segunda-feira, 18 de maio de 2026

25 ANOS DO LANÇAMENTO DE SHREK

 

Imagine um desenho representado por um   sujeito feio, deselegante, grosseiro e anárquico terminava sendo o herói que conquistava o coração da princesa, a donzela em perigo e também do público divertindo bastante.




Sim, isto aconteceu quando no dia 18 de Maio de 2001 era lançado nos cinemas americanos a animação de Shrek(EUA,2001).

Aquele Verão Americano de 2001 representou um momento muito importante para a história da DreamWorks. Porque ela conseguiu naquele momento firmar o seu nome na indústria do cinema de animação, chegando ao mesmo patamar da Disney graças ao filme cujo protagonista era um sujeito feio, mal-educado, sujo, asqueroso, irritado e individualista, que representou naquela época um marco importante para tornar a Dreamworks uma grande marca para conquistar o nicho do público infantil, que até então era uma característica exclusiva da Disney.  A mesma Disney ao ver surgir sua grande concorrente abriu os olhos para o sinal de alerta a ponto deles gerarem uma enorme dor de cabeça para eles.







É irônico pensar que há 25 anos, a DreamWorks era ainda uma criança de sete anos, tinha sido originada por causa de uma dissidência da Disney.  Fundado em 1994, por Steven Spielberg, grande diretor e produtor de cinema, em parceira com o produtor musical David Geffen e com Jeffrey Katzenberg, um egresso da Disney que se desvinculou da empresa após viver em constantes conflitos criativos e de gestão com o seu então sócio Michael Eisner. 

Bem antes de Shrek, a Dreamworks já tinha lançado outras animações razoáveis, como Formiguinhaz e O Príncipe do Egito, ambos em 1998, este inclusive eu assistir nas telonas na época que foi lançado quando eu tinha uns 13 anos na antiga sala de cinema do Natal Shopping e ao revisitar fiquei bastante impressionado ainda com a sua qualidade técnica e com a qualidade do roteiro, constatei como envelheceu bem.   Em seguida veio O Caminho para El Dourado e A Fuga das Galinhas ambos lançados em 2000.




Foi justamente no ano de 2001 que a DreamWorks daria realmente um tremenda preocupação para a Disney quando lançou Shrek, que foi a sua quinta produção, mas foi a primeira a criar mais visibilidade ao nome do estúdio, tendo tanto conquistado as bilheterias, quanto a crítica, recebendo 88% de aprovação do Rotten Tomatoes  e principalmente conseguiu ser o pioneiro em cativar o público a ponto de  despertar um  forte apelo de marketing, algo que os longas-animados antecedentes da mesma DreawWorks não tinham conseguido, principalmente por ousar trabalhar na técnica da computação gráfica que até então  inovadora computação gráfica que a Disney em parceria com a Pixar tinha utilizado antes em Toy Story( EUA, 1995), ou seja, Shrek simbolizou um grande divisor de águas para fincar o nome da  Dreamworks como uma marca.

Com roteiro baseado e livremente inspirado no livro do escritor, ilustrador e cartunista americano William Steig(1907-2003) que o publicou em 1990, um fato curioso é que ele batizou o personagem com um nome extraído das línguas alemãs e ídiche que significam literalmente   medo, terror, bem condizente com o que a essência do personagem representou na premissa do filme.   O roteiro inclusive  foi adaptado pelas mãos de quatro roteiristas: Ted Eliott, Terry Rossio, Joe Stillman e Roger S.H.Schulman

Enquanto que a Disney amargava quando lançou naquele mesmo ano Atlantis-O Reino Perdido, que veio encostado a Shrek, mas passou batido, não conseguiu conquistar crítica, foi um fiasco de bilheteria e de marketing e como consequência disso a Disney entrava no começo da primeira década do século 21 num difícil período de sua história que é conhecido como a Segunda Era Sombria.

Para aumentar ainda mais a dor de cabeça que Shrek causou para a Disney na época, a Dreamworks também conseguiu a façanha de desbancar a Disney na edição do Oscar de 2002, quando Shrek concorreu na categoria de melhor animação junto a Monstros S.A, e Shrek venceu aquela importante premiação.  Fazendo a Disney abrir os olhos a partir daquele momento. Pode-se dizer que se não fosse Shrek não existiria: A Era do Gelo, Rio, Hotel Transilvânia, Madagascar, Meu Malvado Favorito, Minions, Angry Birds entre outros longas de animações de outros estúdios como Blue Sky, que infelizmente fechou suas portas em 2021 depois que a Disney havia se apropriado da Fox, Sony Pictures e Universal Pictures com histórias tão legais para conquistar o nicho infantil quanto os da Disney, que neste ramo era imbatível.

Principalmente depois que por volta dos anos 1960, que os grandes estúdios foram começando aos poucos a fecharem seus departamentos de animação e demitir animadores. E dentre essas empresas estava a MGM, que demitiu William Hanna(1910-2001) e Joseph Barbera(1911-2006) do estúdio.

Após serem demitidos, a dupla que criou Tom & Jerry se juntariam para formar uma sociedade criando o estúdio Hanna-Barbera Productions, onde eles passaram a investir na animação para TV.

Passando a produzir produções mais barateadas, porque o custo para se produzir uma animação é muito caro.

O barateamento da Hanna-Barbera em produzir séries animadas como: Zé Colmeia, Dom Pixote, Flintstones, Jetsons dentre outros ganhou o rótulo de animação limitada. Que se trata de uma técnica que usa movimentos e quadros simplificados e repetidos para reduzir o tempo e o custo de produção de animações, usando um número menor de quadros por segundo, o que resulta em um desenho menos detalhado. 

A principal característica que os personagens que Hanna e Barbera criaram para a televisão era o acessório da gravata que servia como uma forma de orientar os animadores a só movimentarem a cabeça.

E muitas foram seguindo por esse caminho, como por exemplo, a Filmation  foi fundada em 1962, já no período que  os grandes estúdios de cinema  haviam fechados seus departamentos de animação e alguns animadores resolveram seguir o exemplo  de Hanna e Barbera em se concentrar no mercado  da televisão e fundaram seus próprios estúdios. Isso ocorreu com Friz Freleng(1906-1995) que já trabalhou para a Disney em seus primórdios e trabalhou por um bom tempo na Warner, que após fechar o departamento de animação. Ele se juntou a David Hudson  DePartie(1929-2021) para fundar a DePartie-Freleng Enterprises, responsáveis pela produção das animações de Pantera Cor-de-Rosa.

Outros que também seguiram esse segmento foram Arthur Rankin Junior(1924-2014) que se juntou a Jules Bass(1935-2022) para fundar a RankinBass e já no caso especifico da Filmation, essa empresa que surgiu para concorrer com a HB Productions surgiu um pouco como consequência de uma dissidência da HB.

Digo isso porque os três fundadores da Filmation eram recém-egressos da HB, formados por: Lou Scheimer(1928-2013), Norm Prescott(1927-2005), A Filmation era a grande rival da Hanna-Barbera no mercado de animação para televisão, depois que os setores de animação dos grandes estúdios foram fechados.

 O único a se manter operando foi a Disney, que viveu uma turbulenta fase depois da morte de seu fundador Walt Disney em 1966, onde para diminuir custos de produção a Disney produzia suas animações nessa fase com a técnica de xerografia. Muitas das que foram lançadas durante essa época figuram entre mais esquecidas da Disney.

Enquanto que na televisão esse setor estava em alta com produções de baixo orçamento criando com a técnica de animação limitada, como é o caso da Filmation que produziu muitas animações que eram adaptadas de outras propriedades intelectuais, como a versão animada da Liga da Justiça, inspirada nos heróis da DC Comics, por exemplo. Ou mesmo fazendo uma série animada inspirada na série Jornada nas Estrelas.

Durante os anos 1980, as animações para TV ficaram marcadas como vitrines para vender brinquedos com as animações de He-Man, Transformers e Comandos em Ação. A Disney ainda viveu sua fase turbulenta até o lançamento de A Pequena Sereia em 1989, cujo sucesso a representou um ponto de partida para a Era da Renascença da Disney que durante os anos 1990.

E foi durante a década de 1990, que Jeffrey Katzenberg ao ser demitido da empresa se junta com Spielberg e fundam a DreamWorks.

A trama de Shrek já surpreende pela premissa já começar bem introduzindo ao público qual é a essência dele.  Somos então apresentado a ele vivendo uma vida solitária no pântano, com suas características bem típicas de ogro que amedronta o povoado local. Com a sua horrível aparência verde, gigante, gorducho, careca e com orelhas pontudas cujos formatos lembram alienígena.

Era ali que ele vivia sua vida confortável, de sujeito bem sujismundo até o momento que ocorre uma reviravolta quando aparece a guarda real mandando prender alguns seres fantásticos. Entre os prisioneiros estava o Burro.  É a partir dali que ele começa a sua aventura seguindo o esquema teórico formulaico da Jornada do Herói, elaborado pelo mitólogo americano Joseph Campbell(1904-1987). 

O Burro passa a assumir a importante função neste filme de ser o inseparável companheiro de Shrek, sendo o tipo boa praça, mas muito insuportável a ponto de ser irritante.  Simbolizando o típico alivio cômico da obra. Principalmente depois que Shrek aceitar participar da missão de salvar a Princesa Fiona de um castelo onde está sendo mantida refém por um dragão, melhor dizendo uma dragoa, que bizarramente irá despertar o amor pelo Burro. 

A partir do momento que ele salva Fiona que vemos o escopo dele sendo todo moldado no começo do relacionamento amoroso dos opostos se atraírem, um ser feio como ogro despertar o coração de uma bela mulher como uma princesa.

Até aparecer o Lord Faarquard para estragar tudo e virar o obstáculo para os dois. Mesmo tendo este elemento clichê, o filme cuja direção é de Andrew Adamson e Vicky Jenson  ainda conseguiu bem carregar  um brilho de uma cativante história, em um cenário bem escapista, com vários elementos fabulares, que o tornam um bom filme de fantasia mas que transgredi tudo o que havia sido estabelecido pela concorrente por décadas numa estética cômica em forma de sátira com piadas adultas cheias de duplo sentido, mas bastante sutis, ao mesmo  tempo que trabalhou a parte mais dramática, principalmente na essência anárquica do ogro com direitos a piadas escatológicas. Além do mais conseguiu de forma sutil transmitir mensagens muito adultas, que as crianças não percebiam.

Usando do lado reverso das histórias dos contos de fadas como uma provocação muito clara a Disney que sempre explorou as histórias clássicas dos Contos de Fadas para seu universo fantasioso. Principalmente nas interações do Shrek com Pinóquio, Lobo Mau, Três Porquinhos e até mesmo o Gato de Botas que ainda não aparece nesse primeiro filme.

       Aqui a Fiona mostra-se ser uma princesa que ao contrário da frágil e desprotegida donzelas a ser salvas das animações Disney, sabe se defender e é muito boa de briga. Ou mesmo o Shrek um ser visto como amedrontador, e que todo mundo evita, mostra que pode ser  amável e carinhoso, provando que não é a feiura e nem a beleza  que define o nosso bom ou mau caráter e ele exemplifica os conceitos de camadas ao explicar para o Burro quando descasca uma cebola.

      No Balanço Geral, o primeiro Shrek resultou num ótimo filme, tanto no aspecto da história, quanto na apurada qualidade técnica que o fez tornar um marco para a Dreamworks. Eu não cheguei a ver o filme nas telonas na época que foi lançado, porque como naquele momento eu já era um adolescente com 16 anos e tava em outra vibe, numa época em que havia o preconceito de que animação era coisa feita só para crianças, então, eu acabei demorando um pouco para me abrir a ver, mas depois que assistir quando passou na TV, passei então a gostar muito. 

        Ao dar umas   revisitadas, onde tanto no áudio original legendado quanto na versão dublada em português do Brasil, os caros leitores vão me desculpar os que reclamam da dublagem brasileira e não assistem de jeito nenhum, por acharem que elas estragam a interpretação dos atores em cena,  mas  a  interpretação do  saudoso Bussunda(1962-2006) do Casseta & Planeta fazendo a voz do Shrek,  conseguiu se mostrar   um bom encaixe e dar mais personalidade  na essência anárquica que o personagem bem apresentou no filme do que em relação a representação do Mike Myers fazendo a voz original, cuja representação com toques refinados  do seu sotaque canadense terminando criando um tom que se não encaixou direito a essência anárquica do personagem.

    Do mesmo jeito que o Mário Jorge de Andrade dublando o Burro consegue bem captar a essência patética e hiperativa do personagem cuja voz original é do Eddie Murphy que não por acaso costuma ser bastante dublado por Mário Jorge de Andrade, talvez por já dublar o ator em suas produções ele por já conhecer os trejeitos de sua representação hiperativa verborrágica e cheia de caras e bocas manter o mesmo ritmo aqui com o Burro.

     E Fernanda Crispim dublando a Fiona cuja voz original é da atriz Cameron Diaz consegue captar bem a doçura que ela transmiti ao seu jeito mais manso de falar.

        Alguns fatos curiosos sobre a produção que envolve a adaptação do livro para o cinema, ele já despertava, o interesse de Steven Spielberg  de produzir  o filme bem antes  da existência da DreamWorks.   Spielberg comprou os direitos de adaptação da obra em 1991, e logo depois que se juntou a Geffey e Katzenberg para fundarem a DreamWorks e estes lhe deram carta branca para poder concretizar a realização do projeto, foi então que deu início a longa jornada do desenvolvimento do enredo que começou em 1995.

      Foram muitas etapas, com diversos esboços, até chegar ao acabamento final, antes eles tinham a ideia  em fazerem na forma tradicional de animação em 2D, mais depois que viram a Pixar revolucionar com Toy Story com o 3D, decidiram apostar nesse formato.

     Na elaboração do roteiro, foram adicionados elementos que não tinham no livro de Steig, como a presença de clássicos personagens de contos de fadas virando amigos e também inimigos de Shrek para servirem como um bom tom de sátira ao universo dos contos de fadas, uma provocação direta a Disney.

        O próprio Shrek no livro carregava uma essência e uma aparência física   diferente nos livros em relação aos filmes.   No livro de Steig ele carregava uma essência mais tresloucada do que como é mostrado no filme, ainda mais quando ele foi abandonado sem motivo pelos pais que o expulsaram do pântano e costumava soltar raios vermelhos nos olhos, principalmente quando se deparava com qualquer pessoa a sua frente. Algo que no filme ficou de fora, tanto que desde o começo fica estabelecido ele ser o único da sua espécie. O seu aspecto físico   era bastante horrendo e quase medonho, já nos filmes teve a sua aparência mais amenizada quando se inspiraram numa pessoa real, nesse caso, a inspiração para suas feições mais humanizadas foram no francês Maurice Tilet(1903-1954), um célebre lutador de Boxe. Onde inclusive há nos primeiros esboços do material animado trazia uma versão mais feiosa dele com a voz original que foi feita por Chris Farley(1964-1997), depois que esse faleceu prematuramente aos 33 anos no dia 18 de Dezembro de 1997, foi preciso recomeçar do zero e escalaram em seu lugar Mike Myers, onde ficou do jeito como a conhecemos.

      Já o   Lord Faquaard simbolizando a típica figura do vilão maquiavélico cujo interesse principal ao querer casar com a Princesa Fiona do Reino de Tão, Tão Distante é apenas com o intuito ambicioso de tomar o trono, também foi um elemento adicional no filme, dizem que muita característica dele foi inspirado no então presidente CEO da Disney Michael Eisner, um antigo desafeto de Katzenberg na época em que ele trabalhava na Disney entre os anos 1980 e começos dos anos 1990. Ou seja, ele foi fruto da licença criativa da produção.

       No livro, aparece a Fiona, mas nunca tinha sido humana, sempre foi ogra. No filme eles deram muita importância para o Burro se tornar a figura do inseparável companheiro chato do Shrek nas suas aventuras. Coisa que no livro mesmo isto não acontece. Além das influencias modernas da cultura pop americana terem sido incluídas no filme, a mais evidente é a cena de Fiona na forma humana após ser libertada por Shrek fazendo uma impressionante coreografia de luta na floresta contra o bando de Robin Hood inspirada em Matrix(EUA,1999).

      Ou mesmo o Espelho Mágico mostrar um informativo da vida rotineira de Tão, Tão Distante em formas de tele jornais como se fosse um moderno aparelho de televisão num filme cujo cenário é uma típica fantasia escapista com muitos toques fabulares, carregado de liberdades poéticas.

        A Dreamworks investiu muito pesado no marketing do filme, principalmente nos star talents como Mike Myers, Cameron Diaz e Eddie Murphy para compor o elenco das vozes dos personagens principais escalando o elenco para dublar os personagens principais. 

        Que ainda contaria depois que este primeiro foi um sucesso e a Dreamworks fez uma franquia com três filmes posteriores formados por: Shrek 2(2004), Shrek Terceiro(2007) e Shrek Para Sempre(2010) que formam uma quadrilogia tivemos então Antônio Banderas que com sua característica sensualidade  hispânica fez a voz do Gato de Botas a partir de Shrek 2(EUA, 2004), também em Shrek 2 contou com a presença  de Julie Andrews,  uma veterana estrela dos musicais fazendo a voz  da Rainha Lilian, mãe de Fiona e do ex-N´Sync   Justin Timberlake que fez a voz do Rei Arthur garotinho  em Shrek Terceiro (2007).

A maneira como o Gato de Botas roubava a cena três filmes seguintes da trilogia de Shrek, onde o famoso personagem dos contos de fadas criado pelo francês Charles Perrault(1628-1703), cuja primeira publicação data de 1697.  Representado no filme de uma forma que em nada lembra o clássico personagem dos contos de fadas, como um mercenário que usava do sedutor charme de olhar para enganar o inimigo e carregado com um sotaque hispânico, muito por causa dele ter sido dublado por Antonio Banderas, ator espanhol famoso mundialmente e que já estrelou muitas produções em Hollywood na versão original americana. Aliás, aproveito e dou meus sincero parabéns ao brilhante trabalho desenvolvido na versão brasileira pelo Alexandre Moreno, (responsável por fazer a voz do Jason, primeiro Ranger Vermelho em Power Rangers dos anos 1990). Cujo timbre de voz que ele usou para representar este personagem conseguiu transmitir bem a essência do Gato de Botas como um sujeito bem canastrão, e bem malandrão no estilo espadachim Zorro e com toques bastante galanteadores de um Don Juan. A maneira como o Gato de Botas foi apresentado no arco da história se utilizando do olhar de coitado para dar o bote fez ele cativar tanto o público que se tornou presença frequente nos filmes seguintes e em 2011 ganharia um filme próprio que se passa antes dos eventos de Shrek. Representou mais um acerto da Dreamworks.

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