terça-feira, 31 de março de 2026

30 ANOS DE A VIDA COMO ELA É....

 

No dia 31 de março de 1996, estreava dentro do dominical Fantástico a telessérie A Vida Como Ela é...(Brasil, 1996).



Contando com 40 episódios,  A Vida Como Ela é..., foi uma produção inspirada nos contos do polêmico  escritor Nelson Rodrigues(1912-1980), que ele publicava em sua coluna diária no jornal Última Hora (1951-1961), explorando adultério, pecado e moralidade.




Essa foi a segunda obra do controverso escritor que a Globo adaptava para o formato de teledramaturgia, no ano anterior a Globo adaptou outra obra de Nelson Rodrigues que foi Engraçadinha(1995). Uma adaptação de Leopoldo Serran(1942-2008) do folhetim “Asfalto Selvagem: Engraçadinha, Seus Amores e Seus Pecados”, publicado no jornal Última Hora entre agosto de 1959 e fevereiro de 1960.” (Site Teledramaturgia).




Com direção geral de Denise Saraceni, uma minissérie que foi dividida em duas fases,  marcou a estreia de Alessandra Negrini na televisão protagonizando a Engraçadinha na fase jovem, pecadora sem muito pudor e Claudia Raia na pele da Engraçadinha na fase madura, casada com Zózimo, vivido pelo saudoso Pedro Paulo Rangel(1948-2022) e mãe de três filhos crescidos*, uma típica mulher recalcada, recatada e do lar  que se converteu evangélica.




Fora que também outras obras  de Nelson Rodrigues já haviam ganhado adaptações para cinema, uma em especial que compõe o conto de A Vida Como Ela é..., trata-se no caso de  A Dama do Lotação (1978) filme dirigido por Neville D´Almeida onde contou com Sônia Braga protagonizando a Solange que nessa versão televisiva foi representada por Maitê Proença que vivia traindo seu marido Carlos com os caras que pegava numa lotação de ônibus, daí o porquê do título. Carlos que na versão para cinema foi papel de Nuno Leal Maia que nessa versão para televisão em A Vida Como Ela É.... foi papel de Guilherme Fontes.




Cujo elenco dessa obra contou com a participação de muitos atores feras, um elenco primoroso formado por em ordem alfabética: Antônio Caloni, Cassio Gabus Mendes, Claudia Abreu, Débora Bloch, Giulia Gam, Guilherme Fontes, Isabela Garcia, José Mayer, Leon Góes, Maitê Proença, Malu Mader, Marcos Palmeira e Tony Ramos que eram atores fixos que representavam um personagem diferente em cada história que contava participações especiais.



Os 40 episódios da telessérie de A Vida Como Ela É.... contou com o envolvimento criativo da equipe de roteiristas formadas por: Euclydes Marinho, Denise Bandeira, Carlos Gregório e do teatrólogo  Nelson Rodrigues Filho, filho do autor que se encarregaram para trabalharem na adaptação dos textos rodrigueanos.



 



Nelsinho  como é referenciado o filho do autor, faleceu recentemente aos 79 anos, no dia 25 de Fevereiro de 2026, vitimado pelo Acidente Vascular Cerebral(AVC).

*Dentre os atores que representaram os papeis dos filhos da protagonista Engraçadinha, vivida por Claudia Raia na segunda fase estava Carmo Dalla Vechia que fez o Durval. Anos depois ele voltaria a contracenar com Claudia Raia, desta vez fazendo par romântico como Zé Bob e ela como  Donatella Fontini na novela A Favorita(2008-2009). Pouco antes dessa minissérie a obra de Engraçadinha foi adaptada para cinema em 1981 que contou com Lucélia Santos como a protagonista titulo nessa obra que contou com a direção de Haroldo Marinho Barbosa(1944-2013) que também foi o responsável por assinar a adaptação do roteiro como roteirista. 

 

 

segunda-feira, 30 de março de 2026

30 ANOS DA ESTREIA DO SAÍ DE BAIXO

 

No dia 31 de Março de 1996, estreava nas noites de domingo da Globo  após o Fantástico, o programa humorístico Sai de Baixo(1996-2002).




O programa nasceu de uma ideia que o ator Luís Gustavo(1934-2021) junto de Daniel Filho no começo dos anos 1990, na ocasião em que Daniel se encontrava fora da Globo.  




Havia sido proposto pelo SBT, que se recusou e então foi parar na Globo.

O formato do Sai de Baixo, uma sitcom gravada num teatro teve inspiração no humorístico A Família Trapo (1967-1971) produzida pela RecordTV, cujo enredo girava em torno de uma família rica formada pelo patriarca Pepino Trapo(Otelo Zeloni) de sua esposa  Helena(Renata Fronzi), os dois filhos Verinha(Cidinha Campos) e Sócrates(Renato Corte Real) e do Mordomo Gordon(Jô Soares) lidando com a presença indesejada de Carlo  Bronco Dinossauro(Ronald Golias), irmão de Verinha que é um típico  sujeito de perfil malandro, desagradável, inapropriado que vive infernizando a vida dessa família.



A estética desse programa gravado ao vivo e com plateia trazendo um toque bem teatral  foi o que inspirou posteriormente a estética do Sai do Baixo(Brasil, 1996-2002) produzida pela Globo nos anos 1990.




    Além de contar no elenco com Jô Soares(1938-2022) que além de representar o Mordomo Gordon também foi um dos roteiristas do programa e com Ronald Golias(1929-2005) apresentando pela primeira vez na TV seu famoso tipo surgido no rádio nos anos 1950, o Carlos Bronco. Que ele ainda retornaria com esse personagem na televisão posteriormente na série Super Bronco produzido pela Globo em 1979.

       Entre 1987 a 1990,  Golias estrelou a série  homônima Bronco na Bandeirantes(atual Band) que contou entre as duas  atrizes fazendo suas irmãs Nair Bello(1931-2007) como Vesúvia e Renata Fronzi(1925-2008) como Helena, não por acaso também representou sua irmã  de mesmo  nome em Família Trapo e a última vez que Golias representou o Bronco foi na série Meu Cunhado produzida pelo SBT entre 2004 a 2006.

 


 Seu elenco também contou com Otelo Zeloni(1921-1973) no papel do patriarca Pepino Trapo, Renata Fronzi como a matriarca Helena Trapo e no papel dos dois filhos do casal:  Renato Corte Real(1924-1982) como o Sócrates Trapo e Cidinha Campos como Verinha Trapo que até esse momento em que escrevo esse texto ela figura como a única atriz viva que compunha o elenco fixo da série.

Pois bem, foi dessa forma que originou o programa humorístico do Sai de Baixo, cujo enredo girava em torno do apartamento do Arouche, que é onde reside um senhor chamado Vanderley Mathias ou como é mais popularmente conhecido pelo apelido de Vavá(Luís Gustavo), é nesse apartamento que também funciona o escritório da sua agência de turismo chamada de VaváTur.




Vavá é um senhor solteirão que não tem filhos, convive em seu apartamento com a empregada desbocada da Edileusa(Claudia Jimenez) e com o porteiro  Ribamar(Tom Cavalcanti), namorado de Edileusa,  um sujeito bem tresloucado  que parece não regular bem da cabeça.

Mas o que vai mesmo tirar o sossego de Vavá vai ser quando repentinamente aparece em seu apartamento de mala e cuia na mão,   a sua irmã Cassandra Mathias Salão(Aracy Balabanian), uma senhora dondoca viúva de um brigadeiro que vem acompanhada de sua desmiolada filha Magda(Marisa Orth) e de seu genro mau caráter Caco Antibes(Miguel Falabella).

A razão para eles viverem de favor com Vavá foi: “Por necessidades financeiras, Cassandra, juntamente com sua filha Magda e o marido dela, Caco Antibes, são obrigados a pedir abrigo na casa de seu irmão Vavá. Obrigado, moralmente, a recebê-los, Vavá, sua empregada Edileusa e o namorado dela, o porteiro Ribamar, fazem de tudo para tornar a vida de seus hóspedes indesejáveis um inferno.

No entanto, quem passa a viver um inferno é Vavá, pois sua família não tem o menor problema em se recusar a ajudar nas despesas da casa procurando emprego. Ao contrário, para evitar o trabalho, Caco sempre surge com ideias mirabolantes de ganhar dinheiro fácil.

(Site Teledramaturgia).

O Sai de Baixo teve suas filmagens gravadas com plateia dentro do  Teatro Procópio Ferreira* localizado na Rua Augusta  em São Paulo, que agora no começo de 2026 foi demolido e  contou na sua vasta  equipe de roteiristas com Maria Carmen Barbosa**(1946-2023), Noemi Marinho, Flávio de Souza, José Antônio de Souza dentre outros. Com redação-final assinada por Flávio de Souza, Claudio Paiva, Juca Filho e Mauro Wilson.

E teve sua direção creditada a diferentes diretores ao longo de suas seis temporadas dentre eles estão: Cecil Thiré(1943-2020), Dennis Carvalho(1947-2026), José Wilker(1944-2014), Jorge Fernando(1955-2019) dentre outros.

As gravações aconteciam às terças e quarta-feiras no Teatro Procópio Ferreira, em São Paulo, em duas sessões: uma às 20 horas e a outra às 22 horas. Os ensaios de cada episódio começavam às 13 horas, no próprio dia da gravação. Cada episódio era gravado duas vezes, e na edição do humorístico eram misturadas as melhores imagens de cada gravação.

A primeira sessão era considerada um ensaio geral, já que, na maioria das vezes, tanto a plateia quanto o elenco estavam mais esquentados na segunda sessão.”

(Teledramaturgia).

Também contou com o envolvimento do músico Caçulinha(1938-2024), que nessa época integrava o elenco do Domingão do Faustão(1989-2021) que fazia as músicas incidentais.

O Sai de Baixo estreou nas noites de domingo com a dura tarefa ingrata de encarar o Topa Tudo por Dinheiro, programa apresentado pelo pioneiro da televisão brasileira Silvio Santos(1930-2024) no SBT.

Isso porque até aquela primeira metade da década de 1990, a Globo vinha sofrendo duras derrotas contra Silvio Santos naquela noite dominical.

O Saí de Baixo soube como explorar um estilo de comédia textual, onde o elenco sabia mostrar ser bem afiado para encarar momentos de improvisos, trazendo abordagens do cotidiano tipicamente brasileiro com pitadas de erotismo na entrelinhas do texto.

    O elenco dessa obra contou com a participação de muitos atores feras, um elenco primoroso formado por: Luís Gustavo, já saudoso que foi o idealizador do projeto, ele que já era um dinossauro da televisão brasileira.

Nascido na Suécia, filho de diplomata espanhol que se mudou para o Brasil quando ele era  ainda garotinho com cinco anos, Luís Gustavo acompanhou o surgimento da televisão, começou como contrarregra no rádio onde lá teve o intermédio de seu cunhado Cassiano Gabus Mendes(1929-1993), que o convidou para participar de muitas das novelas que ele escreveu.

Dentre as mais marcantes novelas que ele estrelou está Beto Rockfeller***(1968-1969) da extinta Tv Tupi, escrita por Bráulio Pedroso(1931-1990) que marcou a história da teledramaturgia brasileira.

No Saí de Baixo ele mostrou uma brilhante defesa do Vavá, um sujeito mau humorado que comanda em seu apartamento uma agência de turismo, onde tem de lidar com a presença indesejável de sua família desajustada e folgada, e lidar com dois empregados doidos de pedras.

Outro nome veterano presente no elenco do Saí de Baixo  e que também já partiu para o plano espiritual do mesmo jeito de que Luís Gustavo é Aracy Balabanian(1940-2023) representando a Cassandra, a irmã do Vavá, uma senhora que mesmo  vivendo de favor na casa do irmão, ainda mantém sua postura de dondoca posuda, perfil típico de uma madame coroca símbolo da tradicional elite paulista quatrocentona.

Uma atriz que aquela altura já acumulava um extenso currículo em novelas desde os primórdios da televisão brasileira e também participou de cinema.

Do mesmo modo vale mencionar a presença de Miguel Falabella como o Caco Antibes, aquele tipo bem repugnante com ar egocêntrico, narcisista, que representa aquele típico perfil de pessoa com pedigree que dizia carregar uma   ascendência nobre dinamarquesa, mas que no fundo não passava de um sujeito com complexo de superioridade sociopática, um verdadeiro canalha  para enganar muita gente e tentar passar a perna em todo mundo na malandragem.

O ator começou sua carreira nos anos 1980, fazendo parte das encenações do importante movimento teatral que ficou popularmente conhecido como teatro besteirol, foi lá que contracenou com muitos atores que ingressaram na televisão na década de 1980 assim como ele, cujo primeiro trabalho televisivo  foi na novela Sol de Verão(1982-1983) e foi também na década de 1980 que ele ficou marcado por comandar o extinto Vídeo Show(1983-2019) onde comandou a atração por longos 14 anos entre 1987 a 2001.

Suas performances ao lado de Marisa Orth fazendo a Magda com o bordão do “Cala a Boca, Magda”, tornam esse momento dos mais memoráveis.

Aliás, Marisa Orth em cena como Magda também se mostra incrível e com sua química e entrosamento com Miguel Falabella. A maneira como ela incorpora em cena a figura da Magda com sua atraente beleza, mas com um perfil de mulher sonsa falando errado as colocações das palavras que beira a infantilização faz uma representação bastante impagável.

Ela que  começou sua carreira na televisão integrando o elenco do programa infanto-juvenil Revistinha(1987-1990) na Tv Cultura e em seguida integrou o elenco da novela Rainha da Sucata(1990) representando a Nicinha como pode ser conferido em reprise no Vale a Pena Ver de Novo. Figurando como um novo talento  que estava despontando na televisão brasileira no começo da década de 1990.

Antes do Saí de Baixo ela participou de um episódio da série infantil Mundo da Lua(1991), uma co-produção da Tv Cultura e da Rede Globo. Em 1992, integrou o elenco da TV Pirata em sua temporada final, fez a Valquíria na novela Deus nos Acuda(1992-1993). Em seguida participou de um episódio do Caso Especial no episodio O Alienista exibido em 1993 e de episódios da Comédia da Vida Privada(1995-1997) e do Você Decide(1992-2000) durante o ano de 1995.

Até conseguir um grande destaque e popularidade representando a Magda no Saí de Baixo, que como eu bem já descrevi a maneira como ela em cena a  representava  como uma mulher de beleza atraente, mas de perfil  um tanto patética beirando a infantilidade, principalmente em sua ingenuidade nonsense e com certo ar de ninfomaníaca onde ela imprimiu aquele toque de sex appeal na personagem que a fez tornar uma sex symbol posando até nua para a capa da extinta revista Playboy em Agosto de 1997.



A maneira como ficava subentendido as piadas de cunho erótico deles, era mencionando  a frase do Canguru Perneta, que foi uma criação do próprio Miguel Falabella para rimar com "ganso de jaqueta" e tornou-se uma piada recorrente sobre uma suposta posição sexual exótica, frequentemente mencionada com tom cômico.

Assim como também brilham na série   Tom Cavalcante  como Ribamar, o porteiro completamente sem nenhum parafuso na cabeça do Prédio do Arouche. Ele que iniciou carreira como apresentador no final dos anos 1980, apresentando o Nordeste Rural e o telejornal VM Notícias, produções locais de sua terra natal, o Ceará pela TV Verdes Mares, uma afiliada cearense da Rede Globo.

Foi no final dos anos 1980, que ele teve contato com seu famoso  conterrâneo Chico Anysio(1931-2012) que o convidou para integrar o elenco do Chico Anysio Show e depois para a Escolinha do Professor Raimundo e em Estados Anysios de Chico City, onde ele apresentou o seu famoso personagem João Canabrava, um sujeito bebum.

Pode-se dizer que muito da carreira de Tom contou com o certo apadrinhamento de Chico Anysio.

Ele em cena como Ribamar  incorpora bem a sua essência hiperativa que o tornava bem pitoresco.

E por fim, a última menção do elenco fixo vai para a saudosa Claudia Jimenez(1958-2022) como a Edileusa, em cena a maneira como ela representou a tagarela desbocada foi surpreendente.

Ela que começou fazendo uma participação no primeiro episódio do seriado Malu Mulher(1979-1980) e ao longo da década de 1980 se destacou em programas de humor, onde mostrou um bom traquejo para trabalhar um estilo de humor próprio sem muito filtro.

No seriado o seu desempenho como Edileusa foi magnifico, principalmente pelas interações com Falabella, ela que só esteve presente só na primeira temporada em consequência de sua saída foi  motivada pelo incomodo com as piadas gordofóbicas a respeito do seu peso que os roteiristas colocavam nas falas do personagem.

O que ocasionou de ao longo dos seis anos que o programa durou no ar até chegar ao fim no dia 31 de Março de 2002 em diferentes mudanças de empregadas na família do Arouche, “Lucinete, vivida por Ilana Kaplan, atriz de teatro gaúcha que deixou um papel na novela O Amor Está no Ar(1997) para entrar no Sai de Baixo. Porém, no ar, não agradou e participou de apenas quatro episódios.
        Sua substituta foi Márcia Cabrita(1964-2017), amiga de Miguel Falabella e desde o início sua indicação. A nova empregada, Neide Aparecida, ficou no elenco até a licença-maternidade de Márcia, em setembro de 2000.Sua substituta foi Cláudia Rodrigues, que entrou com uma personagem que já fazia parte de seu repertório: a desbocada Sirene, que permaneceu até o final do programa.”

(Teledramaturgia).

Fora que também ficou marcado pelos conflitos de bastidores, que foram resultando em algumas mudanças de formatos.

Em 1999, o elenco fixo sofre outro desfalque com a saída de Tom Cavalcante que naquele momento ele “negociava com a direção da Globo sua liberação do Sai de Baixo para um programa solo, que viria a ser o Megatom. De início, Tom faria os dois programas simultaneamente. Porém, acabou resolvendo antecipar sua saída do Sai de Baixo intempestivamente, durante a gravação do episódio “Emergente como a Gente” (exibido em 13/06/99). Tom não voltou mais ao elenco e quase ficou sem seu Megatom, que estreou apenas em 2000 (sendo extinto poucos meses depois). Entre 2002 e 2004, o porteiro Ribamar foi integrado ao repertório de Tom, fazendo parte do humorístico Zorra Total. Ribamar também apareceu em programas de Tom no canal Multishow.”

Durante a temporada de 1999, “Marisa Orth engravidou durante a terceira temporada – e, com ela, Magda. Caco Antibes Jr., ou melhor, o Caquinho, passou a fazer parte do elenco em 1999. De início, por meio de um boneco bebê computadorizado, movido por controle remoto e com a voz do dublador Mário Jorge de Andrade  (que ficava na plateia). Houve até o lançamento de uma réplica do boneco em lojas de brinquedos. Em outubro daquele ano, o boneco “cresceu” e foi trocado pelo menino Lucas Hornos (então com 9 anos), que participou esporadicamente do programa até agosto de 2000. Hornos teve de deixar o elenco por pressão do Juizado de Menores, na mesma época em que a novela Laços de Família passou por problemas similares com os menores de seu elenco.”

(Teledramaturgia).

Durante a  “temporada de 2000, entraram para o elenco Ary Fontoura (Pereira) e Luís Carlos Tourinho (Ataíde). Pereira passou a ser o affair de Cassandra e deixou o elenco no fim do mesmo ano. Ataíde passou a ser o porteiro do prédio, assumindo a antiga função de Ribamar.”

(Teledramaturgia).

“Uma das marcas do Sai de Baixo era o improviso constante dos atores durante os episódios. Eles podiam se dirigir às pessoas da plateia e aos integrantes da equipe técnica, ou mesmo provocar o companheiro de cena. Miguel Falabella era um especialista nisso. Nas discussões entre Caco Antibes e Cassandra, por exemplo, ele podia dizer os maiores absurdos para Aracy Balabanian, chamá-la de cabeção, “Cascacu”, exaltar seu laquê e até mesmo elogiar debochadamente da aparência de Cassandra: “Você está um espetáculo hoje. Olha que cútis maravilhosa!”, ou simplesmente a beijar na boca. Falabella gostava ainda de revelar ao público “histórias secretas” da atriz, tudo devidamente distorcido. Até as participações dela em Vila Sésamo eram lembradas. Aracy Balabanian contou que vivia explicando às pessoas que essas loucuras eram apenas improviso, e que, longe das câmeras, os dois eram amigos. Quando Falabella esquecia o texto, declamava a clássica poesia infantil: “batatinha quando nasce, esparrama pelo chão. Isso tudo eu estou falando porque o texto não me vem na hora”.”

(Memória Globo).

O programa também contou com muitas participações especiais de personagens que apareciam para visitar a família do Arouche, que ajudavam a dar uma movimentada na trama, uma dessas participações bastante lembradas “foi a de Dercy Gonçalves(1907-2008), no episódio “A Estátua da Libertinagem”, exibido em 08/09/1996. A escrachada atriz viveu Dona Leopoldina, mãe de Vavá e Cassandra, e chegou até a mostrar os seios em cena. A participação chegou a suscitar debates sobre a baixaria na TV, inclusive porque foi exibida no mesmo dia em que o Domingão do Faustão mostrou o Latininho***, um adolescente com uma rara síndrome que “imitava” o cantor Latino.”

(Teledramaturgia)


O Saí de Baixo foi tão marcante na história da tv brasileira que anos após o seu termino de tantos repetecos que aumentou a popularidade do programa que em 2013, o extinto canal por assinatura Viva das Organizações Globo promoveu “um reunion do elenco original e produziu quatro novos episódios (roteiro de Artur Xexéo e Miguel Falabella, direção geral de Dennis Carvalho), gravados nos mesmos moldes, no teatro Procópio Ferreira, em São Paulo, com plateia e praticamente toda a equipe técnica do programa original (figurinistas, cenógrafos, músicos, iluminadores, câmeras), exibidos entre 11/06 e 02/07/2013, durante o aniversário do canal. Participaram Luís Gustavo, Aracy Balabanian, Miguel Falabella, Marisa Orth e Márcia Cabrita, além Tony Ramos, Ingrid Guimarães e Arlete Salles, como convidados especiais em cada episódio. Estes quatro episódios foram exaustivamente reprisados pelo Viva.
O sucesso dos episódios reunion levou a Globo a exibi-los na TV aberta, entre 03 e 24/11/2013, aos domingos após o Fantástico, no mesmo horário que o Sai de Baixo original.”

Em 2019, o Saí de Baixo ganhou uma adaptação para cinema  em 2019, com roteiro de Miguel Falabella e direção de Cris D´Amato, com parte do elenco original incrementado com outros atores.



O Sai de Baixo foi um programa de humor inigualável.

P.S. O nome Sai de Baixo antes de ser o título do programa humorístico da Globo nos anos 1990,  já foi título de um filme de comédia brasileira lançada em 1956, que foi uma produção em preto e branco da Cine Filmes e da Produções Cinematográficas Herbert Richers S.A. 






Do produtor brasileiro Herbert Richers(1923-2009), a mesma ligada a dublagem da qual virou uma forte marca. E teve a direção e roteiro escrito pelo croata-brasileiro Josip Bogoslaw Tanko que assinava como J.B.Tanko(1906-1993). O enredo desse filme não tinha nada a haver com o famoso humorístico da Rede Globo que carregou esse título que se refere a expressão coloquial brasileira usada para avisar alguém que se afaste, saia da frente ou se proteja de um perigo iminente. Também funciona como gíria para "saia da frente" ou "saia do caminho".

*Esse teatro onde o Saí de Baixo foi filmado e que sofreu uma demolição agora no começo de 2026, levava o nome do ator Procópio Ferreira(1898-1979) que foi um renomado ator do cenário teatral paulista que fez carreira no cinema e na televisão. Ele era pai da falecida atriz Bibi Ferreira(1922-2019).

**Essa autora  chegou a se juntar a Miguel Falabella para escreverem as novelas Salsa e Merengue(1996-1997) e A Lua Me Disse(2005).

***A novela Beto Rcokfeller, protagonizado por Luís Gustavo que foi a novela que marcou a história da teledramaturgia brasileira pela sua linguagem inovadora, simboliza bem o exemplo de uma lost media que trata-se de um termo genérico para descrever qualquer obra perdida que está indisponível para se encontrar facilmente. Digo isso porque, desde que a Tupi encerrou suas operações em Julho de 1980 e doou seu acervo para a Cinemateca Brasileira, em São Paulo. “Quase todos os capítulos foram apagados pela própria TV Tupi, que usava as fitas para gravar por cima os capítulos seguintes. A Tupi já passava por dificuldades financeiras e todos os projetos que apareciam tinham de ser feitos com baixos custos, mas que trouxessem lucros para a emissora.”(Teledramaturgia).

****O rapaz que apareceu no Domingão do Faustão no dia  08 de Setembro de 1996 fazendo cover de Latino tratava-se de Rafael Pereira dos Santos. Ele era um rapaz PCD(Pessoa Com Deficiência) de 15 anos, natural de Colatina-ES que media  87 cm de altura. Ele sofria da Síndrome de Serkel, um problema genético que ocasiona na pessoa microcefalia, nanismo e deficiência intelectual. Ele apareceu nesse dia cantando ao lado de Latino a canção Louca, Louca, e em seguida foi exposto ao ridículo com as chacotas da trupe do Café com Bobagem.

A razão para isso, envolveu uma resposta a Guerra de Audiência contra o Domingo Legal apresentado pelo saudoso Gugu Liberato(1959-2019) que dois domingos antes apresentou os dois lobisomens mexicanos. Uma fase louca que marcou a terra sem lei que a televisão brasileira dos anos 1990 viveu com a baixaria. Tanto que  logo em seguida, a mídia soltou o cacete em Faustão, tamanha foi a repercussão negativa que gerou até a capa da revista semanal de Veja, de 18 de Setembro de 1996 com o titulo de Mundo Cão na TV-Até onde vai a apelação. O que fez Faustão se retratar dizendo que a audiência o pressionou, é tanto que seu então diretor Carlos Manga(1928-2015) chegou a sugerir a direção do SBT, um código de ética para que ele não exibissem mais nada de degradante na televisão, mas, a direção do SBT se recusou argumentando não querer sofrer uma tentativa de censura por parte da Globo. E olha que quando isso ocorreu já foi bem depois que tínhamos saído da fase opressora da Ditadura Militar. A família de Latininho moveu um processo contra Faustão que resultou em 11 de Outubro de 2001, a juíza Simone Gastesi Chevrand Folly, da 36ª Vara Cível do Rio de Janeiro, condenou a Globo a pagar R$ 1 milhão à família de Latininho por danos morais por conta da exposição de maneira "vexatória" na  TV, "de forma desrespeitosa à sua dignidade, submetendo-o a situação constrangedora."(Fonte: Site Terra, matéria de 25 de Janeiro de 2021). Depois desse episódio, nunca mais se soube de nenhuma notícia atualizada a respeito do paradeiro do Latininho. Até que foi  somente em 2023 é que se tornou de conhecimento público a informação  de que Rafael Pereira dos Santos popular Latininho  havia falecido em 2005, com 24 anos, vítima de pneumonia. O que chama a atenção o fato que o seu falecimento não foi noticiado pela imprensa. 

 

quarta-feira, 4 de março de 2026

30 ANOS DA ESTREIA DA NOVELA QUEM É VOCÊ

 

No dia 04 de Março de 1996, estreava em cartaz na Globo no horário das seis, a novela Quem é Você(1996).



Essa novela foi concebida com argumento de Ivani Ribeiro(1922-1995), que começou a desenvolver sua escrita em 1993.  Mas que foi engavetada, “O título original era Caminho dos Ventos. Passados oito meses da morte de Ivani (em 17/07/1995), a trama foi retomada e ganhou novo título: Quem é Você. No lançamento da novela, foi feita uma homenagem à autora.

(Nilson Xavier no site teledramaturgia)

A escolha do título “alude a uma série de segredo, as verdadeira faces  das personagens da história”.

(Fábio Costa no canal Observatório da TV com o título O TBT da TV relembra a novela Quem É Você, que completa 25 anos, publicado em 16 de Abril de 2021).




A autora já era um nome veterano da televisão desde seus primórdios nos anos 1950, foi daquela primeira geração de roteiristas que estavam começando a escrever naquele formato experimental que era a televisão, e boa parte era oriunda do rádio. Ela foi contemporânea de Janete Clair(1925-1983), Dias Gomes(1922-1999), Cassiano Gabus Mendes(1929-1993), Manoel Carlos(1933-2026) dentre outros.

Ela já teve passagens por outras emissoras e havia ingressado na Rede Globo  no começo da década de 1980.

A primeira novela que ela escreveu ao ingressar  na Globo  foi Final Feliz(1982-1983),que foi a única trama original que ela escreveu na emissora, já que as que vieram em seguidas foram remakes de sucessos que ela já havia escrito em outras emissoras como: Amor com Amor se Paga(1984), um remake de Camomila e Bem-Me-Quer(1972-1973) da Tupi, A Gata Comeu(1985) um remake de A Barba Azul(1974) também da Tupi, Hipertensão(1986) um remake de Nossa Filha Gabriela(1971) também da Tupi, O Sexo dos Anjos(1989-1990) um remake de O Terceiro Pecado(1968) da Excelsior, Mulheres de Areia(1993), um remake da novela de mesmo nome exibido na Tupi em 1973 onde ela inseriu um entrecho de outra novela sua O Espantalho(1977) pela Rede Record e A Viagem(1994), remake da novela de mesmo nome exibido pela Tupi em 1975. 

E o argumento que ela desenvolveu para essa novela foi original, não foi baseado em nenhum remake, ela começou a escrever em 1993, chegou a apresentar para a direção da Globo que não aprovou, ficou engavetado.

Depois que foi aprovado, Ivani Ribeiro antes de falecer no dia 17 de Junho de 1995, por insuficiência renal, ela era diabética. Ela deixou pronto alguns capítulos e deixou para Solange Castro Neves que foi sua colaboradora em Mulheres de Areia e A Viagem para escrever os capítulos da novela, que marcou o seu trabalho póstumo.

O enredo dessa novela girava em torno do conflito das irmãs Maria Luísa(Elizabeth Savalla) e Beatriz(Cassia Kiss), que nutrem uma relação complicada com o pai Nelson(Francisco Cuoco) que as abandonou na infância para viver com outra mulher. O que causou indiretamente a morte prematura da mãe delas.

“Maria Luísa passou a refugiar-se em um mundo de fantasia e a venerar o pai. Já Beatriz reprimiu seus sentimentos e defende-se para que não aconteça com ela o mesmo que ocorrera à mãe. A primeira tem o afeto do marido Afonso(Alexandre Borges)  e a superproteção do pai. E a segunda vive às voltas com a solidão.

Na década de 1970, durante um baile de máscaras em Veneza, Maria Luísa anuncia que está grávida. Porém, Afonso  pensa que o filho é fruto de uma traição e se vinga, tendo relações sexuais com uma mulher mascarada. Nove meses depois, Beatriz tem um filho, mas esconde a identidade do pai, que pode ser o marido da irmã.

No tempo presente, Beatriz declara à irmã que seu filho, Cadu(Pedro Brício), é filho de Afonso. Traumatizada com a revelação, Maria Luísa tem um surto de ausência. O problema se agrava com o aparecimento de Cíntia(Luiza Thomé), uma corredora de Fórmula 1 por quem Afonso fora apaixonado na adolescência e que está de volta para lutar por ele.

Todavia, o perigo maior ainda é Beatriz, que se aproveita da crise no casamento da irmã e de sua doença para convencer Afonso a interná-la em uma clínica, deixando o caminho livre para os dois. Maria Luísa não perdoa a traição do marido. Apesar de amá-lo, foge ajudada por Gabriel(Paulo Gorgulho), um homem misterioso apaixonado por ela.”

(Teledramaturgia).

Essa novela que foi concebida por Ivani Ribeiro antes de falecer, coube a Solange Castro Neves a dura tarefa de escrever os capítulos da novela durante os sete meses de duração dessa novela que chegou ao fim no dia 7 de Setembro.

Ela contou com o auxílio de Lauro César Muniz, outro veterano autor de novelas da velha guarda desde os primórdios da televisão brasileira, que  foi o supervisor do texto da novela. Quem assinou a direção foi o saudoso Herval Rossano(1935-2007), ator de longa carreira no cinema e na televisão, e foi na televisão dirigindo novelas que ele consolidou uma brilhante carreira.

Solange Castro Neves escreveu “apenas os 24 primeiros capítulos (um mês de novela). Diante da pouca repercussão da trama e, ao desentender-se com Lauro César Muniz, então supervisor de texto, foi afastada para que ele prosseguisse com os trabalhos. (“O Globo”, 24/03/1996, pesquisa: Sebastião Uellington Pereira)”

(Teledramaturgia).

Pelo que a Solange Castro Neves  declarou anos depois  aos jornalistas Flávio Ricco e José Armando Vanucci para o livro Biografia da Televisão Brasileira(Editora Matrix, 2017):

“Eu estava acostumada a trabalhar com pessoas que conheciam o meu estilo e o respeitavam, além da grande confiança mútua. Quando comecei a escrever, senti-me de certa forma órfã de pai e mãe. A Globo estava passando por uma enorme mudança com a saída do Boni, e Ivani, Cassiano [Gabus Mendes] e Paulo Ubiratan haviam falecido”.

Por conta de todo esse problema envolvendo o fator audiência fez com que essa novela acabasse não conseguindo fazer sucesso e virou um fracasso.

Um dos pontos que foi bastante criticado pela imprensa na época foi quanto a escalação de Alexandre Borges para protagonizar o Afonso, ainda mais pelo fato de sua pouca idade na época com apenas 29 anos ao ser escalado para representar um homem de meia-idade que na história central era disputado por duas irmãs que eram representados por atrizes mais velhas que ele.

Por exemplo: Elizabeth Savalla que fazia Maria Luísa era doze anos mais velha que Alexandre Borges e Cassia Kis que vivia a Beatriz era só  seis anos mais velha que Alexandre Borges. Fora o fato dele já ser pai de um filho rapagão,  o Mauricio vivido pelo estreante Thiago Picchi, que era filho na vida real de Elizabeth Savalla que viveu sua mãe na novela que na ocasião estava com apenas 19 anos e era o suposto pai do jovem Cadu, filho da Beatriz,  vivido pelo também estreante  Pedro Brício que estava com 24 anos.

Ainda mais levando em conta que naquele momento ele era um ator que havia ingressado na TV fazia pouco tempo. Seu primeiro trabalho foi em Guerra Sem Fim(1993-1994) exibida na extinta Rede Manchete.

Só ingressou na Globo a partir da minissérie Incidente em Antares(1994) onde representou o Padre Pedro Paulo nessa adaptação de Nelson Nadotti e Charles Peixoto do romance homônimo de Érico Verissimo(1905-1975).

Durante o ano de 1995, ele emendou participações em Engraçadinha(1995), minissérie adaptada do romance do controverso Nelson Rodrigues(1912-1980) onde ele representou Luís Claudio que fez a memorável cena picante com a protagonista na chuva. Também participou de um episódio de A Comédia da Vida Privada*(1995-1997) e do Você Decide(1992-2000) e em  A Próxima Vítima(1995) vivendo o gigolô Bruno, um amante que não valia nada da Romana Ferreto(Rosa Maria Murtinho).

Realmente gera uma estranheza vê-lo em cena nessa novela com apenas 29 anos representando um personagem central que era um homem de meia-idade sendo disputado por duas irmãs que eram representadas  por atrizes mais velhas que ele, e pude constatar isso quando recentemente eu revisitei o primeiro capitulo completo disponível no Youtube, eu conferi na época que passou, era bem moleque e não havia percebido nada de tão estranho.  

Ao contrário dessa revisitada três décadas depois  onde a   estranheza fica perceptível quando a gente observa o aplique que a produção usou para grisalhar os fios de cabelos do ator para fazê-lo parecer um cara de meia-idade, o que terminou  não convencendo a ponto da coisa ficar falsa, nem mesmo ele naturalmente barbudo consegue convencer representando um cara de meia-idade nessa novela.

Aliás, sobre o elenco que essa novela contou, há de mencionar as participações de Júlia Lemmertz, com quem Alexandre Borges já era casado e haviam se conhecido quando participaram de Guerra Sem Fim na Manchete,  que apesar de estar na mesma novela, mas não faziam parte do mesmo núcleo.

Na novela, ela representou Débora, uma produtora de vídeo, cujo sócio é seu marido Túlio que foi vivido pelo saudoso Cecil Thiré(1943-2020), um sujeito que tinha um estilo peculiar de comédia que envolvia a sua vaidade em esconder a careca usando uma peruca.

Aliás, um fato curioso envolvia a coincidência de ambos, apesar da diferença de idades de vinte anos, sendo Cecil mais velho vinte anos do  que sua colega de cena  Júlia, mas os dois carregavam o talento no DNA. Sendo Júlia dos seus pais, os atores Linneu Dias(1927-2002) e Lillian Lemmertz(1937-1986) e Cecil de sua mãe, a atriz  Tônia Carrero(1922-2018).

A novela também contou com um núcleo de personagens cômicos  que viviam na Casa de Repouso comandada por Beatriz, gente idosa representada por veteranos da atuação  como: Castro Gonzaga(1918-2007), que representou o Arquimedes que era tio das protagonistas, Eva Todor(1919-2017) como Augusta que no primeiro capitulo aproveita o incêndio para fugir a procura de sua  filha, Eloisa Mafalda(1924-2018) como Kitti que chega a dirigir seu irreverente carro rosa acompanhada do jardineiro  Bartô(André Valli) para irem  atrás de Augusta no primeiro capítulo.

Também contou com Alberto Pérez(1924-2002) como Vô Samuca com seu amigo imaginário Simão, Vanda Lacerda(1923-2001) como Anita, Norma Geraldy(1907-2003) como Carlota, Lafayete Galvão(1935-2019) como Hamilton e Ênio Santos(1922-2002) como Ladislau dois músicos que são amigos inseparáveis, Ruth de Souza(1921-2019) como Isolina uma pianista que já teve fama mundial.

Grande parte destes já são  todos falecidos no passar dessas três décadas após o lançamento dessa obra até o momento em que escrevo esse texto, do mesmo modo que já são falecidos o já citado Cecil Thiré que fez o Túlio, Francisco Cuoco(1933-2025) que vivia o Nelson, pai das protagonistas, Dirce Migliaccio(1933-2009), o irmão de Dirce, Flávio Migliaccio(1934-2020) que na novela representou o motorista de Maria Luísa Jacinto,   André Valli(1945-2008) como o Bartô, o jardineiro da Casa de Repouso e Lídia Matos(1924-2013) como Dona Mimi.

A novela também tinha o núcleo da família do imigrante russo Sacha(Jonas Bloch) que era dono de um restaurante de culinária russa. Nesse seu núcleo familiar era formado pela sua  ex-mulher Valentina(Sílvia Bandeira), está disposta a reconquistá-lo, os filhos Iuri(Marcelo Serrado), amigo de Maurício que vive um amor platônico pela mãe dele, Maria Luísa,
e Irina(Rita Guedes), que se envolve com Maurício mas se apaixona por Cadu
a irmã Tânia(Sandra Barsotti), sócia de Beatriz num herbário, envolve-se com Nelson e
a prima Nádia(Helena Fernandes), apaixonada por ele.

Essa novela deu o azar de estrear em uma semana muito complicada onde boa parte da população brasileira  estava muito comovida e de luto  com a cobertura da imprensa com a trágica morte  do irreverente conjunto musical Mamonas Assassinas ocorrido na noite de sábado, 02 de Março em consequência do acidente aéreo na Serra da Cantareira em Santos-SP, quando eles estavam retornando da última apresentação em Brasília-DF e se preparando para a turnê internacional em Portugal.

Um fato curioso diz respeito a sua abertura, que mostrava um baile de máscaras venezianas ao som da famosa  canção de carnaval  Noite dos Mascarados  de autoria de  Chico Buarque lançada em 1975  que para a novela a canção foi interpretada por Emilio Santiago(1946-2013), ela foi bem escolhida, já que seu primeiro refrão traz a frase título da novela:

- Quem é você?

- Adivinha se gosta de mim

Hoje os dois mascarados procuram os seus namorados perguntando assim:

- Quem é você, diga logo...

- ...que eu quero saber o seu jogo

- ...que eu quero morrer no seu bloco...

- ...que eu quero me arder no seu fogo.

“Sobre a abertura, o designer gráfico Hans Donner narrou em seu livro “Hans Donner e seu Universo” que Boni (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho) ficou encantado com as imagens e perguntou qual software havia sido usado para reproduzi-las. Donner então explicou como foi feita:
“Não é computação gráfica. Mandei construir uma piscina rasa, formando um espelho de água, e gravei as pessoas usando as máscaras, refletidas na superfície, com a câmera de cabeça para baixo, para desfazer a inversão das imagens. As distorções foram produzidas por pequenas ondas que provocamos na água.””

(Teledramaturgia).

Fora que também simbolizou está muito bem ligado a trama central, já que no primeiro capítulo mostra Maria Luísa organizando em sua mansão uma festa de mascarados venezianos lembrando do Carnaval em Veneza de quando participou  há vinte anos,  para celebrar o aniversário do seu filho e é lá que ela ouve de sua irmã Beatriz a confissão de que seu filho Cadu era filho de Afonso.

A logo da novela trazia uma mascara de carnaval. 

*Essa série foi inspirada nas crônicas do escritor Luís Fernando Verissimo(1936-2025) que era filho do escritor Érico Verissimo.


segunda-feira, 2 de março de 2026

30 ANOS SEM OS MAMONAS ASSASSINAS

 

Em 02 de Março de 1996, o Brasil acompanhou a triste notícia do acidente aéreo que tirou a vida de todos os integrantes do irreverente  conjunto musical Mamonas Assassinas, e para lembrar essa data vou aqui comentar sobre duas obras que abordam sobre a importância cultural desse conjunto que surgiu bem fora da curva.




As duas obras em questão tratam-se de Mamonas Pra Sempre(Brasil,2009) e Mamonas Assassinas-O Filme(Brasil, 2023).





No documentário Mamonas Pra Sempre, obra que tem a direção e produção de Claudio Kahns e com roteiro assinado por Diana Zatz Muss com produção da Tatu Filmes, aborda a trajetória  do conjunto musical daquela forma bem descontraída com os depoimentos dos familiares, o depoimento de Rick Bonadio, o depoimento da noiva de Dinho, as imagens de arquivos pessoais mostrando as primeiras apresentações do conjunto com o nome de Utopia, ocorrido no programa de Savério Zacaninni, algo que torna bastante enriquecedor para a obra, servindo bem para explicar como se deu o contexto do surgimento do grupo cuja curta carreira marcou gerações que vale a pena assistir, principalmente para as gerações mais novas entenderem o que eles simbolizaram para a minha geração daquela segunda metade dos anos 1990 que era visto como improvável.



Já quanto a cinebiografia Mamonas Assassinas-O Filme, já não posso dizer a mesma coisa. Com roteiro de Carlos Lombardi e direção de Edson Spinello, ambos nomes que construíram suas carreiras na televisão dirigindo e escrevendo  novelas. Com produção da Total Entermainemnt em coprodução com a Mamonas Produções que é a detentora da marca e com a Claro.

A produção dessa cinebiografia levou anos para sair do papel, a começar pelo fato de que inicialmente o cérebro por trás  do projeto, Carlos Lombardi havia apresentado para ser uma minissérie para a Rede Record  prevista para ser lançada em 2016, ano que lembrou os vinte anos  da trágica morte do quinteto.

Acontece que, no percurso houveram muitos empecilhos que resultou no cancelamento do projeto como bem descreve esse trecho sobre o filme tirado da Wikipédia:

Em março de 2016, a Record anunciou que estava produzindo uma minissérie   televisiva sobre a banda de rock Mamonas Assassinas   intitulada Mamonas Assassinas - A Série, com produção da empresa "OSS Produções", e que sua estreia estava prevista para julho do mesmo ano. O ano de 2016 foi escolhido por marcar os 20 anos do trágico acidente que vitimou a banda. Meses depois de anunciar a série, contudo, a emissora cancelou as gravações, alegando não ter verba para dar continuidade ao projeto, uma vez que a produção não foi aprovada pela Ancine e, com isso, não conseguiu captar os recursos necessários para realizar a minissérie. 

Porém, conforme relatou o jornal O Globo, o motivo teria sido outro. A reportagem diz que, por pressão das famílias dos músicos, várias cenas que não aconteceram na vida real e incomodaram muito as famílias tiveram que ser cortadas do roteiro.

Uma delas mostraria os integrantes da banda assaltando um posto de gasolina para conseguir dinheiro para lançar um CD. Em outra, o pai do vocalista Dinho trairia a esposa com a mulher do prefeito de São Paulo.

 Por conta disso, a Fox, que planejava exibir a série de cinco capítulos tão logo a Record concluísse a veiculação, abandonou o projeto. Elenco e equipe técnica também acabaram dispensados.

Até 2018, nada mais se falou a respeito da minissérie, quando finalmente a Record  se pronunciou informando que o projeto havia sido retomado. Por conta do imbróglio com as famílias, passagens da vida pessoal dos músicos, sem comprovação ou irrelevantes para o enredo, acabaram suprimidas. Em maio, segundo a coluna do Flávio Ricco no UOL, o novo enredo do autor Carlos Lombardi  foi aprovado pela emissora paulista e pela Total Filmes (a nova produtora e parceira do projeto).

Inicialmente, será uma série em cinco capítulos que, depois, compactada, dará origem a um filme. Um novo elenco terá que ser escolhido, uma vez que parte dos autores anteriormente escalados já assumiu novos compromissos. Em 30 de janeiro de 2023 a Record   iniciou as gravações em Guarulhos, município na Região Metropolitana de São Paulo.”

O que isso terminou resultando em algumas mudanças na formação do elenco principal, que quando foram  anunciados em abril de 2016 para compor a minissérie.  Três atores que já os representavam no teatro na peça Mamonas Assassinas-O Musical como Ruy Brissac para virar o Dinho(1971-1996), Elcion Bozanni para ser Samuel Reoli(1973-1996) e Adriano Tunes para ser Júlio Rasec(1968-1996), fora que também eles chegaram a escalar Vinicius de Oliveira para o papel de Sérgio Reoli(1969-1996) e Beto Hinoto para viver Bento Hinoto(1970-1996).

Dessa escalação inicial para a minissérie foram mantidos os nomes de Ruy Brissac que foi mantido no papel de Dinho, Beto Hinoto foi mantido para viver Bento Hinoto, Adriano Tunes que primeiramente era para ser Júlio Rasec ficou com o papel de Samuel  Reoli e quem assumiu os papeis de Julio Rasec foi Robson Lima e Sérgio Reoli foi de Rhener Freitas.

O fato curioso é que Beto Hinoto é sobrinho  do guitarrista Bento Hinoto que o representa no filme.

Ele não chegou a conviver com o tio famoso, já que Beto nasceu dois anos após a trágica morte do tio no acidente aéreo na Serra da Cantareira-SP que também tirou a vida dos seus colegas de banda.

“— Sinto uma energia muito forte do meu tio. Sempre antes de entrar no palco, tento canalizar isso. Peço proteção, rezo e agradeço pelas oportunidades. Até porque, se não fosse ele, eu não estaria fazendo esse papel — destaca Beto.”

(Retirado da postagem É Extraordinário do Facebook de 30 de Outubro de 2025).

Diversos fatores fazem com que na época quando  foi lançado tenha recebido uma  recepção negativa da crítica e pelo que pude constatar com meus próprios olhos ao conferir no ano passado chegando na Netflix.




Um deles é o fato do roteiro se mostrar um tanto corrido, apressado, sem dar tempo de desenvolver a narrativa.

Junte isso ao fato da qualidade da produção se mostrar minimamente questionável, ainda mais  com o roteiro escrito por Lombardi que na sua longa carreira de roteirista na televisão quando escreveu novelas na Rede Globo ao longo dos 30 anos em que foi contratado tais como: Vereda Tropical(1984-1985), Bebê a Bordo(1988-1989), Perigosas Peruas(1992), Quatro por Quatro(1994-1995), Vira-Lata(1996), Uga Uga(2000-2001), a minissérie O Quinto dos Infernos(2002), Kubanacan(2003) e Pé na Jaca(2006-2007). 

Ele também roteirizou alguns trabalhos para cinema entre estes segundo consta em seu currículo no IMDB são: Um Trem para as Estrelas(Brasil, 1987) do diretor Cacá Diegues(1940-2025) e também consta que ele foi o colaborador nos roteiros dos filmes Zoando na TV(Brasil, 1999) uma produção de comédia paródica a tv,  estrelada pela popular apresentadora infanto-juvenil Angélica Ksyvickis e contou com a direção de José Alvarenga Júnior e a comédia romântica Mais uma vez Amor(Brasil, 2005) que contou com a direção da americana naturalizada brasileira Rosane Svartman que posteriormente faria carreira na televisão escrevendo novelas na Globo.

Quem assim como eu cresceu assistindo algumas novelas mencionadas de Carlos Lombardi, deve bem saber que o seu estilo de estética é um tanto quanto peculiar que fugia ao modelo folhetinesco tradicional de escrever novela por assim dizer, que dividiu muito as opiniões, agradava a uns e desagradava a outros.

O seu humor era caracterizado pelo estilo caótico e anárquico, que na descrição do seu perfil no site Teledramaturgia do jornalista Nilson Xavier, o  seu estilo peculiar de escrita se caracterizava “em uma linguagem cheia de ação, humor e diálogos sarcásticos.”

Ele costumava trabalhar em seus enredos  num ritmo  acelerado  e frenético principalmente ao trabalhar com cenas que envolviam pancadaria, tiroteio e correria.

Esse tipo de adrenalina em suas novelas as  que faziam  se aproximarem de uma linguagem cinematográfica dos filmes de ação mesclado a linguagem das histórias em quadrinhos de super-heróis.

Do mesmo modo, o seu texto se caracterizava pelo estilo irreverente e porquê não dizer excêntrico  dos diálogos sarcásticos dos personagens quando se envolviam  situações corriqueiras pelo tom do deboche  cínico  do moralismo hipócrita da sociedade brasileira bem escancarado. Ainda mais  quando apelava para erotismo masculino com seus protagonistas sem camisa mostrando os corpos sarados e peitorais.

Por toda essa descrição sobre o roteirista do filme, dá para se compreender o que levou em muitos aspectos o filme a desagradar tanto a crítica, fora que não ajuda o fato de que como a direção de Edson Spinello que sempre acumulou mais trabalhos na televisão dirigindo, a coisa só piora, ainda mais por sua inexperiência em dirigir cinema.

Além do que, o filme também apresenta os mesmos vícios que eu destaquei que é bem característico do estilo lombardiano, principalmente nos diálogos sarcásticos, nos momentos que mostram os protagonistas sem camisa, e fora que tentando seguir algumas convenções narrativas, a obra explora um conflito dos irmãos Sérgio e Samuel quando este se envolve com uma interesseira dentre outros problemas.

Posso concluir que entre a cinebiografia e o documentário, vale mais  a pena assistir ao documentário. Se quem não assistiu a cinebiografia, mas mesmo depois de tudo o que descrevi de defeitos que ele apresenta, mesmo assim por curiosidade você vai querer conferir, posso recomendar que assista e tire você mesmo suas próprias conclusões.

No passar desses 30 anos após a trágica morte do conjunto musical, seus familiares pais e irmãos passaram a cuidarem da memória e da marca Mamonas Assassinas, para manter preservado a memória deles.

Alguns deles partiram recentemente como a mãe do baterista Sérgio Reoli e do guitarrista Samuel Reoli, Dirice Reis de Oliveira(Dona Nena) que faleceu em fevereiro de 2024 após  conferir ao lançamento do filme. E no ano  passado partiu Toshiko Hinoto, mãe do baixista Bento Hinoto, ela já tinha 100 anos.

COMO COMPLEMENTO:

Além desses também citar outras obras audiovisuais interessantes sobre o conjunto que valem dar uma conferida. 





Um desses é  no episódio da série da Globo Por Toda Minha Vida(2006-2011), que começou como um especial de final de ano em 2006 se dedicando a Elis Regina(1945-1982) e em 2007 passou a ser um programa fixo na emissora que de mês em mês dedicava um programa focado num artista musical, sempre com apresentação e narração de Fernanda Lima, que trazia uma estética de docudrama onde os depoimentos das pessoas que ela entrevistava  eram intercalados  com as dramatizações que são creditados a diferentes diretores importantes da casa  encarregados de dirigir cada episódio como: João Jardim, Rogério Gomes, Ricardo Waddington, Paulo Silvestrini, Pedro Vasconcelos, Alexandre Ishikawa, José Luiz Villamarim, Fabricio Mamberti, Luiz Henrique Rios dentre outros, do mesmo modo como os roteiros de cada episódio conta com crédito de diferentes roteiristas  e no episódio especifico dedicado aos Mamonas Assassinas que foi originalmente exibido no dia 10 de Julho de 2008, o roteiro do episódio é creditado a Maria Camargo e a direção é de José Luiz Villamarim. Aqui pelo menos o trabalho de dramatização em comparação a cinebiografia  foi bem melhor trabalhado e com uma qualidade técnica  melhor apurada.

Outro complemento a ser citado é o documentário da extinta MTV Brasil(1990-2013) MTV na Estrada: Mamonas Assassinas(Brasil, 1996) registrando e  acompanhando a jornada irreverente conjunto musical do deboche Mamonas Assassinas cujas “gravações acompanhariam os Mamonas em alguns shows realizados no Rio Grande do Sul. O programa mostrou trechos dos shows, além de mostrar os Mamonas fora dos palcos e também entrevistou cada integrante(dessa vez com eles falando sério rs).”

(Trecho retirado da fanpage do Mamonas Assassinas do Facebook).

É nesse documentário o curioso  momento do vocalista Dinho se dirigindo ao cinegrafista debochando do   jato particular: “O avião quase caiu na Floresta Amazônica devido a um radar quebrado e que o dia a seguir seria “uma aventura.” .

Em seguida, ele diz ao cinegrafista em forma de deboche que é típico dele:

“Eu tenho uma boa e uma má noticia pra você que vai voar com a gente cameraman qual que você quer primeiro?”

A fala é interrompida repentinamente  pela aparição surpresa do  tecladista Júlio Rasec perguntando: “Você não é o Dinho dos Mamonas” e Dinho responde: “Eu era”. E Júlio olha para a câmera e diz: “Oi”.

Então Dinho volta a se dirigir para a câmera respondendo sobre o estado do jato:

“A boa é que eles consertaram o radar”. E dando uma risada diz assim: “Quebrou de novo”.

E Dinho ainda acrescenta que o combustível não estava passando do reservatório para o tanque com aquele ar todo debochado. E Júlio entra na situação dizendo: “Quebrou de novo?”

 

Esse registro e a exibição desse documentário  ocorreu em Fevereiro de 1996,  pouco antes do fatídico acidente aéreo na Serra da Cantareira em Santos-SP que tirou a vida dos cinco componentes do conjunto musical no dia 2 de Março de 1996 depois que eles estavam retornando  da última apresentação em Brasília e se  preparando para a turnê internacional em Portugal.

No fatídico dia do acidente, esse momento pitoresco de Dinho  foi bastante replicado pelas outras emissoras, principalmente durante a cobertura da tragédia onde houve muita comoção nacional e  foi quando se criou até alguma teoria conspiratória ligada a premonição, principalmente quando entrevistaram a famosa vidente Mãe Dináh(1930-2014) que dizia pressentir sobre a tragédia, ainda mais quando foi divulgado o vídeo caseiro do  tecladista Júlio Rasec, filmado horas antes dele ir se preparar para a última apresentação da turnê brasileira em Brasília.

 
A famosa vidente brasileira Mãe Dináh foi bastante entrevistada
na ocasião da cobertura do acidente dos Mamonas Assassinas 
comentando que já havia previsto isso. 


Júlio estava saindo do salão do qual era um cliente assíduo onde lá revelou para a câmera do cabelereiro dono do salão  em um tom sério de preocupação do seu sonho premonitório: "parecia que o avião caía". A trágica coincidência ocorreu na volta de Brasília para São Paulo. Cerca de 12 horas após o relato, o avião Learjet 25D colidiu na Serra da Cantareira, vitimando todos os integrantes da banda, incluindo Júlio.


 
O tecladista Júlio Rasec desabafando para a 
câmera do seu cabeleiro particular sobre o sonho que teve do avião 
caindo. Esse registro ocorreu horas antes 
dele ir se apresentar com o conjunto. 


Jamais houve um conjunto musical brasileiro igual aos Mamonas Assassinas, nem antes, nem depois.