em Mask X-1 que surpreende os próprios Maskman ainda mais que ele havia sido treinado por Sugata no Projeto M 10 anos antes.  




Por um bom tempo, principalmente quando veio a internet e foram surgindo fóruns da chamada Tokunet pré-redes sociais ali por volta dos anos 2000, como as comunidades do extinto Orkut, muitos equivocadamente defenderam e eu admito que fui uma dessas pessoas equivocadas  que o Mask X-1 foi o primeiro sexto membro numa série dessa franquia super sentai e não o Burai-Dragon Ranger  de Zyurangers (1992-1993) que foi a primeira a ser adaptada para Mighty Morphin Power Rangers (1993-)onde nessa contraparte o Ranger Verde que nos habituamos foi o Tommy vivido por Jason David Frank(1973-2022) que na contraparte japonesa foi vivido por Shiro Izumi que conhecemos como o Ozora-Change Pegasu de Changeman.




Mas, como foi argumentado por Bone Lopes, Mauricio Guache e Kleber Paz no vídeo do canal da Resistencia Tokusatsu postado em 15 de Julho de 2020 com o título MASK X-1 NÃO É O 6ºMASKMAN!!!, o que foi argumentado e embasado está primeiro no fato de que a própria Toei oficialmente não o  considera como o sexto membro na franquia cujo ponto de partida  começa com o Burai em Zyurangers.




 E segundo que dentro da estrutura narrativa do episódio ele nem era o primeiro Maskman e de fato ela não virou oficialmente já que tanto o modelo de uniforme e a maneira de se transformar foi de antes dos Maskman terem desenvolvido a transformação aura.

Tanto que a  energia  que ele carregava quando integrava  o Projeto M dez anos antes de Maskman surgir e quando Tube tomou conhecimento sequestrou e matou sua amada Yuko.

Ryu então inconformado decidiu abandonar o Projeto M. e no final usou o restante que tinha para impedir a energia do monstro Magmadogla  que enfraquecido foi derrotado pelos Maskman com a Bomba Projetil. E depois ele nunca mais apareceu e sequer foi mencionado, fora que ele não usava um veículo próprio.

Pode-se considerar com isso tudo que o Mask-X1, apesar de não ser oficialmente o primeiro sexto membro em uma equipe super sentai, pelo mesmo ele foi o embrião para que a Toei  testasse a ideia de um sexto membro que passou a se fixar com Zyurangers para poder alavancar a venda de brinquedos.

    Na dublagem brasileira, podemos reparar  com os ouvidos atentos que os membros de Tube costumam se referir aos monstros que eles criam  em cada episódio para tentar dominar a humanidade  com os nomes terminados em dogla, desde o primeiro episódio com: Isadogla, seguido de Gabiradogla no episódio 4, , Majimdogla no episódio 23, Magmadogla no episódio 39 dentre outros exemplos.




 E até mesmo o lendário Lissaldogla que é mencionado a primeira vez no episódio 35 que depois se descobre ser a real identidade do Rei Zeba.




A provável explicação pode estar na maneira como eles adaptaram no original  que é doggler, palavra inglesa   que superficialmente pelo que pude pesquisar significa numa tradução cão. Mas que pode mudar o significado dependendo do contexto. Aqui, posso supor que foi algo com cunho bestial, grotesco, híbridos.  Baseado possivelmente na maneira como era pronunciado no original, que por conta da dificuldade do japonês em soletrar palavras estrangeiras baseadas na maneira como eles costumam unir as leituras dos ideogramas dividido entre  kanjis, takanas e hiraganas, o que fato explica  a confusão na tradução.

As únicas exceções de criaturas que não levam os nomes terminados em dogla na série eram o Anagumas, o nanico monstro conselheiro de Tube e Okelamp que só aparece de forma rasa  para agigantar os monstros e ainda reclamar de estar cansado.

Aliás a dublagem brasileira também alterou os nomes de três dos cinco protagonistas: Takeru-Red Mask virou Takeo, Haruka-Yellow Mask virou Sayaka, não por acaso o mesmo nome da Change Mermaid em Changeman, e Momoko-Pink Mask virou Keiko. Do mesmo que houveram outras alterações nos países em que Maskman foi exportado como na França que virou Bioman 2, seguindo a mesma estratégia de marketing aqui no Brasil com Spielvan que virou Jaspion 2 como já mencionado no tópico de Spielvan.

E alterou o nome da Bomba Projetil que no original era Shorter Bomber.

A dublagem de Maskman teve algumas confusões, a começar pela princesa Igan que, no original, é chamada de Príncipe Igan por se tratar de uma mulher disfarçada de homem (apesar de seus traços delicados, voz feminina e batom).”

(Toku Blog).

O que faz sentido essa colação do site Toku Blog, ainda mais quando a gente lembra que no episódio 45 de O Segredo da Princesa Igan!  os quatro Maskman mantidos como reféns e vendo seu companheiro Akira-Blue Mask do lado dela como o Guerreiro Unas que ao ser direcionado a eles, além de libertar Akira do feitiço de Unas, também faz cair o elmo de Igan que escondia os seus longos cabelos lisos escuros  que lembravam Miho-Princesa Ian.  Além dos Maskman olharem espantados com a semelhança de Igan com Miho, de lá do monitor do mundo subterrâneo de Tube, Barrabás, o grande concorrente de Igan em sua reação de espanto comenta que Igan é uma mulher. Acabou criando ali um furo de roteiro, ainda mais quando a gente nota que a atriz que  representou  as gêmeas princesas de Tube Mina Asami carrega um sinal perto da boca ficaria muito evidente a semelhança das duas que ninguém nunca havia notado  antes.

Na versão dublada dos anos 1990,  as gêmeas Ian/Miho e Igan tiveram vozes  de duas dubladoras: Rosa Maria Barolli dublou a Ian  e Patrícia Scalvi dublou a Igan. Que se mostraram boas escolhas, já que cada uma soube como bem  moldar e incorporar as respectivas essências tão opostas das gêmeas. Patrícia Scalvi ao dublar Igan moldou bem no seu modo de falar grosseiro, berrante e autoritário a uma fachada de essência máscula por trás daquela armadura,  mostrando um ar amargurado, ainda mais quando percebe o grande engano que tomou a decisão  de abdicar ao trono a uma criatura como Zeba a quem passou a obedecer mostrando como ela conseguiu captar a essência rancorosa da personagem. Já Rosa Maria Barolli ao dublar a sua irmã gêmea traidora da Ian  conseguiu  se moldar bem ao seu  oposto trazendo o toque manso, suave, dócil que conseguiu se encaixar e captar  bem a sua essência de bom caráter. 

Há de considerar que esse episódio marca aquele ponto de virada no clímax  da série, principalmente quando no penúltimo A Forma Real de Zeba, onde Ian já liberta do cubo de gelo recebe do Protetor Divino Dragão Igan dá uma cuspida de raios que se transforma numa bola e some o que deixa tanto Igan e os Maskman intrigados por ele não a ter atacado. Ian explica que isso ocorreu porque o Dragão Igan é o Protetor da Família Igan e ao reconhecê-la não a atacou. Naquele mesmo momento, Zeba entra em pânico ao perceber que aquela bola trazia um conteúdo revelador sobre ele e manda Anagumas ataca-los e destruir aquela bola. É então que depois deles caírem após um terremoto que aquela bola magneticamente acaba atraída num lago  para que faz uma reprodução, Ian então explica  que aquilo era salvo equivocou meu, o  cristal registrador, onde de lá discretamente Igan acompanhada de Fumin e Oyubu observam eles olhando o cristal reproduzindo na água a explicação de quando o clã da Família Igan enfrentou o malvado Monstro Lissaldogla tão comentado e conseguiram derrota-lo. O que eles não sabiam era que  Lissaldogla antes de morrer conseguiu usar das últimas energias que lhe restavam para gerar um filhote, esse filhote após chocar o ovo,  virou hospedeiro do corpo do Monstro Lissaldogla se tornando Lissaldogla II que se tornaria o temido Rei Zeba.

Essa revelação deixa todos chocados inclusive Igan, a bola iria revelar sobre a profecia de um par de gêmeos que seriam destinados a serem a salvação para derrota-lo, nesse momento aparece Anagumas para interromper a mensagem e destrói a bola e eles começam uma batalha que resulta no fim de sua vida.

Só no último episodio passará a ficar evidente depois  que Igan  viu todo o seu  reinado destruído por deixar nas mãos de um demônio é que ela se alia aos Maskman e juntam sua energia e de  Ian para acabar contra o temido Zeba, que finalmente ao se enfraquecer tirou o pomposo,  extravagante e majestoso manto de rei e a mascara negra que escondia sua real faceta grotesca e horrenda  do Monstro Lissaldogla e dá-se início a batalha decisiva dele contra os Maskman. Que após a sua derrota Igan resolve pagar penitencia virando freira, entrando num convento para pagar pelos seus pecados e Ian acaba assumindo o trono do subterrâneo após ter sido destruído por Zeba, ela não termina com Takeo infelizmente como se espera num felizes para sempre de conto de fadas. 

Em paralelo a exibição na tv, foi produzido um filme curto de duração aproximada de 10 minutos, que foi exibido no Toei Manga Matsuri, um festival de cinema infantil  em 18 de Julho de 1987, junto com outras produções como os animes de Drago Ball e Cavaleiros do Zodíaco.

Esse filme trazia uma abertura diferente do que víamos na série, onde mostrava os cinco integrantes dançando  ao som de Hironobu Kageyama fazendo uma coreografia  um tanto ridícula que chega a soar me faltando um adjetivo melhor adjetivo  um tanto brega.  Dança essa que ele reproduziram no final do episodio 47, A Dança da Morte que foi exibida originalmente no Japão  em 23 de Janeiro de 1988 ao som da mesma canção.




Diferente dos outros exemplos, Maskman  conseguiu ter sua exibição completa com todos os episódios dublados.

Nessa série, o nome do  famoso espadachim de Tube, Barrabás foi inspirado no personagem bíblico de um prisioneiro judeu do primeiro século, descrito nos Evangelhos como um salteador, assassino e líder de uma insurreição contra o Império Romano. Ele é notório por ter sido libertado por Pôncio Pilatos no lugar de Jesus Cristo, após a multidão em Jerusalém escolher poupá-lo durante a Páscoa.





O nome da nave Turboranger usada pelos Maskman para armazenar seus mechas foi posteriormente usado  numa série super sentai que se chamaria Kousokou Sentai Turboranger(Japão, 1989-1990) que quase foi exibida aqui no Brasil.


 




Também chama a atenção o fato deles carregarem estampado no peito  o número cinco, o que pode ser explicado pelo fato de que o seu nome original seria Fiveman. Que acabou sendo escolhido para ser o nome da série três anos depois que foi Chikyuu Sentai Fiveman(Japão, 1990-1991).  O que explica o fato do robô gigante ser chamado de Great Five e não Great Mask.





E para encerrar o tópico de Maskman, o último fato a se comentar sobre a série, é que  ela foi reprisada pela Manchete em 1999, muito provavelmente acredito que eu tenha sido uma das poucas pessoas no Brasil que chegou a acompanhar essa reprise na Manchete. Digo isso porque, naquele momento a Manchete estava dando seus últimos suspiros de vida devido a crise financeira que ela se encontrava naquele momento, algo que já  a vinha acompanhado desde o começo dos anos 1990 e foi se agravando após  a morte de seu fundador Adolpho Bloch em 1995.




Ela já tinha perdido alguns sinais de transmissão por todo o Brasil naquele momento, ainda mais  que algumas de suas afiliadas haviam trocado de emissora. Como foi o caso aqui no Rio Grande do Norte, onde a Manchete tinha como filiada a TV Tropical, fundado em 1987 pelo grupo oligárquico político  da Família  Maia, que era filiada da Manchete, mas a partir de 1998 passou a virar filiada da Record.






Sua transmissão devia se limitar ao Eixo Rio-São Paulo, como por sorte eu tinha um aparelho de antena parabólica que ainda captou os respiros finais da Manchete até o dia 10 de Maio de 1999. Onde a programação  daquele primeiro semestre estava bem bagunçada, onde estavam reprisando a primeira versão de Pantanal (1990) para tapar o buraco após o fim abrupto de Brida(1998).  Junto com a reprise de Jirayia e do anime de Yu Yu Hakusho.








E também acompanhou a fase de transição com o nome provisório de TV Ômega que a partir do dia 15 de Novembro de 1999 virou RedeTV.





Segundo pelo que César Filho****** em seu texto do Blog do Daileon publicado em 10 de Maio de 2019, dedicado aos 20 anos do fim da Manchete, essa reprise de Maskman ocorreu como uma surpresa:

Sem aviso, Maskman  retornava à Manchete. Sendo a última série japonesa a ter uma reestreia na emissora. O Super Sentai de 1987 voltou no dia 23 de janeiro  e inicialmente era exibido aos sábados às 20h e aos domingos às 19h

.”

Esse tapa buraco ocorreu devido ao fato de que como a Manchete não organizou televisionar o Desfile das Escolas de Samba por conta da parceria com a Igreja Renascer Maskman apareceu  como uma opção da programação como bem embasou o Blog do Daileon:

“A Manchete não havia programado exibição do Desfile das Escolas de Samba daquele ano, uma vez que o carnaval é contra os princípios da fé evangélica. Os Bloch romperam o contrato com a Renascer em 12 de fevereiro por “descumprimento de cláusulas contratuais”, segundo comunicado lido no Jornal da Manchete. Era sexta-feira de carnaval e a programação seguiria normalmente. Porém, o programa Mulher de Hoje não foi apresentado nos dias 15, 16 e 17 de fevereiro. A faixa vespertina da Manchete foi mantida nos dois últimos dias do carnaval e mais na quarta-feira de cinzas por uma dobradinha de Maskman (das 15h às 16h) e compacto de edições anteriores do carnaval. A medida era emergencial. A Manchete havia exibido apenas os seis primeiros episódios de Maskman até então e o restante dos episódios foram liberados após a folia.

O fim da parceria dos Bloch com a Renascer e também a saída de Claudete Troiano deixaram a programação da Manchete desestabilizada a partir de março. Basicamente a grade se resumia à programação religiosa pela manhã, infomerciais intercalados com as séries japonesas e mais o Manchete Clip Show. O horário nobre seguia com as exibições dos programas Pra Valer (19h45), Jornal da Manchete (20h45), Pantanal (21h15), Se Liga Brasil, (22h15) Frente a Frente (23h) e Estilo Ramy (23h30).

Quanto às series japonesas: Jiraiya passava às 9h30 e às 17h15. Shurato às 10h e às 17h45 (dois episódios no fim de tarde). Yu Yu Hakusho às 10h30 e às 18h45 (também com dois episódios no fim de tarde). Maskman era a série “isolada” da programação e era exibida com dois episódios das 12h às 13h. A programação seguiu assim até 31 de maio, três semanas após à venda da Manchete.”

 

 

 

 

 

 

 

 

CONEXÃO COM A DUBLAGEM

Um ponto em comum que essas três produções tão diferentes carregam entre si, que foram exibidas na mesma emissora  envolvem suas conexões com importantes selos.





Os selos em questão dos quais me refiro são da produtora japonesa Toei Company, a responsável por produzir essas séries e onde tivemos as participações de alguns atores como mencionei em cada um dos tópicos.

Outro selo importante em questão que as conectam  é o da Everest Vídeo, que foi responsável por distribuir essas séries aqui no Brasil, nem todas que mais para frente explicarei.



Dentre esses selos o foco principal aqui  foi no da empresa de dublagem Álamo, um importante estúdio paulista cuja referência pela qualidade de som o fazia equivaler  no mercado da dublagem ao extinto estúdio carioca da Herbert Richers.  Essa empresa foi fundada em 1972 pelo britânico Michael Stoll, um ex-técnico da Companhia Cinematográfica Vera Cruz,  que por mais de 30 anos, essa empresa foi a referência na dublagem, marcada com o  locutor anunciando Versão Brasileira Álamo.

E como a dublagem de ambas foi feita nesse estúdio, dá para se notar o padrão de vozes repetidas, provavelmente porque iam de acordo com a disponibilidade de escalação  dos dubladores que tinham contrato fixo com a empresa.

Isso é algo que ocorreu desde quando Jaspion e Changeman estrearam na grade da Manchete no programa Clube da Criança  comandado pela jovem  Angélica Ksivicks em começo de carreira como apresentadora em  Fevereiro de 1988 cuja dublagem também foi feita pela Álamo que já  tínhamos esse padrão.

 
Foto rara da apresentadora Angélica então bem 
novinha em começo de carreira apresentando 
o programa Clube da Criança na extinta Rede Manchete
ao lado do Jaspion e do Change Griphon nessa foto datada 
de 1988/1989 provavelmente. É muito provável que as pessoas 
por trás uniformes trazidos por Egashira para a apresentação do Circo Show  
sejam os dublê que se apresentavam no circo. 


Com base no que pesquisei sobre as informações que colhi de sites brasileiros que  trazem os dados dos créditos de dublagem dessas produções como: Fandom ou mesmo Dublapédia ou Dublanet, pude perceber que realmente havia esses padrões da dublagem.

Tipo, ao mesmo tempo que ouvíamos Carlos Takeshi dublando o Jaspion, ele também dublava o Hayate/Change Griphon em Changeman, Armando Tiraboschi em Changeman dublava o Ozora/Change Pegasu em Changeman e o Professor Nambara em Jaspion, Neuza Azevedo(1943-2020) dublava a Sayaka/Change Mermaid em Changeman e dublava a Purima em Jaspion dentre outros exemplos como: Nair Silva(1939-2020) que dublou Ahames em Changeman e a Goryu em Jaspion, Borges de Barros(1920-2007) que dublou o Edin em Jaspion e o Gaata em Changeman, assim como  Ricardo Medrado(1947-2002) entrou fazendo  a segunda voz do Tsuruji/Change Dragon em substituição a Paulo Ivo(1957-2024) e em Jaspion ele foi a segunda voz do MacGaren em substituição a Francisco Borges(1935-2008) que também fez as narrações da série.




Fora também quando eles eram repetidos em personagens não fixos que são chamados de pontas no jargão da dublagem como o personagem sem nome  que só aparece falando uma frase curta referido  também como vozes adicionais.

Isso foi acontecendo com as séries de tokusatsu posteriores que a Manchete  foi exibindo nessa fase explosiva  com frequência até por volta de 1992. Com a dublagem produzida pela Álamo.

Foi quando veio Flashman que também  foi distribuído pela Everest Video, também vieram algumas repetições de vozes que se tornaram padrão nessas produções. Libero Miguel(1932-1989) que dublou a voz do Monarca La Deus e foi o diretor de dublagem ele também participou dublando as  vozes de monstros em Changeman, foi uma das vozes masculinas da Shima e foi um dos diretores e dublou o Ikki e o Satan Goss onde também havia dirigido a dublagem.

Foi em Flashman que Carlos Alberto Amaral passou a ser voz padrão de narrador em substituição a Francisco Borges que dublou até o episódio 10.

Com a frase introdutória:

Um dia cinco crianças foram raptadas e levadas para os confins do Universo. E após 20 anos...”


 
Foto rara dos bastidores da Álamo,
provavelmente nos final dos anos 1980. 


Foi a partir de Flashman que passamos a ouvir recorrentemente as vozes de Francisco Bretas dublando o Jin/Red Flash, o saudoso Eduardo Camarão(1964-2023) que fez a voz do Dan/Green Flash que em Jaspion apareceu fazendo a voz do Rod,   o também saudoso Carlos Laranjeira(1956-1993) foi responsável por dublar o Gô/Blue Flash esse que tinha feito a voz do Boomerman em Jaspion, Lúcia Helena como a  Sara/Yellow Flash que tinha participado de Changeman como a voz da Nana crescida e em Jaspion fez a segunda voz da Kanoko dentre outros exemplos.  




Fora que também a Álamo dublou outras três séries de tokusatsu exibidas na Manchete, mas que foram distribuídas por outra empresa, no caso  a Top Tape, essas três que  me refiro são:  Jiban,  Jiraiya e Lion Man, onde essa última  no caso não era uma produção da Toei, mas da extinta P-Productions, a mesma que produziu Spectreman que foi exibido pelo SBT começo dos anos 1980 antes da onda de Jaspion na Manchete. 



 

Em Jiban******** o seu elenco de dublagem contou com Carlos Laranjeira dublando o protagonista Naoto Tamura/Jiban, Lúcia Helena dublando a policial Yoko Yanagni, Francisco Bretas dublando o alivio cômico do Seichi, também contou com João Paulo Ramalho dublando o Dr. Jean Marie, Márcia Gomes(1947-2024) que em Changeman dublou a Mai/Change Fênix dublando em Jiban a Madogarbo, Christina Rodrigues que dublou a Lu/Pink Flash em Flashman dublando a Kennon a ajudante de Jean Marie e teve Carlos Alberto Amaral como narrador  da história.

Na dublagem de Jirayia também tivemos algumas vozes repetidas de outras de outras produções de tokusatsu  como Mauro Eduardo que fez a voz do protagonista Toha Yamashi/Jirayia foi a voz do robô Halley em Jiban onde dividiu com Eduardo Camarão, Cecilia Lemes que dublou a Key/Emiha dublou a segunda voz da Anri em Jaspion.  Contou com Libero Miguel dublando o Dokusai, mas com seu falecimento Gilberto Barolli que dublou o Sargento Ibuki em Changeman e fez o Aigaman em Jaspion assumiu a voz do Dokusai. Carlos Laranjeira e Eduardo Camarão na voz de Ryu/Yanin Spiker. Assim como os nomes de Gastão Malta(1937-1992) que dublou o Barão Owl em Jirayia, também  dublou em Changeman alguns monstros  e o Dr. Kefflen em Flashman dentre outros exemplos, como contar com Carlos Alberto Amaral como narrador.




E Lion Man********, dentre os dubladores repetidos há de mencionar o nome de Carlos Alberto Amaral como narrador, de Francisco Bretas dublando o Jaguar que contou com  a direção de Gilberto Barolli.

A Álamo também dublou as séries tokusatsu que passaram na Bandeirantes ao longo do ano de 1990, mas que foram trazidas por uma obscura empresa italiana chamada de Oro Filmes.

Essas séries tais exibidas na Bandeirante  foram: Sharivan, Google Five, Machineman e Metalder que foi distribuída pela Everest Video*********.

Em Sharivan cujo protagonista foi o já mencionado Hiroshi Watari, teve sua voz dublada por Elcio Sodré, quem narrou  foi Carlos Alberto Amaral, contou com Nair Silva dublando a Senhorita Akuma 1 e Márcia Gomes dublando a Doutora Potters, as asseclas de Maosaik, o chefe da MAD, assim como teve a participação de Carlos Laranjeira dublando o Gavan.




Google Five(1982-1983) cuja qualidade da dublagem foi a mais criticada dessa leva de séries tokusatsu que passaram na televisão brasileira teve em seu elenco de vozes:  Francisco Bretas como o Akama/Google Red, Mauro Eduardo como Ayohama/Google Blue, Nair Silva como Mazurka a assecla de Taboo, chefão de Desdark.




Quanto a Machineman (1984-1985) teve seu protagonista representado pelo saudoso Osamu Sakuta(1958-2020)  dublado por Eduardo Camarão e contou curiosamente com o saudoso Zezinho Cútolo(1931-2017) dublando seu simpático companheiro Ball Boy que no original sua voz é de Machiko Soga. Esse que também esteve em Jiban dublando o Boris. Sua voz característica para dublar crianças o fez dublar muito menino que apareceu nessas séries.




Do mesmo modo como tivemos em Metalder, outras presenças recorrentes nas dublagens de tokusatsu: Ricardo Medrado, Carlos Alberto Amaral, Cristina Rodrigues dentre outros.




E essa mesma Álamo foi a responsável por dublar essas três produções  de tokusatsu que foram abordadas ao longo desse texto.

Em Spielvan como já mencionei no seu tópico, o protagonista teve a voz de Ézio Ramos que também e  é creditado como diretor de dublagem, Ézio fez algumas participações em Flashman como o Galdan  Maskman e em Kamen Rider Black como uma das vozes adicionais de personagens secundários não fixos na trama, em Maskman ele é creditado a dois personagens ao Doutor Yagamata que foi o responsável por criar o Robô Galaxy  onde ele apareceu nos episódios 21 e 22 e como o Engenheiro Akayike nos episódios 28 e 29 que ajudou os Maskman na construção do Jato Canhão em substituição a Bomba Projetil destruída por Kiroz. Já em Kamen Rider Black ele aparece como dublador do Tetsumi, a forma humana do Monstro Mutante Rato.


 
Entrevista rara do dublador Ézio Ramos para a jornalista
Márcia Telles para um programa chamado Mercador Vídeo
gravado em 1991. Mesma época das dublagens dessas séries tokusatsu
que passaram na Manchete. 


Fora que  também constam nos créditos os nomes de Francisco Brêtas que dublou o Takeo/Red Mask em Maskman também dublou o Shadow Moon em Kamen Rider e o Daigoro, o cientista medíocre de Spielvan, do mesmo modo foi com Elcio Sodré que em Kamen Rider dublou  o protagonista Issamu Minami, em Maskman dublou o Oyubu e em Spielvan dublou o Guiotini.

Consta também o nome de Carlos Laranjeira dublando o Kenta/Black Mask que já feito as vozes dos já mencionados, assim como consta o nome de Gilberto Barolli dublando o Chefe Sugata que como já foi mencionado, dirigiu e dublou muitos dos personagens dessas produções, inclusive consta que ele dublou o Fantasman em Spielvan.




Assim como consta entre outros nomes: Cecilia Lemes, que para quem gosta de assistir  Chaves, deve com certeza assimila-la a voz da Chiquinha participou como mencionei em Jaspion como a segunda voz da Anri e participou de duas dessas produções aqui focadas. Foi a Diana em Spielvan e em Maskman dublou a Higashi, uma ajudante de Sugata.

Alessandra Araújo que dublou a Sayaka/Yellow Mask, também dublou em Spielvan a Lay e Kamen Rider dublou a forma humana do Monstro Mutante Anêmona, Rosa Maria Barolli que dublou a Miho/Ian em Maskman também dublou a Satie em Kamen Rider Black.

O saudoso José Parisi Júnior (1953-2018) dublou o Rei Zeba em Maskman e  o Baraom, um dos Sacerdotes Gorgom em Kamen Rider Black, curiosamente ao mesmo tempo que ele estava dublando esses personagens,  ele também estava inaugurando uma empresa de dublagem chamada de Parisi Vídeo onde  ele contou como sócio seu pai o ator José Parisi(1917-1992) que foi um dos primeiros artistas a estrelar novelas na televisão brasileira e também fez carreira na dublagem. Essa empresa ficou marcada por  dublar  os animes de Pokémon e InuYasha fechou suas portas em 2006.




Algo parecido também ocorreu com João Francisco Garcia que dublou também muitas das levas de tokusatsu como em Google Five dublou o Professor Hongo, O Leider em Sharivan, o Anagumas em Maskman e o Doutor Bio em Spielvan que nesse mesmo período fundou a empresa de dublagem Dublavideo que se encontra ativa até hoje.

Do mesmo modo, a exemplo de Rosana Perez que dublou a Keiko/Pink Mask em Maskman, em Spielvan dublou a Mirva e fez a voz Kyoko em Kamen Rider Black, sobre essa inclusive ela já não atua mais no ramo da dublagem há anos desde que se mudou para a Espanha.


  
Imagem rara da dubladora Rosana Perez que apareceu 
na mesma matéria onde Ézio Ramos deu entrevista datada de 1991.
Mesma época que ela participou das dublagens dessas séries. 
Há um bom tempo que ela se afastou da dublagem, ainda mais depois 
que se mudou para a Espanha. 



Outra dubladora que também não atua mais no ramo assim como a exemplo de Rosana Perez e que também dublou nessa leva de séries tokusatsu que passaram na Manchete é Dione Leal, que em Maskman dublou a Fumin, em Spielvan dublou a Gash e Kamen Rider Black consta que ela dublou muitas vozes de mães de crianças que foram as protagonistas dos episódio, ou seja, era uma das vozes adicionais.




A saudosa Maximira Figueiredo(1939-2018) dublou nessas personagens vividas pela atriz Machiko que foi a Rainha Pandora em Spielvan e a Mãe de Barrabás em Maskman quando faleceu em 2018  ela já estava aposentada da dublagem desde os anos 2000.  Outro nome também saudoso é o de Ricardo Nóvoa(1929-2021) que em Spielvan dublou o General Deslock e em Kamen Rider Black o Sacerdote Gorgom Danker. Assim como a exemplo de Maximira Figueiredo,  ele já estava aposentado da dublagem desde os anos 2000 quando faleceu em 2021.  




Um  outro caso  curioso da dublagem brasileira é  a presença  de Wendell Bezerra que em Maskman dublou o Akira/Blue Mask, personagem vivido por Hissei Hirota que em Jirayia foi dublado por Carlos Laranjeira que em Maskman foi a voz do Kenta/Black Mask vivido pelo ator  Koich Kurasaki.




Numa entrevista que ele concebeu ao canal Tokudoc em 2018, onde Danilo Modolo mostrou os trechos de vozes dele além de dublar o Akira  e sua surpresa desde começou moleque com 14 anos dublando em Jaspion o Koko e o Daisuke e em Changeman o Wallage e mostrou as vozes adicionais dele dublando garotos em Kamen Rider Black e quando já estava com a voz característica de Goku. Ele explicou que como não tinha  muita criança para dublar, ele com 15, 16 anos ainda era escalado para dublar garotos com 8 anos, já que preferiam que ele dublasse vozes de garoto do que mulher.




Também chama a atenção mostrando os personagens de meninos que ele dublou em Cybercop, que foi dublado no estúdio paulista da BKS,  no entanto, chegou a contar  entre seu elenco de vozes com Denise Simonetto(1955-2025) que fez a voz a primeira voz da Anri em Jaspion e de Patricia Scalvi********** dublando a Luna.

Essa também esteve presente na três séries, dublando a Igan em Maskman, a Hellen em Spielvan e a Madame Pérola em Kamen Rider Black.

Um outro fato curioso sobre as dublagens dessas séries, é que pelo menos em Maskman e Spielvan consta o nome creditado de Alan Stoll como locutor ao lado de Carlos Alberto Amaral que foi o narrador.



Esse Alan Stoll é filho do dono da Álamo Michael Stoll que passou a comandar o estúdio depois do falecimento do pai  em 2005, ele comandou a empresa até o seu fechamento em 2011, motivado como consequência da crise financeira gerada pela alta concorrência de estúdios menores.

O que me faz lembrar que a primeira vez que eu havia ouvido falar desse nome foi quando lá atrás por volta dos anos 2000,  eu integrei uma  das antigas comunidades da tokunet brasileira no Orkut,  alguém lançou a pergunta quem era o misterioso locutor que lia os letreiros dos episódios e uma dubladora  que não me recordo agora o nome  respondeu citando  o nome de Alan Stoll.

Muito provavelmente sua função de locutor a que ele foi creditado nessas séries era para ler o que na dublagem é denominado de placas que  referem-se à prática de ler em voz alta textos, avisos, placas de rua, bilhetes ou menus que aparecem escritos na tela durante um filme ou série. Cujo objetivo principal é garantir que o espectador entenda a informação escrita sem precisar pausar ou se esforçar para ler, sendo fundamental para acessibilidade, especialmente para deficientes visuais.

Isso é um recurso comum na dublagem, o locutor fazer apresentação do titulo da obra e falar o versão brasileira com o nome do estúdio.

A função de Alan Stoll em Maskman pode se equivaler a função de quando Ronaldo Artnic que dublou o Cavaleiro Ladrão Kiroz que foi o locutor dos episódios em Dragon Ball Z.



Posso concluir que essas três séries carregam em comum muita conexão de importantes selos que a tornaram marcadas na memoria afetiva da Geração Manchete, dentre esses o da extinta Álamo que com seu trabalho dublagem ficou muito marcado nas nossas memórias visuais e auditivas.



*Shotaro Ishinomori publicou um mangá desse primeiro Kamen Rider de 1971 que em 2021 ganhou uma publicação no Brasil pela Editora NewPop. Em 2023, ele ganhou uma adaptação para cinema que contou com a direção do Hideaki Anno. Ele se encontra disponível na Amazon Prime Video.




**A Toei se baseia no modelo da cronologia japonesa para definir qual divisão de Kamen Rider  de cada época. Do primeiro de 1971 até Kamen Rider Black  RX de 1988 eles compõe a Era Showa que também inclui os três filmes  lançados quando a franquia ficou num hiato na década de 1990. De Kamen Rider Kuuga lançado em 2000 até Kamen Rider ZI-0 de 2018 é marcado pela Era Hesei e a  atual Era Reiwa teve início a partir com Kamen Rider Zero-One de 2019.

***De todas as séries tokusatsu exibidas pela Manchete Cybercop, foi a única em que a dublagem não foi produzida na Álamo, mas sim no estúdio da BKS que fica localizado em São Paulo-SP assim como a Álamo.

****A Herbert Richers foi uma empresa de dublagem que levava o nome de um produtor de cinema que se chamava Herbert Richers(1923-2009) que ficava localizado no Rio de Janeiro. Uma grande referência no ramo da dublagem, principalmente pela fala de “Versão Brasileira Herbert Richers”. Pouco tempo após o seu falecimento, “o estúdio não conseguiu mais se manter e fechou pouco depois, em 2010. O prédio foi vendido a um grupo de empresários por R$ 1,7 milhão. Com o aumento de concorrentes em outras cidades que ofereciam trabalhos com preços menores, o estúdio teve o seu rendimento radicalmente diminuído. O estúdio fechou as portas devendo cerca de R$ 8 milhões em dívidas trabalhistas e com 28 ações movidas por ex-funcionários. Para quitar as dívidas, o imóvel e os equipamentos do estúdio foram penhorados e levados a leilão. Em 2 de novembro de 2012, o prédio foi atingido por um incêndio.”

(WIKIPÉDIA).

*****Em 2023, Gorenger a primeira série da franquia super sentai ganhou uma publicação em mangá no Brasil, publicada pelo selo da New Pop.




******Não confundir o nome desse César Filho do Blog do Daileon  com o nome do César Filho também jornalista que é popularmente conhecido pela vasta carreira que tem acumulado de apresentador com passagens por diversas emissoras e atualmente se encontra no SBT no comando do SBT Brasil e do SBT Reporter. Eles são apenas homônimos.

*******Jiban também enfrentou o problema parecido de Spielvan e Kamen Rider Black que foi não ter exibido os seus últimos episódios, muito provavelmente a Top Tape deve ter enfrentado os mesmos problemas na burocracia no processo de importação das fitas masters como a Everest Vídeo enfrentou. “Os dois últimos episódios, que originalmente não foram exibidos no Brasil, foram dublados em português pela primeira vez pela Dubrasil e lançados no segundo box de DVDs, da coleção à venda pela Focus Filmes, no ano de 2011.”(FANDOM).

Do elenco da dublagem clássica de Jiban da Manchete, participaram dessa dublagem dos últimos episódios desses DVDs da Focus Filmes como:   Lúcia Helena dublando a Yoko, Francisco Brêtas como Seichi, Alessandra Araújo como Marshall e Cristina Rodrigues como Cannon. Dentre algumas substituições por conta de afastamento ou mesmo falecimento. É o caso de Figueira Júnior que assumiu a voz do protagonista no lugar do já falecido Carlos Laranjeira, Luciana Baroli foi quem dublou a menina Mayumi no lugar de Rosana Perez que já não atuava mais na dublagem, César Emilio é quem dublou o Dr. Jean Marie no lugar do falecido João Paulo Ramalho, Zodja Pereira foi quem assumiu a voz de Madogarbo no lugar da Márcia Gomes que naquele momento mesmo ainda se mantendo ativa na dublagem, mas já tinha deixado de lado o oficio de dubladora e estava trabalhando como diretora de dublagem  até ela falecer em 2024. Sobre essa Zodja Pereira inclusive, ela é também creditada como diretora de dublagem ao lado de seu filho Hermes Baroli, lembrado como a voz do Seyia de Cavaleiro dos Zodíaco que são os proprietários da Dubrasil. Que na dublagem dos 50 episódios de Jiban  exibidos na Manchete, a direção de  dublagem feita na Álamo tinha sido de Nair Silva(1939-2020) e consta que quem assumiu a locução desses dois episódios de Jiban  no lugar de Carlos Alberto Amaral que quando faleceu em 2009, já  se encontrava afastado da dublagem foi Gilberto Rocha Júnior.

********Segundo o texto do site da Dublapédia sobre as informações a respeito da dublagem  de Lion Man ela é muito limitada: “O número de episódios dublados é desconhecido. Em uma live do canal Resistencia Tokusatsu, com a participação de Lúcia Helena, Ivan Betarelli pergunta se Lucia se lembraria de Alexandre Reinecke, segunda voz de Shihimaru. Durante a conversa, Ivan menciona que, em uma conversa privada que teve com Alexandre, ele afirmou não se lembrar de dublar a série até o final. Ivan menciona o fato da exibição ser incompleta e diz que é um mistério se foi escalada uma terceira voz para o herói. Sabe-se que a que a dublagem foi exibida até o episódio 22, entretanto, se desconhece até que ponto as gravações chegaram. Devido à falta de informações, não é possível verificar se o relato de Alexandre está correto.  O número de episódios transmitidos é incerto. Apesar da maioria das fontes afirmarem a exibição de 10 a 15 episódios, graças a existência do episódio 22 dublado, além da afirmação vinda da Wikipédia em inglês, sabe-se que cerca de 22 episódios foram transmitidos.   Shishimaru é chamado de "Shimaru" durante a dublagem provavelmente por motivos de cacofonia.   Nos dois primeiros episódios, Diabo Gosum foi chamado de Satã Goss, o mesmo nome do vilão de O Fantástico Jaspion.”  Por essa série de fatores, pode-se dizer que a dublagem de Lion Man figura entre os muitos  exemplos de lost media da dublagem brasileira

 

*********Segundo informações do Dublapédia sobre os bastidores  da dublagem de Metalder que modificou alguns nomes de alguns personagens, é que na entrevista que Élcio Sodré concebeu ao canal Resistência Tokusatu “foi mencionado uma história sobre Tatá Guarnieri ter problemas com a Álamo e que Élcio seria a voz de Metalder. Segundo o relato de Élcio, Carlos Alberto Amaral contou que Michael Stoll pediu para não incluir Tatá em dublagens, Carlos disse que achava que o papel seria de Élcio. Um tempo depois, Tatá volta ao estúdio após resolver o ocorrido e veio a dublar Metalder.” Também segundo o Dublapédia, essa dublagem de Metalder encontra-se atualmente indisponível: “A dublagem da série está, até o presente momento, indisponível em fontes oficiais. Em entrevista ao canal Tokudoc, Toshihiko Egashira, dono da Everest Video, conta que durante a compra do seriado pela Bandeirantes não houve permuta, isso é, negociações visando abrir espaços para anuncios dos produtos durante a programação. Metalder acabou por não receber nenhum produto em território nacional vindo de fontes oficiais. Apesar disso, sua adaptação americana, VR Troopers, recebeu VHS oficiais. Uma fita selada com os dois primeiros episódios chegou a ser produzida, mas nunca disponibilizada. A fita circulou nos anos 2000 e está em posse de colecionadores, porém jamais apareceram materiais gráficos desta fita.” Pode-se concluir que a exemplo de Lion Man, a dublagem de Metalder figura como outro exemplo  de Lost Media da dublagem brasileira.

 

**********A dubladora Patrícia Scalvi também fez  carreira no entretenimento adulto assim como a exemplo  das duas atrizes que ela dublou nessas séries. No caso, me refiro a  Naomie Morinaga em Spielvan e Mina Asami em Maskman. Entre os anos 1970 e 1980, ela estrelou muitas produções de pornochanchada do cinema brasileiro. 


 
Cena de Patricia Scalvi nua no filme A Noite das Taras(1980), produção
da Fase Pornochanchada do cinema brasileiro. 


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