sexta-feira, 15 de maio de 2026

30 ANOS DA MINOVELA O FIM DO MUNDO

 

No dia 6 de Maio de 1996, a Globo vivenciou uma situação um tanto inusitada ao estrear no seu horário das oito a novela O Fim do Mundo(Brasil, 1996), que na verdade foi estruturada para ser uma minissérie com 35 capítulos.




A explicação está no fato de que a novela O Rei do Gado(1996-1997) de Benedito Ruy Barbosa que seria a substituta de Explode Coração(1995-1996) de Glória Perez  enfrentou uns atrasos na produção, o que impossibilitou de estrear na data de estreia desejada.




Normalmente, a Globo costuma pedir aos seus autores para aumentar um pouco mais de capítulos, darem uma esticada para a trama seguinte estrear em tempo hábil.

A emissora chegou a cogitar essa ideia, mas descartou depois que percebeu que já  tinha assumido o compromisso  de liberar a novelista Glória Perez no início de maio de 1996, para que ela pudesse acompanhar o julgamento dos assassinos de sua filha Daniela Perez, Guilherme de Pádua(1969-2022) e Paula Thomaz ocorrido em Dezembro de 1992.

A solução foi então pegar essa minissérie escrita por Dias Gomes(1922-1999) e colocar como tapa buraco na grade até a estreia de O  Rei do Gado ocorrer em 17 de Junho de 1996.




       A trama de O Fim do Mundo girava em torno do “vidente Joãozinho de Dagmar (Paulo Betti)previu o fim do mundo para breve, o que fez a cidadezinha de Tabacópolis virar de pernas para o ar. Acontecimentos inexplicáveis se sucedem ratificando as profecias e causando pânico. Os moradores entram em polvorosa deixando a prefeita Florisbela Mendonça (Vera Holtz) revoltada diante de tanta confusão.

         Como o tempo é curto, o empresário Tião Socó(José Wilker), dono de uma fazenda de fumo e de uma empresa de cigarros, resolveu investir na bela cunhada, Gardênia(Bruna Lombardi), vislumbrando o fim do seu probleminha de impotência sexual. Porém, ela não está nem aí para os problemas dele e precisa lidar com o ciúme do marido Tonico Laranjeira(Otávio Augusto).

          Josias(Guilherme Fontes), neto do poderoso Coronel Hildázio Junqueira(Lima Duarte), não aguenta mais a resistência da noiva Letícia(Paloma Duarte), filha de Tião Socó, que insiste em manter-se virgem até o casamento.

         Porém, a jovem desperta para um novo amor, o peão Rosalvo(Mauricio Mattar), e não resiste a essa paixão, entregando-se a ele. Descoberto, Rosalvo acaba castrado pelo noivo traído.

         A jovem Lucilene(Patricia França) luta para firmar-se como cantora ao mesmo tempo em que tenta livrar da polícia o namorado Nado(Guilherme Winter), filho da prefeita Florisbela, rapaz problemático acusado de ter matado Maninho(Marcelo Faria), outro dos netos do Coronel Hildázio. Em meio ao caos, muita coisa ainda está para acontecer na cidade que enlouquece quando descobre que o mundo vai acabar.”

(Teledramaturgia).




        

       Essa obra foi escrita por Dias Gomes, com colaboração do renomado escritor Ferreira Gullar(1930-2016). Dias Gomes  que àquela altura já era um renomado novelista veterano que surgiu nos primórdios da televisão brasileira, ele testemunhou o surgimento da televisão ao lado de sua primeira esposa Janete Clair(1925-1983), essa oriunda do rádio, foi da primeira geração de novelistas da televisão brasileira ao lado de Ivani Ribeiro(1922-1995) e Cassiano Gabus Mendes(1929-1993), fora sua extensa carreira literária e teatral seu ingresso na televisão escrevendo novelas na Rede Globo foi com A Ponte dos Suspiros(1969).





      Sua direção contou com Paulo Ubiratan(1947-1998) que àquela altura já carregava um longo currículo de diretor na emissora desde que ingressou ali no final dos anos 1970 onde carregava trabalhos em novelas, em minisséries e nos mais variados formatos.




           Essa obra carrega muito da estética que Dias Gomes costumava trabalhar no realismo fantástico, que é um gênero que costuma misturar elementos sobrenaturais, místicos ou mesmo oníricos ao cotidiano, diferenciando-se pelo humor e crítica social a regimes autoritários, ao contrário do sentimentalismo de outros países latino-americanos.

         Pode se dizer que ele bebeu muito da fonte do subgênero literário do realismo mágico de autores sul-americanos, dentre esses o grande expoente que é referencial é o colombiano Gabriel García Márquez(1927-2014), autor de Cem Anos de Solidão e também de dois autores brasileiros que escreviam nesse estilo que são Murilo Rubião(1916-1991) e José J.Veiga(1915-1999).

         E Dias Gomes trabalhou muito isso, com suas obras marcadas pela mistura de realismo fantástico, crítica social e humor irônico, retratando o Brasil profundo, suas mazelas, coronelismo e tipos populares. Mestre na dramaturgia e teledramaturgia, utilizou alegorias para burlar a censura da Ditadura Militar, construindo narrativas regionais com linguagem coloquial e personagens inesquecíveis.

   O ponto de partida para ele começar a trabalhar nessa estética ocorreu com O Bem Amado(1973), que marcou a primeira a ser produzida colorida e foi ele que começou a estruturar a trama regionalista com esse toque de realismo fantástico inspirado nos próprios livros que ele escreveu.

         Por sua importância literária, que em 1991, Dias Gomes ocupou a Cadeira 21 da Academia Brasileira de Letras.

          Ele também voltou a trabalhar depois nesse mesmo estilo em Saramandaia(1976) e em Roque Santeiro(1985-1986), ao mesmo tempo que escrevia muitas histórias urbanas em telenovelas como Sinal de Alerta(1978) ou mesmo Mandala(1987-1988) dentre outros exemplos em seu vasto currículo na televisão e também minisséries.

          E essa produção trazia muito disso, ela que foi pensada como minissérie mas que por conta do horário foi chamada de mininovela o que “se justifica não só pela quantidade de capítulos (35), mas também pela faixa em que a atração foi ao ar: o tradicional horário das oito da noite, de novelas. Se tivesse sido exibida mais tarde, certamente seria chamada de minissérie.”

    (Teledramaturgia).

      Principalmente ao explorar o tom místico apocalítico da região de Tabacopolis com o vidente Joãozinho de Dagmar, ou mesmo a visão de Emiliano (Ricardo Blat) um louco esquizofrênico que acredita nos homens verdes ou mesmo o mistério da Gruta do Amor e seus milagres, enfim dentre outros elementos de realismo fantástico que foram usados efeitos especiais e construções de locações: “Para cuidar dos efeitos especiais, montou-se uma produção paralela. Pela primeira vez em uma telenovela, criaram-se objetos e animais virtuais em três plataformas de computadores. Para as gravações do cataclismo, foi feita uma maquete dez vezes menor que a cidade cenográfica.

Entre os trabalhos da equipe de efeitos especiais – comandada pelo chefe da Coordenação de Efeitos Visuais, Paulo Badaró – estavam: postes caindo, carros tragados pela terra, raios, trovões, a torre da igreja que foi construída torta e que um raio a colocou no lugar, o OVNI que caiu, a segunda cabeça de um bezerro, furacões, o céu incandescente, as cenas que pareciam ter sido feitas à luz da lua, etc.”

(Teledramaturgia).

 

          Cujas locações foram gravadas em “Vassouras (RJ), Gruta de Maquiné e Carrancas (MG) e o interior da Bahia, em uma fábrica de charutos. Também foi construída no Projac (RJ) uma cidade cenográfica que ocupou uma área de 35 mil metros quadrados.”

(Teledramaturgia).

       Essa minissérie contou em seu elenco com grandes nomes de feras   da teledramaturgia da emissora, dentre estes alguns nomes veteranos como Lima Duarte na pele do Coronel Hildázio Junqueira, o fundador da cidade, um sujeito com a saúde frágil e andando de cadeira de rodas que vive se aproveitando que a enfermeira que o cuida dá uma esfregada de mão na sua perna, um velho bem safado.




       Um sujeito que vive em pé de guerra com a atual prefeita de Tabacopolis Florisbela Mendonça muito bem vivida por Vera Holtz, uma mulher autoritária de pulso firme, com quem Hildázio nutre uma mágoa pessoal ainda mais que no passado o seu filho cometeu suicídio por ter se apaixonado por ela e não foi correspondido e deixou viúva sua nora Clotilde, representada por Tamara Taxman, e órfãos seus três netos: Josias brilhantemente vivido por Guilherme Fontes, Maninho e Dalva (Renata Lima).




     Guilherme Fontes representou perfeitamente na pele do Josias, principalmente ao mostrar o seu perfil vingativo quando descobre que foi traído pelo peão Rosalvo, vivido por Mauricio Mattar ao se envolver amorosamente com Leticia vivida por Paloma Duarte, neta de Lima Duarte.

       A mesma Paloma Duarte* que na ocasião era ainda uma jovem atriz com 19 anos em início de carreira que já vinha despontando na televisão desde sua participação no seriado Grande Pai(1991-1993) do SBT e mostrando o talento herdado de sua mãe Débora Duarte e de seu avô Lima Duarte que apesar de estarem na mesma obra não contracenam juntos como parentes, já que Lima representa o avô do noivo dela.

    Nessa obra ela representou a filha de Tião Socó, o rico fabricante de tabaco, muito bem representado pelo saudoso José Wilker(1944-2014) que vivia pegando no pé de sua cunhada Gardênia vivida por Bruna Lombardi para satisfazer a sua impotência sexual.

    Onde Leticia tinha uma irmã que vivia falando com pássaros no telhado chamada Maria do Socorro, representada por Tatiana Issa, que também na época era uma jovem atriz que estava despontando na televisão.

     Na ocasião, Paloma Duarte chegou a ser capa da extinta revista masculina Playboy.   


 
Capa da Playboy com Paloma Duarte 
publicada em Abril de 1996. 


      Já Tatiana Issa, que representou sua irmã na obra faz um brilhante desempenho na pele da Socorro, ainda mais em sua subtrama envolvendo a sua paixão proibida pelo Frei Eusébio vivido pelo saudoso Norton Nascimento(1962-2007).




    Sobre ela é curioso comentar que ela também posou para a capa da Playboy em 1998 e após isso deixou o oficio de atriz e foi se dedicar ao de cineasta, um trabalho interessante dirigido que tive o privilégio de conferir foi na série documental Pacto Brutal-O Assassinato de Daniela Perez (Brasil, 2022) do HBO Max.




     Assim como mencionar as participações de Mário Borges que faz uma brilhante representação do Joca, o marido submisso e um tanto frouxo da prefeita Florisbela, a quem ele se refere a ela como Belinha. Paulo Betti na pele do famoso vidente Joãozinho dá um show de interpretação  ainda mais ao mostrar que por trás daquela fachada de ser imponentemente místico e um tanto santificado, mas que no fundo, não tinha nada de santinho, ainda mais por viver uma vida mundana dividindo com três mulheres: Marialva, papel de Isabel Filardis, papel de Valdete(Aleixa Dechamps)  e Jaciara papel de Luciana Coutinho, que para quem acompanhava o Zorra Total ali pelo final dos anos 1990 e começo dos anos 2000 deve se lembrar dela como a Dona Candinha na esquete do Nerso da Capetinga, ela também chegou a posar para a Playboy em 2000.




     Dentre outros que compuseram o elenco dessa produção, como a saudosa Marilu Bueno(1940-2022) que representou bem o papel da Dagmar, mãe do vidente Joãzinho que vive uma relação amorosa com Vadeco, vivido por Tato Gabus Mendes, um sujeito que não vale nada da vida, um pilantra aproveitador que só está casado com Dagmar para explorar a fama de Joãozinho para vender terrenos no céu.

      Outros nomes que merecem serem mencionados são:  Cininha de Paula** e a saudosa Lúcia Alves(1940-2025) que na obra representaram o papel das irmãs Zizi e Fafá Badaró, duas solteironas fofoqueiras, recatadas e recalcadas que cuidam do primo Emiliano, um sujeito que vive em manicômio com problemas de esquizofrenias vivido brilhantemente pelo ator Ricardo Blat. 

      Essas duas por trás das fachadas de mulheres religiosas devotadas, escondem que vivem uma repressão sexual a ponto de se aproveitarem da situação caótica que Tabacopolis vive com o cenário apocalíptico para tentarem se aproveitar da vulnerabilidade do primo para seduzi-lo, mostrando que não são nada santinhas.

      Também vale mencionar a presença de Bernadete Lys, a atriz com quem Dias Gomes se casou após ficar viúvo de Janete Clair que na obra representou a Eliza, irmã da prefeita Florisbela, uma mulher que tinha uma mania obsessiva por sujeira.

       Dentre outras feras que fazem brilhantes representações respectivamente na obra.

      Um fato curioso que chama a atenção a respeito de O Fim do Mundo, é que como o formato dessa obra foi concebida originalmente como minissérie não só pelo número de capítulos que é característico do seu formato ser mais fechado diferente de uma novela que por ser aberta costuma ter um ritmo de produção mais industrial, principalmente de quando depende do fator audiência ou mesmo dos anunciantes. Fora que são totalmente gravadas antes da exibição, o que impede que a repercussão do público altere o rumo da história.

       Assim como o fato de por ter sido pensado para ser exibido no horário após a novela das nove, ali por volta das 10 ou mesmo 11 horas da noite, ocupando um espaço de prestígio na grade.

     Por ser nesse horário ela tende a carregar um valor de produção diferenciado das novelas costumam ter produção mais cinematográfica, com maior investimento em cenografia, figurino e fotografia em comparação com o formato diário de novelas.

     Assim como tende a ser um espaço para experimentação de linguagem, narrativas mais ágeis e costuma também explorar uns toques bem mais safadinhos se é que vocês me entendem, principalmente com  cenas de amor bem picantes dos personagens se banhando nos rios como Josias e Leticia ou mesmo entre Socorro e Eusébio.

      Ou mesmo, o momento de Joãozinho fazendo amor com suas três concubinas se é que posso assim descrever numa banheira, das longas horas de Gardênia tomando uma chuveirada, enfim.

    Posso concluir que a maneira com que O Fim do Mundo, uma obra originalmente concebida como minissérie acabou sendo encaixado no horário de novelas, foi de fato um dos momentos mais inusitados e porque não dizer pitorescos ao longo da história da teledramaturgia da Rede Globo.




      Chegou a ser divulgada com a forte publicidade de ““uma supernovela em 35 capítulos”. Manteve a audiência do horário, mas de “super” não trouxe nada, a não ser o característico universo de Dias Gomes. Ainda assim, conseguiu despertar no público o interesse pelo apocalipse – como a própria letra da música da abertura sugeria: “O que você faria se só te restasse esse dia?””

    (Teledramaturgia).

   No capítulo final da minissérie, eles dedicaram uma homenagem ao câmera-man Custódio Ferreira, que já trabalhava na emissora fazia mais de 20 anos, mas que teve um fim trágico, já que ele havia falecido num acidente automobilístico logo após terminar de filmar o último capítulo da minissérie, quando retornava da locação em Vassouras, no interior do Rio de Janeiro.



    Na mensagem de homenagem   apresentada por Tony Ramos se referiu assim a Negão como costumava ser carinhosamente chamado Custódio:

    A câmera foi mais que seu instrumento de trabalho, foi a forma que ele encontrou de fazer poesia”.

    Pode-se concluir que O Fim do Mundo marcou a última obra da carreira de Custódio Ferreira, do mesmo modo pode-se dizer que ironicamente marcou uma das últimas obras dirigidas por Paulo Ubiratan na função de diretor geral que é o cargo principal, quando ele morreu em 28 de Março de 1998, aos 51 anos, vítima de um infarto fulminante. “Na época estava trabalhando na direção-geral de Por Amor(1997-1998), novela das oito de autoria de Manoel Carlos(1933-2026). No dia em que morreu foi exibido o capítulo 144. Foi substituído por Ricardo Waddington, que já integrava a equipe de diretores da novela. Antes de falecer, Paulo Ubiratan estava trabalhando na pré-produção da telenovela Meu Bem Querer(1998-1999), de autoria de Ricardo Linhares e supervisão de texto de Agnaldo Silva.”

(Wikipédia)

   Assim como marcou a penúltima escrita por Dias Gomes, que antes de tragicamente morrer “aos 76 anos em um acidente de trânsito ocorrido na madrugada de 18 de maio de 1999 na região dos Jardins, na cidade de São Paulo. O dramaturgo voltava de táxi de um jantar com sua mulher Bernadeth depois de assistirem à encenação de Madame Butterfly, ópera dirigida pela atriz Carla Camurati. O taxista fez uma conversão proibida na Avenida 9 de Julho, e o carro foi atingido por um ônibus que seguia na mesma direção. Com o impacto e sem estar usando o cinto de segurança, Dias Gomes foi arremessado para fora do carro e bateu a cabeça na mureta que separa a via exclusiva dos coletivos na avenida, o que causou sua morte instantânea. Bernadeth sofreu ferimentos e foi internada. O motorista do táxi, que também sofreu ferimentos, estava na profissão havia dois meses e alegou que só fez a manobra proibida "por insistência de Dias Gomes”. (Wikipédia)

    Um ano antes do seu trágico falecimento Dias Gomes havia escrito a minissérie Dona Flor e Seus Dois Marido(1998), uma adaptação do romance do seu conterrâneo Jorge Amado(1912-2001) e publicou sua autobiografia Apenas Um Subversivo.

REPETECOS:

  Apesar dessa obra não ser tão lembrada assim, ela pelo menos ganhou uns repetecos. Em 2000, O Fim do Mundo foi reprisado de forma compacta após o Jornal Nacional, com exibição restrita ao Distrito Federal durante o período de 15 de Agosto a 29 de Setembro de 2000. Isso ocorreu porque, como era ano eleitoral municipal, ou seja, para eleger prefeitos e vereadores dos municípios e como a capital do Distrito Federal é a capital do Brasil. Por conta disso, Brasília que não é  administrada  por prefeito é a única capital brasileira a não ter uma campanha eleitoral para prefeitura. Essa reprise ocorreu justo no momento em que boa parte dos estados brasileiros estavam acompanhando o Horário Eleitoral Gratuito assistindo as campanhas dos seus candidatos.

    Depois disso, O Fim do Mundo só ganharia um outro repeteco quase vinte anos depois pelo antigo canal por assinatura Viva, onde novamente “serviu como um tapa-buraco: foi reprisada no Viva (canal de TV por assinatura pertencente ao Grupo Globo), entre 18/12/2017 e 29/01/2018 (às 23h30, com repeteco às 13h30 do dia seguinte), para cobrir o período de final de ano, evitando assim a estreia de uma novela longa durante as festas de Natal e Ano Novo.”

(Teledramaturgia)

   E desde 2023 que O Fim do Mundo se encontra disponível na plataforma de streaming do Globoplay.

ESTREIA NO MESMO DIA DE TRÊS NOVELAS DO SBT:

    O mais curioso é que O Fim do Mundo estreou no mesmo dia que o SBT, emissora fundada pelo apresentador pioneiro da televisão brasileira Silvio Santos(1930-2024) e grande concorrente da Globo lançava sua aposta em três produções teledramatúrgicas que foram exibidas cada um em horários diferentes logicamente.

     Essas três novelas em questão eram pela ordem de exibição dos horários: Colégio Brasil ás 18h30, Antônio Alves, Taxista ás 20h00 e Razão de Viver ás 21h00.

      Colégio Brasil foi uma produção destinada ao público jovem com uma trama ambientada num cenário de colégio, daí o porquê do título ser Colégio Brasil que é o nome da instituição fictícia.




        Sua produção foi fruto da parceria do SBT com a produtora JPO Produções do diretor José Paulo Vallone que assina a direção da novela, com roteiro assinado por Yoya Wursch, fazendo sua estreia como autora titular de novela após ter escrito duas produções na Globo. Baseado no argumento do saudoso Roberto Talma(1949-2015) que dividiu a direção com José Paulo Vallone.




     Já quanto a Antônio Alves, Taxista, novela estrelada pelo cantor Fábio Jr. no papel título, foi uma produção do SBT em parceria da produtora argentina Ronda Studios que foi gravada em Buenos Aires. Sua produção foi escrita por Ronaldo Ciambroni, baseado no texto original do argentino Alberto Migré(1931-2006) com direção do luso-brasileio Jorge Monteiro.

     Do pacote das três novelas que o SBT lançou no mesmo dia, Antônio Alves, Taxista foi a que “teve a menor repercussão, tendo inclusive seu fim precipitado.A novela já causou polêmica antes de estrear: Sônia Braga (escalada para viver a personagem Odile) desentendeu-se com a produção argentina, acusando-a de falta de profissionalismo e de problemas no texto. O papel que seria dela mudou de nome (passou a ser Claudine) e acabou nas mãos da atriz Branca de Camargo.A baixa qualidade do texto e da produção (inclusive erros de continuidade) ajudaram a piorar a audiência.

Folha de São Paulo publicou em dezembro de 1996:


“A novela mais parecia um dramalhão mexicano produzido por Ed Wood ou Zé do Caixão, com cenários escuros e diálogos constrangedores.”

(Teledramaturgia).

    E por fim, Razão de Viver, foi uma novela que se tratava de um remake de uma trama que o SBT lançou nos anos 1980 que foi Meus Filhos, Minha Vida(1984-1985), escrita por Ismael Fernandes(1945-1997), Henrique Lobo e Crayton Sarzi, que carrega o mesmo título de outra novela do SBT também lançada nos anos 1980 que é Razão de Viver(1983), mas que não tem nada a ver com essa trama de 1996.




      Nessa novela homônima de 1983, foi escrita por Waldir Wei baseada no texto original da mexicana Marissa Garrido(1926-2021).

     Essa versão específica de Razão de Viver, que foi lançada no mesmo dia de Colégio Brasil, Antônio Alves, Taxista e O Fim do Mundo da Globo.

      Sua trama foi escrita por Analy Pinto e Zeno Wilde(1947-1998), “Esta, por sua vez, ao que tudo indica, foi uma adaptação não assumida da novela mexicana Corona de Lágrimas, de Manuel Canseco Noriega, de 1965 – que ganhou um remake pela Televisa, já exibido no Brasil, pelo SBT, em 2012: Lágrimas de Amor. O ator Lu Martan viveu o mesmo personagem na novela original e no remake: o mordomo Alípio.”

     (Teledramaturgia).

     O roteiro também contou com o envolvimento de Chico de Assis(1932-2015) que assinou como supervisor de texto e contou com a direção de Nilton Travesso que àquela altura foi um nome muito importante para o setor de teledramaturgia da emissora, já que ele ocupava um importante cargo no setor de teledramaturgia na emissora desde 1993, onde foi  dessa época que foram produzidas as novelas mais marcantes do SBT ao longo da década de 1990: Éramos Seis(1994), As Pupilas do Senhor Reitor(1994-1995) e Sangue do Meu Sangue(1995-1996).

    Dessas três novelas lançadas no mesmo dia pelo SBT, foi a que não conseguiu ter um bom desempenho no IBOPE, capengando entre 7 a 13 pontos.

     Isso resultou na reclamação de Analy Pinto que na sua entrevista à Folha de São Paulo desabafou:

“A baixa audiência é resultado de uma série de fatores. Primeiro, o SBT a lançou muito mal. Na época das Olimpíadas [de Atlanta], ainda deixou de exibir a novela e, quando exibia, editava tudo e mutilava a história, desrespeitando o gancho de cada capítulo.”

  (Teledramaturgia).

Obs: Os Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996, mencionado pela autora só teriam início apenas em 19 de Julho de 1996, portanto, ainda faltava dois meses para o início da cobertura da competição desse evento esportivo quando a trama de Razão de Viver estreou junto a Colégio Brasil, Antônio Alves, Taxista  no SBT e O Fim do Mundo na Globo.




 

   Posso conclui que foi há 30 anos, que a televisão brasileira testemunhou o lançamento de quatro novelas: sendo três no SBT e uma na Globo. Marcando um dos momentos mais inusitados e porque não dizer pitorescos da história da teledramaturgia brasileira.

 

  *Paloma Duarte também é filha do cantor Antônio Marcos(1945-1992) com quem sua mãe Débora Duarte já foi casada. O que gera uma certa extensão familiar artística. Principalmente quando incluímos o fato dela também ser meia-irmã da cantora e atriz Aretha Marcos, que é fruto do casamento de seu pai com a falecida cantora Vanusa(1947-2020).  

**Essa Cininha de Paula também trabalhou como diretora, carrega um extenso das quais entre essas, os humorísticos por seu tio Chico Anysio(1931-2012). Ou seja, ela nasceu num ambiente cheio de artistas. Além de sobrinha de Chico Anysio, é também sobrinha do cineasta Zelito Vianna, é filha da atriz Lupe Giglioti(1926-2010). Fora o fato de ser prima dos atores: Nizo Neto, Bruno Mazzeo, Lug de Paula e Marcos Palmeira e é mãe da atriz Maria Maya, fruto de seu casamento com o ator e diretor Wolf Maya.

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