sexta-feira, 16 de outubro de 2026

QUANDO DIGIMON ESTREOU NA GLOBO

 

Na manhã desse último sábado, 10 de outubro de 2026, ocorreu o retorno de Digimon Adventure na Rede Globo para ser exibido de forma especial numa temática dedicada ao Dia das Crianças e para a edição do Criança Esperança num programa que trazia nesse único dia o retorno da TV Globinho.





O que me inspirou a comentar sobre os bastidores de como foi a estreia do anime em solo brasileiro.

Na manhã de segunda-feira, dia 3 de Julho de 2000, o anime de Digimon Adventure (Japão, 1999-2000) estreava na Rede Globo com a dura missão de salvar a audiência matinal da emissora dos Marinhos. Um marco importante para a história daquela nova fase dos animes na TV Brasileira Pós-Cavaleiros do Zodíaco*.

Para compreenderem melhor, vamos primeiro analisar por partes sobre os contextos que levaram a essa animação virar essa aposta da Globo para salvar sua audiência.

Primeiramente sobre Digimon, trata-se de uma franquia que foi originada dos jogos do Tamagotchi, ele foi desenvolvido por três pessoas: Akihiro Yokoi, Aki Maita e Takeichi Hongo mas que assinam em conjunto com o pseudônimo de Akiyoshi Hongo.

A trama de Digimon Adventure girava em torno de sete crianças que estavam passando férias de verão num acampamento, quando de repente, aparecem uns aparelhos eletrônicos do céu que as levam para o outro mundo. E nesse outro mundo eles se deparam com uns bebês monstrinhos que são seres digitais, chamados de Digimons que habitam o digimundo e será lá o ponto de partida para a jornada heroica deles enfrentando os perigos com seus companheiros digimons para enfrentar desafios maiores do que eles próprios imaginavam e esses digimons são transformados pela influência do digivice o aparelho que eles receberam quando estavam no acampamento que o trouxeram para o mundo onde habitam os digimons, seres digitais que vivem no digimundo e seus perigos contra os digimaus ao longo da jornada dos 54 episódios.




A estreia de Digimon no Japão ocorreu no dia 7 de Março de 1999, porém, um fato curioso, é que a data onde as crianças foram mandadas foi no dia 1º de Agosto de 1999, isso fica evidente no episódio que mostra a rápida volta de Tai para casa, ao perceber pela data do calendário pregado na parede que a passagem do tempo no digimundo era diferente no mundo real.

Essa data tornou-se tão simbólica entre os digifãs, que como a maioria das crianças era natural de Odaiba, o 1º de Agosto virou a data comemorativa do Memorial Odaiba Day.

Um dia antes eles chegaram a mostrar uma OVA que mostrava anos antes das setes crianças irem ao Digimundo, elas terem testemunhado uma batalha de Digimons gigantes em Odaiba.

Digimon teve a produção da Toei Animation, contou entre seus roteiristas com Akiyoshi Hongo, os mesmos criadores dos Tamagotch que originaram o anime, e teve 12 diretores responsáveis por dirigir os 54 episódios da série.

Muito da estrutura da série teve a influência, além do jogo dos monstrinhos, mas também do romance de aventura clássica do século 19 Dois Anos de Férias, obra do célebre autor francês Júlio Verne(1828-1905), também pegou inspiração numa produção sci-fi hollywoodiana Jogos de Guerra(WarGames, EUA, 1983) que é protagonizado pelo estreante Matthew Broderick, um jovem ator em começo de carreira como o jovem nerd David.

Há também muita referência a obra de H.P.Lovecraft(1890-1937) nas pegadas de terror, principalmente nas representações grotescas dos digimaus.

A chegada de Digimon representou um marco importante naquele momento para simbolizar a salvação da audiência da Globo nos horários matinais.

E a principal razão era porque, envolveu o fato de que a apresentadora “Angélica sofria muito para vencer o Bom Dia & Cia (1993-2022), do SBT, e o Eliana & Alegria (1998-2002), da Record. O programa da TV de Silvio Santos tinha os desenhos de Warner e Disney em um contrato milionário. Já a Record tinha justamente Pokémon no auge da "pokemania””.(Trecho tirado de matéria do site Notícias da TV, de 10 de Setembro de 2022).

 

Ou seja, analisando o contexto da época,  esses dois matinais infantis comandados por apresentadoras loiras como: Jackeline Petkovic no SBT e Eliana Michaelichen Bezerra na Record também chamadas pela mídia de babás eletrônicas davam trabalho para a também loira  Angélica Ksysivics na Globo  conseguir reagir nessa disputa entre o público infantil, especialmente quando a gente lembra a fase louca do vale tudo na guerra de audiência que a tv brasileira vivia no  recente fim da  década de 1990 e começo dos anos 2000.

Tanto que o Angel Mix que Angélica comandava durante o primeiro semestre do ano 2000, estava enfrentando uma série de derrotas consecutivas na audiência foi como consequência pela febre de Pokémon.

Justamente por isso que a Globo naquele momento adquiriu Digimon, que teve a árdua tarefa ingrata de salvar a audiência da Globo para enfrentar uma concorrência forte com Pokémon que gerou muitas rivalidades.

A maneira como Digimon chegou aqui no Brasil foi por meio de uma antiga empresa brasileira chamada Dá Licença de Luiz Angelotti que atualmente é conhecida como Angelotti Licensing, que conseguiu por intermédio de uma extinta empresa americana chamada de CWI, que representava no Ocidente a empresa japonesa Toei Animation, a proprietária intelectual do anime.

A Dá Licença já tinha firmado uma boa parceria com essa representante quando antes de trazer Digimon para a Globo, eles tinham trazido Dragon Ball Z para a Band em 1999.

Essa Dá Licença fez um trabalho meticuloso de marketing para trabalhar a marca Digimon no Brasil. Principalmente no licenciamento dos bonecos, revistas e tudo mais.

Antes de estrear na Globo, o anime fez sua estreia primeiro no antigo pago infantil  Fox Kids(1996-2004), como consequência de um acordo da Globo.  Por conta de questões envolvendo o intervalo de tempo de uma janela entre uma distribuição e outra.

Foi nesse contexto que Digimon estreou na  Rede Globo com essa difícil missão de salvar a emissora nesse horário, e é preciso deixar claro que  sua estreia não ocorreu na TV Globinho, como alguns digifãs equivocadamente afirmaram carregando essa memória,  mas sim num programa chamado Férias Animadas, que foi um programa provisório que a apresentadora Angélica comandava depois do fim do Angel Mix que havia encerrado numa sexta-feira, 30 de Junho de 2000 para tapar o buraco que ficaria até começar a produção de sua nova atração chamada de Bambuluá(Brasil, 2000-2001) que só veio a ocorrer apenas em 9 de  outubro de 2000, foi em Bambuluá que originou a esquete da TV Globinho, antes de virar um programa solo a partir de janeiro de 2002, quando Bambuluá chegou ao fim.




O que explica de certo modo, a ponto deles criarem essa falsa memória de que a estreia do anime foi na TV Globinho. Sendo que na verdade, a estreia do anime ocorre no período de transição desses matinais infantis comandados por Angélica.

Do mesmo jeito que Além de envolverem a afirmação de que eles se recordavam de ver a apresentadora Angélica de chapéu azul aparecendo na abertura cantado: Digimon, digitais, digimon somos os campeões.

 

Bom, na verdade, a Angélica de fato produziu a música para a abertura do anime, sendo que essa versão não foi produzida em cima da versão original feita no Japão que era a canção Butter-fly do finado Kōji Wada(1974-2016), mas da versão que a Globo adquiriu exportado dos EUA.

Ou seja, da versão americana, que contou com o dedo da Saban Productions, produtora de Power Rangers, já que os responsáveis por compor a música dessa versão anime nos EUA foram os produtores executivos de Power Rangers, os israelenses Haim Saban e Shuky Levy.

  Cujo primeiro refrão que é Digimon, Digitais, Digimon somos campeões, não é cantado pela Angélica, mas sim pela voz masculina do dublador Romeu D´Angelo que em Digimon dublou alguns digimons, como o Monzaemon que é um urso gigante.

Ela só começa mesmo a cantar a partir do refrão: “Eles vão se transformar
Para o seu mundo salvar....”

 

De fato, foi produzido um videoclipe da Angélica usando um chapéu azul aparecendo num fundo de chroma-key com o desenho, mas não era a abertura.

Na verdade, esse videoclipe era veiculado durante a janela que o programa Férias Animadas exibia entre o final do bloco com o desenho que antecedia a Digimon para começar mesmo a sua exibição.

Era uma forma deles conseguirem segurar os telespectadores mirins para atraírem para a exibição de Digimon para servir como um esquenta, preparando o terreno até a atração começar de fato.

 

Quando iniciava o desenho mesmo, era mostrado a abertura, mas sem a presença da Angélica.

 

Isso ocorria porque a Globo espertamente encaixou Digimon no horário das 11:00 Horas para poder concorrer diretamente com Pokémon e num horário que transitava entre o final do matinal infantil para o começo dos programas vespertinos que começava com as linhas jornalísticas e dava continuidade com os programas de entretenimento.  

 

Umas das razões para essa outra falsa memória que os digifãs brasileiros criaram em Digimon se deve ao fato de que nesse videoclipe da Angélica, o fundo mostrando o desenho com ela aparecendo de chapéu azul cantando e dançado era da abertura o que ocasionou nessa outra confusão com relação a estreia do anime no Brasil. Comenta-se que foi pensado em lançar um CD com trilha nacional de Digimon foi pensada mas nunca se concretizou.

 

 

Um fato curioso sobre o anime está no fato de que sua dublagem produzida no extinto estúdio da Herbert Richers(1950-2010), que na época o extinto programa Vídeo Show(1983-2019) chegou a mostrar uma matéria com eles juntos.  




Uma curiosidade interessante sobre essa dublagem do anime “apesar de ser feita com base na versão japonesa, também sofreu muita influência de outras fontes, tanto por pedidos da Bandai, em decorrência de internacionalização da marca, quanto da própria Rede Globo, que exibiu o anime no Brasil e querendo competir com o sucesso que Pokémon fazia na altura, também fez suas interferências na marca, que afetaram o processo de dublagem em consequência.

Primeiramente, os nomes de vários personagens foram localizados no ocidente como um todo (e não apenas no Brasil) em razão de uma internacionalização da marca, como "Tai Kamiya" no lugar de "Taichi Yagami".

Já especificamente no Brasil, o tratamento dado às músicas da série sofreu divergências para com outros lugares onde as dublagens feitas também se basearam no áudio original japonês. O encerramento não recebeu uma dublagem, e a abertura foi substituída por uma versão estendida do DigiRap norte-americano; esta tendo sido iniciativa da própria Rede Globo para promover a (na época) apresentadora infantil Angélica, e a marca Digimon no país de forma registrada. A abertura japonesa era exibida na Fox Kids antes de sua estreia na Globo - sendo substituída pelo DigiRap logo após, mas mantida especificamente em algumas exibições posteriores do episódio 2.

À parte destas peculiaridades citadas, a dublagem brasileira foi fiel à versão japonesa, sendo produzida a partir dela, contendo praticamente toda a trilha sonora composta no Japão e nenhum corte de qualquer cena.”

(FONTE: DUBLAPÉDIA).

Sua dublagem foi dirigida pela finada Ângela Bonatti(1939-2025) que também dublava alguns personagens esporádicos na série,  cujo seu elenco contou entre os principais com Caio César de Melo(1988-2015) que dublou o TK, o mais novo do grupo e ele junto a Indiane Christiane que dublava a Kari eram as únicas crianças que dublavam os protagonistas, os digiescolhidos, já que boa parte dos digiescolhidos eram dublados por gente grande como: Luiz Sérgio Vieira como Tai, Paulo Vignolo como Matt, Priscilla Amorim como Sora, Erika Menezes como Mimi, Rodrigo Antas como Izzy e Hermes Barolli como Joe.

Indiane hoje em dia já não atua mais na dublagem, e Caio César morreu de forma tragicamente covarde em 30 de setembro de 2015, quando estava prestando serviço policial no Complexo do Alemão no Rio de Janeiro onde foi atingido pelo pescoço com uma troca de tiros com bandidos aos 27 anos.

 Já sobre Hermes Barolli, ele já era uma voz bem conhecida do grande público por quem curtia Cavaleiros do Zodíaco onde dublava a voz do Seyia. Fato curioso é que na época que ele dublou ele esse personagem, ele estava residindo no Rio de Janeiro. Ele nasceu no berço de uma família que trabalhava na dublagem. Filho dos dubladores Gilberto Barolli e Zodja Pereira e irmão das dubladoras Leticia Quinto e Luciana Barolli.

Aliás, outro nome do elenco principal da dublagem de Digimon, que também carrega a dublagem no sangue é Fernanda Baronne, que dublava a Palmon e suas digievoluções da digiescolhida Mimi, ela quando assinava com outro nome Fernanda Fernandes é filha da Marlene Costa e irmã da Flávia Saddy.

Do mesmo modo é com relação a Robson Richers, que dublou o Gabumon e as digievoluções do Matt que tem parentesco com o dono do estúdio, ele é sobrinho do finado Herbert Richers(1923-2009), ou seja, a pessoa física que deu nome a empresa que já foi uma importante produtora de cinema. A empresa que é representada como a pessoa jurídica.  Essa empresa fechou suas portas pouco tempo após o falecimento do dono.

Ele só dublou o Gabumon e suas digievoluções somente na primeira temporada, na segunda temporada foi substituído por Marcos Souza. Atualmente Robson Richers já não atua mais na dublagem.

Outro nome do elenco principal da dublagem de Digimon que carrega um parentesco na dublagem é Carol Kapfer que dublou a Tailmon, Digimon da Kari ela é filha dos dubladores Mario Jorge de Andrade e Monica Rossi. Já quando ela digievolui para Angewomon sua voz é dublada por Gilza Mello.

Dos digimons principais dos digiescolhidos, essa Digimon da Kari foi a única exceção com voz mudada ao digievoluir, visto que grande parte como a exemplo dos já citados Fernanda Baronne e Robson Richers que ao dubladores as digievoluções dos seus respectivos digiescolhidos sofriam nas cenas de transformação onde do falsete agudo mais infantil que era característico da forma fofinha dele, quando mudavam para a forma agigantada precisavam trabalhar no grave rouco.

É o caso de Manolo Rey que se encarregou de dublar a voz do Agumon e suas digievoluções que era do líder Tai, Mabel Cezar que dublou a voz do Pyomon e suas digievoluções que era da Sora, Clécio Souto que dublou o Tentomon e suas digievoluções que era do Izzy, Thiago Fagundes que dublou o Gomamon e suas digievouluções que era do Joe e Miriam Ficher que dublou o Patamon e suas digievlouções que era do TK.

Até o momento dessa publicação grande parte do elenco da dublagem brasileira de Digimon feita na Herbert Richers em 2000 já são falecidos como a exemplo dos já citados Caio César e Angela Bonatti.

Dentre esses falecidos estão: Domicio Costa(1928-2016) que fez a voz do Myotismon, Ednaldo Lucena(1937-2020),que fez a voz do Myotismon e Venonmyotismon, Paulo Flores(1944-2000) que dublou o Vegiemon e o  Piedmon, um dos quatro Mestres das Trevas, José Luiz Barbeito(1962-2018) que dublou o Picodevimon, Luiz Brandão (1930-2007) que dublou o Digitamamon, Henrique Ogalla(1944-2020) que dublou o Pumpkimon, Adalmária Mesquita(1950-2020) fez a voz da Lady Devimon e Orlando Drummond(1919-2021) que fez a voz do Gennai, o mentor dos digiescolhidos que aparece a partir do décimo episódio.

Também some-se ao nome de Ricardo Vooght(1954-2026) que dublou a voz de dois digimons: Andromon e Centarumon, da Iara Riça(1965-2021) como Elecmon e Carlos Marques(1933-2021) que dublou o Sussumu Kamiya, pai do Tai e da Kari.

Aliás, no núcleo dos pais dos digiescolhidos, é curioso observar que há uns que não tiveram vozes fixas, tanto que eram repetidos. Exemplos: A finada diretora Ângela Bonatti que também dublou alguns digimons, também consta creditada a ser a voz de três mães dos digiescolhidos e em cada uma se alternou com outras dubladoras, ou seja, ela foi mãe do Tai e da Kari onde dublou a Yuko Kamiyia se alternando com Silvia Salustti, também foi a mãe do Izzy onde dublou a Kae Mizumi onde dividiu com a também finada Christiane Louise(1971-2021), foi mãe do Matt e do TK onde dublou a mãe deles se dividindo com Izabela Bicalho   e foi a mãe da Sora dublando a Toshiko Takenouchi onde dividiu com Marly Ribeiro.

Enfim, posso concluir sobre o porquê de Digimon figurar entre os animes mais memoráveis já assistidos nos anos 2000, e justamente por isso foi que em gratidão a Digimon a Globo o incluiu entre os seus desenhos exibidos.

 

 

*A razão para o autor escolher a referência a Cavaleiros do Zodíaco como esse ponto de partida, se deve no quesito comercial no licenciamento de brinquedos e outros produtos. É claro que já houve exibições de outros animes antes de Cavaleiros do Zodíaco como: Astro Boy, A Princesa e o Cavaleiro, Don Drácula, Saber Rider, As Aventuras de Peter Pan da Tatsunoko, Doraemon dentre outros. Que quando foram exibidos não carregavam a nomenclatura de anime. Algo que só ocorreu quando a revista Herói, que veio como consequência de CDZ passou o meio de informação disso na era pré-internet passou a usar com frequência essa nomenclatura.

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

QUANDO O ANIME DE STREET FIGHTER CHEGOU AO SBT

 

O meu primeiro contato com Street Figther foi assistindo ao anime que o SBT passava nas manhãs de sábado antes de saber da existência dessa franquia de jogos da Capcom.




Esse anime foi concebido pouco tempo depois de fazerem uma versão live action constrangedora estrelada pelo astro da ação Jean-Claude VanDame.





















A produção desse anime carrega uma história curiosa, principalmente no que diz respeito a maneira como ele foi distribuído aqui no Brasil, que veio como alternativa a outra versão animada de Street Fighter que era a versão que o SBT estava de olho, mas que devido a algumas dificuldades burocráticas acabou que esse anime foi chegando primeiro e ao mesmo tempo que estava em produção no Japão. É meio confuso, mas vou tentar explicar qual foi o motivo e analisar o contexto.

Começo com o seguinte questionamento: Quem nunca se perguntou por quê o título era Street Fighter II se não  tivemos conhecimento de uma temporada que antecede a essa história?

A explicação é:  Porquê o anime foi inspirado no jogo da Capcom intitulado de Street Fighter II: The World Warrior(Japão, 1991) que trata-se de uma sequência do primeiro jogo  surgido em 1987 criado por Hiroshi Matsumoto, Takashi Nishiyama e Yoshiki Okamoto.

Nesse anime cujo roteiro é creditado a seis roteiristas formados por: Takashi Nishiyama, Mary Claypool, Masumi Hiranagi, Nayouki Sakai, Sô Toyama e Kenya Sawada e teve a direção de Takuya Satô e Gisaburô Sugii.

Esse mesmo que havia dirigido um ano antes o desenho animado intitulado de Street Fighter II-The Movie(Japão, 1994) produzida pela mesma produtora Group TAC e também contou com a participação de alguns dos roteiristas que trabalharam na equipe criativa da série animada lançada no ano seguinte.

Esse filme animado que originou a série animada que também é referenciada como Street Fighter II: Victory(Japão, 1995) sei que é confuso esse monte de informação, mas vamos lá, foi  lançado na mesma data do live action estrelado por VanDame que foi Street Fighter-A Última Batalha(Street Fighter, Japão, EUA, 1994).

E se essas informações já não iriam explodir sua cabeça e deixa-la bugada, o negócio vai fica ainda mais bizarro e louco é que na mesma data que no Japão foi produzido essa série de animes de SF, também foi produzida nos Estados Unidos uma série animada da marca de videogames da Capcom SF que foi produzida entre 1995 a 1997 que contou entre seus roteiristas com os criadores do jogo entre os roteiristas americanos e foi uma coprodução da Cartoon Express e Action Extreme Team da USA Network.

E era essa versão animada que o Senhor Silvio Santos(1930-2024), dono do  SBT estava de olho a trazer para sua grade, ocorre que por um deslize de distribuição acabou vindo a versão japonesa de Street Fighter que também estava em produção no Japão como informado do site Dublapédia sobre Street Fighter:

“A série foi licenciada pela Columbia Tristar (atual Sony Television) a partir de 1995 por engano. Inicialmente, o SBT compraria a animação ocidental, que teve problemas de produção. Com a indisponibilidade da produção em ser lançada, a Columbia renegociou com a emissora e trouxe o então recente anime japonês Street Fighter II Victory, que havia acabado de ser exibido no Japão ainda em 1995.”

Resultando então na vinda acidental da série animada japonesa de SF e a versão americana originalmente chamada de Street Fighter-The Animated Series que chegou no Brasil posteriormente pelo SBT ganhou o título para se diferenciar do anime de Street Fighter Game.

Quando eu lembro de Street Fighter, costumo me remeter a versão desse anime que o SBT costumava passar nas manhãs de sábado que foi minha primeira introdução a esse universo do jogo que cheguei a locar os cartuchos para jogar algumas vezes em meu antigo aparelho de SuperNintendo.

Que tinha uma história até que envolvente e bem construída sobre a jornada heroica de Ryu e Ken até se depararem com Bison algo que não posso dizer o mesmo com relação a versão cinematográfica horrível estrelada por VanDame como Guile.

Eu não vi na época que foi lançado na tela grande, a adaptação em live action que contou com a direção de Steven E. DeSouza que já era um renomado diretor dos filmes de ação e é quem assina o roteiro, só cheguei a assisti quando justamente o SBT o exibiu a primeira vez depois que eu já estava mais familiarizado com o universo de SF devido ao anime que a emissora passava.

Contou no seu elenco além do já mencionado VanDame, o famoso ator belga expert em artes marciais e na ocasião em que estrelou o filme já era mundialmente famoso pelos filmes de ação que estrelou tornando o nome mais rentável de Hollywood entre o final dos anos 1980 e começo dos anos 1990, na obra representando   o Coronel Guile.

Também contou com as participações da ilustre estrela da música pop teen de sucesso na época, a australiana Kyle Minogue representando a Cammy.

 E de Raúl Juliá(1940-1994), o ator porto-riquenho naturalizado americano que havia feito o Gomez Adams nos dois filmes de A Família Adams(1991-1993) que nesse filme fez   seu trabalho póstumo* representando o Bison.

Trata-se de um filme com uma história ruim, toda sem sentido, onde os personagens famosos do jogo são todos jogados do nada no enredo.

 Muito disso resultado do seu roteiro Frankenstein que teve muitas alterações, fora que VanDame nas gravações vivia dando muita dor de cabeça com a produção em querer mudar alguma cena.

Recentemente quando eu revisitei essa obra na Netflix constatei como ela envelheceu muito mal, mesmo VanDame sozinho não consegue sustentar a história que apresenta diálogos medíocres, que beiram a breguice de tão risivelmente desconfortáveis. Ainda mais envolvendo o destaque que eles dão muito para o Guile comandando um exército para combater Bison em Shaddaloo, onde ele reinava como um ditador. Guile apresenta muito um tropo narrativo de salvador branco.  Kyle Minogue mostra um desempenho mediano de atriz como Cammy que é muito subutilizada como uma assistente de Guile.

Raul Juliá até que consegue segurar bem as pontas na pele do Bison ao desempenhar sua essência egocêntrica e psicótica com seus planos mirabolantes e megalomaníacos de transformar Shaddaloo em seu paraíso pessoal, mesmo que seu desempenho se mostra um tanto sofrível pelo roteiro horrível.

 Fora o desperdício como eles trabalharam a subtrama da Chun-Lin que no filme foi vivida pela sino-americana Ming Na-When, transformaram Ken vivido por Damian Chapa e Ryu vivido pelo sino-americano Byron Mann em secundários, sendo que no jogo eles são os principais, dentre a vergonha alheia de atuações constrangedoras.

O que pelo menos, isso difere com relação a esse anime que foi derivado de um filme animado lançado um ano antes. Ele contou com apenas 29 episódios, é meio estranho, pois tínhamos a sensação de que fosse longa, talvez pelo SBT viver reprisando tenha criado essa sensação e a razão para sua pouco duração e ter encerrado numa única temporada tem uma explicação.   É porquê a animação foi considerado um fracasso no Japão, dentre os principais motivos para isso foram:

Baixa Retenção de Público: A audiência japonesa declinou acentuadamente nos episódios finais da série.

     Retorno Financeiro Fraco: O lucro esperado com a venda de produtos licenciados e merchandising ficou muito abaixo das expectativas da Capcom.

      Diferenças Drásticas com o Jogo: O enredo apresentou uma reinterpretação muito livre, com Ryu e Ken mais jovens, alterando idades, personalidades e a cronologia oficial dos jogos.

       Ausência de Personagens Clássicos: Vários lutadores marcantes dos fliperamas (como Blanka, E. Honda e Dhalsim) ficaram de fora ou tiveram pouca relevância, frustrando parte dos fãs japoneses.

          Enredo Acelerado: Devido ao corte de investimento e encerramento antecipado, a reta final da história precisou ser corrida, atropelando o desenvolvimento dos poderes dos protagonistas.

             O que foi diferente aqui no Brasil, que fez um grande sucesso e até hoje é lembrado e cuja principal razão para seu sucesso se deve ao fato de que a dublagem brasileira que passou por dois estúdios paulistas que foi a Megassom(1993-1995) que se encarregou de dublar os episódios 1 ao 12 e a Mastersound(1990-2009) que dublou dos episódios 13 ao 29.

          Em ambas foram mantidas a direção de Nelson Machado, que para quem acompanhou Chaves, deve conhece-lo pela voz do Quico(Carlos Villagrán). Que também fazia algumas locuções em Street Fighter,  e também foi quem compôs a  adaptação da música de abertura baseada na versão original de Yuki Kuroda e que na versão brasileira foi cantada pela dubladora Elisa Villon.   Com base no que ele já compartilhou numa entrevista em vídeos sobre sua experiência na direção de dublagem dessa obra e sobre seus bastidores:

“Contou que recebeu uma carta de recomendações adaptativas, mas que por pesquisa própria, já que o jogo fazia muito sucesso nos fliperamas de todo o país na época, ele decidiu não seguir integralmente. Uma das recomendações era que se chamasse o termo "Hadouken" de "Fire Ball", o que obviamente não aconteceu, entre outras.”

(Dublapédia).

Numa época ainda analógica, onde os únicos meios de informação mais acessíveis de colher era por meio da tradicional mídia impressa, como a Revista Herói que surgiu na onda de Cavaleiros do Zodíaco. Essa sua atitude se mostrou uma boa sacada genial, ainda mais em se tratando de quando o dublador Sérgio Moreno que fez a voz do Ken Masters ao incluir um bordão no personagem do “Ih, ó o cara aí!”, nos momentos mais descontraídos de Ken inspirado nas gírias e expressões cariocas que o grupo humorístico Casseta & Planeta costumava falar. O que digamos, se mostrou acertado pela forma como ele conseguiu imprimir um toque mais jovial e um tanto encrenqueiro ao personagem.

Dublagem que contou além do já mencionado Sérgio Moreno, em seu elenco de feras também contou com: Orlando Viggiani dublando o Ryu, Tania Gaidarj dublando a Chun-Li, Guilherme Lopes dublando o Guile, com alguns falecidos como: Denise Simonetto(1955-2025) dublando a Cammy White, Válter Santos(1946-2013) como a primeira voz do Inspetor Dubao, pai da Chun-Li, Daioz Cabezudo(1946-2006) como Dhalsim, Jonas Mello(1937-2020) como a voz do Zangieff e Antônio Moreno(1946-2022) como a voz do Mr. Bison.

    Faz poucos anos quando eu pude revisitar a obra quando esteve disponível na Netflix e pude constatar sem me deixar levar pelo fator nostalgia como a obra em algumas partes envelheceu bem e em outras partes envelheceu mal.

       Ela envelheceu bem na maneira como soube trabalhar e desenvolver a jornada heroica de Ken e Ryu ao fazerem suas viagens pelo mundo e em como eles treinaram para desenvolver o Haddoken, souberam trazer elementos policialescos com temáticas pesadas envolvendo tráfico de drogas, espionagem internacional e muitas características filosóficas das artes marciais com aqueles toques místicos.

        E também envelheceu bem ao trabalhar as técnicas de animação mais fluidas nas movimentações dinâmicas dos personagens dentre outros.

      Todas essas virtudes a tornam perfeita, olha, nem tanto. Porquê um  dos pontos que posso destacar que envelheceu um tanto mal na obra é a forma como Bison foi mal desenvolvido como vilão, ele é muito raso na sua motivação mirabolante, é mal porque é mal.

      Fora que outro ponto que envelheceu um tanto mal na obra foi a maneira como eles introduziram o lutador mascarado e com uma garra tripla lembrando o Wolverine que é o Vega com os protagonistas é durante uma viagem deles a Espanha o conhecem com ele participando de uma tourada. Ainda que aquilo simbolizasse um aspecto cultural local, mas simbolizava uma agressão ao animal. E como se não fosse pesado o bastante observar o Vega usando suas garras afiadas para perfurar suas garras num touro, há uma cena que mostra um touro enfurecido após a apresentação, Ken inventa de dá um golpe com uma mão para decepar o chifre dele que parece que foi replicado de uma cena de Seyia de Pégasus na sua luta contra o Cavaleiro de Ouro Aldebaran de Touro em Cavaleiro do Zodíaco.

       O teor gráfico da violência de nível sangrento a tornava pesada demais. Com certeza, essa cena seria impensável de ser replicada nos dias de hoje, por conta da pressão das entidades ambientais e protetoras dos animais.

 

 

 

A POLÊMICA DUBLAGEM E A CENA NUDEZ DE CHUN-LI NO FILME ANIMADO DE 1994.

Com o sucesso que a série conquistou aqui no Brasil, isso despertou o interesse pela distribuição do filme que veio antes da série animada.

Ele carrega uma curiosa história quanto aos bastidores de sua polêmica dublagem, que não foi produzida em nenhum estúdio brasileiro, mas, por mais estranho que possa parecer o que vou escrever foi num estúdio dos Estados Unidos, mais especificamente em Los Angeles, famosa Meca do cinema, o que resultou em fortes críticas negativas.

Principalmente pelo fato dela ter sido produzida em cima da versão americana que possui algumas diferenças no corte e alterações drásticas de trilha musical e efeitos, que o diferenciava do áudio original japonês.

Detalhe, isso ocorreu quando o longa animado foi exibido na tela grande. Já quando passou a ser distribuído para home vídeo e disponível para exibições na televisão, ele foi dublado no estúdio paulista da MasterSound onde grande parte dos personagens fixos foram mantidas suas vozes, as únicas modificações foi que no lugar da Tania Gaidardj que dublou a Chun-Li na série animada, nesse longa animado quem a dublou foi Fátima Noya, assim como Alessandra Araújo foi quem se encarregou de dublar a Cammy no lugar da Denise Simonetto.

E o mais doido é que o finado Jonas Mello que na série animada dublou Zangieff, foi quem se encarregou de dublar o Bison no lugar do também finado Antônio Moreno que o dublava na série animada.

Curiosamente o Zangieff desse filme é o único personagem que não tem creditado o nome do dublador preenchido no quadro do elenco de dublagem do site do Duplapédia.

É também segundo a Dublapédia, consta que o Blanka  nesse filme foi dublado por Nelson Machado, que também assume a direção de dublagem.

Sobre essa dublagem obscura dublagem de Street Fighter feita em Los Angeles, as informações são muito vagas, principalmente por ela figurar como uma mídia perdida completamente difícil de ser encontrada.

As poucas informações encontradas informações que o site do Duplapédia, a enciclopédia da dublagem brasileira consta a respeito da dublagem brasileira-americana do filme animado de SF, são sobre a menção dos poucos nomes dos dubladores que integraram o elenco dessa dublagem, mencionam os nomes de cinco dubladores no canto das vozes adicionais.

Dentre esses há a menção do finado Bira Castro(1953-2016), que para quem acompanhou o antigo canal pago infantil da Fox Kids(1996-2004)** deve lembrar bem da voz dele como o divertido locutor da irreverente grade de programação da emissora.  Que é o único que aparece creditado  em três personagens: Ken Masters, Bison e Fei Long.

E também há a menção de Carlos Tureta integrando o elenco dessa dublagem meio brasileira, meio americana do filme animado de SF.  Assim como a exemplo de Bira Castro, sua voz é muito lembrada por quem acompanhou outro canal pago infantil que é a Cartoon Network onde até hoje trabalha como locutor. O seu nome não aparece creditado a nenhum personagem, apenas entre as vozes adicionais.

Agora se teve um momento memorável dessa animação que muito marmanjo que era moleque quando viram o filme costumam mencionar é a cena de nudez da Chun-Li tomando uma chuveirada e aparecendo peladona.

Uma cena que não foi feita de forma tão gratuita, só para criar um clima ardente, todos os enquadramentos mostram bem dentro do sentido narrativo, ainda mais que ela sem perceber estava sendo vigiada  pelo Vega que só aparece para combater ela  depois que sai do banho e estava vestida e começa a lutar com ele.

Soube que na mais recente versão live action que está para estrear nas telonas agora no dia 15 de outubro, vão replicar essa cena da Chun-Li desse desenho com a personagem vivida pela canadense Callina Liang.

Só por isso mesmo, já me despertou a curiosidade.

 

 

*Raúl Juliá no momento em que participou das filmagens de Street Fighter ele já estava enfrentando um problema de saúde com um câncer no estômago o que o deixava debilitado, mesmo assim ele aceitou continuar filmando por causa dos seus filhos que eram fãs dos jogos de Street Fighter em homenagem a eles. Raúl Juliá morreu em 20 de outubro de 1994,  dois meses antes do lançamento de Street Figther nos cinemas americanos que ocorreu em 23 de dezembro de 1994. Portanto, marcou uma obra póstuma do ator que também deixou outros dois trabalhos póstumos lançados para televisão.   Além de Raúl Juliá, outro ator que participou do filme de Street Fighter dos anos 1990 que até o momento dessa publicação é o único que faleceu anos após o lançamento da produção é Peter Navy Tuaiasosopo(1963-2025) que representou o Honda em Street Fighter. Ele tinha 61 anos quando faleceu em fevereiro de 2025 de complicações cardíacas. Foi fazer companhia a Raúl Júlia no plano espiritual.

**As datas informadas pelo autor sobre o período de operações da marca Fox Kids, ou seja, entre 1996 a 2004 é somente com base em território nacional. Mesmo porquê foi apenas em território nacional que essa marca operou como um canal de tv por assinatura como conhecemos. Quando ele surgiu nos Estados Unidos em 1990, foi como um bloco de animações da Fox Broadcasting Company  e que encerrou suas atividades em 2002. Nunca virou uma emissora paga propriamente dita em solo americano. Logo após a compra da Disney, o canal mudou de nome para Jetix que durou até 2009 mudando para Disney XD que encerrou suas operações em 2022

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

A GERAÇÃO DO PÓS 11 DE SETEMBO

 

Nesse ano de 2026, em que vão se completar 25 anos do Atentado as Torres Gêmeas em Nova York em 11 de setembro de 2001.





O trágico acontecimento a medida que o tempo vai se distanciando já está gerando um certo  impacto para a geração de americanos que vieram depois do trágico acidente.

É o que o recente documentário da Netflix intitulado de Ponto de Virada: Geração 11 de Setembro,(Turning Point: Generation 9/11, EUA, 2026)  que pertence a franquia documental de Brian Knapenberg na Netflix que começou justamente falando do 11 de setembro em Ponto de Virada: 11 de setembro e a Guerra ao Terror(Turning Point: 9/11 and war of terror, EUA,2021).




  
  Depois sobre a Guerra Fria em Ponto de Virada: A Bomba e a Guerra Fria(Turning Point: The Bomb and the Cold War, EUA, 2024)  e a Guerra do Vietnã em Ponto de Virada: A Guerra do Vietnã(Turning Ponint: The Vietnam War, EUA, 2025).



Essa obra complementa ao que a série documental em cinco episódios de 11 de setembro e a Guerra ao Terror, explorou de forma bem mais amplamente abrangente com os depoimentos dos agentes da CIA, dos especialistas, das vítimas incrementados com os vastos arquivos das reportagens vão explorando as consequências que são sentidas até hoje.

No caso específico do documentário Geração 11 de Setembro, em sua 1 hora e 38 minutos de duração ele procura se focar nos depoimentos das jovens gerações de americanos que cresceram convivendo com essa ferida aberta.

Ouvindo os depoimentos dos jovens que ou eram crianças demais, alguns na faixa etária equivalente das crianças da Escola E. Brooker Elementary School em Sarasota, na Flórida. Onde o presidente George W. Bush estava visitando no momento em que recebeu a notícia das quedas das Torres Gêmeas e ele ficou imóvel sem demonstrar nenhuma reação de pânico ou mesmo dos que nasceram após a trágica data.



Há depoimentos dos jovens que ficaram órfãos pela tragédia, fosse porque o pai trabalhava numa das torres, fosse porquê o pai bombeiro morreu em operação ou fosse porquê o pai ou a mãe eram os passageiros dos voos.

Enfim, dá para se notar como que para eles o distanciamento do tempo com relação a essa trágica data se tornou uma coisa mais como item de museu.

A Mulher da Poeira Macy Boders faleceu de câncer

em 2015. 


O que essa geração de americanos pós-11 de setembro sentem seria mais ou menos como equivaler a sensação que eu sinto como brasileiro a respeito da Ditadura Militar.

Eu nasci em 1985, ano que houve a transição do fim da Ditadura para o começo da Redemocratização.

Já sou portanto, daquela geração de brasileiros que não vivenciou essa fase repressiva da Ditadura, e portanto não me causava tanto impacto. Do mesmo modo que meu pai não sentiu tanto o impacto quando houve o Golpe Militar em 1964, porque como ele nasceu em 1963, e só tinha portanto 1 ano quando aquilo ocorreu.

O que seria diferente com relação aos filhos do Rubens Paiva(1929-1971), cujo drama foi retratado no filme Ainda Estou Aqui (Brasil, 2024).

Quando eu fazia o Ensino Fundamental, o meu professor de História ao nos explicar numa aula sobre a Ditadura Militar no Brasil, para nós que já éramos da geração que não vivenciou aquilo procurou nos situar em algo mais comum para nós naquele momento presente em nossa realidade que foi com o programa do Casseta e Planeta, Urgente(1992-2010) que ele seria impensável da gente assistir se fosse na época repressora da Ditadura.

No caso dos americanos com relação ao 11 de setembro, a geração que veio posterior a esse trágico já lida com isso meio indiferente, sem sentir o peso desse forte impacto que isso gerou. O que bem mostra o quanto é importante a preservação da memória, mesmo para algo trágico.

Porque como diz uma frase do filosofo irlandês Edmund Burke(1729-1797):

“Um povo que não conhece sua História está fadado a repeti-la”.

 

 

 

DOCUMENTÁRIO SOBRE OSAMA BIN LADEN.

     Como complemento, aproveito para recomendar também da Netflix a série documental Procurados-EUA-Osama Bin Laden(American Manhunt: Osama Bin Laden, EUA, 2025).

     Dividida em 3 episódios, com direção de Mor Loushy e Daniel Silvan, que pertence a outra franquia documental da Netflix sobre as grandes caçadas no território americano contra criminosos dos mais perigosos.




    


       Começou com os autores dos atentados da Maratona de Boston em 2013, os Irmãos Tsanaev em Procurados-EUA-O Atentado á Maratona de Boston (American Manhunt: The Boston Marathon Bombing, EUA, 2023) e sobre a caçada ao ex-astro do futebol e do cinema O.J. Simpson(1947-2024) acusado de assassinar a sua esposa e o suposto amante em 1994 como é tratado no documentário Procurados-EUA: O.J.Simpson(American Manhunt:O.J.Simpson, EUA, 2025).

       A narrativa começa pelo ponto de partida logicamente do Atentado ao World Trade Center, onde vão explorando as várias tentativas frustradas de tentar caça-lo em investigações sigilosas, algumas que só vieram a conhecimento público depois.

       Ele se amplia em explorar a vida pregressa de Bin Laden com seu influente berço familiar de pai abastado, dos seus antecedentes ao atentado, de quando ele colaborou com os EUA para enfrentar os russos nos anos 1980 na invasão ao Afeganistão, de sua formação na Al-Qaeda e das pessoas ao redor e do seu fim ocorrido em 2 de maio de 2011 numa operação sigilosa das tropas invasão sua mansão no Paquistão.

     Ela serve bem para complementar essa abordagem sobre o mais trágico evento que ainda hoje é uma ferida aberta para os americanos.