segunda-feira, 24 de agosto de 2026

O SEQUESTRO DO APRESENTADOR SILVIO SANTOS

 

Há 25 anos, o apresentador Silvio Santos(1930-2024) viveu o maior pesadelo em sua vida que foi ver uma de suas filhas sequestradas e depois sofreu nas mãos do sequestrador.




Tudo começa a partir do dia 21 de agosto de 2001, quando Patrícia Abravanel, a filha número 4* de Silvio, que seguiu os passos do pai virando apresentadora e comandando junto com as irmãs a emissora deixada pelo pai, mas que nessa época do sequestro estava com 23 anos e era uma jovem estudante universitária do curso de administração e estava começando a ser moldada para virar apresentadora.



Sofreu o sequestro, organizado por  Fernando Dutra Pinto(1979-2002) e uma quadrilha que contou entre seus componentes: seu irmão Esdra Dutra Pinto, Marcelo Batista Santos, Tatiane Pereira e sua namorada Luciana Santos Souza que usava o codinome de Jennifer. Eles invadiram a mansão onde ela morava.

O clima tenso do sequestro durou oito dias com a imprensa fazendo a cobertura, isso porque como se não bastasse só Patrícia ter sido sequestrada e mantida refém, eles mantiveram como refém o apresentador Silvio Santos.




No caso de Silvio, isso ocorreu depois que ele conseguiu negociar o valor do resgate aos sequestradores, os pagou, os sequestradores libertaram Patrícia do cativeiro e ao ser liberta ela da janela da casa chegou a falar com a imprensa.

 A polícia com o rastreio conseguiu capturar e prender todos os sequestradores, menos Fernando Dutra Pinto, o cérebro do crime.

Já que Fernando permaneceu foragido, ele foi quase capturado pela polícia ao ser “descoberto em um hotel no centro comercial de Alphaville, no município de Barueri. Ele trocou tiros com policiais do 91º Distrito Policial, matando dois investigadores: Marcos Amorim Bezerra e Tamatsu Tamaki. O sequestrador acabou fugindo.

(Wikipédia)

 

Foi então que na manhã do dia 30 de agosto, Fernando Dutra Pinto invadiu a mansão de Silvio e o manteve como refém que só chegou ao fim apenas quando houve a intervenção do então Governador de São Paulo Geraldo Alckmin**, que é o atual vice-presidente da República que conseguiu negociar com o sequestrador e em seguida ele foi preso.






O episódio desse sequestro foi representado na segunda temporada da série  do Star Plus O Rei da TV(Brasil, 2022-2023) sobre a trajetória de Silvio Santos  e na cinebiografia de Silvio(Brasil, 2024), onde curiosamente nas duas versões, o sequestrador foi representado pelo mesmo ator Jonas Oliva.






  

Seis meses após ser preso pelo crime, Fernando Dutra Pinto morreu no dia 2 de Janeiro de 2002, vítima de uma parada cardíaca, enquanto estava preso no CDP(Centro de Detenção Provisória) do Belém. Um laudo conclusivo do Instituto Médico Legal apontou que Fernando morreu vítima de infecção generalizada provocada por um ferimento infeccionado e não devidamente tratado nas costas. Um relato de um preso afirma que Fernando teria sido torturado por carcereiros.



Já quanto aos outros envolvidos: seu irmão Esdra Dutra Pinto, Marcelo Batista Santos, Tatiane Pereira e Luciana Santos Sousa que se apresentava como sua namorada apelidada de Jennifer, esses receberam uma condenação no dia 11 de Março de 2002, Esdra de 19 anos de pena de prisão e já os outros três foram de 15 anos de cadeia.

Já outro envolvido no sequestro Marcos Bezerra Santos, ao contrário desses, ele não foi logo preso. Passou um bom tempo foragido até que foi localizado em abril de 2003, foi preso e cumpriu pena. Em agosto de 2024, foi preso em flagrante pela Policia Federal por tráfico de drogas.

P.S:Dez anos antes de vivenciar esse susto, Silvio Santos também passou por outro susto envolvendo um sequestro na família. Em maio de 1992, sua irmã Sara Abravanel Soares(Sarita), que era a diretora regional do SBT no Rio de Janeiro, sofreu um sequestro onde foi mantida refém  por 15 horas em um porta-malas e resgatada pela polícia sem que o resgate de US$ 500 mil fosse pago. Dois dos sequestradores foram condenados e já cumpriram suas penas, enquanto um terceiro ainda está na prisão. Sara é a caçula dos seis filhos do casal de judeus sefarditas Alberto Abravanel(1897-1976) nascido na Grécia e Rebeca Caro Abravanel(1907-1989) nascida na Turquia. Que vieram para o Brasil em 1924. Silvio nascido Senor era o primogênito. Quando Silvio morreu, ele além  de já não contar  mais com  os pais vivos, também já não contava mais vivo com dois dos seus irmãos. Leon que também fez carreira como apresentador faleceu em 1982 aos 47 anos, em decorrência de um câncer. E Beatriz faleceu em 2006, aos 74 anos, vítima de complicações de um câncer. Sara junto a Henrique e Perla figuram como os únicos irmãos vivos do apresentador Silvio Santos até o momento dessa publicação.

 

*A razão para o autor se referir a Patrícia Abravanel  como filha número 4, se refere ao fato dela ser a quarta filha por ordem de nascimento das seis filhas de Silvio. Sendo a número 1 Cintia e a número 2 Silvia. Que são frutos do primeiro casamento de Silvio com Cidinha Abravanel, com quem ele foi casado até o falecimento dela em 1977. Em seguida, Silvio casou-se novamente com Iris Pássaro com quem teve Daniela Beyrutti a número 3, Patrícia a número 4, Rebecca a número 5 e Renata a número 6.

**Na ocasião do sequestro Alckimin havia sido empossado como Governador de São Paulo  fazia pouco tempo, primeiro interinamente em 22 de janeiro de 2001, no momento em que o então titular Mário Covas(1930-2001) vinha enfrentando um tratamento agressivo contra um câncer na bexiga e que resultou no seu falecimento no dia 6 de março de 2001. Onde passou a ser empossado definitivamente para assumir um mandato tampão.

domingo, 16 de agosto de 2026

O DITADOR PARAGUAIO QUE MORREU EM TERRITÓRIO BRASILEIRO.


 

Há 20 anos, no dia 16 de Agosto de 2006, o tirano mais cruel que o continente sul-americano conheceu partia exilado no Brasil, estou falando do general paraguaio Alfredo Stroessner(1912-2006).

Stroessner governou o pais com mãos de ferro ao longo de 35 anos, entre 1954 a 1989 com perseguições, torturas, censura e mortes.

Alfredo Stroessner Matiauda nasceu em Encarnacion, localizado no sul do Paraguai, próximo à fronteira com a Argentina, no dia 3 de Novembro de 1912. Era filho de um imigrante alemão que chegou ao Paraguai em 1895, e montou uma cervejaria e sua mãe carregava a descendência hispânica pertencendo a uma importante família da classe alta paraguaia.




Aos 17 anos, Stroessner entrou no exército, que por intermédio de seu tio Vicente Matiauda, alcançou o posto de tenente dois anos depois. Participou da Guerra do Chaco(1932-1935) contra a Bolívia.

Em 1948, com 36 anos, alcançou o posto de General de Brigada, tornando-se o general mais jovem da América do Sul.

Promoveu nesse mesmo ano uma tentativa fracassada de golpe, fugiu para a embaixada brasileira, no porta-malas de um carro, o que lhe rendeu a alcunha de “coronel do porta-malas”.  Em 1951, ingressou no Partido Colorado e foi nomeado Comandante Chefe das Forças Armadas.

 


Stroessner participou da Revolução de Pyandi(“Pés Descalços” em guarani), uma guerra civil na qual a classe trabalhadora de Assunção foi massacrada, encerrando o governo liberal e colocando o Partido Colorado no Poder.

Em 1954, liderou o Golpe de Estado que derrubou do poder o então presidente Federico Chaves(1882-1978). Ironicamente seu companheiro de partido.




O Conselho de Administração do Partido Colorado o elegeu candidato a presidente. Em 11 de Julho de 1954, foi eleito presidente sem oposição e assumiu o mandato da presidência do Paraguai em 15 de Agosto. Stroessner foi reeleito em oito legislaturas quais também participaram candidatos do Partido Liberal, Partido Liberal Radical Autêntico e do Partido Revolucionário Febrerista.

Já comandando a nação com o objetivo de acabar com os 50 anos do que ele chamou de anarquia, mas que era uma sucessão controversa de presidentes constitucionalistas, incluindo o próprio Federico Chaves, democraticamente eleito pelo Partido Colorado, que ele foi destruindo através de sua ditadura para transforma-los nos bajuladores do seu governo.

Stroessner aboliu as garantias constitucionais e exerceu severa repressão. Governando com o apoio do Exército e do Partido Colorado. Além de praticar muita corrupção.  Num modelo de regime anticomunista que favorecia os interesses dos americanos.

Estima-se que durante os 35 anos que ele governou autoritariamente o Paraguai de forma repressiva, as estatísticas sobre as violações dos direitos humanos sejam de: 336 pessoas assassinadas, 9.862 pessoas foram presas de forma arbitrária, 18.772 foram torturadas e 3.470 forram forçados a se exilarem.

Dentre essas violações de direitos humanos, houve relatos de crimes sexuais praticados a meninas menores de idade entre 10 e 15 anos, que eram estupradas por esses bandidos de farda.

Apesar de manter uma postura conservadora, Stroessner não teve boas relações com a Igreja Católica, existe três datas que ficaram marcadas pelos conflitos que ele encarou com essa importante instituição religiosa: 1967, 1969  e 1988.

Foi durante o seu mandato que foi inaugurada a Ponte da Amizade, que interliga a fronteira do Paraguai com o Brasil.

Stroessner mostrava grande simpatia pelos nazistas, inclusive chegou a garantir a asilo político a dois oficiais alemãs que haviam fugido de sua terra natal após perderem a Segunda Guerra Mundial que eram: Josef Mengele(1911-1979)* e Eduard Roschman(1908-1977)**, o que terminou rendendo muitas críticas do seu governo na mídia internacional.

 
Foto do criminoso nazista Josef Mengele. 


Foi inspirado no modelo do genocídio nazista contra os judeus, que Stroessner praticou isso contra o povo indígena Aché.

        Foi no mandato de Stroessner que o setor econômico paraguaio obteve um bom crescimento, mesmo uma medida de implementar uma liberalização econômica, durante a década de  1960, o seu crescimento econômico foi em média de 4,2%.   Entre 1976 a 1981, ocorreu um boom econômico com a construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu que permitiu um crescimento de 11% no PIB, ao mesmo tempo que crescia a corrupção e o contrabando.

 

       O final da década de 1980 foi um período onde os países vizinhos ao Paraguai, estavam deixando de viver sob a repressão dos militares, se redemocratizando. Foi nesse clima que o povo paraguaio passou a sair nas ruas para se manifestar, com lideranças Febreristas e pelos sindicatos. Stroessner foi abandonado pelos seus ex-aliados e agravado pelo cenário econômico inflacionário. Tudo isso resultou no fim melancólico do seu governo no dia 3 de Fevereiro de 1989, dia em que ocorreu o Golpe de Estado e ele foi deposto do poder.

      Logo após ter sido deposto do poder, Stroessner pediu asilo politico no Brasil, onde passou a residir desde então.

 

       Nos 17 anos que Stroessner viveu exilado em território  brasileiro depois que foi desposto do poder no Paraguai  com o Golpe de Fevereiro de 1989, um dos momentos que marcou a sua estadia em solo brasileiro foi o seu  envolvimento indireto com o  crime de sequestro e assassinato  de uma criança que  ocorreu em 1992 na região litorânea de Guaratuba/PR que chocou o Brasil inteiro, foi  na época da investigação do desaparecimento do  menino Evandro Ramos Caetano de 7 anos, até hoje sem solução.


 
Foto do menino Evandro Ramos Caetano. 


Sua conexão indireta com o sumiço do menino Evandro  se deve ao fato de que dois dos sete suspeitos do   sequestro e assassinato do menino: Osvaldo Marcineiro e Davi dos Santos Soares haviam sido mandados para a sua antiga mansão de veraneio para serem interrogados e torturados pelo grupo TIGRE(Táticos Integrados de Grupos de Repressão) onde muito tempo depois de passarem por julgamentos equivocados foi provado a inocência deles.

Esse episódio foi relatado na série documental do Globoplay O Caso Evandro(Brasil, 2021).





Durante esse tempo, o governo paraguaio fez muitas tentativas em vão de tentar convencer o governo brasileiro com  um pedido de extradição de Stroessner para  retornar ao Paraguai e responder pelos seus crimes.  Numa dessas tentativas ocorreu em setembro de 2000, onde um pedido de extradição foi despachado pelo juiz Rubén Dario Frutos, como consequência do desaparecimento e assassinado do médico Agustin Goiburú em 1977, mas o Brasil se absteve de cumprir o pedido. Outra tentativa ocorreu em outubro de 2003, quando Stroessner foi convocado a retornar ao Paraguai após o juiz Arnaldo Fleitas determinar a sua prisão e solicitar a Interpol ser acionada pela policia paraguaia para capturar o ex-presidente, no caso envolvendo o assassinado de Celestina Pérez em 1974,  que é a  esposa do ativista de direitos humanos Martin Almada(1937-2024) um dos presos políticos de sua ditadura. E a última tentativa em vão ocorreu em setembro de de 2004, onde o juiz paraguaio Gustavo Santander ordenou a extradição de Stroessner, dessa vez pelo envolvimento no desaparecimento de três pessoas. O que foi vetado pelo governo brasileiro com a justificativa do seu asilo politico.

 

 
Martin Almada, um dos famosos 
presos políticos durante 
a ditadura de Stroessner 
no Paraguai.  

 

Foi em solo brasileiro que Stroessner viveu o seus últimos dias de vida, na época em que faleceu ao 93 anos, com uma idade avançada e com sua saúde  fragilizada, havia se submetido a uma operação cirúrgica em duas hérnias iguinais no Hospital Santa Lúcia de Brasília, e dessa cirurgia ele precisou enfrentar uma complicação pulmonar que resultou numa pneumnia que o manteve em estado de alerta até o seu falecimento em 16 de agosto de 2006, devido as essas complicações.

Strossner  foi sepultado em 17 de agosto de 2006 no Cemitério Campo da Paz de Brasília, em uma cerimônia privada, onde apenas compareceram o seus familiares e amigos íntimos. Foi planejado mudar os restos mortais de Stroessner para o Paraguai dentro de  alguns meses, mas o governo Paraguai anunciou que não iria receber o corpo de Stroessner com honras militares.

Sobre a vida intima de Stroessner, ele casou-se com Eligia Mora(1910-2006), mais conhecida publicamente como Ligia Stroessner em 1945. Tiveram três filhos, fora os filhos ilegítimos de casos extraconjugais que Stroessner teve envolvendo os casos de estupros de menores que só vieram a conhecimento público após ele deposto do poder.

  
Foto de Strossner ao lado de Eligia. 


A união dela com Stroessner durou até o seu falecimento ocorrido em 3 de fevereiro de 2006, seis meses antes do falecimento de Stroessner. Na ocasião com 95 anos, ainda que legalmente ela estivesse casada com Stroessner, que comente-se que ela detestava o seu estilo de vida com essas atividade sociais e digeriu suas infidelidades. Por conta do exilio, eles estavam separados, ela fugiu para os Estados Unidos, enquanto o marido vivia exilado no Brasil. Ainda retornou ao Paraguai, onde viveu até o fim da vida morrendo no Hospital Americano de Assunção.   

Stroessner que faleceu seis meses depois, não pode estar presente no funeral a ponto de terminar sofrendo prisão pelas autoridades paraguaias.

 *O Anjo da Morte como ficou conhecido o criminoso nazista viveu seus últimos anos exilado no Brasil até falecer em fevereiro de 1979, vítima de um acidente vascular cerebral quando estava se banhando no mar da praia de Enseada, em Bertioga, município litorâneo paulista. Ele estava com uma identidade falsa de Wolfgang Gehard e sendo acolhido pelo casal Boisert. Somente em 1985, foi que a polícia alemã teve conhecimento por meio de Hans Sedmeier, um amigo de Mengele que ele havia morrido em solo brasileiro. Foi então que em junho de 1985,  numa operação conjunta entre os agentes alemães e o governo brasileiro, os restos mortais enterrados no cemitério de Embu das Artes, foram enxumados e mandados para o Instituto Médico Legal que em 1992 com um DNA do seu filho Rolf, se verificou que a ossada era mesmo de Mengele. Após a enxumação, os restos mortais ficaram no IML, a família se recusou a fazer repatriação para a Alemanha. Até que a partir de 2016, esses restos mortais passaram a ficar sob a vigília da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo que passaram a compor os materiais de auxílio para os estudantes.

**Há poucas informações sobre criminoso nazista, principalmente a respeito de como foi o seu modo de vida exilado no Paraguai até o seu falecimento em 1977. Cuja causas são desconhecidas. 


sábado, 15 de agosto de 2026

100 ANOS DO CRIADOR DO ASTÉRIX

 

Se hoje estivesse vivo, o desenhista francês René Goscinny(1926-1977), o criador do Asterix estaria completando hoje 100 anos.

Nascido em Paris, em 14 de Agosto de 1926, filho de imigrantes judeus poloneses, seu pai era professor de matemática e sua mãe era oriunda da Ucrânia.




Aos 2 anos, mudou-se com os pais para a Argentina em 1928, onde passou a sua infância na capital Buenos Aires.

Já mostrando uma aptidão notável para as artes, fez seus primeiros desenhos na revista da escola, como Notre Voix e Quartier Latin. Pouco tempo após se graduar em Belas Artes em 1943, Goscinny enfrentou a perda inesperada do pai, o que o obrigou, por problemas financeiros a aceitar um emprego como guarda-livros numa fábrica de pneus.




Depois que decidiu pedir demissão, chegou a aceitar trabalhar como ilustrador júnior numa agência de publicidade, onde não obteve muito sucesso. Em 1945, aceitou o convite do seu tio materno para se mudar para Nova York onde levou sua mãe.

Lá trabalhou durante algum tempo como tradutor até ser convocado para as tropas francesas, no entanto, como a Segunda Guerra Mundial já estava chegando no fim, ele não chegou a participar de nenhuma ação em batalha. Regressou para o bairro do Brooklyn após a dispensa e voltou a sua jornada como artista.   




      Em 1948, conseguiu encontrar trabalho como assistente num pequeno estúdio e aqui ele entrou em contato com o belga Maurice de Bevere que assinava como Morris(1923-2001), o criador do Lucky Luke e com o americano Harvey Kurtzman((1924-1993) que deu grande incentivo para otimizar seu trabalho.




   Kurtzman foi a ponte de Goscinny para ele tomar contato com os novos artistas americanos que estavam surgindo no cenário da indústria, dentre eles os três fundadores da revista MAD: Will Elder(1921-2008), Jack Davis(1917-2000) e John Severin(1921-2012).

Após já minerar bem o seu estilo ao ponto de chamar a atenção de um importante da industrias dos quadrinhos franco-belgas Georges Troisfontaines(1919-2007), o diretor da World Press Agency em Bruxelas, capital da Bélgica.




Ao se mudar para a Bélgica, Goscinny também conheceu o diretor de arte da Agência Dupuis, Jean-Michel Charlie(1924-1989), acabando por se estabelecer em Paris, onde fez alguns trabalhos para a Dupuis vindo mais tarde, em 1951, a assumir a gestão do Gabinete de Imprensa de Paris de Imprensa da World Press Agency. Foi aqui que ele conheceu seu parceiro na criação de Astérix Albert Uderzo(1927-2020).




          Foi em 1959, que Goscinny e Uderzo lançaram na revista Pilote o famoso herói gaulês Astérix, um resistente a invasão dos romanos na Gália, com a ajuda da poção do druida Panoramix, que parodiava a invasão moderna da cultura americana em território francês. Sua inspiração foi num gaulês de verdade Vercigentorix.




Goscinny também foi trabalhando na ilustração do livro infantil O Pequeno Nicolau de autoria de Jean-Jacques Sempé(1932-2022) e criou  ao lado de Jean Tabary(1930-2011) outro personagem de quadrinho chamado de Iznogoud*.




ADAPTAÇÕES DE ASTÉRIX NAS ANIMAÇÕES E LIVE ACTIONS.

O Astérix foi o que simbolizou a grande marca da carreira de Goscinny a ponto dele ser bastante licenciado graças as adaptações para filmes animados e live actions como entre esses que posso aqui mencionar que mais me impressionou foi Os Doze Trabalhos de Astérix(Les Douze Travaux d'Astérix,França, 1976)  que foi a terceira produção de animação inspirado na marca Astérix, foi a única produzida  pelo Stúdio Idéfix,  fundada em 1974, por seus criadores Goscinny e Uderzo.  







Goscinny e Uderzo são creditrados como diretores e Uderzo  também colaborou como roteirista ao lado de Pierre Watrin(1918-1990) e codirigido por Pierre Tchernia(1928-2016).

Provavelmente   para terem controle criativo sobre a obra  e também contou com a colaboração  do editor  Georges Dargaud(1911-1990) fundador da Dargaud, importante editora francesa de quadrinhos  como cofundador da empresa que teve uma vida curta.

 

 Isso porque o   Studio  Idéfix  encerrou suas operações em 1978, um ano após o falecimento de Goscinny em 05 de Novembro de 1977,  com 51 anos após sofrer um ataque cardíaco e nessa mesma data do fechamento da empresa lançaram o filme animado inspirado no herói franco-belga assim como Asterix que é  Lucky Luck com A Balada dos Daltons(Lucky Luke: The Ballad of the Daltons, França, 1978) que foi um trabalho póstumo dirigido por Goscinny que faleceu faltando pouco  para concluir a história.

Antes disso, houve a primeira adaptação animada de Astérix que foi Astérix, O Gaulês(Astérix, Le Gaulois, França, 1967) essa obra foi  dirigida pelo belga Ray Goossens(1924-2008) e foi inspirado na primeira HQ de Astérix publicada em 1961.




Em seguida veio Astérix e Cleópatra(Astérix et Cléopâtre, França, 1968), a segunda adaptação animada da HQ publicada em 1965, onde foi dirigido pelo próprio Goscinny e Uderzo e contou com  a codireção do americano  Lee Payant(1924-1976). Essas duas produções  contaram com a parceria da Dargaud e da Belvision.



 

Livremente inspirada na saga mítica do herói semideus grego Héracles que com a dominação do Império Romano eles passaram a adotar um culto aos deuses gregos modificando seus nomes e Héracles virou Hércules e foi daí que originou a saga  dos Doze Trabalhos de Hércules.

 

Na obra de Os Doze Trabalhos de Astérix para quem gosta do estilo peculiar de humor de Astérix que satiriza o herói resistente a invasão romana na Gália, onde aqui mostra ele tendo esse desafio proposto pelo Imperador Júlio César.   



Ao longo da narrativa acompanhamos Astérix acompanhado de seu inesperável parceiro glutão Obélix cumprindo o desafio das Dozes Tarefas sugeridas por Júlio César inspirado na saga de Hércules como o próprio se mostra autoconsciente disso.

Eles enfrentaram cada desafio que vão testá-los física e psicologicamente enfrentando cada um que vão desde um veloz corredor romano, um combate com gladiador germânico, se alimentarem num  restaurante cheio de comida farta onde de hora em hora  é servido diferentes pratos, a sedução das atraentes ninfas em sua ilha, encarar um prédio burocrático dentre outros dos mais pitorescos que se pode imaginar com aquele característico humor cartunesco das obras de Astérix.

A produção dessa animação de Os Doze Trabalhos de Astérix usou uma técnica que estava  sendo muito usada pela gigante Disney na época que é a xerografia.

A xerografia foi uma técnica que revolucionou a animação da Disney, permitindo que os desenhos dos artistas fossem transferidos diretamente para as células. O processo foi testado pela primeira vez em A Bela Adormecida(1959), mas foi usado em grande escala no curta-metragem Golias II e no filme 101 Dálmatas (1961). 

“A xerografia foi uma solução para o problema de transferir e tingir os desenhos dos animadores manualmente nas células de animação, um processo caro e demorado. A técnica permitiu que a Disney economizasse tempo e dinheiro, e também de controlar o tamanho dos personagens e dos objetos fotocopiados. 

O processo xerográfico foi adaptado por Ub Iwerks(1901-1971), o desenhista que criou o personagem Mickey Mouse. A técnica foi usada em praticamente todos os filmes de animação da Disney até A Pequena Sereia(1989), quando os computadores substituíram a necessidade de usar células.”

(Fonte: Texto retirado do Google).

 

 

Depois de Os Doze Trabalhos de Astérix, houve um longo hiato de 10 anos sem ter uma nova produção inspirado no famoso herói gaulês até ser produzido um novo filme animado de Astérix que foi Astérix e a Surpresa de César(Astérix et la Surprise de César – França, 1985).  Onde quem ficou encarregado da produção  foi a Dargaud junto com a Les Productions René Goscinny que contou com a direção dos irmãos Paul e Gäetan Brizzi.



Em seguida veio outras séries de filmes animados como: Astérix entre os Bretões(Astérix chez les Bretons, França, 1986),produção que contou com o dedo da importante companhia de cinema francesa Gaumont, fundada em 1895 pelo engenheiro Leon Gaumont(1864-1946) que teve o envolvimento de Pierre Tchenia como roteirista e foi dirigido pelo ítalo-canadense Pino van Lamsweerde(1940-2020).




Seguido de Astérix e a Grande Luta(Astérix et le coup du menhir, França, 1989) que contou com a direção de Philippe Grimmond e sem o envolvimento da mesma equipe criativa.




Na sequência vieram: Astérix Conquista a América(Astérix Conquers America, França, 1994) que contou com a direção do alemão Gerhard Hann, Astérix e os Vikings(Astérix et le Vikings, França, 2006) que contaram com a direção dos dinamarqueses Jesper Møller e Stefan Fjeldmark, Astérix e O Domínio dos Deuses(Astérix - Le Domaine des Dieux, França, Bélgica, 2014) com direção de Alexandre Astier e Louis Clichy que marca a primeira produção animada de Astérix a  usar a técnica em 3D e Astérix e o Segredo da Poção Mágica(Astérix: Le secret de la potion magique, França, 2018) que contou novamente com a direção de Astier e Clichy.






Isso sem contar a série de filmes live actions que começou a partir do final dos anos 1990 com Astérix e Obélix Contra César(Astérix & Obélix Contre Cesar, França,1999) dirigido por Claude Zidi e contou com Christian Clavier como Astérix, Gérard Depardieu como Obélix e o renomado cineasta italiano Roberto Benigni como o temido  imperador romano Júlio César.




Logo em seguida veio: Astérix e Obélix: Missão Cleópatra(Asterix & Obelix: Mission Cleopatra,França, 2002)  este  que contou com a direção de Alain Chabat que no filme também representou Júlio César, que além de contar novamente no elenco com Clavier e Depardieu repetindo os respectivos papeis de Astérix e Obélix, também contou  no elenco com a participação da  renomada atriz italiana  Monica Bellucci que representa bem em cena a mítica Rainha do Egito Cleópatra e amante de Júlio César  emprestando da  sua atraente beleza que também é baseado na mesma obra  que foi adaptada para a animação em 1968.



Na sequência tivemos:   Astérix nos Jogos Olímpicos (Astérix aux Jeux olympiques, França, 2008) filme que contou com a direção de Fréderic Forestier e Thomas Langmann, cujo elenco já não contou com Christian Clavier como Astérix, seu papel nesse filme foi assumido por Clovis Cornilac e novamente contou com Gerard Depardieu na pele do Obélix.




Que também contou  no elenco com a participação de  Jean-Pierre Cassel(1932-2007), pai do ator Vincent Cassel que já foi casado com a atriz  Monica Bellucci a mesma que representou Cleópatra no filme anterior.

E  nesse filme fez o Druida Panoramix cuja participação marcou o seu papel póstumo e mencionar a participação do veterano e cultuado galã do cinema francês Alain Delon(1935-2024) que no filme representou Júlio César. 

Depois veio: Astérix e Obélix: Deus  Salve a  Britannia (Astérix & Obélix: Au Service de Sa Majesté, França, 2012) onde nesse ainda contou novamente com Gérard Depardieu representando o Obélix e já o Astérix foi trocado novamente por Edoard Baer, já o papel do sempre temido  Imperador Júlio César foi representado por Fabrice Luchini.




 E mencionar a participação da veterana musa francesa Catherine Deneuve muito lembrada pelo clássico filme da nouvelle vague  A Bela da Tarde(Belle de Jour, França, 1967) do diretor espanhol Luis Buñuel(1900-1983) que nesse filme representou  a Rainha Cordélia da Grã-Bretanha  e por fim tivemos o mais recente:    Astérix e Obélix: O Reino do MeioAstérix et Obélix: l'Empire du Milieu, França, 2023) que contou com a direção de Guilhaume Canet que também foi responsável por representar o Astérix, já que quem ficou encarregado do Obélix foi Gilles Lellouche, Vincent Cassel, o ex-marido de Monica Bellucci que fez Cleópatra em Astérix e Obélix: Missão Cleópatra (2002) e é filho de Jean-Pierre Cassel que fez o Druida Panoramix em Astérix e Obélix nos Jogos Olímpicos (2008) participou  do filme representando Júlio César e com Marion Cotillard representando Cleópatra.



Em 2025, foi lançada na Netflix a série animada de Astérix em CGI, dividida em cinco episódios intitulada de Astérix e Obelix: O Combate dos Chefes, com produção executiva de Alain Chabat.




ASTÉRIX PÓS-GOSCINNY;

Depois que Goscinny faleceu, Uderzo deu continuidade as criações de novas histórias do gaulês, em 1979 ele publicou Astérix entre os Belgas, que marcou o trabalho póstumo de Goscinny.

Em 1980, ele publica sua primeira história solo de Astérix que foi O Grande Fosso assumindo a dupla função de roteirista e ilustrador.

Uderzo deu continuidade as publicações de Astérix até  ele declarar sua aposentadoria em 2009, na época com 82 anos e já sentindo o peso do seu estado  de  saúde fragilizado. A última história que Uderzo havia publicado antes de declarar sua aposentadoria foi Astérix e o dia que o céu caiu pulicada em 2005.  

 Após declarar sua aposentadoria Uderzo sofreu de uma artrite reumatoide na mão direita que o fez passar por uma cirurgia realizada em  2011.

Como se pode observar a sua saúde já se encontrava fragilizada nos últimos tempos e com o avançar da idade foi ficando cada vez mais comprometida até ele vir a    falecer  em  24 de Março de 2020 com 92 anos, também como consequência de um ataque cardíaco.

Um fato que chama aqui a atenção é que sua morte ocorreu bem no momento que havia sido decretado quarentena mundial por conta da pandemia do coronavírus, o que fez muita gente  remeter por mais estranho que se possa parecer a sua criação, isso porque existe uma publicação de Astérix intitulada de Astérix e a Transitálica publicada em 2017 mostrando  Astérix e seu parceiro Obélix participando de uma corrida onde nessa disputa  há um misterioso adversário mascarado com o nome de Coronavírus, e que por conta da coincidência do nome se criou um clima de provável profecia.

O que não passa de uma simples coincidência, mesmo porque nessa HQ em questão são de autorias de Jean-Yves Ferri como roteirista  e  Didier Conrad  como ilustrador que passaram a assumir a autoria das HQs de Astérix a partir de 2013, onde a primeira história criada por eles foi Astérix e os Pictos e Astérix e a Transitálica marca a terceira produção criada por essa dupla.

A vaga lembrança que eu carrego da primeira vez que eu tive contato com  uma história de Astérix foi quando  li uns trechos de uma tira de Astérix contida no meu livro didático escolar na minha fase escolar  de Ensino Fundamental,  na antiga  6ª Série que hoje equivale ao 7ª Ano,  durante a disciplina de história abordando o Império Romano. Onde exemplificava bem o assunto de uma forma bastante lúdica.

Das que eu pude ler, principalmente que comprei de um amigo uns dez volumes publicado pela Record, posso descrever que as histórias são fascinantes e que funcionam bem redondinhas, fechadinhas, sem você tentar compreender as sequencias de continuidade da coesão narrativa deles.

Independente de qual você queira começar, cada uma funciona bem sem precisar compreender uma cronologia dos fatos que antecederam cada história. Elas funcionam bem isoladamente.

Seja como for, cada uma é válida.


*Na década de 1990, Iznogoud ganhou uma série animada produzida na França em 1995, que aqui no Brasil teve uma breve passagem pela Rede Globo em 1997 passando no antigo Angel Mix(1996-2000).