Na
manhã desse último sábado, 10 de outubro de 2026, ocorreu o retorno de Digimon Adventure na Rede Globo para ser
exibido de forma especial numa temática dedicada ao Dia das Crianças e para a
edição do Criança Esperança num
programa que trazia nesse único dia o retorno da TV Globinho.
O
que me inspirou a comentar sobre os bastidores de como foi a estreia do anime
em solo brasileiro.
Na
manhã de segunda-feira, dia 3 de Julho de 2000, o anime de Digimon Adventure
(Japão, 1999-2000) estreava na Rede Globo com a dura missão de salvar a
audiência matinal da emissora dos Marinhos. Um marco importante para a história
daquela nova fase dos animes na TV Brasileira Pós-Cavaleiros do Zodíaco*.
Para
compreenderem melhor, vamos primeiro analisar por partes sobre os contextos que
levaram a essa animação virar essa aposta da Globo para salvar sua audiência.
Primeiramente
sobre Digimon, trata-se de uma franquia que foi originada dos jogos do
Tamagotchi, ele foi desenvolvido por três pessoas: Akihiro Yokoi, Aki Maita e
Takeichi Hongo mas que assinam em conjunto com o pseudônimo de Akiyoshi Hongo.
A
trama de Digimon Adventure girava em
torno de sete crianças que estavam passando férias de verão num acampamento,
quando de repente, aparecem uns aparelhos eletrônicos do céu que as levam para
o outro mundo. E nesse outro mundo eles se deparam com uns bebês monstrinhos
que são seres digitais, chamados de Digimons
que habitam o digimundo e será lá o ponto de partida para a jornada heroica
deles enfrentando os perigos com seus companheiros digimons para enfrentar
desafios maiores do que eles próprios imaginavam e esses digimons são
transformados pela influência do digivice o aparelho que eles receberam quando
estavam no acampamento que o trouxeram para o mundo onde habitam os digimons,
seres digitais que vivem no digimundo e seus perigos contra os digimaus ao
longo da jornada dos 54 episódios.
A
estreia de Digimon no Japão ocorreu no dia 7 de Março de 1999, porém, um fato
curioso, é que a data onde as crianças foram mandadas foi no dia 1º de Agosto
de 1999, isso fica evidente no episódio que mostra a rápida volta de Tai para
casa, ao perceber pela data do calendário pregado na parede que a passagem do
tempo no digimundo era diferente no mundo real.
Essa
data tornou-se tão simbólica entre os digifãs, que como a maioria das crianças
era natural de Odaiba, o 1º de Agosto virou a data comemorativa do Memorial
Odaiba Day.
Um
dia antes eles chegaram a mostrar uma OVA que mostrava anos antes das setes
crianças irem ao Digimundo, elas terem testemunhado uma batalha de Digimons
gigantes em Odaiba.
Digimon
teve a produção da Toei Animation, contou entre seus roteiristas com Akiyoshi
Hongo, os mesmos criadores dos Tamagotch que originaram o anime, e teve 12
diretores responsáveis por dirigir os 54 episódios da série.
Muito
da estrutura da série teve a influência, além do jogo dos monstrinhos, mas
também do romance de aventura clássica do século 19 Dois Anos de Férias, obra do célebre autor francês Júlio
Verne(1828-1905), também pegou inspiração numa produção sci-fi hollywoodiana Jogos de Guerra(WarGames, EUA, 1983) que
é protagonizado pelo estreante Matthew Broderick, um jovem ator em começo de
carreira como o jovem nerd David.
Há
também muita referência a obra de H.P.Lovecraft(1890-1937) nas pegadas de
terror, principalmente nas representações grotescas dos digimaus.
A
chegada de Digimon representou um marco importante naquele momento para
simbolizar a salvação da audiência da Globo nos horários matinais.
E
a principal razão era porque, envolveu o fato de que a apresentadora “Angélica
sofria muito para vencer o Bom Dia &
Cia (1993-2022), do SBT, e o Eliana
& Alegria (1998-2002), da Record. O programa da TV de Silvio Santos
tinha os desenhos de Warner e Disney em um contrato milionário. Já a Record
tinha justamente Pokémon no auge da "pokemania””.(Trecho tirado de matéria
do site Notícias da TV, de 10 de Setembro de 2022).
Ou
seja, analisando o contexto da época,
esses dois matinais infantis comandados por apresentadoras loiras como:
Jackeline Petkovic no SBT e Eliana Michaelichen Bezerra na Record também
chamadas pela mídia de babás eletrônicas davam trabalho para a também
loira Angélica Ksysivics na Globo conseguir reagir nessa disputa entre o
público infantil, especialmente quando a gente lembra a fase louca do vale tudo
na guerra de audiência que a tv brasileira vivia no recente fim da década de 1990 e começo dos anos 2000.
Tanto
que o Angel Mix que Angélica
comandava durante o primeiro semestre do ano 2000, estava enfrentando uma série
de derrotas consecutivas na audiência foi como consequência pela febre de
Pokémon.
Justamente
por isso que a Globo naquele momento adquiriu Digimon, que teve a árdua tarefa ingrata de salvar a audiência da
Globo para enfrentar uma concorrência forte com Pokémon que gerou muitas rivalidades.
A
maneira como Digimon chegou aqui no Brasil foi por meio de uma antiga empresa
brasileira chamada Dá Licença de Luiz
Angelotti que atualmente é conhecida como Angelotti
Licensing, que conseguiu por intermédio de uma extinta empresa americana
chamada de CWI, que representava no Ocidente
a empresa japonesa Toei Animation, a
proprietária intelectual do anime.
A
Dá Licença já tinha firmado uma boa
parceria com essa representante quando antes de trazer Digimon para a Globo, eles tinham trazido Dragon Ball Z para a Band em 1999.
Essa
Dá Licença fez um trabalho meticuloso
de marketing para trabalhar a marca Digimon no Brasil. Principalmente no
licenciamento dos bonecos, revistas e tudo mais.
Antes
de estrear na Globo, o anime fez sua estreia primeiro no antigo pago infantil Fox Kids(1996-2004),
como consequência de um acordo da Globo. Por conta de questões envolvendo o intervalo
de tempo de uma janela entre uma distribuição e outra.
Foi
nesse contexto que Digimon estreou na Rede Globo com essa difícil missão de salvar a
emissora nesse horário, e é preciso deixar claro que sua estreia não ocorreu na TV Globinho, como alguns digifãs
equivocadamente afirmaram carregando essa memória, mas sim num programa chamado
Férias Animadas, que foi um programa
provisório que a apresentadora Angélica comandava depois do fim do Angel Mix
que havia encerrado numa sexta-feira, 30 de Junho de 2000 para tapar o buraco
que ficaria até começar a produção de sua nova atração chamada de Bambuluá(Brasil, 2000-2001) que só veio
a ocorrer apenas em 9 de outubro de
2000, foi em Bambuluá que originou a
esquete da TV Globinho, antes de
virar um programa solo a partir de janeiro de 2002, quando Bambuluá chegou ao fim.
O
que explica de certo modo, a ponto deles criarem essa falsa memória de que a
estreia do anime foi na TV Globinho. Sendo que na verdade, a
estreia do anime ocorre no período de transição desses matinais infantis
comandados por Angélica.
Do
mesmo jeito que Além de envolverem a afirmação de que eles se recordavam de ver
a apresentadora Angélica de chapéu azul aparecendo na abertura cantado: Digimon,
digitais, digimon somos os campeões.
Bom,
na verdade, a Angélica de fato produziu a música para a abertura do anime,
sendo que essa versão não foi produzida em cima da versão original
feita no Japão que era a canção Butter-fly do finado Kōji
Wada(1974-2016), mas da versão que a Globo adquiriu exportado dos EUA.
Ou
seja, da versão americana, que contou com o dedo da Saban Productions, produtora de Power Rangers, já
que os responsáveis por compor a música dessa versão anime nos EUA foram os
produtores executivos de Power Rangers, os israelenses Haim Saban e
Shuky Levy.
Cujo
primeiro refrão que é Digimon, Digitais, Digimon somos campeões, não
é cantado pela Angélica, mas sim pela voz masculina do dublador Romeu D´Angelo
que em Digimon dublou alguns digimons, como o Monzaemon que é
um urso gigante.
Ela
só começa mesmo a cantar a partir do refrão: “Eles vão se transformar
Para o seu mundo salvar....”
De
fato, foi produzido um videoclipe da Angélica usando um chapéu azul aparecendo num
fundo de chroma-key com o desenho, mas não era a abertura.
Na
verdade, esse videoclipe era veiculado durante a janela que o programa Férias
Animadas exibia entre o final do bloco com o desenho que
antecedia a Digimon para começar mesmo a sua exibição.
Era
uma forma deles conseguirem segurar os telespectadores mirins para
atraírem para a exibição de Digimon para servir como um
esquenta, preparando o terreno até a atração começar de fato.
Quando
iniciava o desenho mesmo, era mostrado a abertura, mas sem a presença da
Angélica.
Isso
ocorria porque a Globo espertamente encaixou Digimon no
horário das 11:00 Horas para poder concorrer diretamente com Pokémon e num
horário que transitava entre o final do matinal infantil para o começo dos
programas vespertinos que começava com as linhas jornalísticas e dava
continuidade com os programas de entretenimento.
Umas
das razões para essa outra falsa memória que os digifãs brasileiros criaram
em Digimon se deve ao fato de que nesse videoclipe da
Angélica, o fundo mostrando o desenho com ela aparecendo de chapéu azul cantando
e dançado era da abertura o que ocasionou nessa outra confusão com
relação a estreia do anime no Brasil. Comenta-se que foi pensado em lançar um
CD com trilha nacional de Digimon foi pensada mas nunca se concretizou.
Um
fato curioso sobre o anime está no fato de que sua dublagem produzida no extinto
estúdio da Herbert Richers(1950-2010),
que na época o extinto programa Vídeo
Show(1983-2019) chegou a mostrar uma matéria com eles juntos.
Uma
curiosidade interessante sobre essa dublagem do anime “apesar de ser feita com base na versão japonesa, também sofreu muita
influência de outras fontes, tanto por pedidos da Bandai, em decorrência de
internacionalização da marca, quanto da própria Rede Globo, que exibiu o anime
no Brasil e querendo competir com o sucesso que Pokémon fazia na altura, também
fez suas interferências na marca, que afetaram o processo de dublagem em
consequência.
Primeiramente, os nomes de vários
personagens foram localizados no ocidente como um todo (e não apenas no Brasil)
em razão de uma internacionalização da marca, como "Tai Kamiya" no lugar de "Taichi Yagami".
Já especificamente no Brasil, o
tratamento dado às músicas da série sofreu divergências para com outros lugares
onde as dublagens feitas também se basearam no áudio original japonês. O
encerramento não recebeu uma dublagem, e a abertura foi substituída por uma
versão estendida do DigiRap norte-americano; esta tendo sido iniciativa da
própria Rede Globo para promover a (na
época) apresentadora infantil Angélica, e a marca Digimon no país de
forma registrada. A abertura japonesa era exibida na Fox Kids antes de sua
estreia na Globo - sendo substituída pelo DigiRap logo após, mas mantida
especificamente em algumas exibições posteriores do episódio 2.
À parte destas peculiaridades citadas, a
dublagem brasileira foi fiel à versão japonesa, sendo produzida a partir dela,
contendo praticamente toda a trilha sonora composta no Japão e nenhum corte de
qualquer cena.”
(FONTE:
DUBLAPÉDIA).
Sua
dublagem foi dirigida pela finada Ângela Bonatti(1939-2025) que também dublava
alguns personagens esporádicos na série,
cujo seu elenco contou entre os principais com Caio César de
Melo(1988-2015) que dublou o TK, o mais novo do grupo e ele junto a Indiane
Christiane que dublava a Kari eram as únicas crianças que dublavam os
protagonistas, os digiescolhidos, já que boa parte dos digiescolhidos eram
dublados por gente grande como: Luiz Sérgio Vieira como Tai, Paulo Vignolo como
Matt, Priscilla Amorim como Sora, Erika Menezes como Mimi, Rodrigo Antas como
Izzy e Hermes Barolli como Joe.
Indiane
hoje em dia já não atua mais na dublagem, e Caio César morreu de forma
tragicamente covarde em 30 de setembro de 2015, quando estava prestando serviço
policial no Complexo do Alemão no Rio de Janeiro onde foi atingido pelo pescoço
com uma troca de tiros com bandidos aos 27 anos.
Já sobre Hermes Barolli, ele já era uma voz
bem conhecida do grande público por quem curtia Cavaleiros do Zodíaco onde dublava a voz do Seyia. Fato curioso é
que na época que ele dublou ele esse personagem, ele estava residindo no Rio de
Janeiro. Ele nasceu no berço de uma família que trabalhava na dublagem. Filho
dos dubladores Gilberto Barolli e Zodja Pereira e irmão das dubladoras Leticia
Quinto e Luciana Barolli.
Aliás,
outro nome do elenco principal da dublagem de Digimon, que também carrega a
dublagem no sangue é Fernanda Baronne, que dublava a Palmon e suas
digievoluções da digiescolhida Mimi, ela quando assinava com outro nome
Fernanda Fernandes é filha da Marlene Costa e irmã da Flávia Saddy.
Do
mesmo modo é com relação a Robson Richers, que dublou o Gabumon e as
digievoluções do Matt que tem parentesco com o dono do estúdio, ele é sobrinho
do finado Herbert Richers(1923-2009), ou seja, a pessoa física que deu nome a
empresa que já foi uma importante produtora de cinema. A empresa que é
representada como a pessoa jurídica. Essa empresa fechou suas portas pouco tempo
após o falecimento do dono.
Ele
só dublou o Gabumon e suas digievoluções somente na primeira temporada, na
segunda temporada foi substituído por Marcos Souza. Atualmente Robson Richers
já não atua mais na dublagem.
Outro
nome do elenco principal da dublagem de Digimon que carrega um parentesco na
dublagem é Carol Kapfer que dublou a Tailmon, Digimon da Kari ela é filha dos
dubladores Mario Jorge de Andrade e Monica Rossi. Já quando ela digievolui para
Angewomon sua voz é dublada por Gilza Mello.
Dos
digimons principais dos digiescolhidos, essa Digimon da Kari foi a única exceção
com voz mudada ao digievoluir, visto que grande parte como a exemplo dos já
citados Fernanda Baronne e Robson Richers que ao dubladores as digievoluções
dos seus respectivos digiescolhidos sofriam nas cenas de transformação onde do
falsete agudo mais infantil que era característico da forma fofinha dele,
quando mudavam para a forma agigantada precisavam trabalhar no grave rouco.
É o
caso de Manolo Rey que se encarregou de dublar a voz do Agumon e suas
digievoluções que era do líder Tai, Mabel Cezar que dublou a voz do Pyomon e
suas digievoluções que era da Sora, Clécio Souto que dublou o Tentomon e suas
digievoluções que era do Izzy, Thiago Fagundes que dublou o Gomamon e suas
digievouluções que era do Joe e Miriam Ficher que dublou o Patamon e suas
digievlouções que era do TK.
Até
o momento dessa publicação grande parte do elenco da dublagem brasileira de
Digimon feita na Herbert Richers em 2000 já são falecidos como a exemplo dos já
citados Caio César e Angela Bonatti.
Dentre
esses falecidos estão: Domicio Costa(1928-2016) que fez a voz do Myotismon,
Ednaldo Lucena(1937-2020),que fez a voz do Myotismon e Venonmyotismon, Paulo Flores(1944-2000)
que dublou o Vegiemon e o Piedmon, um
dos quatro Mestres das Trevas, José Luiz Barbeito(1962-2018) que dublou o
Picodevimon, Luiz Brandão (1930-2007) que dublou o Digitamamon, Henrique
Ogalla(1944-2020) que dublou o Pumpkimon, Adalmária Mesquita(1950-2020) fez a
voz da Lady Devimon e Orlando Drummond(1919-2021) que fez a voz do Gennai, o
mentor dos digiescolhidos que aparece a partir do décimo episódio.
Também
some-se ao nome de Ricardo Vooght(1954-2026) que dublou a voz de dois digimons:
Andromon e Centarumon, da Iara Riça(1965-2021) como Elecmon e Carlos
Marques(1933-2021) que dublou o Sussumu Kamiya, pai do Tai e da Kari.
Aliás,
no núcleo dos pais dos digiescolhidos, é curioso observar que há uns que não
tiveram vozes fixas, tanto que eram repetidos. Exemplos: A finada diretora Ângela
Bonatti que também dublou alguns digimons, também consta creditada a ser a voz
de três mães dos digiescolhidos e em cada uma se alternou com outras
dubladoras, ou seja, ela foi mãe do Tai e da Kari onde dublou a Yuko Kamiyia se
alternando com Silvia Salustti, também foi a mãe do Izzy onde dublou a Kae
Mizumi onde dividiu com a também finada Christiane Louise(1971-2021), foi mãe
do Matt e do TK onde dublou a mãe deles se dividindo com Izabela Bicalho e foi a
mãe da Sora dublando a Toshiko Takenouchi onde dividiu com Marly Ribeiro.
Enfim,
posso concluir sobre o porquê de Digimon figurar entre os animes mais
memoráveis já assistidos nos anos 2000, e justamente por isso foi que em
gratidão a Digimon a Globo o incluiu entre os seus desenhos exibidos.




























