Há
20 anos, a extinta revista masculina da Playboy
Brasil trazia em sua capa para a edição de setembro de 2006, o ensaio estrelado pelo trio de Ex-Aeromoças da
Varig formado por: Patrícia Kreusburg Marques, Sabrina Knop e Juliana Neves.
A
escolha delas não foi pelo acaso, até porque elas refletem bem aquele momento
onde especificamente o setor aéreo brasileiro viveu uma fase crítica e um tanto
caótica por conta do Apagão Aéreo.
Nome
dado a esse período especifico ali por volta da segunda metade dos anos 2000, “para
referir-se a graves falhas estruturais em algum setor, por analogia ao sentido
original de falta de energia elétrica (blecaute).
Durante
mais de um ano a situação no transporte aéreo de passageiros no Brasil passou
por dificuldades, como atrasos de voos longos e diários, problemas sobre a
infraestrutura aeroportuária,questionamentos dos controladores de voo etc.”
(Wikipédia).
Por
essa razão especial é que essas três aeromoças foram as escolhidas para
estrelar a capa da antiga Playboy que hoje já não opera mais em solo brasileiro
desde 2018, ainda mais porquê
constantemente a imprensa fazia a cobertura mostrando a situação da aglomeração
de pessoas dos aeroportos com filas
imensas esperando os voos atrasados.
Junto
ao fato de que naquele momento a antiga empresa brasileira de aviação Varig, fundada em 1927 estava encerrando
suas operações após perder espaço para Gol
e para Tam que estavam crescendo por vender passagens mais baratas
enquanto que a Varig estava
passando por uma crise financeira brava e para piorar o cenário do Apagão Aéreo que a indústria da aviação
estava vivendo, também ocorreu o trágico
acidente do Voo Gol 1907 em 29 de
Setembro de 2006.
Sobre
o atual paradeiro das três ex-aeromoças da Varig que estamparam a capa da
Playboy: Sabrina Knop e Juliana Neves optaram por uma vida comum longe dos holofotes após a repercussão
inicial. Na época, Sabrina chegou a assinar brevemente com uma agência de
modelos e fez carreira nas Relações Públicas e Juliana virou fisioterapeuta.
Já
quanto a Patrícia Kreusburg utilizou bem o cachê para investir em outra
carreira na área de turismo. Em 2021, enfrentou uma batalha contra um câncer no
ovário onde até postou uma foto nas redes sociais irreconhecível devido a
quimioterapia descrevendo sua luta para conseguir vencer a doença.
DOCUMENTÁRIO
SOBRE O APAGÃO AÉREO.
Aproveitando
o tema para dar uma dica de produção que explora bem
o que foi esse período da crise do apagão aéreo que ocorreu na indústria da
aviação brasileira, recomendo assistirem a série documental da Netflix Congonhas: Tragédia Anunciada (Brasil,
2025).
Dividida
em 3 episódios, com direção de Angelo Defanti, com roteiro de Eduardo Aquino,
Lívia Arbex e Fábio Leal.
O
documentário é narrado pelo ponto de partida do acidente aéreo do voo da Tam 3054, no dia 17 de julho de 2007, onde
são mostrados por meio das entrevistas com os parentes dos passageiros mortos
no voo, os investigadores, os peritos, as testemunhas oculares dentre outros
exemplos.
Que
narram como aquele acidente já tinha tudo para ser uma tragédia anunciada como
bem indica o subtítulo, principalmente quando são analisados todos os contextos
relacionado ao cenário caótico do apagão aéreo que a indústria da aviação brasileira
vinha enfrentando naquele período.
Que
intercalados com as imagens de arquivos das reportagens da época que mostravam
o registro das filas gigantes com os atrasos nos aeroportos gerando transtorno.
Onde
entra na questão do cenário socioeconômico e político do Brasil dos dois
mandatos de Lula na Presidência da República na primeira e segunda metade dos
anos 2000, onde com o alto crescimento econômico brasileiro que fez criar uma
nova ascensão de classe média e que com esse alto poder aquisitivo de compra
fez explodir o número de compras de passagens, o que gerou como efeito
colateral que os aeroportos não tinham estrutura para lidar com essa alta
demanda.
E
também aborda o momento onde a tradicional Varig
fechava suas portas, justamente nesse contexto.
Foi
naquele contexto que é mencionado o acidente da Gol 1907 que caiu na Amazônia em setembro de 2006, meses antes do
acidente da Tam em Congonhas e também
a outro acidente aéreo que ocorreu em 1996 que foi com o Voo 402 com o Folker 100
que caiu no bairro da Jabaquara próximo de Congonhas, onde até fazem menção ao
importante gestor da empresa Rolim Amaro(1942-2001).
Ele
também mostra o depoimento da então gestora da ANAC(Agência
Nacional de Aviação Civil) Denise Abreu procurando se defender da situação dizendo
que virou um bode expiatório, tentando se vitimizar, o que se torna um tanto
revoltante.
Uma
situação que agravado pelo fato da pista molhada e inapropriada para pouso, já
tinha tudo para virar uma tragédia anunciada, e todos os contornos dos
processos judiciais cujos resultados por conta da lentidão da justiça
brasileira resultou em impunidades. Vale
a pena assistir para saber desse momento trágico que não pode ser esquecido
jamais ocasionado pela negligencia dos nossos aeroportos. Principalmente se
você pensa em programa uma viagem ter essa consciência.
P.S:
Ironicamente Rolim Amaro também morreria num acidente aéreo em 8 de julho de
2001, sendo ocasionado quando ele pilotava um helicóptero em Pedro Juan
Caballero, no Paraguai. A caminho de uma reunião no país, pilotava um
helicóptero, que, segundo testemunhas, voava baixo quando bateu no alto de uma
árvore, caindo e matando todos a bordo.
O
homem símbolo da aviação brasileira, morreu justamente num acidente na aérea na
qual era muito apaixonado.


































