quinta-feira, 30 de julho de 2026

40 ANOS SEM CÂMARA CASCUDO

 

No dia 30 de Julho de 1986, partia o importante intelectual potiguar Luís da Câmara Cascudo(1898-1986).  Historiador, folclorista, antropólogo, cronista e entre muitas outras facetas.

Câmara Cascudo é uma importante referência nos estudos de folclores no Brasil todo.




Publicou centenas de livros a respeito do estudo cultural das manifestações folclóricas brasileiras, um desses que tive o prazer foi Superstição no Brasil.




Um ótimo livro sobre que é um verdadeiro almanaque para compreender a formação cultural brasileira, suas crendices, seus costumes dentre outros.

Um outro livro interessante que já tive a oportunidade de ler foi Crônicas de Origem-A Cidade de Natal nas crônicas cascudianas dos anos 20.




Publicado pela Editora da UFRN-EDUFRN em 2005 com organização e estudo introdutório de Raimundo Arrais. Neste livro somos apresentados aos melhores textos escritos pelo ilustre Cascudo em sua coluna   no jornal A República na década de 1920.

O livro nos transporta a uma verdadeira viagem no tempo, onde nos proporciona conhecer um pouco mais de como era o modo de vida de uma Natal desconhecida pela maioria de nós potiguares, principalmente ao exaltar a vida artística dos antigos bairros da Ribeira, Cidade Alta e Alecrim lugares ignorados pelos órgãos públicos com seus antigos monumentos em ruínas.

Uma boa maneira de conhecer a nossa história e dá mais valor à nossa cultura. Interessante observar  pelo tipo de escrita e pela forma de narrativa a maneira como era retratado, pincelado, moldado ou mesmo desenhado o cenário cultural da  boêmia Natal provinciana  de um século atrás com o povo vivendo uma vida pacata de cidade bucólica onde a urbanização era bem diferente, não existia shoppings centers, e sem aquela visão de peça publicitária que estamos acostumados a ouvir de algum turista como um  lugar  paradisíaco, edênico e tropical  a  descrevendo aqui   como a cidade do sol, exaltando o litoral e suas peculiaridades, as dunas, o cajueiro entre outras infinidades  em comparação  a atual Natal moderna com um modelo urbanização desenfreada, desorganizada, transito engarrafado e caótico, violência urbana atormentando a cidade enfim. 

Ele também escreveu uma obra de conto intitulada de A Princesa de Bambuluá, que inspirou o nome de um programa infantil da Globo, chamado de Bambuluá(Brasil, 2000-2001).





Recentemente, um projeto organizado pela neta de Câmara Cascudo, Daliana Cascudo de publicar os manuscritos inéditos de suas poesias, vai ganhar uma publicação.  Que também preside o Instituto Câmara Cascudo, que cuida de preservar o acervo e a memória do escritor, segundo pelo que declarou na matéria do AgoraRN:

É um material que mostra também um novo Cascudo. A gente tem obras muito interessantes, como um livro de poemas”, afirma.




 

Segundo a matéria do AgoraRN sobre o novo lançamento:

O manuscrito chama-se “Caveira em Campo de Trigo” e ajuda a preencher uma lacuna na trajetória literária do intelectual. Embora tenha escrito versos e compartilhado alguns deles com nomes como Mário de Andrade e Manuel Bandeira, Cascudo jamais publicou um livro de poesia.

A decisão foi registrada pelo próprio autor em uma carta enviada a Mário de Andrade, em 1925. Nela, escreveu que havia concluído o livro, mas desistiria da publicação. “Ele diz: ‘Mário, eu terminei esse livro de poema, se chama Caveira em Campo de Trigo, mas eu não vou publicar. Eu não sou poeta. Vou enterrar esse livro no inferno da biblioteca’. E enterrou tão bem enterrado que a gente passou quase cem anos para descobrir.”

Isso prova como Cascudo, continua relevante mesmo tendo passado quatro décadas de sua partida.




segunda-feira, 27 de julho de 2026

30 ANOS DO ATENTADO DO PARQUE OLIMPICO CENTENÁRIO EM ATLANTA

 

No dia 27 de Julho de 1996, ocorreu um atentado terrorista durante os Jogos Olímpicos de Atlanta, cujos equívocos sobre de quem foi seu autor, ocasionaram num dos episódios mais atrapalhados e equivocados da investigação da história dos Estados Unidos, um episódio que ficou conhecido como o Atentado ao Parque Olímpico Centenário.  




A explosão ocorreu horas depois do alerta do segurança Richard Jewell(1962-2007), que havia suspeitado de uma mochila verde do exército americano abandonada no local  escrita com o nome ALICE, que continha “três bombas caseiras cheias de pólvora sem fumaça, cercadas por pregos de alvenaria de 7,6 cm (três polegadas)” e mandou todos evacuarem ao redor do local onde estava ocorrendo a apresentação musical da banda Jack Mack and The Heart Attack, o seu alerta conseguiu salvar a vida de muitas pessoas, no entanto, essa explosão vitimou 111 pessoas feridas e  deixou dois mortos que foram:  Alice Hawthorne, uma senhora americana natural da Geórgia que morreu na explosão e o cinegrafista turco Melih Uzunyol cuja consequência da morte  foi indiretamente pois havia sofrido uma parada cardíaca quando estava  se dirigindo ao local.




“Jewell foi celebrado pelo ato e rapidamente ganhou os holofotes. Entretanto, uma reportagem da jornalista Kathy Scruggs para o The Atlanta Journal-Constitution colocou em cheque a real intenção de Richard. Informada por uma fonte do FBI que ele era o principal suspeito por ter plantado a bomba, Kathy publicou uma matéria relatando o fato, o que mudou a vida de Jewell e de sua mãe, Bobi, completamente.”

(Retirado da matéria do site Aventuras na História, publicada em 6 de Janeiro de 2020).

Por conta de todos os equívocos, a vida de Richard Jewell virou do avesso, com o FBI e a imprensa na sua cola e muita coisa do seu passado foi exposta, principalmente a respeito de sua personalidade de homem fracassado que usou daquilo como artificio para se destacar como herói, e muita gente chegava a fazer piadas gordofobicas sobre seu peso, só muito tempo depois que foram averiguados que ele não poderia ter planejado o atentado é que ele deixou de ser suspeito.




Somente em 1998, foi que se descobriu de quem foi autoria do atentado, principalmente depois de investigarem a similaridade de três séries de explosões que ocorreram seguidas ao atentado no Parque Centenário: Em 16 de Janeiro de 1997, houve uma explosão numa clínica de aborto no subúrbio de Sandy Springs, em Atlanta, um mês depois, em 21 de Fevereiro de 1997, houve a explosão também em Atlanta de um bar de lésbicas, ferindo cinco pessoas e em 29 de Janeiro de 1998, houve uma  explosão em  uma Clínica de Abortos em Birmigham, no Alabama. “Matando o policial de Birmingham e guarda de segurança da clínica Robert Sanderson, e ferindo gravemente a enfermeira Emily Lyons. As bombas de Rudolph continham pregos que agiam como estilhaços.

(Wikipédia).

Foi nesse último que através do retrato falado, se descobriu que o verdadeiro autor da explosão era Eric Rudolph, um terrorista doméstico e fanático religioso ligado a movimentos extremistas cristãos da supremacia branca que em 5 de Maio de 1998 entrou na lista dos procurados do FBI, só sendo preso apenas em 31 de   Maio de 2003, depois de passar cinco anos recluso nas Florestas da Carolina do Norte. Em 2005, Rudolph se declarou culpado de várias acusações de homicídio federais e estaduais e aceitou cinco penas de prisão perpétua consecutivas em troca de evitar um julgamento e uma sentença de morte em potencial.




Rudolph cumpre prisão no Presidio Federal Adx Florence.

As motivações que ocasionaram Rudolph a promover esse atentado tem um pouco de relação com a sua pregressa formação religiosa, Eric Robert Rudolph nasceu na Flórida em 1966, perdeu o pai em 1981, na época era um adolescente com 15 anos. Mudou-se junto com sua mãe e seus irmãos para Nantahala na Carolina do Norte.

Chegou a frequentar a Escola em Nantahala, fazendo a Nona Série, mas decidiu abandonar os estudos e trabalhou como carpinteiro ao lado de seu irmão Daniel.

Quando estava com 18 anos, Rudolph chegou a frequentar com sua mãe uma seita religiosa conhecida como Igreja de Israel.

Chegou a se alistar no Exército onde prestou serviço até sua dispensa em Janeiro de 1989, após ser flagrado fumando maconha.

Até o episódio do atentado no Parque Centenário durante os Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996, Rudolph mantinha uma forte conexão com grupos supremacistas brancos e havia integrado ao Exército de Deus.

Segundo Rudolph declarou em 13 de Abril de 2005, durante sua condenação sobre a motivação do atentado:

“No verão de 1996, o mundo convergiu para Atlanta para os Jogos Olímpicos. Sob a proteção e os auspícios do regime em Washington, milhões de pessoas vieram celebrar os ideais do socialismo global. Corporações multinacionais gastaram bilhões de dólares, e Washington organizou um exército de segurança para proteger esses jogos, considerados os melhores de todos. Embora a concepção e o propósito do chamado movimento olímpico seja promover os valores do socialismo global, perfeitamente expressos na canção "Imagine ", de John Lennon, que foi o tema dos Jogos de 1996, o objetivo do ataque de 27 de julho foi confundir, irritar e envergonhar o governo de Washington perante o mundo por sua abominável aprovação do aborto a pedido. O plano era forçar o cancelamento dos jogos, ou pelo menos criar um estado de insegurança para esvaziar as ruas ao redor dos locais de competição e, assim, consumir as vastas quantias de dinheiro que haviam sido investidas neles.”

Um fato que chama aqui a atenção sobre esse perfil de atentado promovido por Rudolph, é que ele reflete justamente como os Estados Unidos estava lidando durante a década de 1990 com um cenário violento  relacionado aos  aspectos do terrorismo doméstico junto ao movimento do  extremismo religioso cristão que marcaram episódios trágicos na história social americana como o Cerco de Waco em 1993, onde a polícia tentava  libertar os reféns da seita religiosa Davidiana  de David Koresh(1959-1993) e a Explosão do Prédio de Oklahoma ocorrido em 1995, onde seu respectivo autor Timonty McVeigh(1968-2001), um veterano da Guerra do Golfo, quis vingar pelo Cerco de Waco.





Junte também ao fato que fazia bem uns vinte anos que as agências americanas estavam à procura de outro temido terrorista doméstico chamado de Ted Kaczynski (1942-2023), mais conhecido como Unambomber, um ecoterrorista que por volta de 1978 a 1995, foi responsável por enviar bombas nas universidades americanas, cujas explosões ocasionaram em mortes e foi somente na última vez que ele enviou uma carta aos jornais, que seu texto foi reconhecido por seu irmão David que fez contato com o FBI, informou o seu paradeiro que morava numa cabana, dentro da floresta, vivendo uma vida rústica, sem água encanada, que do jeito que o lugar era um verdadeiro chiqueiro e do jeito que o cara era um  sujismundo  ele devia cheirar mal à beça, principalmente quando foi preso em 1996, ele cumpriu prisão em Adx Florence até o seu falecimento em 2023.

 


 

 

 

 

DRAMATIZAÇÃO NO CINEMA




Em 2019, esse episódio foi retratado no filme O Caso Richard Jewell(Richard Jewell, EUA, 2019), esse drama biográfico que contou com a direção e produção de Clint Eastwood, com roteiro assinado por Billy Ray, que baseou a estrutura do roteiro no artigo da jornalista Marie Brenner publicado em 1997 na importante revista Vanity Fair e no livro investigativo O Suspeito: Um Atentado nas Olimpíadas, o FBI, a Mídia e Richard Jewell, o Homem Preso no Meio de autoria de Kevin Salwen e Kent Alexander, publicado em 2019,  ainda sem tradução para o português.



A maneira como a história é narrada, mesmo se baseando nos fatos verídicos de conhecimento público, ainda assim foram impressas umas doses de licenças poéticas.

A trama é narrada pela ótica do Jewell(Paul Walter Hause), tendo como ponto de partida o dia anterior da trágica explosão, com ele no Parque Centenário prestando o seu serviço de segurança observando a multidão prestigiando a apresentação musical de Kenny Rogers(1938-2020), o famoso ícone da música country.





 E temos então a reconstituição do trágico dia da explosão, onde mostra a ligação de Rudolph a um telefone público próximo ao Parque Centenário falando da bomba, enquanto que acompanhamos Jewell alertando para o povo se afastar.

Em paralelo, somos apresentados a jornalista Kathy Scruggs(Olivia Wilde) na redação do jornal The Atlanta Journal, querendo investigar o caso e ao se informar com um agente do FBI, que lhe passa a informação equivocada que Jewell era o suspeito  e ela passa essa informação, começou o calvário na vida de Jewell, com o FBI confiscando seus bens cuidando de sua pobre mãe doente Barbara “Bobi” Jewell(Kathy Bates) e a única pessoa que vai ser possível lhe defender é o advogado Watson Bryant(Sam Rockwell) que vai responsável pelo desfecho da reviravolta no seu caso e provar sua inocência.

Essa produção que consumiu cinco anos para ser concretizada, desde que foi anunciado em Fevereiro de 2014, onde as primeiras pessoas envolvidas nesse projeto foram: os atores Jonah Hill que seria o protagonista Jewell cujo papel acabou ficando com Paul Walter Hauser e Leonardo DiCaprio que foi cotado para ser Bryant o advogado de defesa de Jewell que ficou com Sam Rockwell.

Antes de Eastwood assumir a direção e produção, os primeiros diretores cotados foram: Paul Greengrass e Ezra Edelman e todas essas passadas de mãos e o único nome que se manteve desde o início foi do roteirista Billy Ray e sem nenhuma novidade sobre o desenvolvimento do projeto até começarem as filmagens em Atlanta em Junho de 2019.  

Do elenco vale mencionar o brilhante desempenho de Paul Walter Hauser como o protagonista, ele consegue bem transmitir a essência do Jewell como um sujeito com ares excêntricos, ainda mais quando lida com a loucura do circo midiático que sua virou após virar o suspeito da explosão, cujas únicas pessoas que lhe dão apoio nesse momento é sua mãe de quem ele já cuidava e seu advogado.

Além dele, merece também menção o bom desempenho de Sam Rockell, na pele do Bryant, o seu advogado de defesa que na verdade “ele nunca representou um suposto assassino, muito menos alguém acusado de um ataque terrorista doméstico que matou duas pessoas e feriu outras 111”.(Retirada do site Oxygen, de 26 de Dezembro de 2019).

Era um advogado imobiliário com quem Jewell já conhecia e é mostrado no filme que Bryant foi seu empregador no escritório que ele prestou serviço antes de virar o segurança dos Jogos Olímpicos, ele vai assumir uma importante função numa cena em que quando ele vai direção aos telefones públicos de onde foram feita a ligação antes da explosão, ele vai notando uma verdadeira inconsistência que prova que não podia ser Jewell o autor da bomba ao verificar o distanciamento do lugar dos telefones públicos para o Parque Centenário e o tempo entre a ligação e a explosão, e isso vai ser o ponto de virada para provar sua inocência. Ainda que de fato, isso não tenha ocorrido, pelo menos serviu para condensar uma importante figura heroica de porto seguro para ele naquele momento complicado da sua vida, o que fortaleceu uma forte relação de amizade entre os dois, ao ponto de quando Bryant se casou com  Nadya Ligth, sua assistente que aparece no filme representada por Nina Arianda, e tiveram filhos, eles contrataram a mãe de Jewell, Bobi para ser uma babá deles semanalmente.

A mãe de Jewell, Bobi Jewell* que foi muito bem representada no filme por Katty Bates, que transmiti bem em cena a sensação dolorosa de ver seu filho ser injustamente incriminado por esse crime que não cometeu e que devido a uma série de equívocos o tornou suspeito. A cena dela numa coletiva de imprensa, implorando as lágrimas pela inocência é de cortar o coração.  Por esse desempenho, ela chegou a receber uma indicação no Oscar 2020 na categoria de melhor atriz coadjuvante.

Na ocasião do lançamento do filme, ela que ainda estava viva declarou publicamente seus elogios a maneira como o filme veio para preservar a memória de seu filho que havia falecido 12 anos antes, e mostrar como equívocos podem mudar a vida de uma pessoa. Bobi Jewell faleceu em 2024, aos 88 anos, em Atlanta.

E outra menção ao elenco vai para Olivia Wilde no papel da jornalista Katthy Scrugs(1958-2001), a responsável pela informação equivocada da suspeita do FBI em torno de Jewell que fez sua vida virar do avesso.




A maneira como ela foi retratada na obra gerou uma polêmica na época do lançamento, principalmente pelo momento onde mostra ela dialogando com um agente do FBI num bar oferecendo sexo em troca de informação, isso levou ao editor do Atlanta Journal  Kevin Riley manifestar-se  em defesa dela:

Não consigo acreditar que os cineastas escolheriam retrata-la dessa forma, especialmente porque não há nenhuma evidência de que ela tenha feito essas coisa que eles a retratam fazendo”.

Riley não chegou a trabalhar com Scruggs, mas ouvindo depoimentos de ex-colegas dela no jornal para manifestar essa postura em defesa dela, sobre o seu perfil obstinada, que trabalhava duro para conseguir umas informações.

Isso ocorreu pelo fato de que Katthy Scruggs já era finada na ocasião do lançamento do filme, a jornalista faleceu em 2001, aos 42 anos, vítima de uma overdose de medicamentos.

No entanto, apesar dessa representação equivocada escolhida ao abordar a personagem para o filme, pelo menos a sua interprete soube bem como desempenhar o perfil um tanto arrogante ao qual ela foi desenhada com ares vilanescos para a gente sentir mesmo uma repulsa dela, principalmente da forma como ela acabou transformando a vida de Jewell do avesso.

O filme se conclui mostrando uma cena que se passa sete anos após todos os acontecimentos após a explosão, onde Jewell numa delegacia prestando serviço de policial recebe a visita de Bryant e ele o informa da captura de Rudolph.

Nos anos que se seguiram,  Jewell foi exigindo reparação da parte da imprensa pelas difamações que o equívoco da mídia causou em sua vida.

Dois anos após o episódio do Atentado durante os Jogos Olímpicos de Atlanta, Jewell conheceu Dana com quem se casou em 2001, com ela viveu numa fazenda na Geórgia criando animais de estimação até Jewell falecer em 2007, aos 44 anos, vitimado pela diabetes. Eles não tiveram filhos.

*Esse sobrenome é do segundo marido de Barbara Bobi Jewell, John Jewell, um executivo de seguros que a conheceu quando ela estava com Richard pequeno que ao nascer foi registrado como Richard White, sendo filho de Robert Earl White e quando o seu padrasto John o adotou passou a assinar com o sobrenome dele.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

25 ANOS SEM O ETERNO SHAIDER

 

No dia 24 de Julho de 2001, falecia o ator Hiroshi Tsuburaya(1964-2001), o eterno Shaider da série Policial do Espaço Shaider(Uchuu Kenji Shaidá, Japão, 1984-1985).





Série que foi a terceira produção da franquia Metal Hero, que no Japão havia antecedido Jaspion, mas que aqui no Brasil  só estreou em 1991, depois que a onda das séries tokusatsu que deram início em 1988 justamente com Jaspion e Changeman já estavam consolidado.

Hiroshi Tsuburaya nasceu no berço de uma importante família que construiu uma importante marca no Tokusatsu.

Trata-se da Tsuburaya Productions, responsável pela franquia Ultraman, fundada por seu avô Eiji Tsuburaya(1901-1970), ele era filho do diretor Hajime Tsuburaya(1931-1973), onde ele inclusive o representou num episódio especial de Ultraman Tiga(1996-1997) dedicado aos 30 anos da franquia.




Tsuburaya faleceu precocemente aos 37 anos, como consequência de um câncer no fígado devido ao vício em alcoolismo que ele foi desenvolvendo ao longo dos anos.

Im Memoriam.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

QUANDO A NORUEGA SOFREU UM ATENTADO TERRORISTA

 

Há 15 anos, no dia 22 de Julho de 2011, a Noruega que recentemente foi adversária do Brasil nessa Copa e nos eliminou nas oitavas-de-final e nas quartas-de-final foi eliminada pela Inglaterra.




Viveu um pesadelo por conta das explosões ocorridas em “zona de edifícios governamentais da capital, Oslo, e num tiroteio ocorrido poucas horas depois, na ilha de Utøya, situada no lago Tyrifjorden, condado de Buskerud. Os atentados, perpetrados por um militante da extrema-direita chamado Anders Behring Breivik, resultaram na morte de 77 pessoas (69 jovens integrantes do Partido Trabalhista Norueguês em Utøya e 8 pedestres em Oslo), deixando mais de 300 feridas também.” (Wikipédia).




Para compreendermos as motivações desse massacre vamos primeiramente conhecer um pouco quem foi seu autor.

Nascido em Oslo, em 1979, Anders Breivik é filho de uma enfermeira e de um economista civil que prestou serviço como diplomata nas embaixada de Londres e Paris.




Quando criança, Anders estudou na Smestad Grammar School, no Ris Junior High, nas escolas secundaristas Hartvig Nissens e Oslo Commerce School.

Ele escolheu passar pela crisma na luterana Igreja da Noruega aos 15 anos de idade.Mais tarde, o jovem Breivik foi isento do recrutamento para o serviço militar no exército norueguês e não recebeu treinamento militar — o Departamento de Defesa Norueguês que conduziu o processo de análise declarou que ele foi considerado "inapto para o serviço militar" na avaliação obrigatória de recrutamento.




Em 1997, aos 18 anos, o norueguês perdeu 369 mil dólares no mercado de ações. Mais tarde, aos 21 anos de idade, Anders trabalhava no departamento de atendimento ao cliente de uma empresa norueguesa. De acordo com seus supervisores ele interagia com "pessoas de todos os países" e era "gentil com todos". Um ex-colega de trabalho descreveu-o como um "colega excepcional", e um amigo próximo afirmou que Breivik normalmente ostentava um grande ego e que podia perder a calma facilmente com pessoas originárias do Oriente Médio, ou do Sudeste Asiático.

Segundo o próprio Breivik, ele teria começado a planejar o atentado aos 23 anos, não existe evidencias de que ele teria recebido ajuda, mas a polícia não descarta essa hipótese.

Breivik admitiu “vestir-se como um policial, entrar em 22 de julho de 2011, no terreno de um acampamento de jovens da Arbeiderpartiet norueguês (Partido dos Trabalhadores) na ilha de Utøya, abrir fogo contra as crianças e adolescentes presentes, matando pelo menos 68 deles naquele momento. Ele também confessou a autoria das explosões combinadas ocorridas duas horas antes em Oslo. Anders Behring Breivik foi preso em Utøya, onde ficou sob custódia da polícia.”

O terrorista chegou a publicar na Internet no dia do atentado, o manifesto textual de sua ideologia de extrema-direita, e um vídeo no Youtube.

Nesses escritos, Breivik expressava sua visão de mundo bastante deturpada, onde expunha categoricamente o seu posicionamento de conservadorismo cultural radical, islamofobia, homofobia, racismo e antifeminismo.

Também expunha o posicionamento contra o marxismo cultural e o Islã como as maiores ameaças a Cristandade Moderna, bem o exemplo do pânico moral.

Chegou a se autoproclamar Cavaleiro Templário da Noruega.

No dia 29 de novembro de 2011, uma junta de psiquiatras emitiu um relatório diagnosticando que o terrorista norueguês sofria de Esquizofrenia paranoide e que encontrava-se em estado psicótico durante o exame e também quando matou as 77 pessoas. O atirador foi considerado como criminalmente insano, estando sujeito a ficar confinado em um centro de tratamento psiquiátrico possivelmente pela vida toda. Um ano mais tarde, entretanto, uma segunda avaliação psicológica foi ordenada pelo tribunal e os especialistas consultados concluíram que os atos de Breivik foram resultado de um narcisismo patológico, e que suas ações derivaram de "crenças extremistas supervalorizadas", não de delírios causados por qualquer enfermidade cerebral, e portanto ele poderia ser penalmente responsabilizado pelos seus crimes.

Breivik é o que os pesquisadores chamam de "terrorista em busca de fama"— ele escolheu ser capturado, distribuiu fotos e um manifesto com objetivo de aumentar sua notoriedade. Ele queria que seu público o visse como um “lutador pela liberdade” agindo contra uma ameaça islâmica imaginária, quando na realidade ele era um fantasista cheio de ódio que carecia de conexões sociais ou ocupações significativas. Como muitos criminosos semelhantes, ele ingressou nesse comportamento antissocial e terrorista durante um momento solitário de sua vida.”

Breivik foi condenado no 14 de Agosto de 2012, “a 21 anos de prisão prorrogáveis, sendo declarado responsável pelas 77 mortes causadas em um duplo atentado no dia 22 de julho de 2011, em Oslo e na ilha de Utoya, na Noruega, ao disparar contra um acampamento de jovens trabalhistas depois de detonar uma bomba perto da sede do governo norueguês. Por decisão do tribunal de Oslo, a sentença é prorrogável e pode se estender indefinidamente caso a Justiça norueguesa entenda que o réu continua a representar um perigo para a sociedade.”

Após sua condenação, Breivik chegou a ser aceito como aluno da Faculdade de Ciências da Noruega, desde que ficasse permanecendo na prisão.

Em 2017, Breivik foi impedido de publicar um livro que escreveu durante o cárcere e retornou novamente aos noticiários após mudar seu nome para "Fjotolf Hansen" — um nome considerado inusitado entre os noruegueses, uma vez que faz alusão à palavra "Fjott", que significa literalmente "idiota" na língua oficial do país.


  
Marcha das Flores organizada em 25 de Julho de 2011, em memória
das vitimas. 


A última vez que se soube alguma notícia atualizada de Breivik, foi quando em 2022 a justiça norueguesa negou o seu pedido de liberdade condicional.  Nessa audiência ele fez a saudação nazista para os juízes.

No dia 18 de Junho de 2022, foi inaugurado um memorial em homenagem às vítimas dos atentados terroristas de Julho de 2011, onde foram inclusos 77 colunas de bronze, que representam cada uma das pessoas mortas covardemente pelos ataques promovidos por Breivik, situado perto do cais de Utoya, sua forma é de uma escada, desenhando uma grande curva que desce em direção ao mar.   



 

 

sábado, 18 de julho de 2026

A JORNADA DE JASÃO E OS ARGONAUTAS

 

Para entrar no clima do lançamento do novo épico A Odisséia, com direção de Christopher Nolan, uma nova adaptação cinematográfica do clássico literário de Homero.

Trago aqui um comentário do clássico épico de fantasia inspirado na jornada heroica de outro mítico herói da Grécia Antiga, o Jasão em Jasão e os Argonautas (Jason and the Argonauts,EUA,Reino Unido, 1963).




 Uma produção britânico-estadunidense que contou com a direção do britânico Don Chaffey(1917-1990). Cujo roteiro escrito por Jan Head(1917-2012) e Berveley Cross(1931-1998) foi inspirado no poema grego de As Argonáuticas de Apolónio de Rodes (295 a.C-215 a.C) e cuja produção-executiva foi assinada por John Dark(1927-2015).






Produção essa marcada pelos efeitos de animações em stop motion das criaturas que contou com a colaboração de um mestre nessa arte que foi o americano Ray Harryhause(1920-2013) e com colaboração de Charles H. Schnner(1920-2009) e cuja trilha sonora foi assinada pelo também americano Bernard Herman(1911-1975).

       A movimentação desses bonecos dão um tom realismo, que dificilmente os atuais recursos mais modernos de CGI conseguiriam replicar.

       Junto a estrutura narrativa de toda a jornada heroica de Jasão enfrentando todos os maiores desafios, contando claro com a colaboração da Deusa Hera e seus companheiros argonautas enfrentando criaturas e feiticeiras.

Cuja menção ao brilhante elenco vai para o americano Todd Armstrong(1937-1992) na pele do protagonista Jasão, que mostra um excelente desempenho na sua essência heroica e destemida.  

 O seu elenco também conta com a participação da britânica Honor Blackman(1925-2020), que no filme fez um bom desempenho como a Deusa Hera que assume a função de ajudar Jasão.

Essa mesma que no ano seguinte faria a famosa bond girl Pussy Galore no filme 007 Contra Goldfinger(Goldfinger, Reino 1964) o terceiro estrelado por Sean Connery(1930-2020).

Outras menções ao elenco representando importantes da mitologia grega são: a Nancy Kovac na pele da Medeia, Gary Raymond como Acasto, Laurence Naismith(1908-1992) na pele do Argos, Niall MacGinnis(1913-1977) na pele do Zeus, Michael Gwynn(1916-1976) na pele do Hermes, Douglas Wilmer(1920-2016) na pele do Pélias, Nigel Green(1924-1972) na pele do Hércules, Patrick Trougton(1920-1987) na pele do Fineu, Jack Gwillim(1909-2001) na pele do Rei Eetes, John Cairney(1930-2023) na pele do Hilas e Andrew Faulds(1923-2000) na pele do Phalerus.

Apesar dos efeitos especiais se mostrar um tanto datado, pelo menos é uma produção que mostrava bem ter seu charme e sua qualidade de produção, ainda mais levando em conta que ele foi lançado no período em que as produções épicas monumentais históricas e de fantasia estavam entrando em declínio em Hollywood.

Principalmente depois do fracasso do filme Cleópatra(1963), estrelado pela estrela Elizabeth Taylor(1932-2011).

Portanto, essa produção reflete o começo da decadência do subgênero escapista dos filmes monumentais de fantasia em Hollywood e épicos históricos.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

QUANDO AS FALSAS TCHECAS ENGANARAM O PÃNICO

 

 Imagine uma dupla feminina de modelos que estrelou um quadro de um popular programa de televisão humorística se dizendo que são da República Tcheca*, mas que na verdade era tudo zoeira. Vindo da marca de cerveja concorrente da sua patrocinadora oficial. Isso ocorreu sim, de fato, para entender o contexto aqui vai a explicação.




Em 2011, a dupla gringa formada pela eslovaca Michaela Matejkova e pela inglesa Alicia Seffras(Dominika), ou seja, não eram naturais da República Tcheca. Eram duas modelos que estrelavam o famoso quadro Tchecas do Brasil do programa brasileiro Pânico na TV! (2011) na ocasião que o programa ainda estava na RedeTV, que fingiam serem tchecas apaixonadas pelo Brasil. Elas eram na verdade garotas-propaganda da cerveja Proibida, uma ação de marketing viral que enganou o programa e gerou polêmica.




 Ocorre que o Pânico tinha patrocínio da Skol, concorrente da Proibida. A produção do programa alegou não saber que elas eram garotas-propaganda e entrou com ações judiciais contra a cervejaria, que investiu R$ 60 milhões na campanha. A ação foi um sucesso de marketing viral, mas gerou muitas discussões sobre ética e publicidade na época e com um processo movido pelo órgão da CBBP-Companhia Brasileira de Bebidas Premium, mas que a justiça deu ganho a RedeTV.




Essa publicidade toda resultou das duas perderem e estrelarem a capa de Julho de 2011, da extinta revista Playboy Brasil, pouco tempo depois o Pânico se transferiu para a Band em 2012 e ficou até 2017.







Sobre o atual paradeiro dessas duas modelos, o pouco que se sabe é que a eslovaca Micaela trabalha como personal trainer e com  estética na Europa, mantendo suas redes sociais reservadas e a britânica Alicia Seffras que era conhecida como Dominika vive atualmente reclusa e longe dos holofotes.

*País localizado na Europa Central, sem saída para o mar. É exprimido nas fronteiras da Polônia, Alemanha, Áustria e Eslováquia. Séculos atrás esse país quando foi chamado de Boémia compunha o reino do Império Austro-húngaro. Durante o período da temida ditadura comunista soviética onde esse território a Cortina de Ferro, essa nação foi chamada de Checoslováquia. Até que após o fim da Cortina de Ferro o pais se dividiu em República Tcheca e Eslováquia, que é de onde nasceu uma das modelos e atualmente está sendo referida dentro da geopolítica como Tchéquia.