No
dia 20 de Maio de 1991, estreava no SBT a novela Carrossel, no caso a
versão mexicana.
Foi
a novela que marcou pela dor de cabeça causada a concorrente Rede Globo.
“Verdadeira pedra no sapato da Globo em 1991,
quando tirou audiência do Jornal Nacional e da novela O Dono do Mundo,
Carrossel poderia ter sido comprada pela emissora da família Marinho, mas o
folhetim mexicano da Televisa foi esnobado e acabou indo parar no SBT. A novela
infantil fez muito sucesso na época.”
(Thell
de Castro em matéria do Notícias da TV de
19 de Abril de 2020).
Nessa
mesma matéria Thell de Castro cita um trecho da matéria da matéria da Folha de
São Paulo de 29 de Junho de 1991 sobre a novela ter sido oferecido a Globo pela
Televisa:
"Acho que Carrossel nem
foi vista na Globo", disse ao jornal a então vice-presidente da Salles
Vídeo Internacional, Marina Galliez, que representava a emissora mexicana no
Brasil. "Carrossel foi comprada pelo SBT por US$ 300 mil".
Exibida
originalmente no México entre os dias 16 de Janeiro de 1989 a 1º de Junho de
1990 no Canal de Las Estrellas com
produção da Televisa.
Carrossel foi baseado no texto original
argentino intitulada de Jacinta Pichimahuida, la maestra que
no se olvida(1966) de autoria do dramaturgo Abel Santa Cruz(1915-1995) que se trata de uma
importante franquia literária surgida nos anos 1940 numa revista intitulada de Partoruzú,
que ao superficialmente pesquisar sobre do que se tratava essa revista, descobri
se tratar de um popular personagem cartunesco de História em Quadrinhos na Argentina criado pelo cartunista Dante Quinterno(1909-2003)
que nos anos 1960 ganharia compilação intitulada de Cuentos
de Jacinta Pichimahuida.
Logo em seguida, essa
franquia seria adaptada para os meios de comunicação, virou radionovela e
depois ganhou adaptações para telenovelas.
Essa
versão mexicana foi uma dentre as diferentes versões adaptadas desse texto
original argentino.
Sendo
que ela foi a primeira que grande parte de nós brasileiros tiveram contato com
essa adaptação do texto de Abel Santa Cruz.
Que
inclusive ganharia anos mais tarde sua versão brasileira no SBT.
Nessa
versão mexicana cujo roteiro foi
adaptado por Valéria Phillips, ela que já carregava em seu currículo de
roteirista ter escrito a novela Os Ricos
Também Choram(Los Ricos Tambíen Lloran, México, 1979-1980) de Inés Rodena(1925-1985), que não por
acaso foi a primeira trama mexicana que o SBT começou a exibir na década de
1980, e posteriormente escreveu a trama de Marimar(México,
1994), a segunda da trilogia das Marias estrelada pela estrela da música Thalia,
que passou aqui no Brasil e que foi inspirado numa criação Inés Rodena.
Já sua direção contou com Albino Corrales e
Pedro Damián, esse inclusive tem no currículo uma novela que passou no SBT nos
anos 1980, estou falando de Chispita(México,
1982-1983), que curiosamente também teve sua história baseada numa obra de Abel
Santa Cruz, que conexão curiosa essa não?
Nessa
adaptação para a novela Carrossel do
México, a professora Jacinta, que o autor Abel Santa Cruz se inspirou na sua
professora real teve o nome alterado para Professora Helena representada por
Gabriela Rivero.
Mas
a estrutura seguia a mesma, com algumas alterações, que é toda ambientada no
cenário escolar mostrando o cotidiano dos alunos da 2º Série do Ensino
Fundamental da Escola Mundial, onde a Professora Helena leciona.
Onde
a gente acompanhava a vivência de cada aluno fora da escola, em seus ambientes
familiares. Onde cada um simbolizava diferentes classes sociais e mostrava seus
respectivos dramas.
Essa
produção foi adquirida pelo SBT que investiu um dinheirão para exibir em sua
grade. Visto que a emissora já carregava um longo histórico de parcerias com as
produções do México que começou justamente quando ela exibiu Os Ricos Também Choram e começou a
exibir o humorístico de Chaves.
A emissora fundada pelo apresentador pioneiro
da televisão brasileira Silvio Santos(1930-2024) em Agosto de 1981, que agora
em 2026 vai completar 45 anos, sempre foi vista como uma fraca referência nas
produções próprias de teledramaturgias, visto que as primeiras produções de
novelas eram bem amadoras, longe de chegar aos pés do profissionalismo
hollywoodiano da Globo.
Tanto que naquele período de final dos anos 1980 e começo dos anos 1990, a emissora vivenciou dois fracassos de novelas que foram: Cortina de Vidro(1989-1990) novela que marcou a estreia de Walcyr Carrasco como autor-titular e Brasileiros e Brasileiras(1990-1991) de autoria de Carlos Alberto Sofredini(1939-2001).
Antes
de fundar o SBT, Silvio Santos já tinha passado por uma experiência
desagradável nesse setor de teledramaturgia quando investiu na produção de O Espantalho(1977) escrita por Ivani
Ribeiro(1922-1995) que foi exibida pela Rede Record e teve produção de sua
produtora a Estúdio Silvio Santos.
O
retorno não tão esperado dessa novela mostrou a Silvio Santos que o
investimento nesse setor de teledramaturgia não é tão simplista quanto investir
em programas de auditório.
Talvez
por isso, Silvio Santos via como mais viável importar as tramas mexicanas, para
exibir em sua grade de programação pagando pela dublagem e foi nesse contexto
que Carrossel acabou chegando com o
desafio ingrato de ser uma aposta de
salvação da emissora. Ainda mais agravado pelos efeitos da crise econômica que
o Brasil vinha passando do Governo do então Presidente da República Fernando
Collor de Melo que havia mandado confiscar as poupanças de nós brasileiros e o
SBT sentiu um pouco desse efeito e para isso criou o título de capitalização Tele Sena.
Inclusive
quando a atriz e interprete da Professora Helena Gabriela
Rivero veio na época conhecer as terras brasileiras, foi
recepcionada em Brasília pelo então Presidente Collor foi ser entrevistada no programa
Show de Calouros.
“Embarque
nesse Carrossel. Onde o mundo faz de
conta. A Terra é quase o céu”.
O sucesso de Carrossel fez o SBT lançar um LP com a trilha musical com artistas
nacionais que contou com o envolvimento dos selos da SBT Music, RCA Victor e
BMG Ariola.
O repertório do LP continha 12 faixas, que
abre com a canção de abertura Carro-Céu interpretada
pelo quarteto de palhaços Super Feliz
que se apresentavam nos programas de auditório, seguida de Acorda Pai, cantado pelo famoso conjunto musical infantil do Trem da Alegria, na faixa 3 temos Ciranda que foi cantada por Marianne,
que no final dos anos 1980 e começo dos anos 1990 foi uma popular apresentadora
infantil do SBT, na faixa 4 temos Hino à
Criança do Grupo Papillon, na faixa 5 Sonho
de Amor de Patrícia Marx, na faixa 6 Varinha
de Condão cantada por Maria que é só como ela é creditada, na faixa 7 O Nascer do Sol cantada por Amado
Batista, na faixa 8 Amiga Professora
cantada por uma cantora que é apenas creditada como Grayce, na faixa 9 temos O
Passarinho que é um duo de José Augusto com o Trem da Alegria, na faixa 10
temos Nem Tudo Que Reluz é Ouro que
também é cantada por Marianne, na faixa 11 temos Canção do Papai que creditada a uma cantora com o nome da Laura e a
faixa 12, a última do disco temos Segredos
da dupla Luan e Vanessa.
Como se pode observar, a produção desse disco
da novela contou com suas faixas cantadas pelos mais famosos artistas populares
brasileiros. Isso fora o envolvimento da
renomada dupla musical Michael Sullivan e Paulo Massadas que aparecem
creditados como os compositores da faixa 5 cantada por Patrícia Marx, do mesmo
modo que aparece creditado como
compositores Arnaldo Saccomani(1949-2020) grande produtor musical brasileiro
que divide a autoria da composição da faixa 6 ao lado de Roberto Manzoni(1949-2023), popularmente
diretor da emissora conhecido como
Magrão, que foi um dos primeiros diretores do SBT e foi o responsável por dirigir
os primeiros programas de Gugu
Liberato(1959-2019), este que foi uma cria da emissora.
Assim como vale menção a participação de Ed
Wilson(1945-2010), um artista que surgiu no movimento da Jovem Guarda nos anos 1960, onde
tocou junto de seus irmãos: Renato Barros(1943-2020) e Paulo César Barros na
banda Renato e Seus Blues Caps que no
disco da trilha de Carrossel divide a autoria da faixa 10 ao lado de Chico
Roque e de Paulo Sérgio Valle, este que vem a ser irmão do cantor Marcos Valle.
“A explicação passava pela
maneira com que Carrossel contava sua história e apresentava diálogos. O caráter
dos personagens era visível desde a primeira vez que entravam em cena. A novela
também era considerada ágil, e as histórias continham arcos narrativos que se
encerravam em pouco tempo. Nada que se arrastasse ao longo de meses.
“
(Texto
de Thiago Forato em matéria do site NaTelinha de 2021, sobre os 30 da Estreia
de Carrossel).
SILVIO SANTOS EXIGIU QUE AS CRIANÇAS FOSSEM
DUBLADAS POR CRIANÇAS.
Um fato curioso sobre sua dublagem feita no
estúdio carioca da Herbert Richers é que atendendo a uma exigência de Silvio
Santos, que queria que as crianças fossem dubladas por crianças, então foi
feita a seleção, dentre essas crianças que foram lançadas na novela e cresceram
fazendo carreiras na dublagem há nomes
tais como: Fernanda Barone que dublou a Valéria papel de Krystel Klitbo e sua
irmã Flávia Saddy que dublou a Alicia
vivida por Silvia Guzman, essas duas são filhas
de Marlene Costa, a voz da
Professora Helena que também dirigiu a dublagem da novela e não por acaso
dublou a voz de Gabriela Rivero na sua entrevista ao Show de
Calouros.
Outro nome curioso presente nessa dublagem é
o de Robson Richers, que dublou o Davi, vivido por Joseph Birch, ele é sobrinho
do falecido Herbert Richers(1923-2009), o empresário que deu nome ao extinto
estúdio de dublagem, atualmente Robson Richers está afastado da dublagem. Alguns
personagens meninos foram dubladas por meninas como: Priscila Gonçalves que
dublou o Kokimoto, papel de Yoshiki
Takiguchi, Gabriela Bicalho dublou o
Cirilo vivido por Pedro Javier Viveros e Fernanda Crispim que dublou o abusadinho
do Jorge, papel de Rafael Omar Lozano.
O único personagem do núcleo principal
formado pelas crianças da Escola Mundial que não foi dublado por uma criança
mesmo, mas sim por um adulto foi Mário Ayala, papel de Gabriel Castañon que foi
dublado pelo saudoso Cleonir dos Santos(1944-1998).
Aliás, alguns nomes da marcante dublagem da
extinta Herbert Richers já partiram infelizmente, nesse passar de 35 anos que a
novela estreou do mesmo modo que alguns
atores que participaram da novela dentre os falecidos dubladores estão: Sonia
de Moraes(1932-2010) que na novela dublou a voz da autoritária e repugnante diretora Olivia vivida por Beatriz Moreno,
Sumára Louise(1949-2024) que dublou a Professora Susana vivida por Janet Ruiz
que entrou na história para substituir a Professora Helena quando ela se
acidenta num ônibus.
Também
faleceram do elenco de dublagem: Jomeri
Pozzolli(1939-2014), que dublou o Firmino, o simpático porteiro da Escola Mundial, muito querido pelas
crianças que foi alternado na pele dos falecidos atores Augusto
Benedico(1909-1992) e do porto-riqueno Armando Calvo(1919-1996), existe poucas
informações oficias sobre o que levou a
essa mudança, a explicação não-oficial é
de que Augusto Benedico havia falecido durante a produção da novela quando ela
ainda estava em curso, ai tiveram que fazer essa substituição, algo que seria
plausível se não tivesse como grande furada nessa história o fato de que Augusto Benedico havia falecido em Janeiro de
1992, quando a novela já tinha chegado ao fim no México e ainda estava sendo
exibida no Brasil só chegando ao fim no dia 21 de Abril de 1992.
Outros nomes falecidos do elenco de dublagem
de Carrossel são os de Paulo
Flores(1944-2003), que dublou o papel do Germano Ayala vivido por Marcial
Salinas que era pai do Mário Ayala, Ana Lúcia Menezes(1975-2021) que na época
estava com 16 anos quando dublou uma das crianças a Laura, papel de Hilda Chávez,
ela faleceu precocemente aos 46 anos após uma série de complicações de um AVC e
após ter contraído a Covid-19.
Assim como constam os nomes de Hamilton
Ricardo(1956-2015) que fez a voz do Rafael Palillo, interpretado pelo saudoso
Arturo García Tenorio(1954-2024), que para quem acompanhou a série Chapolin Colorado, o herói cômico de
autoria de Roberto Gómez Bolaños(1929-2014), o mesmo criador do Chaves deve se lembrar dele no episódio
do Bebê Jupteriano, onde ele
representou o próprio. Aliás, outro ator falecido que esteve no elenco de Carrossel do México, que também tem uma
conexão com Chaves é Chóforo
Padilha(1940-2013), filho do ator Raúl Padilha(1918-1994) que no seriado era o
carteiro Jaiminho. Em Carrossel ele
representou o papel do Golpista que é como seu personagem aparece creditado
dessa forma mesmo que foi dublado pelo saudoso Henrque Ogalla(1944-2020).
E até o momento em que escrevo esse texto, há
registrado o nome de mais três atores da versão mexicana assim como alguns
nomes da dublagem brasileira aqui mencionados que já são falecidos, dentre
esses nomes estão: Ada Carrasco(1912-1994), que representou o papel da bondosa
avô de Maria Joaquina, sua irmã Queta Carrasco(1913-1996) que representou o
papel de Tia Rosa e Johnny Laboriel(1942-2013), um popular cantor no México que
representou nessa versão de Carrossel, o
papel do carpinteiro José, pai do menino Cirilo.
Posso concluir que dessa versão de Carrossel especificamente falando, Jaime
e Cirilo já são órfãos de pai.
Do mesmo modo que posso concluir que a atriz
Ludwika Paleta, a interprete da mimada insuportável e racista da Maria Joaquina
foi a única do elenco principal dos alunos da Mundial dessa versão mexicana que
deu segmento a carreira artística, ela participou posteriormente de novelas que
o SBT exibiu como Vovô e Eu(El Abuelo
y Yo, México, 1992), Maria do Bairro(Maria
la del Barrio, México, 1995-1996) e Amigas
e Rivais (Amigas y Rivales, México, 2001) e em 2023 participou de uma
produção brasileira que foi na segunda temporada da série Dom(Brasil, 2021-2024) da Amazon Prime Video.















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