sábado, 15 de agosto de 2026

100 ANOS DO CRIADOR DO ASTÉRIX

 

Se hoje estivesse vivo, o desenhista francês René Goscinny(1926-1977), o criador do Asterix estaria completando hoje 100 anos.

Nascido em Paris, em 14 de Agosto de 1926, filho de imigrantes judeus poloneses, seu pai era professor de matemática e sua mãe era oriunda da Ucrânia.




Aos 2 anos, mudou-se com os pais para a Argentina em 1928, onde passou a sua infância na capital Buenos Aires.

Já mostrando uma aptidão notável para as artes, fez seus primeiros desenhos na revista da escola, como Notre Voix e Quartier Latin. Pouco tempo após se graduar em Belas Artes em 1943, Goscinny enfrentou a perda inesperada do pai, o que o obrigou, por problemas financeiros a aceitar um emprego como guarda-livros numa fábrica de pneus.




Depois que decidiu pedir demissão, chegou a aceitar trabalhar como ilustrador júnior numa agência de publicidade, onde não obteve muito sucesso. Em 1945, aceitou o convite do seu tio materno para se mudar para Nova York onde levou sua mãe.

Lá trabalhou durante algum tempo como tradutor até ser convocado para as tropas francesas, no entanto, como a Segunda Guerra Mundial já estava chegando no fim, ele não chegou a participar de nenhuma ação em batalha. Regressou para o bairro do Brooklyn após a dispensa e voltou a sua jornada como artista.   




      Em 1948, conseguiu encontrar trabalho como assistente num pequeno estúdio e aqui ele entrou em contato com o belga Maurice de Bevere que assinava como Morris(1923-2001), o criador do Lucky Luke e com o americano Harvey Kurtzman((1924-1993) que deu grande incentivo para otimizar seu trabalho.




   Kurtzman foi a ponte de Goscinny para ele tomar contato com os novos artistas americanos que estavam surgindo no cenário da indústria, dentre eles os três fundadores da revista MAD: Will Elder(1921-2008), Jack Davis(1917-2000) e John Severin(1921-2012).

Após já minerar bem o seu estilo ao ponto de chamar a atenção de um importante da industrias dos quadrinhos franco-belgas Georges Troisfontaines(1919-2007), o diretor da World Press Agency em Bruxelas, capital da Bélgica.




Ao se mudar para a Bélgica, Goscinny também conheceu o diretor de arte da Agência Dupuis, Jean-Michel Charlie(1924-1989), acabando por se estabelecer em Paris, onde fez alguns trabalhos para a Dupuis vindo mais tarde, em 1951, a assumir a gestão do Gabinete de Imprensa de Paris de Imprensa da World Press Agency. Foi aqui que ele conheceu seu parceiro na criação de Astérix Albert Uderzo(1927-2020).




          Foi em 1959, que Goscinny e Uderzo lançaram na revista Pilote o famoso herói gaulês Astérix, um resistente a invasão dos romanos na Gália, com a ajuda da poção do druida Panoramix, que parodiava a invasão moderna da cultura americana em território francês. Sua inspiração foi num gaulês de verdade Vercigentorix.




Goscinny também foi trabalhando na ilustração do livro infantil O Pequeno Nicolau de autoria de Jean-Jacques Sempé(1932-2022) e criou  ao lado de Jean Tabary(1930-2011) outro personagem de quadrinho chamado de Iznogoud*.




ADAPTAÇÕES DE ASTÉRIX NAS ANIMAÇÕES E LIVE ACTIONS.

O Astérix foi o que simbolizou a grande marca da carreira de Goscinny a ponto dele ser bastante licenciado graças as adaptações para filmes animados e live actions como entre esses que posso aqui mencionar que mais me impressionou foi Os Doze Trabalhos de Astérix(Les Douze Travaux d'Astérix,França, 1976)  que foi a terceira produção de animação inspirado na marca Astérix, foi a única produzida  pelo Stúdio Idéfix,  fundada em 1974, por seus criadores Goscinny e Uderzo.  







Goscinny e Uderzo são creditrados como diretores e Uderzo  também colaborou como roteirista ao lado de Pierre Watrin(1918-1990) e codirigido por Pierre Tchernia(1928-2016).

Provavelmente   para terem controle criativo sobre a obra  e também contou com a colaboração  do editor  Georges Dargaud(1911-1990) fundador da Dargaud, importante editora francesa de quadrinhos  como cofundador da empresa que teve uma vida curta.

 

 Isso porque o   Studio  Idéfix  encerrou suas operações em 1978, um ano após o falecimento de Goscinny em 05 de Novembro de 1977,  com 51 anos após sofrer um ataque cardíaco e nessa mesma data do fechamento da empresa lançaram o filme animado inspirado no herói franco-belga assim como Asterix que é  Lucky Luck com A Balada dos Daltons(Lucky Luke: The Ballad of the Daltons, França, 1978) que foi um trabalho póstumo dirigido por Goscinny que faleceu faltando pouco  para concluir a história.

Antes disso, houve a primeira adaptação animada de Astérix que foi Astérix, O Gaulês(Astérix, Le Gaulois, França, 1967) essa obra foi  dirigida pelo belga Ray Goossens(1924-2008) e foi inspirado na primeira HQ de Astérix publicada em 1961.




Em seguida veio Astérix e Cleópatra(Astérix et Cléopâtre, França, 1968), a segunda adaptação animada da HQ publicada em 1965, onde foi dirigido pelo próprio Goscinny e Uderzo e contou com  a codireção do americano  Lee Payant(1924-1976). Essas duas produções  contaram com a parceria da Dargaud e da Belvision.



 

Livremente inspirada na saga mítica do herói semideus grego Héracles que com a dominação do Império Romano eles passaram a adotar um culto aos deuses gregos modificando seus nomes e Héracles virou Hércules e foi daí que originou a saga  dos Doze Trabalhos de Hércules.

 

Na obra de Os Doze Trabalhos de Astérix para quem gosta do estilo peculiar de humor de Astérix que satiriza o herói resistente a invasão romana na Gália, onde aqui mostra ele tendo esse desafio proposto pelo Imperador Júlio César.   



Ao longo da narrativa acompanhamos Astérix acompanhado de seu inesperável parceiro glutão Obélix cumprindo o desafio das Dozes Tarefas sugeridas por Júlio César inspirado na saga de Hércules como o próprio se mostra autoconsciente disso.

Eles enfrentaram cada desafio que vão testá-los física e psicologicamente enfrentando cada um que vão desde um veloz corredor romano, um combate com gladiador germânico, se alimentarem num  restaurante cheio de comida farta onde de hora em hora  é servido diferentes pratos, a sedução das atraentes ninfas em sua ilha, encarar um prédio burocrático dentre outros dos mais pitorescos que se pode imaginar com aquele característico humor cartunesco das obras de Astérix.

A produção dessa animação de Os Doze Trabalhos de Astérix usou uma técnica que estava  sendo muito usada pela gigante Disney na época que é a xerografia.

A xerografia foi uma técnica que revolucionou a animação da Disney, permitindo que os desenhos dos artistas fossem transferidos diretamente para as células. O processo foi testado pela primeira vez em A Bela Adormecida(1959), mas foi usado em grande escala no curta-metragem Golias II e no filme 101 Dálmatas (1961). 

“A xerografia foi uma solução para o problema de transferir e tingir os desenhos dos animadores manualmente nas células de animação, um processo caro e demorado. A técnica permitiu que a Disney economizasse tempo e dinheiro, e também de controlar o tamanho dos personagens e dos objetos fotocopiados. 

O processo xerográfico foi adaptado por Ub Iwerks(1901-1971), o desenhista que criou o personagem Mickey Mouse. A técnica foi usada em praticamente todos os filmes de animação da Disney até A Pequena Sereia(1989), quando os computadores substituíram a necessidade de usar células.”

(Fonte: Texto retirado do Google).

 

 

Depois de Os Doze Trabalhos de Astérix, houve um longo hiato de 10 anos sem ter uma nova produção inspirado no famoso herói gaulês até ser produzido um novo filme animado de Astérix que foi Astérix e a Surpresa de César(Astérix et la Surprise de César – França, 1985).  Onde quem ficou encarregado da produção  foi a Dargaud junto com a Les Productions René Goscinny que contou com a direção dos irmãos Paul e Gäetan Brizzi.



Em seguida veio outras séries de filmes animados como: Astérix entre os Bretões(Astérix chez les Bretons, França, 1986),produção que contou com o dedo da importante companhia de cinema francesa Gaumont, fundada em 1895 pelo engenheiro Leon Gaumont(1864-1946) que teve o envolvimento de Pierre Tchenia como roteirista e foi dirigido pelo ítalo-canadense Pino van Lamsweerde(1940-2020).




Seguido de Astérix e a Grande Luta(Astérix et le coup du menhir, França, 1989) que contou com a direção de Philippe Grimmond e sem o envolvimento da mesma equipe criativa.




Na sequência vieram: Astérix Conquista a América(Astérix Conquers America, França, 1994) que contou com a direção do alemão Gerhard Hann, Astérix e os Vikings(Astérix et le Vikings, França, 2006) que contaram com a direção dos dinamarqueses Jesper Møller e Stefan Fjeldmark, Astérix e O Domínio dos Deuses(Astérix - Le Domaine des Dieux, França, Bélgica, 2014) com direção de Alexandre Astier e Louis Clichy que marca a primeira produção animada de Astérix a  usar a técnica em 3D e Astérix e o Segredo da Poção Mágica(Astérix: Le secret de la potion magique, França, 2018) que contou novamente com a direção de Astier e Clichy.






Isso sem contar a série de filmes live actions que começou a partir do final dos anos 1990 com Astérix e Obélix Contra César(Astérix & Obélix Contre Cesar, França,1999) dirigido por Claude Zidi e contou com Christian Clavier como Astérix, Gérard Depardieu como Obélix e o renomado cineasta italiano Roberto Benigni como o temido  imperador romano Júlio César.




Logo em seguida veio: Astérix e Obélix: Missão Cleópatra(Asterix & Obelix: Mission Cleopatra,França, 2002)  este  que contou com a direção de Alain Chabat que no filme também representou Júlio César, que além de contar novamente no elenco com Clavier e Depardieu repetindo os respectivos papeis de Astérix e Obélix, também contou  no elenco com a participação da  renomada atriz italiana  Monica Bellucci que representa bem em cena a mítica Rainha do Egito Cleópatra e amante de Júlio César  emprestando da  sua atraente beleza que também é baseado na mesma obra  que foi adaptada para a animação em 1968.



Na sequência tivemos:   Astérix nos Jogos Olímpicos (Astérix aux Jeux olympiques, França, 2008) filme que contou com a direção de Fréderic Forestier e Thomas Langmann, cujo elenco já não contou com Christian Clavier como Astérix, seu papel nesse filme foi assumido por Clovis Cornilac e novamente contou com Gerard Depardieu na pele do Obélix.




Que também contou  no elenco com a participação de  Jean-Pierre Cassel(1932-2007), pai do ator Vincent Cassel que já foi casado com a atriz  Monica Bellucci a mesma que representou Cleópatra no filme anterior.

E  nesse filme fez o Druida Panoramix cuja participação marcou o seu papel póstumo e mencionar a participação do veterano e cultuado galã do cinema francês Alain Delon(1935-2024) que no filme representou Júlio César. 

Depois veio: Astérix e Obélix: Deus  Salve a  Britannia (Astérix & Obélix: Au Service de Sa Majesté, França, 2012) onde nesse ainda contou novamente com Gérard Depardieu representando o Obélix e já o Astérix foi trocado novamente por Edoard Baer, já o papel do sempre temido  Imperador Júlio César foi representado por Fabrice Luchini.




 E mencionar a participação da veterana musa francesa Catherine Deneuve muito lembrada pelo clássico filme da nouvelle vague  A Bela da Tarde(Belle de Jour, França, 1967) do diretor espanhol Luis Buñuel(1900-1983) que nesse filme representou  a Rainha Cordélia da Grã-Bretanha  e por fim tivemos o mais recente:    Astérix e Obélix: O Reino do MeioAstérix et Obélix: l'Empire du Milieu, França, 2023) que contou com a direção de Guilhaume Canet que também foi responsável por representar o Astérix, já que quem ficou encarregado do Obélix foi Gilles Lellouche, Vincent Cassel, o ex-marido de Monica Bellucci que fez Cleópatra em Astérix e Obélix: Missão Cleópatra (2002) e é filho de Jean-Pierre Cassel que fez o Druida Panoramix em Astérix e Obélix nos Jogos Olímpicos (2008) participou  do filme representando Júlio César e com Marion Cotillard representando Cleópatra.



Em 2025, foi lançada na Netflix a série animada de Astérix em CGI, dividida em cinco episódios intitulada de Astérix e Obelix: O Combate dos Chefes, com produção executiva de Alain Chabat.




ASTÉRIX PÓS-GOSCINNY;

Depois que Goscinny faleceu, Uderzo deu continuidade as criações de novas histórias do gaulês, em 1979 ele publicou Astérix entre os Belgas, que marcou o trabalho póstumo de Goscinny.

Em 1980, ele publica sua primeira história solo de Astérix que foi O Grande Fosso assumindo a dupla função de roteirista e ilustrador.

Uderzo deu continuidade as publicações de Astérix até  ele declarar sua aposentadoria em 2009, na época com 82 anos e já sentindo o peso do seu estado  de  saúde fragilizado. A última história que Uderzo havia publicado antes de declarar sua aposentadoria foi Astérix e o dia que o céu caiu pulicada em 2005.  

 Após declarar sua aposentadoria Uderzo sofreu de uma artrite reumatoide na mão direita que o fez passar por uma cirurgia realizada em  2011.

Como se pode observar a sua saúde já se encontrava fragilizada nos últimos tempos e com o avançar da idade foi ficando cada vez mais comprometida até ele vir a    falecer  em  24 de Março de 2020 com 92 anos, também como consequência de um ataque cardíaco.

Um fato que chama aqui a atenção é que sua morte ocorreu bem no momento que havia sido decretado quarentena mundial por conta da pandemia do coronavírus, o que fez muita gente  remeter por mais estranho que se possa parecer a sua criação, isso porque existe uma publicação de Astérix intitulada de Astérix e a Transitálica publicada em 2017 mostrando  Astérix e seu parceiro Obélix participando de uma corrida onde nessa disputa  há um misterioso adversário mascarado com o nome de Coronavírus, e que por conta da coincidência do nome se criou um clima de provável profecia.

O que não passa de uma simples coincidência, mesmo porque nessa HQ em questão são de autorias de Jean-Yves Ferri como roteirista  e  Didier Conrad  como ilustrador que passaram a assumir a autoria das HQs de Astérix a partir de 2013, onde a primeira história criada por eles foi Astérix e os Pictos e Astérix e a Transitálica marca a terceira produção criada por essa dupla.

A vaga lembrança que eu carrego da primeira vez que eu tive contato com  uma história de Astérix foi quando  li uns trechos de uma tira de Astérix contida no meu livro didático escolar na minha fase escolar  de Ensino Fundamental,  na antiga  6ª Série que hoje equivale ao 7ª Ano,  durante a disciplina de história abordando o Império Romano. Onde exemplificava bem o assunto de uma forma bastante lúdica.

Das que eu pude ler, principalmente que comprei de um amigo uns dez volumes publicado pela Record, posso descrever que as histórias são fascinantes e que funcionam bem redondinhas, fechadinhas, sem você tentar compreender as sequencias de continuidade da coesão narrativa deles.

Independente de qual você queira começar, cada uma funciona bem sem precisar compreender uma cronologia dos fatos que antecederam cada história. Elas funcionam bem isoladamente.

Seja como for, cada uma é válida.


*Na década de 1990, Iznogoud ganhou uma série animada produzida na França em 1995, que aqui no Brasil teve uma breve passagem pela Rede Globo em 1997 passando no antigo Angel Mix(1996-2000).


terça-feira, 11 de agosto de 2026

35 ANOS DA ESTREIA DA ANIMAÇÃO DOUG

 

No dia 11 de Agosto de 1991, estreava na televisão dos Estados Unidos, a série animada de Doug(EUA, 1991-1999).




Doug foi uma produção da Nickelodeon, o personagem foi uma criação de Jim Jinkins que surgiu de uma maneira um tanto curiosa, ele foi inspirado na vida dele próprio.






Sua trama girava em torno de Douglas “Doug”Yancey Funnie, que após se mudar para uma nova cidade junto de sua família, a fictícia Bluffington, ele começa a narrar os seus acontecimentos cotidianos na escola ou mesmo numa festa com amigos no seu diário.  Era nesse diário que ele costumava compartilhar a sua paixão platônica pela Patty Maionese, ou mesmo suas imaginações como o herói Homem Codorna, inspirado no Superman e o espião Smash Adams, inspirado em James Bond.

Essa série animada foi uma produção da Nickelodeon, empresa a qual Jinkins já trabalhava, sua primeira aparição foi num comercial de refrescos. Um de seus episódios havia sido originado de um roteiro escrito para um livro.

Sua estreia no Brasil ocorreu primeiro no bloco da Nickelodeon no canal pago do Multishow em Outubro de 1994, só depois a partir de Janeiro de 1995 é que foi lançado na tv aberta na Tv Cultura em horário nobre. Foi assim que tive meu primeiro contato com a animação de Doug.




A série animada apesar de carregar o selo da Nickelondeon, foi na verdade uma co-produção da produtora de Jinks e da Jumbo Pictures, duas produtoras independentes, e sendo da Nickelondeon se tornou também popularmente referido como Nicktoon, junção de Nick referente a empresa Nickelondeon e toons referentes a cartoons que é como os americanos se referem a desenhos animados.   Ele foi uma das primeiras produções a ganhar essa nomenclatura.




Ele simboliza bem aquele ponto de partida do início do reinado do selo da Nickelodeon no cenário das animações na tv americana no começo dos anos 1990.

Período marcado pela forma moderna de assistir televisão que a criançada americana estava tendo contato, principalmente com o surgimento da popularidade do serviço dos canais de tv por assinatura que passou a ser uma forte concorrente dos canais abertos.

E cuja concorrência foi grande principalmente com o surgimento da Cartoon Network em Outubro de 1992, criado pelo recém-falecido magnata que investia naquele modelo de tv por assinatura Ted Turner(1938-2026).  



O seu estilo de animação mais conceitual e até experimental, fora da caixa, com os personagens sendo representados por pessoas comuns e de formas físicas não tão limpas com cada um sendo simbolizado de uma cor diferente de pele para mostrar a diversidade e explorando o lado psicodélico dos pensamentos do protagonista e abordando temáticas complexas e nos introduzindo aos conceitos filosóficos, como numa cena de um episódio que mostra Doug em mãos com a edição do livro Crítica da Razão Pura, famoso livro do filosofo alemão Immanuel Kant(1724-1804).


  
Cena de Doug folheando o livro Crítica da Razão Pura


Característica essa  que diferia até então do conceito das animações limitadas que estávamos acostumados a ver desde que essa indústria da animação surgida na televisão na década de 1950, com os animadores egressos da MGM William Hanna(1910-2001) e Joseph Barbera(1911-2006) se juntaram para formar sociedade e criarem a Hanna-Barbera Productions, a pioneira em trazer a animação para a televisão, com produção de orçamento barateado, que reinou nesse segmento por longos vinte anos como uma importante marca, mas que naquele momento da década de 1990, estava vivendo um declínio com a concorrência maior que o ramo estava passando e seu estilo já era visto como ultrapassado e passando por um forte colapso financeiro, que resultou no fechamento da empresa nos anos 2000 após os falecimentos de seus fundadores.





O sucesso de Doug durou por sete temporadas, sendo divididas em quatro da Nickelodeon que durou até 1994, e quando a Disney comprou a Jumbo Pictures em Fevereiro de 1996, ainda produziu três temporadas pelas mãos da Disney que durou até 1999.




Pelas mãos da Disney a produção deu umas modificadas, houve pequenas alterações no visual dos personagens e a narrativa tornou-se um pouco mais caricata e vibrante em comparação ao estilo mais intimista e realista da fase na Nickelodeon.




Na estrutura do seu enredo, Doug e seus amigos apareceram ligeiramente mais velhos, lidando com novas fases da pré-adolescência em Bluffington.

 O traço e a paleta de cores ficaram mais brilhantes. Personagens secundários ganharam mais espaço. O foco em dilemas cotidianos simples deu espaço a tramas mais chamativas.

Modificaram a abertura e sua trilha sonora e para quem acompanhou essa fase Disney quando estreou no programa do Disney Club(1997-2001) do SBT ali por volta de 1998 deve ter notado a mudança de voz no protagonista onde Fábio Lucindo na época com 13 anos assumiu esse “boneco” que aqui no jargão da dublagem explicado de forma bem resumida é uma terminologia usada normalmente para se referir quando um(a) dublador(a) é escalado com frequência para dublar um ator/atriz. 





Que também se aplica aqui no contexto desse personagem cartunesco que é o protagonista.  Esse “boneco” que até então era dublado por Sergio Rufino durante a fase  Nickelodeon, onde a dublagem foi feita mesmo estúdio paulista  da Álamo, que hoje já não existe, pois encerrou suas operações em 2011.

Doug realmente foi uma animação sem igual.




domingo, 9 de agosto de 2026

25 ANOS DA MINISSÉRIE PRESENÇA DE ANITA

No dia 7 de Agosto de 2001, a Globo colocava no ar uma ousada minissérie que abordava sobre uma jovem destruidora de lares.  Essa tal minissérie era Presença de Anita(Brasil, 2001).


















A minissérie foi uma adaptação de um romance homônimo de Mário Donato(1915-1992) com roteiro de Manoel Carlos(1933-2026) e direção de Ricardo Waddington, Edgard Miranda e Alexandre Avancini*.

O romance foi publicado em 1948, e a minissérie não foi a primeira vez que a obra de Mário Donato ganhava uma adaptação para o audiovisual.

A primeira vez foi numa versão para cinema, que foi dirigida pelo ítalo-brasileiro Ruggero Jacobbi(1920-1981) produção que inaugurou a atividade da extinta produtora paulista da Cinematográfica Maristela que fechou suas portas em 1958, cujo papel principal de Anita foi de Antonieta Morienau(1932-2005) que foi lançado em 1951. Fora que em 1964, o romance serviu de inspiração para a novela A Outra Face de Anita da extinta Tv Excelsior, escrita por Ivani Ribeiro(1922-1995).

Manoel Carlos ou Maneco como também era popularmente referido já vinha tendo o desejo de adaptar o livro de Donato como minissérie desde o começo dos anos 1990, época em que havia retornado a emissora após uma breve passagem pela extinta Rede Manchete e o marco desse seu retorno foi ter escrito a novela das seis Felicidade(Brasil, 1991-1992).

Já que o autor havia lido o livro de Donato, quando estava com 17 para 18 anos, escondido dos pais, já que o livro era muito alvo de polêmica que chegou a provocar a ira da Igreja Católica por conta da temática de devassidão envolvendo adultério dentre outros fatores.

Maneco se correspondeu por cartas com o autor, até o seu falecimento em 1992, onde ele autorizou fazer as adaptações e deu toda a liberdade artística do autor poder fazer algumas alterações do texto original para o roteiro televisivo.

Ali por volta de 1993, ele mostrou o roteiro para a direção, mas que acabou não sendo aprovado. Maneco levou quase uns dez anos para conseguir finalmente concretizar esse projeto, nesse intervalo de tempo ele escreveu as tramas de: História de Amor(1995-1996), Por Amor(1997-1998) e Laços de Família(2000-2001).

A trama da minissérie girava em torno de “Nando(José Mayer) quer aproveitar o final de ano para dar o ponta-pé inicial em um antigo sonho: escrever um romance. Lúcia Helena(Helena Ranaldi) só pensa em retomar a paixão em seu casamento. Zezinho(Leonardo Miggiorin) quer viver seu primeiro amor. E Anita só quer seguir o seu destino, com a certeza de que nada é por acaso, tudo já está escrito.

Para escapar da rotina louca de São Paulo, Lúcia resolve passar as festas de fim de ano na casa da família, em Florença, no interior do estado. Pensa em aproveitar o clima familiar para reacender a paixão em seu casamento. Nando vê nas férias a oportunidade de escrever seu romance. Em busca de inspiração, encontra Anita(Mel Lisboa), a personagem ideal.

Anita se mudou para um sobrado onde, no passado, aconteceu um crime de amor. Se ela não pode mudar o destino, vive da forma mais intensa. Seduz Nando e desperta a primeira paixão de Zezinho. Com os dois, forma um triângulo que muda para sempre a vida de todos.”

(Teledramaturgia).

A minissérie marcou a estreia de Mel Lisboa em seu papel de protagonista, que enfrentou uma disputa concorrida entre as 100 jovens escolhidas a dedo pelo próprio autor Manoel Carlos e pelo diretor Ricardo Waddington, que queriam uma atriz desconhecida. Houve quem brincasse de chamar de Ausência de Anita, devido as indefinições sobre a escolha da protagonista de Anita. Mel Lisboa com a pouca idade que tinha na época, com apenas 19 anos e fazendo sua estreia na televisão depois de sua formação teatral, na minissérie “Viveu uma adolescente, mas tinha quase 20 anos quando gravou a minissérie. A atriz mostrou segurança ao interpretar uma Anita sensual e ao mesmo tempo terna. Acabou para sempre marcada pela personagem.”

(Teledramaturgia).

Outro nome estreante na minissérie a ser mencionado é o de Leonardo Miggiorin, representando o jovem Zezinho, o adolescente apaixonado por Anita e envolvido no seu jogo de sedução e por quem ele tem sua primeira transa. Ele tinha as espinhas no rosto que o ajudaram na caracterização, Miggiorin tinha a mesma idade de Mel e esse não foi seu primeiro papel na televisão, antes disso ele havia participado da novelinha infantil Flora Encantada(1999-2000), no papel de um excêntrico biólogo chamado Gafa.

Além desses, a minissérie também contou com a revelação de outros novos talentos como de Taiguara Nazareth na pele do André, o novo empregado da fazenda da família de Lúcia Helena. Na época, com apenas 25 anos, apesar de mostrar uma inexperiência de ator, ainda mais pelo rosto muito sério e inexpressivo, mostrando uma evidente insegurança, pelo menos ele consegue bem captar a essência passiva dele como um sujeito submisso e obediente  a opressão de uma patroa branca autoritária e racista como a Marta(Vera Holtz), onde na primeira cena que ele é apresentado como novo empregado a ela que manda olhar suas mãos, num comparativo ao desempenho dele com o desempenho  da  atriz Vera Holtz já com longa bagagem que  dá um show de interpretação nesse papel.

Graças ao seu porte físico atlético, ajudou a compensar a maneira como ele transmitiu em cena a visão do racismo estrutural ao mostrar além da submissão de escravidão moderna a uma patroa branca racista como a Marta, como ele abordou essa subtrama da hiperssexualização ao despertar o desejo sexual reprimido justamente de sua autoritária patroa branca.  

Em 2025, ocasião em que a minissérie entrou no catálogo do Globoplay, ele aproveitou para compartilhar em sua rede social comentando sobre isso, nas palavras dele:

A minissérie foi incrível. E falando do meu personagem, da minha participação, trata muito com a Vera Holtz, a Marta, a personagem que ela deu vida, sobre questões raciais, assédio e hiperssexualização. As taras reprimidas, vontades, os desejos, coisas muito atuais”.

Esse André vivia um tórrido romance  escondido com a Neusa que já era empregada da Fazenda de Marta, e foi representada pela também estreante Joanna Tristão, que na ocasião com apenas 18 anos,  em que participou dessa minissérie havia integrado a primeira formação do elenco de assistentes de palco do apresentador Luciano Huck, quando este um recém-egresso da Band onde apresentou o Programa H (1996-1999), estreava na Globo em 2000 para apresentar o Caldeirão do Huck (2000-2021) que durou longos 21 anos até ele  passar  a comandar o Domingão com Huck atualmente.

Na minissérie ela até que mostra um desempenho mediano, visto o fato dela se mostrar um tanto rasinha na história, não chega a explorar com profundidade o fato que é mencionado pelas irmãs quando Marta a despede que ela trabalhava na família desde menina, deixando evidentemente claro a exploração abusiva de trabalho de menor de idade, no entanto, ela serviu bem como uma personagem que faz uma  ponte entre o André e a Marta e com aquele toque de sexy appeal trouxe  um ar de sensualidade a Neusa  numa cena picante dela com André.

Após esse trabalho, a atriz ainda participou da minissérie O Quinto dos Inferno(2002), fez alguns trabalhos de ensaio como modelo em campanhas e clipes musicais e estrelou para a revista VIP até resolver largar a carreira artística depois que casou e virou mãe de dois filhos e mudou de carreira trabalhando atualmente como psicóloga. 

Do mesmo modo que o elenco formado por grandes atores feras de primeira categoria da Globo dão cada um show de interpretação.

Como José Mayer na pele do Nando se mostrou crível, ele que na ocasião integrava o elenco fixo  da Globo desde os anos 1980, figurando como o galã da preferência sexual feminina mesmo com um expressão sisuda,  desempenha bem em cena o nível da complexidade que esse personagem exige, principalmente na sua crise existencial, vive num casamento de fachada, mas não quer se separar, vive um tórrido romance com uma jovenzinha que acabou de conhecer numa cidade de interior, quer viver com ela, mas não quer  separar da esposa. Ele vive nesse dilema.

Um sujeito que quando tem rompantes de fúria, fica violento, vive com a cabeça fora desse mundo, esquecendo da família, principalmente quando vive com o romance na cabeça. Nos últimos anos, o ator se encontra afastado da televisão desde sua saída da Globo em 2017, e atualmente longe dos holofotes, passou a viver uma vida tranquila no campo, residindo em Itaipaiva, Região Serrana do Rio de Janeiro.

Também mencionar a participação de Helena Ranaldi na pele da Lúcia Helena, a esposa de Nando, uma mulher de perfil um tanto ingênua com seu comportamento certinho, sereno, que procura ao máximo possível salvar o casamento com Nando, por conta disso ela arruma o pretexto da viagem ao interior para passarem o Natal com a família dela para ver se consegue recuperar a relação.

Ela que na ocasião que participou da minissérie, já integrava o elenco fixo da Globo desde que foi lançada na novela Despedida de Solteiro(Brasil, 1992-1993), após uma breve passagem pela extinta Rede Manchete, onde participou das novelas: A História de Ana Raio e Zé Trovão(Brasil, 1990-1991) e Amazônia(1991-1992), e atualmente desde que foi dispensada pela emissora em 2014, passou a fazer menos novela e dedicou mais  ao teatro e a alguns trabalhos esporádicos em cinema e em séries de televisão.

Do núcleo da família de Lúcia Helena e Nando, fazer menção ao bom desempenho de Júlia Almeida na pele da Luísa, a filha rebelde de Nando, fruto de outro casamento. A atriz que é filha de Maneco**, que já havia participado antes de outras produções escritas pelo pai na Globo cuja primeira foi em Felicidade, na minissérie desempenha brilhantemente o papel dessa jovem rebelde, que vive desafiando a autoridade do pai. Que se destaca pela amizade que faz com Anita sem suspeitar que ela era amante do pai, a fachada do perfil de ovelha negra, pelo menos fazia ela mostrar ser mais verdadeira em comparação a fachada moralista conservadora da família de Lúcia Helena.

Como exemplo além do seu pai Nando, o patriarca Venâncio, pai de Lúcia Helena, vivido por Linneu Dias(1927-2002) que faz um ótimo desempenho em cena na pele  de um autoritário fazendeiro rico, muito respeitado na região de Florença, que já foi prefeito duas vezes. Um sujeito que não esconde detestar Nando, que carrega um perfil as vezes involuntariamente cômico com suas posições antiquadas de conservadorismo patriarcal tradicionalista meio torpe e pinga. Essa minissérie foi o último trabalho da carreira de Linneu Dias que faleceu no ano seguinte. Do mesmo modo como a sua irmã mais velha Marta, muito bem defendida por Vera Holtz ela já era um nome fixo da emissora desde dos anos 1980.

Na minissérie, o desempenho dela como Marta, uma viúva sem filhos, que foi a única das três filhas de Venâncio que ficou ali cuidando da fazenda, já que o velho pai viúvo caquético, ranzinza, meio bitolado do juízo se encontrava com a saúde fragilizada.  Já que as outras duas se mudaram para a capital depois que casaram.   

O desempenho da maneira como ela incorpora o caráter autoritário herdado do pai, e sua postura racista também herdada do pai faz com que ela em cena incorpore e desenhe bem o perfil um tanto rústico da personagem, como a atriz nascida em Tatuí, no interior paulista e com uma voz bem caracteristicamente anasalada, ajudou bem a compor essa essência de uma poderosa madame do campo. Que por trás da hipócrita fachada autoritária moralista, nutre esconder da família um desejo sexual justamente por quem? Pelo André, o seu empregado negro, e olhe que ela não escondia sua postura racista.

Também nesse núcleo há de  mencionar a participação de Carolina Kasting como a Julieta, irmã caçula de Lúcia, que após casar com o pediatra Heitor(Alexandre Barros) com quem teve uma menina chamada de Amélia, foi morar no Rio de Janeiro-RJ.

Ela que na ocasião era uma jovem de 26 anos, mas que já vinha despontando na televisão desde a segunda metade dos anos 1990, teve uma passagem conturbada pela extinta Rede Manchete, que prestes a entrar em falência protagonizou a novela Brida(1998), que precisou ser encurtada sem um final.

Na minissérie ela mostrou um ótimo desempenho como a Julieta com sua língua afiada para gozar da cara de seu cunhado Nando.

Também mencionar a participação do ator Alexandre Barros***, que faz uma representação até que razoável na pele do Heitor, esposo da Julieta, esse foi seu primeiro papel na televisão, apesar de já despontar na carreira de ator desde os 11 anos quando estrelou comerciais.  Fez carreira no cinema se lançando no filme For All-O Trampolim da Vitoria(Brasil, 1997).

Na minissérie, o seu papel se mostra bem raso, só tendo alguma importância mais lá para frente quando ele procura dá alguma assistência a Nando depois do choque do episódio do assassinato de Anita e Zezinho no sobrado onde ele começa a ficar perturbado pelo fantasma da Anita.

Fora também outras participações especiais como: Tony Mastalter na pele do Roberto, um amigo de Nando meio bobalhão que tem muitas tiradas cômicas relacionadas a desejo por um bom rabo de saia.  Renata Briani na pele da Celeste, a babá do Luisinho(Pedro Rossa), o filho de Nando e Lúcia, um moleque bem chatinho  e um tanto irritante é o mais rasinho na história.  O seu desempenho na pele dela com suas tiradas cômicas a dá um destaque  a mais. Vanessa Nunes que aparece só no primeiro capítulo na pele da Silvia, a secretária do escritório de arquitetura de Nando mostra um bom desempenho com as tiradas afiadas da personagem com seu toque provocativo.  Também participam no primeiro capítulo Marcos Caruso na pele do Gonzaga, o sócio de Nando no escritório que ao olhar o desenho dele de uma mulher nua comparando a uma menininha de quinze anos, já deixava evidente que o cara tinha perfil de pedófilo e Débora Olivieri que representa a esposa de Gonzaga também brilha em cena com suas tiradas de diálogo afiado. 

Fora também aqui as menções de Walter Breda, que muitos devem conhecer o seu trabalho de dublador, dentre os mais marcantes é o do Senhor Kaioh no anime de Dragon Ball Z, que na minissérie faz um brilhante desempenho como Antônio, o comerciante dono de um mercado localizado em frente ao sobrado onde Anita se muda. É nesse lugar onde trabalha o jovem Zezinho, por quem ele nutre uma preocupação quase paternal pelo rapaz, que cresceu sem conhecer o pai e aceitou emprega-lo por consideração da sua mãe que não aparece, é só mencionada.

Também mencionar a participação de Erom Cordeiro, que faz um pipoqueiro da Praça da Cidade de Florença, com quem Lúcia costuma interagir, foi sua estreia na televisão e de Clarisse Abujamra como a mãe de Anita que aparece pontualmente na história.

Um fato curioso a se comentar sobre o livro que inspirou essa minissérie, é que já houve críticos literários que acusaram o livro de ser plágio da Lolita, famoso romance do russo Vladimir Nabokov(1899-1977), por conta das semelhanças. Ocorre que o famoso romance de Nabokov  só foi publicado em 1955, portanto, sete anos após Mário Donato publicar o livro Presença de Anita.

As locações para a fictícia Florença foram no município de Vassoura/RJ, lugar que preserva uma antiga arquitetura colonial que remete aos tempos áureos dos barões do café.  O que ajudou bem a compor a atmosfera rústica.

“O destaque da produção de arte foi a boneca Conchita, reprodução de uma bailarina espanhola de cerca de 20 centímetros, feita em gesso e criada nas oficinas de artesanato do Projac. A boneca funcionava como um símbolo na história, pois, segundo Anita, ela guardava a alma da ex-moradora do sobrado (onde a personagem foi morar), Cíntia, que morrera assassinada pelo amante.”

(Teledramaturgia).

 

Um dos pontos mais polêmicos que essa minissérie causou, além das cenas tórridas de sexo e nudez entre um homem de meia idade e casado com uma novinha, foram a presença do cigarro que foi muito criticado pelo então diretor do Instituto Nacional do Câncer, Doutor Jacob Kligerman. O que para Maneco, serviu bem para compor o perfil destrutivo dos personagens.  Fora que eles em cena tinham muitos diálogos chulos.

   Chama a atenção que sua trilha sonora contou com o repertório de clássicas canções francesas da era de ouro da chanson, a começar pela abertura que é tocada Ne me quitte pas, gravada na voz de Maysa(1936-1977) que é de autoria do franco-belga Jacques Brel(1929-1978), fora tocarem Pigalle na voz do dinamarquês-francês George Ulmer(1919-1989) que faz uma referência a uma famosa avenida boêmia de Paris que há uns três anos quando visitei a capital francesa conheci esse lugar fascinante e essa canção faz uma ode exaltando o bairro.  E Que c´est triste Venise gravada por Charles Aznavour(1924-2018).

Também chama a atenção o fato curioso de que Maneco, que recentemente partiu no começo de 2026, normalmente para quem costumava acompanhar as novelas do autor como as que mencionei nesse texto, tende a perceber que a principal característica em suas novelas era quando ele costumava explorar muito o bairro carioca do Lebron, coisa que essa minissérie foge um pouco disso, a começar pelo fato do primeiro capitulo se passar em São Paulo-SP, onde a família de Nando reside, e ironicamente o autor nasceu em São Paulo-SP e vai sendo todo centralizado no interior da fictícia Florença. Ele pelo menos não deixou de fora uma característica que ele costumava explorar muito em suas novelas, que é batizar uma de suas personagens de Helena, tanto que por conta disso, a esposa traída de Nando é chamada com o nome composto de Lúcia Helena. A principal razão para o autor gostar tanto do nome e batizar em suas personagens era porque simplesmente o fazia remeter a figura mítica da Helena de Tróia. Ele explorou isso até escrever sua última novela que foi Em Família(2014), depois disso o autor já aposentado, passou os seus últimos de vida enfrentando o Mal de Parkinson que afetou sua capacidade cognitiva de escrita.

Além do autor, alguns atores que fizeram parte do elenco da minissérie já partiram no passar desses anos até o momento dessa publicação os que já partiram foram: Linneu Dias como já mencionado anteriormente representou o Venâncio, ele faleceu um ano após a minissérie chegar ao fim em Agosto de 2002.

Também são falecidos: Umberto Magnani(1941-2016) representando o Dr. Eugênio, o médico particular da família de Lúcia Helena, que era muito intimo deles virando uma figura de tio por afinidade dela e das suas irmãs. Esse ator assim como a exemplo de Júlia Almeida, José Mayer e  Helena Ranaldi presentes no elenco da minissérie costumava ser muito requisito pelo autor em suas novelas.

Dois artistas da música brasileira  que participaram da minissérie também estão entre os falecidos: o sambista Nelson Sargento(1924-2021) que faz uma participação especial como o João, empregado da Fazenda da Família de Lúcia Helena e Selma Reis(1960-2015) que representou a misteriosa Cigana que costuma aparecer na Praça da Cidade que ao ver Lúcia Helena fica querendo ler o seu destino.

Assim como também são falecidos os atores Paulo César Pereio(1940-2024) que faz uma participação como o Armando, o pintor que Anita tanto menciona que foi responsável por acolhe-la em sua casa e ele  é mostrado na cena do flashback da sua infância de quando ela pousou para ele como modelo para ser desenhada em seu quadro. E ele como era falecido, deixou o casarão como herança para ela. Outros falecidos são: Noemi Gerbelli(1953-2021) que representou bem o papel da Susana, a esposa de Antônio, uma típica senhora fofoqueira com tiradas cômicas direcionadas a sua língua ferina a Anita e Wolney de Assis(1937-2015) que faz uma ótima participação na pele do Delegado que vai ao sobrado onde Anita estava morta e chega a se aproveitar para furtar uma calcinha dela. 

 

 *Esse Alexandre Avancini é filho do falecido diretor Walter Avancini(1935-2001), que construiu uma longa carreira dirigindo novelas e outros de televisão. Ele é irmão da atriz Andréa Avancini.

**Atualmente Júlia Almeida e sua irmã, a roteirista Maria Carolina passaram a cuidar do espólio dos textos do pai por meio da produtora Boa Palavra. Ainda mais, depois que o pai morreu em Janeiro de 2026, após enfrentar uma dura batalha contra o Mal de Parkinson. Além delas, Maneco também teve três filhos que haviam falecidos antes dele.  O ator e dramaturgo Ricardo Almeida faleceu em 1988 devido a complicações do HIV, o diretor Manoel Carlos Júnior faleceu em 2012 após sofrer uma parada cardíaca e Pedro Almeida faleceu em 2014, ele tinha só 22 anos quando teve um mal súbito quando estava residindo em Nova York estudando para teatro.

***Não confundir o nome desse ator com o nome do popular esportista do motociclismo que é referido como Alex Barros. Ele também é homônimo do jurista Alexandre de Moraes, que compõe a pasta do Supremo Tribunal Federal. Já que o nome completo dele é: Alexandre de Moraes Barros Anastácio. E mais coincidência que isso é que ambos nasceram em 1968, com um dia de diferença. O ator Alexandre Barros faz aniversário faz aniversário em 12 de Dezembro e o jurista Alexandre de Moraes em 13 de Dezembro.