No
dia 22 de Abril de 1991, estreava na
programação da extinta Rede Manchete um
pacote de três séries japonesas do gênero tokusatsu que vieram na onda da
explosão de Jaspion e Changeman no final dos anos 1980.
As
três séries em questão a qual estou me referindo são: Guerreiro Dimensional
Spielvan, Kamen Rider Black e Defensores da Luz-Maskman.
Vamos
recordar do que se tratava cada uma dessas séries que estrearam na grade da Manchete
há 35 anos.
GUERREIRO
DIMENSIONAL SPIELVAN
Em Guerreiro Dimensional
Spielvan (Jikuu Senshi Spielban (時空戦士スピルバン, Jikū Senshi Supiruban,Japão, 1986-1987)
foi uma produção da Toei Company que estreou no Japão em 7 de Abril de
1986, portanto completou 40 anos agora em 2026 de sua estreia no Japão, compondo
a franquia dos Metal Hero, foi a sucessora do Jaspion no Japão.
Tanto
que até curiosamente por uma estratégia de marketing recebeu aqui no
Brasil o nome de Jaspion 2. Cuja
distribuidora foi a mesma de Jaspion, a Everest Video de propriedade do senhor
Toshihiko Egashira.
A
trama de Spielvan girava em torno do jovem Kenji Sonny/Spielvan e sua
companheira Diana/Lady Diana, eles são os únicos sobreviventes do Planeta Clean
que foi destruído pelo malvado Império Water.
Essas crianças são mandadas por suas mães dentro de uma nave em animação
suspensa, onde lá dentro da nave crescem
após adormecerem e vem para a Terra,
onde aqui vão tentar impedir que o Império Water domine nefastamente a
humanidade.
Ao
longo de sua jornada Spielvan descobre que os Water haviam separado do seu pai
Dr. Paul e de sua irmã Hellen quando os
sequestraram, fizeram uma lavagem cerebral que os transformaram em Dr. Bio, o subordinado
da Comandante da Nave Water Rainha
Pandora e Hellen virava a androide maligna Herbaira.
Hellen
que depois resolve se aliar a Spielvan e
vira reforço com sua armadura de Lady Hellen que é semelhante a Diana, na luta contra Water e seus exércitos formados pelos
Soldados Clowns, General Deslock, Trio das Tropas Espiãs e os Guerreiros
Mecanóides e Bionóides enviados a cada episódio como os monstros do dia.
Spielvan
contou ao todo com 44 episódios, sendo que os quatro últimos do 41 ao 44 nunca passaram no
Brasil.
A
autoria do roteiro é atribuída a Saburo Yatsude, que na verdade, se trata de um
codinome coletivo creditados a todos os roteiristas da Toei em qualquer
produção de tokusatsu.
A
série contou como protagonista de Spielvan com Hiroshi Watari, que protagonizou Sharivan em Detetive Espacial Sharivan(Uchuu
Kenji Sharivan, Japão, 1983-1984) que
foi exibido no Brasil pela Bandeirantes(atual Band) em 1990. E foi o Boomerman no Fantástico Jaspion(1985-1986).
Diana é interpretada por Makoto Sumikawa que em 1988 seria Reiko em Kamen Rider Black RX (Japão, 1988-1989) que estreou no Brasil em 1995, sendo exibido também pela extinta Rede Manchete junto ao pacote de Solbrain(1991-1992).
E
Helen/Herbaira é interpretada por Naomi Morinaga que foi a Annie em Policial do Espaço Shaider(Uchuu
Kenji Shaidá, Japão, 1984-1985), que foi exibido no Brasil também estreando em
1991, sendo que pela Rede Globo. Um fato curioso é que ela logo após a série
foi fazer carreira no cinema de entretenimento adulto.
A
série também contou em seu elenco com a participação de Machiko
Soga(1938-2006), que também foi presença marcante nas produções de tokusatsu
dos anos 1980 que passaram no Brasil.
Outro
fato curioso a respeito do elenco de Spielvan diz respeito a
participação do saudoso Ichiro Mizuki(1948-2022),
que representou o pai de Spielvan, Dr.Paul antes de sofrer a lavagem cerebral e
virar o Dr. Bio. Ele era um popular cantor no Japão, que gravou muitas músicas
para animes e tokusatsu, ele inclusive também gravou a música de abertura e
encerramento de Spielvan. Quem representa o papel do Imperador Guiotini
que aparece mais para frente da série vindo do futuro é Mickey Curtis, que
apesar do nome, ele é japonês mesmo de nascença, ele é filho de pais
nipo-britânicos.
Quem
faz a voz do General Deslock é o saudoso Shōzō
Iizuka(1933-2023) que já participou de
muitos trabalhos de voz em produções de animes e tokusatsu, ele tinha feito a
voz original do Satan Goos em Jaspion.
Spielvan teve sua dublagem feita na Álamo, onde quem
dublou o protagonista foi o saudoso Ézio Ramos(1936-1999) que também ficou
encarregado de dirigir todos os episódios, quer dizer quase todos, visto que
ficamos sem ver os quatro últimos e a Manchete só fazia reprises constantes até
esgotar.
Um fato curioso é a maneira como os Water chamam as
criaturas robóticas criadas por Deslock de Mecanóides e as hibridas criadas por Dr. Bio de Bionóides.
Os sufixos óides costuma
significar para formas, aparências, aspecto
ou semelhança. Costuma ser amplamente utilizado na anatomia e
biologia para descrever estruturas que se parecem com algo específico (ex:
escafoide = em forma de barco) e, em contextos pejorativos, indica um tipo
inferior ou falso.
No
caso aqui da série, os mecanoides vem
derivado da junção de mecha que vem da palavra inglesa mechanical para
descrever robôs inteligentes e autônomos, comumente retratados em contextos de
ficção científica como máquinas de guerra, mineração ou uso doméstico avançado.
Podem ser autônomos ou controlados.
Quanto
ao termo bionoide é usado para descrever seres que misturam características
biológicas com mecânicas ou mágicas, com "Cristais Bionóides" sendo
um item citado nesse contexto de fantasia espacial.
O
nome dos soldados rasos de Spielvan que são Clown tem origem na palavra inglesa
que significa palhaço, são androides de combate que compõem a primeira linha de
defesa do Império Water. Usam roupas negras, possuem face dourada e olhos
vermelhos. Talvez pela maneira da expressão facial na cabeça arredondada e dourada façam lembrar palhaços e a maneira
de agir pantomímicas lembrassem justamente o humor pastelão dos palhaços.
A dublagem modificou alguns nomes de personagens: O nome
original do protagonista em sua identidade civil é Yuusuke Jou que foi
modificado para Kenji Sonny, Hellvira era o nome original da Herbaira, a forma
mecanoide maligna de Helen, Riki era o nome original de Lay do trio de
assistentes femininas de Walter, Gasher era o nome original de Gash, Deathzero
era o nome original de Deslock do mesmo modo que os três veiculos de Spielvan
foram alterados na dublagem.
É curioso imaginar que Spielvan inspirou a adaptação de V.R.
Troppers(EUA, 1994-1996).
Trata-se
de uma adaptação americana da Saban Entertainment de Spielvan juntando
com outra série metal hero Metalder-O Homem Máquina(Chuoujink Metarudã,
Japão, 1987-1988).
Essa
Saban em questão é mesma responsável por Mighty Morphin Power Rangers adaptando outra franquia de
tokusatsu que é Super Sentai. Uma realização de um antigo desejo de exportar
tokusatsu para o Ocidente, através dessas adaptações.
Eu
acompanhei essa versão de V.R.Troopers quando estreou na grade da Rede
Globo em 1995, passando no extinto matinal infantil da TV Colosso(1993-1996)
quando eu tinha 10 anos. E confesso cheguei a achar “legal” a proposta mesmo tendo fresco na memória a exibição de
Spielvan na Manchete apesar da estranheza pela temática de realidade virtual
que era uma novidade naquele fase ainda analógica que vivíamos nos anos 1990.
Eu não acompanhei Metalder quando passou na Bandeirantes(Band) em 1990 a
quem foi feito uma fusão nessa adaptação
e que ao revisitar anos depois quando esteve disponível na Netflix sem a
dublagem clássica da Herbert Richers pude perceber o quão tosco era e porque não descrever como brega foi essa
produção. Muita coisa ali mostrou que ficou datado e certas características da estrutura do roteiro terminaram mostrando
como a obra envelheceu mal.
Bizarro
era ouvir na versão dublada quando os Troppers enfrentavam os soldados rasos
Clown que nessa adaptação tiveram seus
nomes trocados para Skugs soando parecendo Skanks, nome da popular banda
brasileira de pop/rock/reggae que estava se lançando na época. Cuja finalização
na batalha com os Troppers na forma civil mostrava eles se chocando era muito estranho
para se dizer o mínimo.
KAMEN
RIDER BLACK
Já
Kamen Rider Black (Japão, 1987-1988) trata-se de uma produção também da
Toei Company que pertence a uma importante franquia que teve início nos anos
1970, criado pelo mangaká Shotaro Ishinomori(1938-1998). Cuja primeira série
dessa marca foi lançada em 1971*.
A
trama de Kamen Rider Black gira em torno de Issamu Minami que foi
raptado na noite do seu aniversário de 19 anos acompanhado de seu irmão adotivo
Nobuhiko Akizuki pela seita dos Gorgons para serem transformados nos
Imperadores Seculares.
Issamu
por sorte consegue escapar graças a seu pai adotivo Dr. Soichiro Akizuki, é ele
quem revela sobre o pacto que ele fez com os Gorgoms quando ele e Nobuhiko
nasceram no mesmo dia durante um eclipse solar para se tornarem os imperadores seculares de
Gorgom e seu pai é morto pela seita e ele se transforma em Kamen Rider Black
que dá início a sua jornada contra Gorgom que mantém o corpo de seu irmão
Nobuhiko em estado de larva para virar Shadow Moon e Issamu como Kamen Rider
Black vai precisar enfrentar as ameaças dos monstros enviados por Gorgom com
suas motos Patrol Hopper e Lord Sector
eliminando com o soco do Golpe Insectus e Golpe Louva-A-Deus.
Kamen
Rider Black superficialmente pode ser considerado por nós
brasileiros como mais uma das produções de tokusatsu que a Manchete exibiu no
final dos anos 1980 e começo dos anos
1990.
No
entanto, no Japão ela foi muito importante porque marcou o retorno da franquia Kamen Rider após um hiato de sete anos
que a marca ficou parada. Durante os
anos 1970, haviam sido produzidas sete produções ininterruptas de Kamen
Rider: Teve início com Kamen Rider Ichigo e Nigo(1971-1973), Kamen
Rider V3(1973-1974), Kamen Rider X(1974), Kamen Rider Amazon(1974-1975),
Kamen Rider Stronger(1975-1979), Kamen Rider Skyrider(1979-1980)
e Kamen Rider Super-1(1980-1981) e fora que nesse intervalo houve um
lançamento de um especial para a tv de Kamen Rider exibido em 1984 intitulado
de Jugo Tanjo! Kamen Rider Zen'in Shugo!!.
Grande
parte desses aqui mencionados, apesar de serem séries inéditas no Brasil, no
entanto, ainda assim nós chegamos a
conhecer a esses heróis especificamente quando eles apareceram nos últimos
episódios de Kamen Rider Black RX(1988-1989) uma sequência direta de Kamen
Rider Black mantendo o Issamu Minami vivido por Tetsuo Kurata que a
Manchete passou a exibir em 1995 eles apareceram para nós colaborando com RX em
sua batalha decisiva contra o Império Crisis. Provavelmente para marcar a
transição histórica do Japão da Era Showa para a Era Hesei** depois que o
imperador Hiorohito havia falecido em 1989 e foi sucedido por seu filho Akihito
e após a renúncia deste em 2019 e sendo sucedido por seu filho Naruhito vivemos
na Era Reiwa.
O
elenco de Kamen Rider Black contou com as participações de alguns atores
que participaram de produções de tokusatsu que a Manchete havia passado como
Shozo Iizuka que fez a voz original do Satan Goss em Jaspion, e em Kamen Rider
Black foi a voz do Sacerdote Gorgom Danker, Tomishi Takhashi que fez o Ikki em
Jaspion o cara por trás da máscara do Sacerdote Gorgom Barom, Joji Nakata que
fez o Caçador Espacial Kaura em Flashman participa de um episódio de Kamen Rider Black, Hiroko
Nishimoto que foi a Sayaka/Change Mermaid em Changeman, Yutaka Hirose que fez o
Wandar em Flashman também participam
de um episódio enfim esses são alguns
dos exemplos.
Na
audição que o protagonista Tetsuo Kurata passou junto com outros concorrentes
onde competiu com mais de 8.000 pessoas
pelo papel.
Onde
Kurata foi o escolhido pelo próprio criador Shotaro Ishinomori, mesmo achando
que não estava ido bem na audição. Quem também concorreu com ele nessa audição
foi Ryoma Sassaki que acabou sendo escolhido para protagonizar em seguida o
Osamu/Mercúrio em Cybercop-Os Policiais do Futuro(1988-1989), essa foi uma
produção da concorrente da Toei, a Toho que foi um dos tokusatsu que a Manchete***
exibiu nos anos 1990.
Além
de ser o protagonista, Kurata também foi o responsável por cantar a música de
abertura da série. Cuja composição das músicas incidentais são creditadas a
Eiji Kawamura que também assinaria a trilha da série sucessora que Kamen Rider Black RX, e de Ryûdô Uzaki.
E
teve como dublê, melhor dizendo um suit actor foi Jiro Okamoto, a pessoa por
trás do traje de Kamen Rider Black.
Além
de contar com Shotaro Ishinomori como roteirista, a série também contou com nove roteiristas que
ficaram encarregados de escrever os 51 episódios, dentre esses roteiristas
estava Shozo Uehara(1937-2020) que foi uma das mentes criativas por trás do
Jaspion. E sua direção é creditada a sete diretores.
Na
dublagem brasileira da Álamo de Kamen
Rider Black ele teve seu nome invertido para Black Kamen Rider ou ás
vezes sendo referido como Blackman, fora que o nome civil do
protagonista que era Kotaro Minami, foi modificado para Issamu Minami, o nome
de Katsumi, namorada de Nobuhiko teve seu nome alterado para Satie, uma
provável referência ao pianista francês Erik Satie(1866-1925). Do mesmo modo
que dois do trio de sacerdotes Gorgons foram adaptados na dublagem como Darom
para Danker e Bishum para Madame Pérola.
Também
adaptou o nome do Espadachim de Gorgom que aparece mais para frente que é
Taurus que no original é Bilgenia que foi interpretado pelo ator Jun Yoshida
que interpretou em outra série de tokusatsu a Sacerdotisa Paú em Policial do Espaço
Shaider(Uchuu Kenji Shaidá, Japão, 1984-1985), série que não por acaso passou
aqui no Brasil, sendo que na Rede Globo em 1991 onde seu personagem foi
dublado por uma mulher, no caso Maria Helena Pader no extinto estúdio de
dublagem da Herbert Richers**** no Rio de Janeiro.
Do
mesmo modo que a dublagem adaptou os nomes das motos de Kamen Rider Black
de Battle Hopper no original para
Patrol Hopper. De Road Sector
teve para Lord Sector.
A dublagem também adaptou os nomes dos golpes usados
por Kamen Rider que são: Rider Punch no
original foi adaptado para Golpe Insectus e de Rider Kick foi adaptado como Golpe
Louva-a-Deus.
O termo Henshin, usado nas transformações do
herói, foi um dos poucos mantidos do original. Ele significa transformação,
ficou tão marcado que mesmo nas dublagens de produções recentes de Kamen Rider
trazidas no Brasil, esse termo foi mantido.
A
dublagem fez uma confusão ao adaptar o nome Black Sun para Senhor Black, que é
como Shadow Moon se refere ao herói. Isso ocorre por conta da confusão da
sonoridade da palavra em inglês Sun que
é Sol se parecer com a palavra japonesa San que é usada como tratamento formal
dos japoneses como Senhor ou Senhora.
Porém,
a maneira como ele era referido por Shadow Moon como Black Sun era porque ele
simboliza o Sol que numa tradução fica Sol Negro e Shadow Moon simbolizava a
lua que numa tradução fica Lua Sombria.
A
dublagem clássica de Kamen Rider Black produzida nos anos 1990 pela Álamo
exibida na Manchete, passou todos os
episódios menos o 51. A explicação se deve a problemas nos transportes de
importação das fitas masters que a antiga distribuidora Everest Vídeo tinha
sido responsável por trazer. O que
ocasionou numa longas reprises exaustivas que durou até 1994, sem a exibição
desse último episódio. Somente 30 anos depois, quando a distribuição da série
passou por outra que foi da Sato Company é que foi possível fazer a dublagem
desse último episódio que foi produzido em 2020 no estúdio da Centauro no lugar
da extinta Álamo. Os dois principais dubladores formado por Elcio Sodré
como Kamen Rider Black e Francisco Bretas como Shadow Moon é quem dublaram os
respectivos papeis, cuja direção contou
com Nelson Machado que também dublou a voz do Grande Rei no lugar do saudoso
João Paulo Ramalho(1932-2006) cuja exibição ocorreu em 2023 numa sala de cinema
da Sato Company em São Paulo.
Em
2022 foi produzido uma nova versão de Kamen Rider Black Sun, com a
pegada mais sombria que Ishinomori havia pensado nessa versão, mas que foi
preciso dar uma suavizada principalmente para atrair brinquedos.
Ele
imprimiu a sua ideia de fato como queria no mangá que aqui no Brasil foi
publicado em 2022 em três volumes pela NewPop.
O
criador Ishinomori participou do filme derivado de Kamen Rider Black Kamen
Rider Black: Hurry to Onigashima(1988), um filme que é inédito no Brasil,
onde ele faz um pescador que auxilia Issamu em sua luta contra os Gorgons. Ele
é uma produção que foi lançada durante a exibição que está conectada com a
série se passando entre os episódios 21 e 22.
Foi
exibido durante o Festival da Toei Manga Matsuri, na Primavera de 1988, junto
com os animes de Cavaleiro dos Zodíaco: A Batalha dos Deuses.
Essa
produção contou com a direção de Michio Konishi e teve seu roteiro assinado por
Shozo Uehara.
Em
2026, foi publicado o livro Kamen Rider Black-Guia Visual Definitivo,
escrito pelo brasileiro Ricardo Cruz, que também foi o responsável por publicar
no mesmo formato os livros sobre Jaspion e Jirayia.
Um
almanaque cheio de curiosidades da produção, com fotos de bastidores,
entrevistas com gente envolvida e muito mais.
DEFENSORES DA LUZ-MASKMAN
E
quanto a Defensores da Luz-Maskman(Hikari Sentai Maskman, Japão,
1987-1988) também é uma produção da Toei Company e pertence a longeva franquia
iniciada nos anos 1970 assim como a exemplo Kamen Rider e também foi concebida
pela mente criativa de Shotaro Ishinomori, essa franquia é chamada de Super
Sentai que teve início com Hitsmisu Sentai Gorenger*****(Japão,
1975-1976) série que é inédita aqui no Brasil.
O
enredo de Maskman girava em torno de Sanjuro Sugata, um estudioso da mente
humana, onde ele toma conhecimento da existência do Império Subterrâneo Tube,
localizado debaixo da Terra. No começo
era pacifico, até o momento onde o nefasto Zeba passa a comandar o trono e manda suas
tropas subirem no reino debaixo da terra para começar a escravizar a humanidade,
dando início a um reinado de trevas.
É
então que “Sugata reúne 5 jovens, cada um especializado em um estilo de
artes marciais e começa a treiná-los para que desenvolvam o Poder Aura
(poderosa energia existente no corpo humano que é despertado por meio de
treinamento).”
(Wikipédia)
Esses
cinco jovens são formados por: Takeo /
Red Mask: o líder do grupo. Tem 23 anos e é um especialista em Karaté e piloto
de Stock Car japonesa. Sua arma especial é a Espada Mask e seu veículo é o
Avião Mask.
Kenta / Black Mask: armado com a Barra Mask (
bastão que pode se tornar uma barra tripla), seu estilo de luta é o Kempo
Japonês e tem 21 anos. Seu veículo é a Broca Mask.
Akira / Blue Mask: com apenas 16 anos, ele é
o caçula da equipe. Sua arma de batalha é o Mask Truco, ou Tonfa Mask, pilota o
Tanque Mask e seu estilo marcial é o Kung Fu; quando não está transformado se
utiliza de um par de espadas Tai Chi. É
um rapaz bem bonito e humorado. Mesmo tendo 16 ele é confundido como criança por causa de sua
estatura baixa. Ele também é transformado em Espadachim Subterrâneo Unas
através da tramoia de Igan.
Sayaka/ Yellow Mask: tem 19 anos e foi criada
em uma família de Ninjas, portanto luta Ninjutsu. Como arma especial tem o
Rotor Mask e seu veículo é o Jato Mask.
Keiko/ Pink Mask: especialista em Tai Chi
Chuan, tem 19 anos. Sua arma é o Mask Ribbon e seu veículo é o Helicóptero
Mask.
Quando
estava competindo um campeonato de kart, Takeo é chamado a atenção de sua amada
Miho ao ataque de Tube, sem desconfiar que ela se tratava da Princesa Ian, que
havia sido mandada para a superfície terrena para espionar os humanos e vista
como traidora ao se envolver amorosamente com Takeo ao conhece-lo numa
casualidade virou a traidora e foi punida aprisionada em um bloco de gelo pelo Rei
Zeba por sua traição, tornando-se o motor emocional da série.
E
a partir dai temos o ponto de partida para o começo da batalha dos Maskman contra
o malvado Império Tube e seus asseclas mandados diferentes que serão pelos Maskman
reforçados pela pelo robô Great Five e
pelo robô Land Galaxy e pela Bomba Projetil que após ser destruída pelo
Cavaleiro Ladrão Kiroz passaram a usar o Jato Canhão.
Sobre
Maskman superficialmente nós aqui no Brasil, tendemos a ter uma vaga
lembrança de que ela foi só mais uma das
séries tokusatsu que passou na Manchete e não vemos tanto diferencial com
relação as outras.
Devido
ao fato de que como sua repercussão em território nacional foi mediana, já pegou aquela fase de
saturamento mercadológico do gênero.
Ela
como já antecipei na introdução faz parte da franquia Super Sentai, sucedeu a
duas séries dessa franquia que já haviam
passado na Manchete que foram: Esquadrão
Relâmpago Changeman (Degenki Sentai Changeman, 1985-1986) e Comando
Estelar Flashman(Choushsei Flashman, Japão, 1986-1987) e ai já entra um
diferencial entre essas duas que ela antecedeu, é que a ameaça que eles lidam
não vem de uma organização espacial como Gozma em Changeman ou mesmo o Cruzador
Imperial Mess em Flashman.
Aqui
a ameaça que eles lidam é de um império demoníaco chamado de Tube localizado no subterrâneo, uma curiosa
analogia com o inferno.
Fora
que também ela foi a primeira nessa franquia a contar com um robô gigante Great
Five sendo formado por cinco veículos como:
o Avião Mask pilotado por Red Mask, a
Broca Mask pilotada por Black Mask, o Tanque Mask pilotando por Blue Mask, o
Jato Mask pilotado pela Yellow Mask e o Helicóptero Mask pilotando pela Pink
Mask.
Desde
que o conceito de robô gigante para enfrentar uma batalha contra o monstro
agigantado passou a ser usado na
franquia sentai em Battle Fever J.(Japão,
1979-1980) que eles costumavam serem montados por três veículos.
Maskman
incluiu
uma interessante abordagem filosófica com inspirações no budismo sobre as
meditações dos poderes aura pela abertura que começa com a frase:
"Uma
misteriosa e inexplicável força se esconde por trás do nosso corpo. Quanto mais
treinarmos o nosso corpo, essa força infinita se manifestará!"
Na dublagem brasileira quem faz a locução
dessa frase é o narrador Carlos Alberto Amaral(1946-2009) cuja voz original é
narrada por Hiroshi Takeda.
Essa
simbologia filosoficamente mística
também pode ser notada pelos gestos motores que cada membro usa para
meditar, soltar o poder aura e se transformar que são chamadas de Kujin In que
significa tradução literal de nove selos de mão, os gestos de cada Maskman
tinham seus significados:
O
gesto motor de Takeo é o Zai (ambas as mãos abertas com as palmas
voltadas para frente, unidas pelas pontas dos dedos indicador e polegar,
formando uma pirâmide no centro do gesto), que representa o controle das forças
da natureza. No episódio 6, consegue juntar o poder aura num só ponto para
manifestar o God Hand.
Já
o gesto motor de Kenta é o Jin
(todos os dez dedos enlaçados num punho único), que simboliza a adivinhação de
pensamentos e intenções das outras pessoas.
Quanto
ao gesto motor de Akira é o Retsu
(os dois punhos juntos, sendo que o dedo indicador direito aponta para fora),
que encarna o domínio do tempo e espaço.
Já
o gestor motor de Sayaka é o Tou (todos os dez dedos, exceto os anelares
e mínimos, juntos num punho único), que personifica a harmonia com o Universo.
E
por fim, o gesto motor da Keiko é o Sha (todos os dez dedos, exceto os
indicadores, juntos num punho único), que enquadra a cura de si mesmo.
Fora
também que dá para se notar referências a maçonaria na simbologia dos seus
uniformes.
A
provável explicação esteja no fato de que os envolvidos na produção quiseram
trazer um pouco do reflexo do que vinha acontecendo ao Japão dos anos 1980
vivendo o auge do crescimento econômico com sua moderna indústria tecnológica
fosse com os eletrônicos ou mesmo com as marcas de carros e estava esquecendo
um pouco de manter suas tradições milenares.
E
a série trazia um pouco disso na maneira como mostra o desenho de um Buda com
um corpo metade humano e metade metálico com toques tecnológicos que mostra a
união harmônica entre a tradição milenar
e o moderno.
Essa
imagem “surge quando o Comandante Sugata levita ou quando os heróis se
concentram para despertar seu Ki (Aura Power). O Buda representa o
estado de iluminação e o domínio absoluto da mente sobre o corpo, necessário
para manipular o Ki.”(Pesquisa do Google).
Ou
seja, a aparição tem um significado que não é só decorativo para a trama.
A
trama de Maskman foi concebida pelas mãos de quatro roteiristas, dentre esses estava presente: Shotaro Ishinomori,
Hirohisa Soda, Kunio Fujii e Toshiki Inoue e teve sua direção assinada por
Keita Amemyia e por Minoru Yamada(1926-1995).
A
música de abertura e encerramento foi cantada por Hironobu Kageyama, o mesmo
que cantou a música de abertura e encerramento de Changeman.
Um
fato curioso sobre o elenco é que dois atores haviam participado de Flashman,
mas, não no mesmo episódio. No
caso estou me referindo a Ryôsuke Umizu que representou o Takeo-Red Mask
participou do episódio 27 de Flashman Golpe da Amizade, representando o
amigo de Dan que é transformado em monstro por Mess, e Mina Assami que
representou em Maskman o papel de Miho-Princesa Ian participou do episódio
40 de Flashman como a Sibéria, a guerreira de Mess.
Inclusive, a mesma Mina Asami também
representou a Igan, já que eram gêmeas. E após a série se aventurou no
entretenimento adulto assim como a exemplo de Naomi Morinaga que participou de Spielvan.
Por
falar em Flashman, o ator Yasuhiro Ishiwata que protagonizou o Gô-Blue
Flash participa do episódio 34 de Maskman representando a forma humana
do monstro de Tube Grondogla que seduz a Keiko-Pink Mask.
Outras
curiosidades sobre o elenco da série é que Hissei Hirota que protagonizou o
papel de Akira-Blue Mask, no ano seguinte participou de Jirayia-O Incrivel
Ninja (1988-1989) na pele do ninja Ryu-Yanin Spiker.
O
ator Hayato Tani que representou na série o papel do Chefe Sugata, já era
popular no Japão por apresentar um programa chamado Takeshi Castle, um
game show que no Brasil teve seu formato importado para virar o famoso quadro
do Domingão do Faustão chamado de Olimpiadas do Faustão.
O
ator por trás da máscara do Oyubu, o fiel ajudante de Barrabás que se
caracterizava pela pele vermelha e por andar veloz era comparável ao Flash da
DC Comics era Yoshinori Okamoto, que havia participado de duas produções de
tokusatsu exibidas na Manchete, ele foi o Buba em Changeman e foi Galdan
em Flashman.
No episódio 25 de Maskman, teve uma participação de Daigaku Sekine, que havia feito o Zampa em Jaspion.
No
episódio da Mãe de Barrabás, temos a participação de Machiko Soga,
representando o papel da mãe do vilão. Ela esteve presente em grande parte
dessas produções de tokusatsu exibidas na Manchete.
No
episódio A Aparição de Mask X-1, ocorre a repentina aparição de Ryu Asuka, ajudando os Maskman se
transformando em Mask X-1 que surpreende os próprios Maskman ainda mais
que ele havia sido treinado por Sugata no Projeto M 10 anos antes.
Por
um bom tempo, principalmente quando veio a internet e foram surgindo fóruns da
chamada Tokunet pré-redes sociais ali por volta dos anos 2000, como as
comunidades do extinto Orkut, muitos equivocadamente defenderam e eu admito que
fui uma dessas pessoas equivocadas que o
Mask X-1 foi o primeiro sexto membro numa série dessa franquia super sentai e
não o Burai-Dragon Ranger de Zyurangers
(1992-1993) que foi a primeira a ser adaptada para Mighty Morphin Power
Rangers (1993-)onde nessa contraparte o Ranger Verde que nos habituamos foi
o Tommy vivido por Jason David Frank(1973-2022) que na contraparte japonesa foi
vivido por Shiro Izumi que conhecemos como o Ozora-Change Pegasu de
Changeman.
Mas,
como foi argumentado por Bone Lopes, Mauricio Guache e Kleber Paz no vídeo do
canal da Resistencia Tokusatsu postado em 15 de Julho de 2020 com o título MASK
X-1 NÃO É O 6ºMASKMAN!!!, o que foi argumentado e embasado está primeiro no
fato de que a própria Toei oficialmente não o considera como o sexto membro na franquia cujo
ponto de partida começa com o Burai em Zyurangers.
E segundo que dentro da estrutura narrativa do
episódio ele nem era o primeiro Maskman e de fato ela não virou
oficialmente já que tanto o modelo de uniforme e a maneira de se transformar
foi de antes dos Maskman terem desenvolvido a transformação aura.
Tanto
que a energia que ele carregava quando integrava o Projeto M dez anos antes de Maskman surgir
e quando Tube tomou conhecimento sequestrou e matou sua amada Yuko.
Ryu
então inconformado decidiu abandonar o Projeto M. e no final usou o restante
que tinha para impedir a energia do monstro Magmadogla que enfraquecido foi derrotado pelos Maskman
com a Bomba Projetil. E depois ele nunca mais apareceu e sequer foi mencionado,
fora que ele não usava um veículo próprio.
Pode-se
considerar com isso tudo que o Mask-X1, apesar de não ser oficialmente o
primeiro sexto membro em uma equipe super sentai, pelo mesmo ele foi o embrião
para que a Toei testasse a ideia de um
sexto membro que passou a se fixar com Zyurangers para poder alavancar a
venda de brinquedos.
Na dublagem brasileira, podemos reparar com os ouvidos atentos que os membros de Tube
costumam se referir aos monstros que eles criam em cada episódio para tentar dominar a
humanidade com os nomes terminados em
dogla, desde o primeiro episódio com: Isadogla, seguido de Gabiradogla no
episódio 4, , Majimdogla no episódio 23, Magmadogla no episódio 39 dentre
outros exemplos.
E até mesmo o lendário Lissaldogla que é
mencionado a primeira vez no episódio 35 que depois se descobre ser a real
identidade do Rei Zeba.
A
provável explicação pode estar na maneira como eles adaptaram no original que é doggler, palavra inglesa que
superficialmente pelo que pude pesquisar significa numa tradução cão. Mas que
pode mudar o significado dependendo do contexto. Aqui, posso supor que foi algo
com cunho bestial, grotesco, híbridos. Baseado possivelmente na maneira como era
pronunciado no original, que por conta da dificuldade do japonês em soletrar
palavras estrangeiras baseadas na maneira como eles costumam unir as leituras
dos ideogramas dividido entre kanjis,
takanas e hiraganas, o que fato explica
a confusão na tradução.
As
únicas exceções de criaturas que não levam os nomes terminados em dogla na
série eram o Anagumas, o nanico monstro conselheiro de Tube e Okelamp que só
aparece de forma rasa para agigantar os
monstros e ainda reclamar de estar cansado.
Aliás
a dublagem brasileira também alterou os nomes de três dos cinco protagonistas:
Takeru-Red Mask virou Takeo, Haruka-Yellow Mask virou Sayaka, não por acaso o
mesmo nome da Change Mermaid em Changeman, e Momoko-Pink Mask virou
Keiko. Do mesmo que houveram outras alterações nos países em que Maskman foi
exportado como na França que virou Bioman 2, seguindo a mesma estratégia
de marketing aqui no Brasil com Spielvan que virou Jaspion 2 como já
mencionado no tópico de Spielvan.
E
alterou o nome da Bomba Projetil que no original era Shorter Bomber.
“A
dublagem de Maskman teve algumas confusões, a começar pela princesa Igan que,
no original, é chamada de Príncipe Igan por se tratar de uma mulher disfarçada
de homem (apesar de seus traços delicados, voz feminina e batom).”
(Toku
Blog).
O
que faz sentido essa colação do site Toku Blog, ainda mais quando a gente
lembra que no episódio 45 de O Segredo da Princesa Igan! os quatro Maskman mantidos como reféns e
vendo seu companheiro Akira-Blue Mask do lado dela como o Guerreiro Unas que ao
ser direcionado a eles, além de libertar Akira do feitiço de Unas, também faz
cair o elmo de Igan que escondia os seus longos cabelos lisos escuros que lembravam Miho-Princesa Ian. Além dos Maskman olharem espantados com
a semelhança de Igan com Miho, de lá do monitor do mundo subterrâneo de Tube,
Barrabás, o grande concorrente de Igan em sua reação de espanto comenta que
Igan é uma mulher. Acabou criando ali um furo de roteiro, ainda mais quando a
gente nota que a atriz que representou
as gêmeas princesas de Tube Mina Asami carrega um sinal perto da boca
ficaria muito evidente a semelhança das duas que ninguém nunca havia notado antes.
Na
versão dublada dos anos 1990, as gêmeas
Ian/Miho e Igan tiveram vozes de duas
dubladoras: Rosa Maria Barolli dublou a Ian
e Patrícia Scalvi dublou a Igan. Que se mostraram boas escolhas, já que
cada uma soube como bem moldar e
incorporar as respectivas essências tão opostas das gêmeas. Patrícia Scalvi ao
dublar Igan moldou bem no seu modo de falar grosseiro, berrante e autoritário a
uma fachada de essência máscula por trás daquela armadura, mostrando um ar amargurado, ainda mais quando
percebe o grande engano que tomou a decisão de abdicar ao trono a uma criatura como Zeba a
quem passou a obedecer mostrando como ela conseguiu captar a essência rancorosa
da personagem. Já Rosa Maria Barolli ao dublar a sua irmã gêmea traidora da
Ian conseguiu se moldar bem ao seu oposto trazendo o toque manso, suave, dócil
que conseguiu se encaixar e captar bem a
sua essência de bom caráter.
Há
de considerar que esse episódio marca aquele ponto de virada no clímax da série, principalmente quando no penúltimo A
Forma Real de Zeba, onde Ian já liberta do cubo de gelo recebe do Protetor
Divino Dragão Igan dá uma cuspida de raios que se transforma numa bola e some o
que deixa tanto Igan e os Maskman intrigados por ele não a ter atacado. Ian
explica que isso ocorreu porque o Dragão Igan é o Protetor da Família Igan e ao
reconhecê-la não a atacou. Naquele mesmo momento, Zeba entra em pânico ao perceber
que aquela bola trazia um conteúdo revelador sobre ele e manda Anagumas
ataca-los e destruir aquela bola. É então que depois deles caírem após um
terremoto que aquela bola magneticamente acaba atraída num lago para que faz uma reprodução, Ian então explica
que aquilo era salvo equivocou meu,
o cristal registrador, onde de lá
discretamente Igan acompanhada de Fumin e Oyubu observam eles olhando o cristal
reproduzindo na água a explicação de quando o clã da Família Igan enfrentou o
malvado Monstro Lissaldogla tão comentado e conseguiram derrota-lo. O que eles
não sabiam era que Lissaldogla antes de
morrer conseguiu usar das últimas energias que lhe restavam para gerar um
filhote, esse filhote após chocar o ovo, virou hospedeiro do corpo do Monstro
Lissaldogla se tornando Lissaldogla II que se tornaria o temido Rei Zeba.
Essa
revelação deixa todos chocados inclusive Igan, a bola iria revelar sobre a
profecia de um par de gêmeos que seriam destinados a serem a salvação para
derrota-lo, nesse momento aparece Anagumas para interromper a mensagem e
destrói a bola e eles começam uma batalha que resulta no fim de sua vida.
Só
no último episodio passará a ficar evidente depois que Igan
viu todo o seu reinado destruído
por deixar nas mãos de um demônio é que ela se alia aos Maskman e juntam sua
energia e de Ian para acabar contra o
temido Zeba, que finalmente ao se enfraquecer tirou o pomposo, extravagante e majestoso manto de rei e a
mascara negra que escondia sua real faceta grotesca e horrenda do Monstro Lissaldogla e dá-se início a
batalha decisiva dele contra os Maskman. Que após a sua derrota Igan resolve
pagar penitencia virando freira, entrando num convento para pagar pelos seus
pecados e Ian acaba assumindo o trono do subterrâneo após ter sido destruído
por Zeba, ela não termina com Takeo infelizmente como se espera num felizes
para sempre de conto de fadas.
Em
paralelo a exibição na tv, foi produzido um filme curto de duração aproximada
de 10 minutos, que foi exibido no Toei Manga Matsuri, um festival de cinema
infantil em 18 de Julho de 1987, junto
com outras produções como os animes de Drago Ball e Cavaleiros do
Zodíaco.
Esse
filme trazia uma abertura diferente do que víamos na série, onde mostrava os
cinco integrantes dançando ao som de
Hironobu Kageyama fazendo uma coreografia um tanto ridícula que chega a soar me faltando
um adjetivo melhor adjetivo um tanto
brega. Dança essa que ele reproduziram
no final do episodio 47, A Dança da Morte que foi exibida originalmente
no Japão em 23 de Janeiro de 1988 ao som
da mesma canção.
Diferente
dos outros exemplos, Maskman conseguiu
ter sua exibição completa com todos os episódios dublados.
Nessa
série, o nome do famoso espadachim de
Tube, Barrabás foi inspirado no personagem bíblico de um prisioneiro judeu do
primeiro século, descrito nos Evangelhos como um salteador, assassino e líder
de uma insurreição contra o Império Romano. Ele é notório por ter sido
libertado por Pôncio Pilatos no lugar de Jesus Cristo, após a multidão em
Jerusalém escolher poupá-lo durante a Páscoa.
O
nome da nave Turboranger usada pelos Maskman para armazenar seus mechas
foi posteriormente usado numa série
super sentai que se chamaria Kousokou Sentai Turboranger(Japão,
1989-1990) que quase foi exibida aqui no Brasil.
Também
chama a atenção o fato deles carregarem estampado no peito o número cinco, o que pode ser explicado pelo
fato de que o seu nome original seria Fiveman. Que acabou sendo
escolhido para ser o nome da série três anos depois que foi Chikyuu Sentai
Fiveman(Japão, 1990-1991). O que
explica o fato do robô gigante ser chamado de Great Five e não Great Mask.
E
para encerrar o tópico de Maskman, o último fato a se comentar sobre a
série, é que ela foi reprisada pela
Manchete em 1999, muito provavelmente acredito que eu tenha sido uma das poucas
pessoas no Brasil que chegou a acompanhar essa reprise na Manchete. Digo isso
porque, naquele momento a Manchete estava dando seus últimos suspiros de vida devido
a crise financeira que ela se encontrava naquele momento, algo que já a vinha acompanhado desde o começo dos anos
1990 e foi se agravando após a morte de
seu fundador Adolpho Bloch em 1995.
Ela
já tinha perdido alguns sinais de transmissão por todo o Brasil naquele
momento, ainda mais que algumas de suas
afiliadas haviam trocado de emissora. Como foi o caso aqui no Rio Grande do
Norte, onde a Manchete tinha como filiada a TV Tropical, fundado em 1987
pelo grupo oligárquico político da
Família Maia, que era filiada da
Manchete, mas a partir de 1998 passou a virar filiada da Record.
Sua
transmissão devia se limitar ao Eixo Rio-São Paulo, como por sorte eu tinha um
aparelho de antena parabólica que ainda captou os respiros finais da Manchete
até o dia 10 de Maio de 1999. Onde a programação daquele primeiro semestre estava bem
bagunçada, onde estavam reprisando a primeira versão de Pantanal (1990)
para tapar o buraco após o fim abrupto de Brida(1998). Junto com a reprise de Jirayia e do
anime de Yu Yu Hakusho.
E
também acompanhou a fase de transição com o nome provisório de TV Ômega que
a partir do dia 15 de Novembro de 1999 virou RedeTV.
Segundo
pelo que César Filho****** em seu texto do Blog do Daileon publicado em 10 de
Maio de 2019, dedicado aos 20 anos do fim da Manchete, essa reprise de Maskman
ocorreu como uma surpresa:
“Sem aviso, Maskman retornava à Manchete. Sendo a última série japonesa a ter uma reestreia na emissora. O Super Sentai de 1987 voltou no dia 23 de janeiro e inicialmente era exibido aos sábados às 20h e aos domingos às 19h
.”Esse
tapa buraco ocorreu devido ao fato de que como a Manchete não organizou
televisionar o Desfile das Escolas de Samba por conta da parceria com a Igreja
Renascer Maskman apareceu como
uma opção da programação como bem embasou o Blog do Daileon:
“A
Manchete não havia programado exibição do Desfile das Escolas de Samba daquele
ano, uma vez que o carnaval é contra os princípios da fé evangélica. Os Bloch
romperam o contrato com a Renascer em 12 de fevereiro por “descumprimento de
cláusulas contratuais”, segundo comunicado lido no Jornal
da Manchete. Era sexta-feira de carnaval e a programação
seguiria normalmente. Porém, o programa Mulher de Hoje não
foi apresentado nos dias 15, 16 e 17 de fevereiro. A faixa vespertina da
Manchete foi mantida nos dois últimos dias do carnaval e mais na quarta-feira
de cinzas por uma dobradinha de Maskman (das
15h às 16h) e compacto de edições anteriores do carnaval. A medida era
emergencial. A Manchete havia exibido apenas os seis primeiros episódios de Maskman até
então e o restante dos episódios foram liberados após a folia.
O fim
da parceria dos Bloch com a Renascer e também a saída de Claudete Troiano
deixaram a programação da Manchete desestabilizada a partir de março.
Basicamente a grade se resumia à programação religiosa pela manhã, infomerciais
intercalados com as séries japonesas e mais o Manchete
Clip Show. O horário nobre seguia com as exibições dos programas Pra
Valer (19h45), Jornal da Manchete
(20h45), Pantanal (21h15), Se
Liga Brasil, (22h15) Frente
a Frente (23h) e Estilo Ramy
(23h30).
Quanto
às series japonesas: Jiraiya
passava às 9h30 e às 17h15. Shurato às
10h e às 17h45 (dois episódios no fim de tarde). Yu
Yu Hakusho às 10h30 e às 18h45 (também com dois episódios
no fim de tarde). Maskman era a
série “isolada” da programação e era exibida com dois episódios das 12h às 13h.
A programação seguiu assim até 31 de maio, três semanas após à venda da
Manchete.”






































































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