A história de como ele conheceu e
fundou a trupe do Casseta & Planeta
aconteceu quando no final dos anos 1970, três amigos que se conheceram na
UFRJ formado por: Beto Silva, Marcelo Madureira e Hélio de La Peña, juntos
criaram uma fanzine humorística chamada de Casseta Popular que logo
depois viraria uma revista que trazia uma estética anárquica de humor ácido
provocativo paródico, posteriormente ingressaram nesse grupo Claudio Manoel e
Bussunda.
E
o grupo aumentaria quando três amigos que trabalhavam para outra mídia impressa
humorística O Planeta Diário, uma sátira ao famoso jornal do Superman,
formado por três ex-redatores de O Pasquim: Reinaldo Figueiredo, Hubert
Aranha e Claudio Paiva ao se juntarem a eles formaram o Casseta &
Planeta.
O
fato deles terem começado a fazer humor no jornalismo explica o famoso lema
deles do “humorismo verdade, jornalismo mentira”.
O
ousado estilo ácido de humor provocativo que o grupo fazia nesse modelo
tradicional de mídia impressa foi colocado na TV quando eles primeiramente
ingressaram compondo a equipe de redatores da TV Pirata(Brasil,
1988-1992) que foi um embrião do que seria depois o Casseta e Planeta,
onde juntos de outros nomes importantes do humor brasileiro: como o escritor
Luís Fernando Verissimo(1936-2025), o
cartunista Glauco Villas-Boas*(1957-2010), o dramaturgo Mauro
Rasi(1949-2003) dentre outros.
Cujo
elenco era formado por atores surgido do teatro de variedades, que abordavam
sobre a comédia de costumes, também popularmente chamado pejorativamente de
besteirol e do revolucionário Asdrúbal Trouxe o Trombone, que já eram
estrelas popularmente conhecidas das novelas da Globo com nomes como: Diogo Villela, Débora Bloch, Guilherme
Karan(1958-2016), Cristina Pereira, Luiz Fernando Guimarães, Regina Casé, Ney
Latorraca(1944-2024) dentre outros exemplos.
Cuja
estética humorística também se conectava um pouco com o que a trupe fazia em satirizar
e provocar o cotidiano social brasileiro.
Em
seguida, eles fizeram carreira na música lançando um LP de humor.
Posteriormente,
mostrariam a cara e a coragem apresentando o programa Doris Para Maiores(Brasil,
1991), acompanhado da jornalista Doris Giesse e
somente em 1992, passariam a
comandar o programa Casseta & Planeta, Urgente, que durou 18 anos no
ar.
Foi
lá que eles ganharam a característica logomarca da cobrinha verde saindo do
globo terrestre que foi idealizado pelo designer austríaco-brasileiro Hans
Donner, que há mais de vinte anos prestava serviço a emissora desenhando
logomarcas marcantes de novelas e produzindo aberturas. Que simbolizava a união da Casseta Popular
e do Planeta Diário, a escolha da cobra foi bem apropriado para
simbolizar a identidade visual deles com o seu humor ácido.
Inicialmente
nesse programa, ele não contava com a presença de Maria Paula, a primeira
mulher a participar foi a jornalista Kátia Maranhão que não participava tanto
das esquetes, apenas comandava o programa dentro do estúdio assumindo a função
séria do jornalismo.
Só depois é que colocaram a Maria Paula,
egressa da extinta MTV Brasil para assumir a função de
ser como ela ficou popularmente conhecida de “A Oitava Casseta”.
Isso
porque o grupo era composto de sete homens formado por: Claudio Manoel, Beto
Silva, Bussunda, Marcelo Madureira, Hélio de La Peña, Hubert e Reinaldo.
Já
Claudio Paiva, ex-companheiro de Hubert e Reinaldo no O Planeta Diário
não os acompanhou nessa nova empreitada.
E
no que eles foram se consolidando na TV, foram se expandindo escrevendo muitos
livros de piadas, eu cheguei a ter um desses que foi o Seu Creysson: Vidia e
Obra(2002), sobre o tipo popular representado por Claudio Manoel.
Bussunda mostrava um ótimo talento artístico para
representar de forma caricata celebridades, representou muitas personagens
femininas quando parodiava novelas da Globo dentre outros.
QUANDO BUSSUNDA DESAGRADOU TIM MAIA.
Se teve uma celebridade que Bussunda tirou sarro
que não ficou nada satisfeito com sua imitação foi o cantor Tim
Maia(1942-1998), o ícone do funk e da soul music brasileira e junto a Roberto
Carlos formou uma banda chamada The Sputniks no final dos anos 1950, o
ameaçou publicamente de dar porrada ao vê-lo o imitando no Domingão do
Faustão em 1989.
Isso ocorreu como consequência do fato de Tim Maia que já estava agendado para se apresentar no programa, resolveu de última hora não querer se apresentar.
Ele apesar de carregar um brilhante talento para
compor e tinha um timbre de voz agudo inigualável que o tornava idolatrado, ao
mesmo tempo era uma pessoa de personalidade explosiva, encrenqueira que vivia
reclamando da qualidade do som, da falta de retorno, enfim, todos esses fatores
o tornavam uma pessoa difícil de lidar a ponto dele ficar com sua reputação
manchada por já ter brigado c
om Deus e o
mundo por assim dizer, principalmente ao se recusar a cumprir o compromisso das agendas
de shows.
Isso
já resultou dele criar desafetos com as
gravadoras, com os empresários que já o agenciaram para agendar seus shows e
esses se sentido lesados pelo não cumprimento
do compromisso moveram uma onda de processos na justiça contra ele, também
criou desafetos com músicos que perderam a paciência com ele sempre pedindo
para parar de executar uma canção por viver reclamando do som ou mesmo da falta de retorno no áudio ao acompanhá-lo nos
seus shows e ensaios, para piorar sua situação ele ainda enfrentou problemas
com a Receita Federal por não ter declarado seus impostos.
Isso
tudo fez ele chegar ao ponto de chegar a uma etapa da sua vida de falir
completamente.
Tanto
que ele chegou ao fundo do poço de ficar com a corda no pescoço, que foi
durante as festividades do Réveillon de 1997, Tim recebeu da justiça uma ordem de
confisco do seu imóvel e dos seus bens, em consequência do tanto de dívida que
já tinha acumulado até aquele momento.
Sua
saúde que já se encontrava fragilizada, em consequência do seu estilo
desregrado de sujeito vida louca. Com 55 anos e pesando 142Kg, Tim estava sentindo
os efeitos da cobrança que os excessos alimentares, misturado com as bebidas e com
drogas nas noitadas que costumava promover em sua casa, representaram para ele
naquele momento um fim melancólico da sua potente voz que ocorreu quando ele
passou mal na apresentação televisionada ocorrida em 8 de março de 1998 no
Teatro Municipal de Niterói(RJ).
Já
visivelmente debilitado e com a saúde comprometida por uma crise de hipertensão.
O cantor entrou no palco com atraso, tentou iniciar o repertorio cantando as primeiras
estrofes da canção Não Quero Dinheiro(Só
Quero Amar), não conseguiu dá continuidade e precisou ser retirado. Ele foi hospitalizado
e faleceu dias depois, em 15 de março de 1998.
Bom,
mas, voltando ao foco relacionado ao Bussunda, como ele entra aqui na história?
Simples, Fausto Silva estrategicamente contornou a situação comentando que Tim
Maia se apresentaria no Domingão na semana seguinte, ele então convidou a trupe
do Casseta & Planeta para se apresentarem
cantando o single do repertorio do LP Preto com um Buraco no Meio, que eles
gravaram pelo selo da gravadora WEA em 1989 cuja faixa principal Mãe é
Mãe, que trazia uma mensagem humorística de cunho depreciativo machista,
também trazia Bussunda fazendo imitação do Tim Maia e isso foi propicio para
no dia específico que eles se vingassem
de Tim Maia trazendo uma pessoa fazendo a imitação dele não só vocal mas,
também todo caracterizado de Tim Maia.
O
cantor ficou possesso de raiva ao ver aquilo que chegou a ligar “para o local dizendo que apareceria para
atirar em Bussunda, irritado principalmente com os enchimentos - "o cara
já é gordo para caralho e tá dizendo que é menos gordo que eu?"”
(Trecho
da Wikipédia retirado do livro biográfico Bussunda-A
Vida do Casseta do jornalista Guilherme Fiuza publicado em 2010 pela
editora Objetiva).
Digamos
que Bussunda, indiretamente se tornou uma das pessoas que virou um desafeto do
cantor por conta da sua imitação dele e como consequência disso ele passou
muitos sem ser convidado para se apresentar na Globo.
Já
quanto ao Bussunda, usufruiu bem do sucesso nos anos seguintes, depois que em
1992 o Casseta & Planeta ganhou
um programa próprio na emissora.
Chegou
a trabalhar em outras produções fora do Casseta
& Planeta, como quando fez uma participação na novelinha infantil Caça Talentos (1996-1998) e no filme Zoando na TV(1998) e chegou a trabalhar
em dublagem fazendo a voz do ogro verde Shrek nos filmes: Shrek(2001)
e em Shrek 2(2004), que logo após seu
falecimento em consequência de um ataque cardíaco sofrido quando ele estava na Alemanha com parte do
grupo para fazer a cobertura da Copa do Mundo de 2006, quem passou a dublar o
ogro foi Mauro Ramos.
Grande
Bussunda, como o seu humor faz falta para o Brasil de hoje.
*O cartunista Glauco era sobrinho de
Orlando(1914-2002), Claudio(1916-1998) e Leonardo Villas-Boas(1918-1961), o
famoso trio de irmãos exploradores que descobriram o Parque Nacional do Xingu.
Cuja história foi contada no filme Xingu(2011).
Glauco foi brutalmente assassinado em 12
de Março de 2010, dois dias após completar 53 anos. Pelo frequentador da Seita
do Santo Daime que ele comandava que assassinou seu filho Raoni. Um rapaz com
longo histórico de transtorno mental. O assassino foi assassinado em 2016
quando estava cumprindo pena em um presidio em Goiás por outros crimes sem
relação ao assassinato de Glauco.




































