sexta-feira, 22 de maio de 2026

35 ANOS DA ESTREIA DE CARROSSEL MEXICANO.

 

No dia 20 de Maio de 1991, estreava no SBT a novela Carrossel, no caso a versão mexicana.




Foi a novela que marcou pela dor de cabeça causada a concorrente Rede Globo.

Verdadeira pedra no sapato da Globo em 1991, quando tirou audiência do Jornal Nacional e da novela O Dono do Mundo, Carrossel poderia ter sido comprada pela emissora da família Marinho, mas o folhetim mexicano da Televisa foi esnobado e acabou indo parar no SBT. A novela infantil fez muito sucesso na época.”

(Thell de Castro em matéria do Notícias da TV de 19 de Abril de 2020).

Nessa mesma matéria Thell de Castro cita um trecho da matéria da matéria da Folha de São Paulo de 29 de Junho de 1991 sobre a novela ter sido oferecido a Globo pela Televisa:

"Acho que Carrossel nem foi vista na Globo", disse ao jornal a então vice-presidente da Salles Vídeo Internacional, Marina Galliez, que representava a emissora mexicana no Brasil. "Carrossel foi comprada pelo SBT por US$ 300 mil".

Exibida originalmente no México entre os dias 16 de Janeiro de 1989 a 1º de Junho de 1990 no Canal de Las Estrellas com produção da Televisa.

Carrossel foi baseado no texto original argentino intitulada de Jacinta Pichimahuida, la maestra que no se olvida(1966) de autoria do dramaturgo  Abel Santa Cruz(1915-1995) que se trata de uma importante franquia literária surgida nos anos 1940 numa revista intitulada de Partoruzú, que ao superficialmente pesquisar sobre do que se tratava essa revista, descobri se tratar de um popular personagem cartunesco de História em Quadrinhos  na Argentina criado pelo cartunista Dante Quinterno(1909-2003) que nos anos 1960 ganharia compilação intitulada de Cuentos de Jacinta Pichimahuida.







        Logo em seguida, essa franquia seria adaptada para os meios de comunicação, virou radionovela e depois ganhou adaptações para telenovelas.

Essa versão mexicana foi uma dentre as diferentes versões adaptadas desse texto original argentino.

Sendo que ela foi a primeira que grande parte de nós brasileiros tiveram contato com essa adaptação do texto de Abel Santa Cruz.

Que inclusive ganharia anos mais tarde sua versão brasileira no SBT.

Nessa versão mexicana  cujo roteiro foi adaptado por Valéria Phillips, ela que já carregava em seu currículo de roteirista ter escrito a novela Os Ricos Também Choram(Los Ricos Tambíen Lloran, México, 1979-1980) de Inés Rodena(1925-1985), que não por acaso foi a primeira trama mexicana que o SBT começou a exibir na década de 1980, e posteriormente escreveu a trama de Marimar(México, 1994), a segunda da trilogia das Marias estrelada pela estrela da música Thalia, que passou aqui no Brasil e que foi inspirado numa criação Inés Rodena.





 Já sua direção contou com Albino Corrales e Pedro Damián, esse inclusive tem no currículo uma novela que passou no SBT nos anos 1980, estou falando de Chispita(México, 1982-1983), que curiosamente também teve sua história baseada numa obra de Abel Santa Cruz, que conexão curiosa essa não?




Nessa adaptação para a novela Carrossel do México, a professora Jacinta, que o autor Abel Santa Cruz se inspirou na sua professora real teve o nome alterado para Professora Helena representada por Gabriela Rivero.




Mas a estrutura seguia a mesma, com algumas alterações, que é toda ambientada no cenário escolar mostrando o cotidiano dos alunos da 2º Série do Ensino Fundamental da Escola Mundial, onde a Professora Helena leciona.

Onde a gente acompanhava a vivência de cada aluno fora da escola, em seus ambientes familiares. Onde cada um simbolizava diferentes classes sociais e mostrava seus respectivos dramas.




Essa produção foi adquirida pelo SBT que investiu um dinheirão para exibir em sua grade. Visto que a emissora já carregava um longo histórico de parcerias com as produções do México que começou justamente quando ela exibiu Os Ricos Também Choram e começou a exibir o humorístico de Chaves.




 A emissora fundada pelo apresentador pioneiro da televisão brasileira Silvio Santos(1930-2024) em Agosto de 1981, que agora em 2026 vai completar 45 anos, sempre foi vista como uma fraca referência nas produções próprias de teledramaturgias, visto que as primeiras produções de novelas eram bem amadoras, longe de chegar aos pés do profissionalismo hollywoodiano da Globo.

Tanto que naquele período de final dos anos 1980 e começo dos anos 1990, a emissora vivenciou dois fracassos de novelas que foram: Cortina de Vidro(1989-1990) novela que marcou a estreia de Walcyr Carrasco como autor-titular e Brasileiros e Brasileiras(1990-1991) de autoria de Carlos Alberto Sofredini(1939-2001).



Antes de fundar o SBT, Silvio Santos já tinha passado por uma experiência desagradável nesse setor de teledramaturgia quando investiu na produção de O Espantalho(1977) escrita por Ivani Ribeiro(1922-1995) que foi exibida pela Rede Record e teve produção de sua produtora a Estúdio Silvio Santos.




O retorno não tão esperado dessa novela mostrou a Silvio Santos que o investimento nesse setor de teledramaturgia não é tão simplista quanto investir em programas de auditório.

Talvez por isso, Silvio Santos via como mais viável importar as tramas mexicanas, para exibir em sua grade de programação pagando pela dublagem e foi nesse contexto que Carrossel acabou chegando com o desafio ingrato de ser   uma aposta de salvação da emissora. Ainda mais agravado pelos efeitos da crise econômica que o Brasil vinha passando do Governo do então Presidente da República Fernando Collor de Melo que havia mandado confiscar as poupanças de nós brasileiros e o SBT sentiu um pouco desse efeito e para isso criou o título de capitalização Tele Sena.




Inclusive quando a atriz e interprete da Professora Helena Gabriela Rivero veio na época   conhecer as terras brasileiras, foi recepcionada em Brasília pelo então Presidente Collor foi ser entrevistada no programa Show de Calouros.

Embarque nesse Carrossel.  Onde o mundo faz de conta. A Terra é quase o céu”.

O sucesso de Carrossel fez o SBT lançar um LP com a trilha musical com artistas nacionais que contou com o envolvimento dos selos da SBT Music, RCA Victor e BMG Ariola.



O repertório do LP continha 12 faixas, que abre com a canção de abertura Carro-Céu interpretada pelo quarteto de palhaços Super Feliz que se apresentavam nos programas de auditório, seguida de Acorda Pai, cantado pelo famoso conjunto musical infantil do Trem da Alegria, na faixa 3 temos Ciranda que foi cantada por Marianne, que no final dos anos 1980 e começo dos anos 1990 foi uma popular apresentadora infantil do SBT, na faixa 4 temos Hino à Criança do Grupo Papillon, na faixa 5 Sonho de Amor de Patrícia Marx, na faixa 6 Varinha de Condão cantada por Maria que é só como ela é creditada, na faixa 7 O Nascer do Sol cantada por Amado Batista, na faixa 8 Amiga Professora cantada por uma cantora que é apenas creditada como Grayce, na faixa 9  temos O Passarinho que é um duo de José Augusto com o Trem da Alegria, na faixa 10 temos Nem Tudo Que Reluz é Ouro que também é cantada por Marianne, na faixa 11 temos Canção do Papai que creditada a uma cantora com o nome da Laura e a faixa 12, a última do disco temos Segredos da dupla Luan e Vanessa.




Como se pode observar, a produção desse disco da novela contou com suas faixas cantadas pelos mais famosos artistas populares brasileiros.  Isso fora o envolvimento da renomada dupla musical Michael Sullivan e Paulo Massadas que aparecem creditados como os compositores da faixa 5 cantada por Patrícia Marx, do mesmo modo  que aparece creditado como compositores Arnaldo Saccomani(1949-2020) grande produtor musical brasileiro que divide a autoria da composição da faixa 6 ao lado de  Roberto Manzoni(1949-2023), popularmente diretor da emissora  conhecido como Magrão, que foi um dos primeiros diretores do SBT e foi o responsável por dirigir os primeiros  programas de Gugu Liberato(1959-2019), este que foi uma cria da emissora.




Assim como vale menção a participação de Ed Wilson(1945-2010), um artista que surgiu no movimento da Jovem Guarda nos anos 1960, onde tocou junto de seus irmãos: Renato Barros(1943-2020) e Paulo César Barros na banda Renato e Seus Blues Caps que no disco da trilha de Carrossel divide a autoria da faixa 10 ao lado de Chico Roque e de Paulo Sérgio Valle, este que vem a ser irmão do cantor Marcos Valle.

A explicação passava pela maneira com que Carrossel contava sua história e apresentava diálogos. O caráter dos personagens era visível desde a primeira vez que entravam em cena. A novela também era considerada ágil, e as histórias continham arcos narrativos que se encerravam em pouco tempo. Nada que se arrastasse ao longo de meses.

(Texto de Thiago Forato em matéria do site NaTelinha de 2021, sobre os 30 da Estreia de Carrossel).

 

 

 

 

 

SILVIO SANTOS EXIGIU QUE AS CRIANÇAS FOSSEM DUBLADAS POR CRIANÇAS.

Um fato curioso sobre sua dublagem feita no estúdio carioca da Herbert Richers é que atendendo a uma exigência de Silvio Santos, que queria que as crianças fossem dubladas por crianças, então foi feita a seleção, dentre essas crianças que foram lançadas na novela e cresceram fazendo carreiras na dublagem há  nomes tais como: Fernanda Barone que dublou a Valéria papel de Krystel Klitbo e sua irmã  Flávia Saddy que dublou a Alicia vivida por Silvia Guzman, essas duas são filhas  de Marlene Costa,  a voz da Professora Helena que também dirigiu a dublagem da novela e não por acaso dublou a voz de Gabriela Rivero na sua entrevista ao  Show de Calouros.

Outro nome curioso presente nessa dublagem é o de Robson Richers, que dublou o Davi, vivido por Joseph Birch, ele é sobrinho do falecido Herbert Richers(1923-2009), o empresário que deu nome ao extinto estúdio de dublagem, atualmente Robson Richers está afastado da dublagem. Alguns personagens meninos foram dubladas por meninas como: Priscila Gonçalves que dublou o Kokimoto, papel de Yoshiki Takiguchi, Gabriela Bicalho dublou o Cirilo vivido por Pedro Javier Viveros e Fernanda Crispim que dublou o abusadinho do Jorge, papel de Rafael Omar Lozano.

O único personagem do núcleo principal formado pelas crianças da Escola Mundial que não foi dublado por uma criança mesmo, mas sim por um adulto foi Mário Ayala, papel de Gabriel Castañon que foi dublado pelo saudoso Cleonir dos Santos(1944-1998).

Aliás, alguns nomes da marcante dublagem da extinta Herbert Richers já partiram infelizmente, nesse passar de 35 anos que a novela estreou  do mesmo modo que alguns atores que participaram da novela dentre os falecidos dubladores estão: Sonia de Moraes(1932-2010) que na novela dublou a voz da autoritária e repugnante  diretora Olivia vivida por Beatriz Moreno, Sumára Louise(1949-2024) que dublou a Professora Susana vivida por Janet Ruiz que entrou na história para substituir a Professora Helena quando ela se acidenta num ônibus.

 Também faleceram do elenco de dublagem:  Jomeri Pozzolli(1939-2014), que dublou o Firmino, o simpático porteiro  da Escola Mundial, muito querido pelas crianças que foi alternado na pele dos falecidos atores Augusto Benedico(1909-1992) e do porto-riqueno Armando Calvo(1919-1996), existe poucas informações oficias sobre o que levou  a essa mudança, a  explicação não-oficial é de que Augusto Benedico havia falecido durante a produção da novela quando ela ainda estava em curso, ai tiveram que fazer essa substituição, algo que seria plausível se não tivesse como grande furada nessa história o fato de que  Augusto Benedico havia falecido em Janeiro de 1992, quando a novela já tinha chegado ao fim no México e ainda estava sendo exibida no Brasil só chegando ao fim no dia 21 de Abril de 1992.

Outros nomes falecidos do elenco de dublagem de Carrossel são os de Paulo Flores(1944-2003), que dublou o papel do Germano Ayala vivido por Marcial Salinas que era pai do Mário Ayala, Ana Lúcia Menezes(1975-2021) que na época estava com 16 anos quando dublou uma das crianças a Laura, papel de Hilda Chávez, ela faleceu precocemente aos 46 anos após uma série de complicações de um AVC e após ter contraído a Covid-19.

Assim como constam os nomes de Hamilton Ricardo(1956-2015) que fez a voz do Rafael Palillo, interpretado pelo saudoso Arturo García Tenorio(1954-2024), que para quem acompanhou a série Chapolin Colorado, o herói cômico de autoria de Roberto Gómez Bolaños(1929-2014), o mesmo criador do Chaves deve se lembrar dele no episódio do Bebê Jupteriano, onde ele representou o próprio. Aliás, outro ator falecido que esteve no elenco de Carrossel do México, que também tem uma conexão com Chaves é Chóforo Padilha(1940-2013), filho do ator Raúl Padilha(1918-1994) que no seriado era o carteiro Jaiminho. Em Carrossel ele representou o papel do Golpista que é como seu personagem aparece creditado dessa forma mesmo que foi dublado pelo saudoso Henrque Ogalla(1944-2020).

E até o momento em que escrevo esse texto, há registrado o nome de mais três atores da versão mexicana assim como alguns nomes da dublagem brasileira aqui mencionados que já são falecidos, dentre esses nomes estão: Ada Carrasco(1912-1994), que representou o papel da bondosa avô de Maria Joaquina, sua irmã Queta Carrasco(1913-1996) que representou o papel de Tia Rosa e Johnny Laboriel(1942-2013), um popular cantor no México que representou nessa versão de Carrossel, o papel do carpinteiro José, pai do menino Cirilo.

Posso concluir que dessa versão de Carrossel especificamente falando, Jaime e Cirilo já são órfãos de pai.

Do mesmo modo que posso concluir que a atriz Ludwika Paleta, a interprete da mimada insuportável e racista da Maria Joaquina foi a única do elenco principal dos alunos da Mundial dessa versão mexicana que deu segmento a carreira artística, ela participou posteriormente de novelas que o SBT exibiu como Vovô e Eu(El Abuelo y Yo, México, 1992), Maria do Bairro(Maria la del Barrio, México, 1995-1996) e Amigas e Rivais (Amigas y Rivales, México, 2001) e em 2023 participou de uma produção brasileira que foi na segunda temporada da série Dom(Brasil, 2021-2024) da Amazon Prime Video.

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