quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

RUBEM ALVES E O PENSADOR

“Minha filha me fez uma pergunta: “O que é pensar?” Disse-me que esta era uma pergunta que o professor de filosofia havia proposto à classe. Pelo que lhe dou os parabéns.



Primeiro por ter ido diretamente à questão essencial. Segundo, por ter tido a sabedoria de fazer a pergunta, sem dar a resposta.

Porque, se tivesse dado a resposta, teria com ela cortado as asas do pensamento.

 O pensamento é como a águia que só alça voo nos espaços vazios do desconhecido.

Pensar é voar sobre o que não se sabe. Não existe nada mais fatal para o pensamento que o ensino das respostas certas. Para isso existem as escolas: não para ensinar as respostas, mas para ensinar as perguntas.

As respostas nos permitem andar sobre a terra firme. Mas somente as perguntas nos permitem entrar pelo mar desconhecido.”

Rubem Alves(1933-2014), em A Alegria de Ensinar. Escultura O Pensador(1904) do francês  Auguste Rodin(1840-1917).


quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

30 ANOS SEM O CRIADOR DO SUPERMAN

 

No dia 28 de Janeiro de 1996, partia para o  andar  de cima, o  criador do Superman Jerry Siegel(1914-1996).




Nascido em Cleveland, Ohio, em 17 de Outubro de 1914. Era o caçula dos seis filhos de imigrantes judeus da Lituânia.

Seu pai era um pintor de placas e dono de uma loja de materiais, sempre procurava encorajar as inclinações artísticas do filho, isso até ocorrer o trágico episódio do assalto a loja do seu pai  e com esse susto ele acabou sofrendo um ataque cardíaco que o levou a morte.





Foi quando ingressou na Greenville High School que ele conheceu seu futuro parceiro na cocriação do Superman Joe Shuster(1914-1992).

Nas palavras de Siegel sobre Shuster:

Quando Joe e eu nos conhecemos, foi como dois elementos se juntassem em uma perfeita reação química.”

Shuster que era canadense, mas assim como Siegel o fato de além de terem nascidos no mesmo ano, também carregavam descendência judaica o que gerou uma forte conexão, sendo Shuster filho de pai holandês que era alfaiate e sua mãe era ucraniana. Joe Shuster era primo do comediante Frank Shuster(1916-2002), que junto a Johnny* Wayne(1918-1990) a dupla humorística Wayne&Shuster.





       Com quem ele dividiu a autoria da criação do Superman para a revista Action Comics em 1938.

      Pode-se dizer que o Superman reflete um pouco de seus criadores, o fato de simbolizar um ser alienígena, que veio se refugiar na Terra ainda bebê depois que sua terra natal Kripton foi destruída.  E defende a humanidade que o acolheu, mesmo essa humanidade sendo preconceituosa com os diferentes.




        Traz uma metáfora interessante sobre ele simbolizando um pouco de cada  imigrante vivendo na América, na Terra das Oportunidades.  Sendo Shuster canadense e Siegel que carregava sangue de imigrantes lituanos e ambos carregavam sangue judaicos, isso tudo torna a obra muito fascinante.




A história da relação deles tanto profissional quanto pessoal é muito explorado na obra biográfica A História de Joe Shuster: O Artista por trás do Superman.

         Trata-se de uma HQ(História em Quadrinhos) biográfica sobre o cocriador do Superman de autoria da dupla Julian Voloj(Roteiro) e Thomas Campi(Arte).




 A obra originalmente publicada em 2018, ano dedicado ao  80ª aniversário do Superman.

      Contada pela ótica do próprio Shuster em primeira pessoa, a obra nos apresenta uma outra faceta interessante a respeito do cocriador do Superman e de como ele se relacionava com Jerry Siegel, seu parceiro na criação do Superman, de como foram os bastidores da criação do Superman e de como sua vida não foi nada glamourosa ao contrário do que muitos fãs imaginam.

Ainda mais  depois que sua famosa criação foi um sucesso,  ele passou anos sem receber um centavo de royalties, por conta de um acordo que precisou assinar com uma empresa de quem ele cedeu  e não recebeu crédito nenhum por isso e de como isso gerou a indignação do seu parceiro Jerry Siegel foi o que mais lutou na justiça para obter de volta a propriedade intelectual do Superman.

Também vai nos mostrando ao longo das páginas diferentes momentos da vida de cada um,  onde Shuster como fio condutor da narrativa nos apresenta como se deu sua trajetória de criar o Superman,  quando as primeiras páginas iniciam com ele idoso em 1975, jogado na rua e encontrado por um guarda que o leva a uma cafeteria, lá ele começa contando de sua família judia vinda da Holanda que imigrou para o Canadá de onde ele nasceu em 1914 e de como conheceu seu parceiro Jerry que colaborou com ele na criação do Superman e de como ele inconformado com isso, mas fez de tudo para exigir seu reconhecimento.

É uma leitura que super recomendo para conhecer mais outras camadas que envolvem seus criadores.

Trata-se de uma leitura envolvente com ilustrações incríveis de Thomas Campi, que se utiliza de uma técnica fotorealista em cada ângulo de quadro de cena, com uma expressividade sensacional e uma qualidade perfeita em especial nas paletas de cores solares.

A estética textual e ilustrativa do quadrinho traz muito um toque vintage que te faz imergir na história, conhecendo e se aprofundando um pouco sobre os criadores do Superman e vendo que nem sempre a relação dele era perfeita e de como no fim da vida, Siegel foi quem mais batalhou contra o sistema industrial sem receber nenhum royalties pela sua criação que o levou a vive na amargura da pobreza.

Um soco no estomago em retratar o lado pobre das industrias de entretenimento e seus esquemas predatórios. Recomendo.

Im Memoriam,

Jerry Siegel.

*Não confundir esse Johnny Wayne com John Wayne(1907-1979), o astro dos westerns. Já que apesar deles serem homônimos as grafias dos seus nomes  nos créditos são muito diferentes. 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

BRIGITTE BARDOT INSPIROU BARBARELLA.

 

Quem já teve a oportunidade de assistir ao filme BARBARELLA (Itália, França, 1968) deve bem saber se tratar de um clássico cult idolatrado pelos amantes de ficção científica, estrelado por Jane Fonda que virou uma símbolo sexual.







Pois bem, esse filme foi inspirado numa HQ do francês Jean-Claude Forest(1930-1998) que a publicou em 1962, e cuja inspiração para  desenha-la foi na atriz Brigitte Bardot (1934-2025) na época já uma consagrada musa do cinema.

Ironicamente quem dirigiu esse filme foi o renomado cineasta francês Roger Vadim(1928-2000) que dirigiu o célebre E Deus Criou a Mulher (1956) estrelado pela BB. Curioso não.




       Essa HQ com a temática space opera com pegada de erotismo foi concebida no momento em que o mundo estava de olho com a corrida espacial e estava a Revolução Sexual.

       Publicado no formato de tirinhas  para a Revista V-Magazine que aqui no Brasil teve algumas de suas edições traduzidas em português pelo famoso comediante Jô Soares(1938-2022).

        Forest a criou bem com uma pegada de heroína cósmica futurista  e com grande  sexy appeal para os leitores, trazendo muito do reflexo das transformações e revoluções que o mundo estava passando nos anos 1960. Era a época da Corrida Espacial, que simbolizou  bem a disputa  hegemônica política da Guerra Fria entre os EUA e a União Soviética.

        

           Junto a isso estávamos vivendo  o movimento da contracultura em várias manifestações artísticas, foi nessa época  que estava tendo também   a luta pelos direitos civis e pela liberdade sexual.

     Foi unindo todas estas características do momento que o mundo vivia, fora também as outras fórmulas de sucesso, principalmente da ficção científica que era o gênero favorito do autor, que adorava ler quadrinhos de Flash Gordon e Buck Rogers, e de tramas bem aventurescas. 

         Além do mote do quadrinho da protagonista  ter característica de ficção cientifica,  outro ponto característico era o seu apelo erótico com perfil até de  ninfomaníaca, onde encarava o perigo se oferecendo para transar, característica está  bem influenciada pelo momento da revolução sexual que o mundo passava.

 

        E pelo traço caracteristicamente erótico com o estereótipo de loira fatal  com lábio carnudo, que o autor se inspirou para desenhar  na bela musa francesa do cinema dos anos 1950/60 Brigite Bardot como já foi descrito no começo do texto. 

 

          Todas estas características foi o que serviu de base para este filme em questão que literalmente foi uma produção multinacional franco-italiana.




         Além de contar com a direção do renomado cineasta francês  Roger Vadim como mencionado no começo do texto, o  filme teve a produção-executiva  do italiano Dino de Lauretiis(1919-2010) um respeitado empresário do ramo, foi ele  quem comprou os direitos de adaptação da obra, e filmou todas as locações do  filme em seus estúdios em Roma.

         O seu roteiro contou com a assinatura do americano Terry Southern(1924-1995) que dividiu essa função com Vadim.

        Foi distribuído mundialmente pela Paramount Pictures, uma das maiores produtoras de Hollywood. Além de contar com um impecável trabalho de design visto  a frente do seu tempo para representar uma grande inovação na história do cinema, cuja direção de fotografia contou com a assinatura de Claude Renoir*(1913-1993), mas da maneira muito caótica como o  roteiro foi construído,  resultou num grande fracasso de bilheteria.

        Dos 9 milhões de dólares gastos na época, só conseguiu arrecadar apenas 2,5 milhões de dólares,  mesmo investindo num marketing pesado com a protagonista posando nua para a Penthouse, uma equivalente a Playboy no Reino Unido caracterizada como a personagem.

            Ainda assim não foi o suficiente para atrair a bilheteria. Somente com o passar dos anos, quando o filme foi sendo revisitado e  redescoberto é que ele ganhou um grande notoriedade e  reconhecimento a ponto  de ser considerado um clássico   cult movie.

      Uma das principais razões para  explicar  isso pode estar talvez no fato da estética do filme carregar muitas características referentes  as formulas bem clichês de como eram concebidos os filmes do gênero da ficção cientifica da época.

 

         Que eram tanto na parte técnica visual cheia das extravagâncias, com uma fotografia que usava e abusava do tom das cores bem aberrantes para criar um ar bem cartunesco, somados também aos outros designs toscos  de produção como a criação do disco voador, os efeitos especiais das pistolas a laser, as caracterizações das criaturas e principalmente os chamativos figurinos espalhafatosos dos personagens, principalmente dos decotes femininos com toques bem provocantes,  beirando ao ridículo de tão cafonas, a ponto de mais parecerem umas encenações circenses.   

 

      Muito disso pode ter haver com o fato de que como o gênero da ficção cientifica sempre foi visto como uma maneira fantástica  de diversão escapista, como refúgio da cruel realidade. Uma imersão da descrença.

         O que de certa forma dá para poder relevar o nível da qualidade  brega explorado neste tipo de produção com os  cenários e os figurinos bem carnavalescos.   

 

         O que neste aspecto, o filme  Barbarella cumpre bem esta função, já que a protagonista em diferentes momentos vive trocando constantemente os figurinos com um tom mais decotado e provocante que o outro, isto pode ser sentido desde a cena de abertura dela fazendo strip-tease dentro da sua nave em gravidade zero.

         Não só com os figurinos da protagonista, mas também com os figurinos de outros personagens que vão aparecendo no decorrer do filme, como do caçador Mark Hand trajando uma espécie de macacão cheio de penas, que já cria um tom bem extravagante, deixando ele ficar parecendo um urso gigante, ou mesmo do próprio design de produção de Sogo que é capenga.

         Ao mesmo tempo que ele trabalhou bem, mesmo com recursos limitados de edição os  elementos de psicodelismo como um bom refúgio da realidade.

 

           Como na cena onde ela invade o local de sono da Rainha Negra e entra por diferentes mundos, onde podemos apreciar uns espetáculos visuais de formações geométricas.

        Não só o design de produção representa a maior prova de que o filme seguiu bem esta formula estética  comum dos filmes de ficção cientifica da época.

 

          Como também o  próprio formato do enredo com um ar bem aventuresco e também  com uma pegada detetivesca influenciada pelos filmes de James Bond  onde a nossa heroína é incumbida de uma missão de investigar o sumiço de um astronauta chamado Duran Duran, que da metade da história  temos uma grande reviravolta dele ser o grande vilão dessa história.

      Mesmo apresentando entre seus maiores  problemas:

1)Um texto sofrível cheio de diálogos bobos e facilmente risíveis, que acaba causando muitas quebras  de ritmos narrativos e de tons.

2) Algumas interpretações sofríveis de atores em  personagens muito bobos ou mesmo bastante deslocados do contexto num filme de ficção cientifica com ar mais de comédia erótica.

 3)A construção do cenário capenga e um tanto tosco  de Sogo.

 4) O ato final terminar de uma forma muito decepcionante, onde o vilão é derrotado sofrendo  pelo seu próprio feitiço, com o plano mirabolante de conquistar Sogo, ele acaba sendo morto pelo raio positrônico, graças a aliança da heroína com a Rainha Negra de Sogo que sendo destruída pela catástrofe onde termina com ela e a Rainha sendo salva por Pygar em um final aberto. 5) O momento bizarro e até vergonhoso de ver a protagonista fazendo uma espécie de sexo transcendental através de uma pílula de transferência de exaltação que ela dá para  Dildano  onde eles transam só encostando  as mãos. E nas mãos de Dildano sai um vapor e ele se descabela completamente para simbolizar a sua excitação.

        Enfim, mesmo com todos estes problemas aqui mencionados,  boa parte ocasionados pela construção caótica do roteiro que foram sendo  escritos e reescritos passando por outras mãos, ainda assim não pode negar que Barbarella representou sim uma forte contribuição e um grande legado, especialmente para a cultura pop musical.

 

     A prova disso está que em 1969, o cantor brasileiro Jorge Ben Jor, quando assinava apenas como Jorge Ben lançou uma canção intitulada de Barbarella em referência justamente a essa personagem como nesse trecho:

Na dimensão azul e rosa
Do infinito celestial da quinta galáxia
Quem me dera eu ser intergaláctico
Para estar dormino nas estrelas
Só falando de amor com você

Pois eu sonhei com você, Barbarella
Pois eu sonhei com você, Barbarella

      Cuja sonoridade entra no clima psicodélico cósmico  do filme.  

      Na década de 1980, o nome do vilão do filme  Duran Duran  interpretado pelo irlandês  Milo O´Shea(1926-2013)  inspirou o  nome   da banda inglesa de pop rock e new wave Duran Duran que posteriormente  faria uma canção referente a heroína intitulada de Eletric Barbarella que compõe o repertório do nono álbum de estúdio da banda Medazzaland, lançado em 1997.    

          Em 1994, a cantora australiana Kylie Minogue lançou o videoclipe da canção Put yourself in my place inspirada na cena de abertura do filme se despindo completamente em gravidade zero num foguete vagando no espaço.

         E como se não bastasse isso, em 2014, o videoclipe de  Break Free da cantora Ariana Grande foi completamente inspirado no filme, com tudo que se pode imaginar, especialmente na atmosfera aventuresca e com  ela e os figurantes usando  os figurinos extravagantes e a cantora  encenando a memorável cena  da protagonista se despindo em gravidade zero dentro da nave.

         Mesmo que a letra da canção não tivesse nada a ver com o enredo do videoclipe com toda uma atmosfera cósmica.

        Inclusive a parte musical no filme é fantástica. Contou com  a produção de Bob Crewe(1930-2014), Charles Fox, Michel Magne(1930-1984) e James Campbell(1931-2010).

         Bob Crewe é quem  ficou  responsável por  tocar na abertura onde no primeiro trecho a compara  com a Mulher-Maravilha e a definido como uma mulher psicodélica. Também ficou responsável por cantar Love,Love,Love, Drags me Downs e a canção de encerramento An Angel is Love acompanhado da banda The Glitterhouse. Já os outros se encarregaram bem de produções as músicas incidentais de cada cena, que ficaram incríveis.

         Principalmente a cena onde a coitada da heroína está mantida prisioneira por um bando de pivetes gêmeos bem endiabrados que a acorrentam num pilar e ligam uns bonecos com dentaduras de aço para morde-la. E ela vai sendo salva pelo caçador Mark Hand.  Entre alguns fatos curiosos sobre a produção estão:

1) Os figurinos extravagantes de todos os personagens contaram com dedo de dois nomes importantes da moda, como o espanhol Paco Rabanne(1934-2023) e do francês Jacques Fonteray(1918-2013).

2)O nome de SoGo, trata-se de uma referência  a cidade bíblica  de Sodoma e Gomorra.

3) O filme apresentou algumas cenas que precisaram serem cortadas. Dentre essas uma foi a tórrida cena de beijo da protagonista com a Rainha Negra de SoGo, o que é compreensivo, aquilo poderia  chocar bastante.

 

        Pois  o filme por si só já era bem sensualmente provocante. Já a outra, tipo se a cena dela com Dildano já era muito bizarra, imagine o quão tosco teria ficado se a mesma com outro ator no papel com a protagonista completamente pelada. Ai a apelação já ultrapassaria todos os limites mesmo do aceitável.

         De todo jeito, pode-se concluir que o filme mesmo com todos os problemas que o tornem visto mais como um bom exemplo de filmes trash, ainda assim não se pode negar a sua grande contribuição para o cinema.

       Talvez não teríamos Star Wars na década de 1970. 

 

     O seu  elenco ele é  muito multinacional, como a presença da   americana Jane Fonda, filha do grande ator Henry Fonda(1905-1982) e irmã de Peter Fonda(1940-2019)  que na época já figurava como uma sex symbol  de Hollywood estando no auge da beleza foi a responsável por protagonizar o filme.

         Ela não foi a primeira escolha ao papel, antes   foram sondados  por outras belas atrizes que também figuravam como  grandes  musas que foram as italianas  Sofia Loren e Virna Lisi(1936-2014), que simplesmente recusaram.

          Jane Fonda conseguiu bem transmitir em cena ao desempenhar a personagem todo o ar de sexy appeal, apesar de sofrer um pouco com o texto bastante fraco, com diálogos muito facilmente risíveis por apresentar um  teor bastante patético de tanto beirar ao ridículo. Resultado do roteiro caótico, especialmente pela ideia doida do produtor Dino de Laurentiis  de gravar o filme em duas diferentes línguas sendo que  a Torre de Babel já estava feita pela quantidade de atores de diferentes países que participaram dessa produção, além da já mencionada Jane Fonda, atriz americana como protagonista.

          Dentre as outras participações de atores multinacionais no filme estavam  do célebre mimico francês Marcel Maceau(1923-2007) como o Professor Ping, o britânico David Hemmings(1941-2003) no papel do abobalhado revolucionário Dildano, o italiano Ugo Tognazzi(1922-1990) como o caçador Mark Hand, a italiana Anita Pallenberg(1942-2017) na pele da Rainha Negra de Sogo, o americano John Phillp Law(1937-2008) como o anjo Pygar dentre outros e o francês Claude Dauphin(1903-1978)  no papel do Presidente da Terra.

 

Por essa e outras, posso concluir que Barbarella tem seu charme e o seu grau de importância para a cultura pop.

*Esse Claude Renoir que foi o diretor de fotografia de Barbarella  nasceu no berço de uma importante família muito ligada a arte na França. Ele era filho dos atores Pierre Renoir(1885-1952) e Véra Sergine(1884-1946). Era sobrinho do cineasta Jean Renoir(1894-1979) e era neto do pintor impressionista Pierre-Auguste Renoir(1841-1919).


segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

60 ANOS DO SERIADO DO BATMAN

 

No dia 12 de Janeiro de 1966, estreava na emissora americana ABC o seriado do Batman(1966-1968).





Uma produção que até hoje é muito cultuada principalmente pela geração que tem a faixa etária dos meus pais que tiveram  seu primeiro contato com o simbólico herói da DC Comics, onde até mesmo um futuro ator de Hollywood que representou o Batman no cinema pegou essa referência da série.


Para compreender sua importância e todo o culto de legião de fãs que existe em torno da obra, mesmo entre as gerações posteriores vamos primeiramente analisar aqui o contexto dos antecedentes até chegar a essa série.



Quando o seriado foi concebido, o Batman  já era um personagem consolidado na cultura pop, surgido na revista Dectetive Comics em Maio de 1939, criado por Bob Kane(1915-1998) e Bill Finger(1914-1974).






Cujo o mote da sua história girava em torno do personagem Bruce Wayne, um órfão herdeiro de família rica que assume a persona de vigilante mascarado para combater o crime,  após testemunhar na infância os pais serem mortos por bandidos que o assaltaram dentro de um beco escuro.



Uma situação que bem refletia aquele momento em que na década de 1930 nos Estados Unidos, a bandidagem estava assombrando o pais com as máfias dominando espaços de bares, comércios, dentre outros. Muito disso, uma consequência do alto índice de criminalidade urbana que vinha assombrando o pais desde a Queda da Bolsa de Valores de Nova York em 1929, que ocasionou no alto índice de desemprego, que como consequência levou para esse problema.




Foi nisso que a cultura pop do cinema e dos quadrinhos se inspirou em trazer um toque de  escapismo a população americana.

Antes de surgir esse seriado, o Batman já tinha ganhado uma adaptação audiovisual, sendo que o primeiro registro ocorreu em 1943, num formato de cinessérie, que foi uma produção da Columbia Pictures, estrelado por Lewis Wilson(1920-2000) como Batman e por Douglas Croft(1926-1963) como o Robin que eram exibidos nas telonas do cinema antes das grandes sessões matinês*.




Também na década de 1940 foi lançada outra adaptação no formato cinessérie em 1949, também da Columbia Pictures,  onde o Batman foi representado por Robert Lowery(1913-1971) e o Robin por John Duncan(1923-2016).

Essas produções haviam caído no esquecimento, na ocasião em que o seriado foi lançado.

Um dos  principais fatores  do porque quando se estuda sua influência no audiovisual, o seriado dos anos 1960 figurar como a referência pioneira  e se criar toda uma idolatria em torno dele está relacionado ao contexto da transformação que a televisão americana  estava vivenciando na segunda metade dos anos 1960.

Foi nesse período que os aparelhos de televisão nas casas dos americanos começaram a transmitir em cores.

Uma década antes, quando o sistema televisivo começou a operar em solo americano, cujo número de residências havia obtido um grande percentual de aparelhos de televisão. Foram surgindo empresas especializadas naquele ramo especifico da televisão,  estações de tv, canais exibindo imagens e sons em ondas hertzianas  chamados popularmente de emissoras como ficaram conhecidas, palavra derivada da palavra emissão para transmitir.

O surgimento dos aparelhos de televisão nas residências dos americanos, afetou diretamente o cinema. E o primeiro a sentir esse impacto por incrível que pareça foi o jornalismo, isso porque antes de existir o telejornal informativo havia o cinejornal que eram  curtas-metragens documentais exibidos nos cinemas antes dos filmes principais, servindo como principal fonte de notícias e entretenimento visual para o público antes da popularização da TV, registrando eventos históricos, sociais e culturais com uma perspectiva oficial ou, em casos como o Canal 100, mais informal, atuando como importantes documentos históricos e ferramentas de propaganda ou informação.”

(Texto extraído de pesquisa do Google).

Como se não bastasse isso tudo nos Estados Unidos, foi aprovada uma lei que deu fim a venda dos ingressos por casadinha onde se assistia a um curta-metragem antes da exibição do filme principal.

Foi durante a década de 1950, que as grandes corporações de cinema passaram a se aliar ao mercado de televisão passando a exibir nas emissoras os grandes clássicos do cinema na tela pequena e caseira  de um aparelho de tubo com imagem bombê e em preto e branco, onde a pessoa assistia gratuitamente o filme sem pagar o ingresso.

Foi a partir desse período que começou a se denominar os grandes artistas de cinema como celebridades, e não mais como astros e estrelas. Isso ocorria porque o tamanho da tela grande do cinema criava uma sensação de imponência de engrandecimento a uma estrela a tornando grande como uma mitificada divindade do Monte Olimpo.

Ainda mais quando Hollywood se industrializou e transformou os nomes dos atores em grandes marcas para atrair o público. Com certeza, muita gente já pagou um ingresso para assistir a algum filme que mesmo não sendo do seu estilo favorito, mas de saber que no seu elenco conta com nomes como: Jack Nicholson, Cameron Diaz, Sylvester Stalonne ou mesmo Scarlett Johansson vão justamente pelo peso da marca dos nomes que atraem muito lucro para as grandes corporações.

Já com a tela pequena da tv tubo, a coisa mudou um pouco,  passaram a serem denominadas como celebridades nome derivado “do latim  celebritas, que significa "grande público" em um lugar, "afluência" e, figurativamente, "fama". A celebridade é muitas vezes retransmitida pela mídia.  O que é célebre é conhecido, falado ou comentado por muitos, obtendo reputação e renome.”(Wikipédia).

Ou mesmo famosos, derivado de fama, muito conhecido, especialmente pelo grande público, por muitas pessoas; célebre, notável, popular, renomado, admirável.

Foi também nesse contexto dos anos 1950, que começaram a surgir os primeiros formatos dramatúrgicos feitos para a televisão ainda em preto e  branco que envolvia os seriados de televisão, minisséries, produções de cinema feitas especificamente para a televisão, soap operas** e novelas*** que foi algo que foi bastante concentrado  aqui no Brasil quando em Setembro de 1950 foi inaugurada a TV Tupi pelo magnata da comunicação Assis Chateaubriand(1892-1968).

Nesse formato televisivo experimental  contou com os primeiros profissionais que escreviam os roteiros egressos do rádio, do cinema, do tradicional teatro e também contou com atores da antiga Hollywood que viviam no ostracismo, conseguindo renovarem nas suas carreiras graças a televisão, ainda mais quando justamente foi a partir do acesso a tv exibindo as obras que eles estrelaram de décadas atrás que eles se conhecidos de novas gerações.

Foi no contexto da década anterior da televisão nos Estados Unidos que entramos no foco especifico do texto dedicado aos 60 anos do seriado do Batman.

Pois bem, foi nesse período  da evolução do uso das cores da televisão nos Estados Unidos que surge o seriado do Batman.

O seriado foi uma produção da Fox, que teve a produção executiva de William Dozier(1908-1991) que também foi o narrador em off da série, contou entre seus roteiristas com Lorenzo Semple Jr.(1923-2014), o próprio criador Bob Kane, o co-criador não creditado Bill Finger, e o próprio Dozier e outros creditados que escreveram cada um episódio do seriado.

Assim como cada um dos 60 episódios das três temporadas produzidas entre 1966 a 1968 é creditados a diferentes diretores.

Muito da sua estrutura trazia um toque humorístico de estética camp, algo que para a minha geração que já pegou como referência a representação do Morcegão representado na série animada dos anos 1990, cuja estética bebia da fonte do estilo gótico dos filmes de Tim Burton e da pegada violenta da saga  da Graphic novel de Frank Miller com O Cavaleiro das Trevas trazendo o toque sério, tende a abominar a estética cômica dessa obra pelo seu toque de breguice da pop art, que confere um ar infantilizado para se dizer o mínimo.

No entanto, é preciso levar em conta que o seriado propositalmente trazia esse toque infantil, pelo fato de que ela foi concebida num momento em que as publicações das revistas do Batman também estavam seguindo por esse caminho.

Isso ocorreu depois que em 1954, foi publicado o polêmico livro do psiquiatra germano-americano Fredric Wertham(1895-1981) que passou a perseguir a indústria dos quadrinhos****.

A origem para ele  escrever  esta controversa  obra condenatória aos quadrinhos foi  baseado nos seus  estudos investigativos que vinham analisando para tentar compreender o porquê do alto índice de delinquência juvenil  entre a população americana da década de 1950.

A partir da publicação deste livro, surgiu então a organização da Comics Code Authority, que passou então a ser o regulador das Hqs, originando a figura do inimigo real dos super-heróis.

Como nesta época também coincidiu do cenário político americano dos anos 1950 viverem muito turbulento. A Segunda Guerra Mundial tinha acabado ainda recente, e boa parte da geração jovem que participou do conflito tinham voltado para casa mentalmente perturbados, e muitas crianças dessa época eram órfãs de alguns combatentes que voltariam para casa sem vida. 

Era também o começo da Guerra Fria, o conflito de interesses político e ideológicos entre os Estados Unidos com a União Soviética. 

Dentro do território americano foi adotado a política macarthista de caça aos comunistas. Que ocasionou em um período apavorante para os cidadãos americanos comuns que eram alvos de constantes vigília do governo e eram presos sem justificativa, sofriam abusos e torturas.

 E nesta época boa parte das famílias procuravam prezar pelo conservadorismo puritano. O mesmo Wertham que escreveu Seduction of the Innocents, também foi autor da teoria de Batman ter um relacionamento gay com Robin.

E como nessa época a homossexualidade era tratada como um tabu, sendo vista como um caso clínico de desvio de comportamento psicopático.

Por conta disso, os roteiristas para se adequarem as normas do CCA, tiveram que apresentar uma histórias das mais suavizadas, principalmente na violência gráfica, nos diálogos dentre outros fatores.

E a série foi nesse segmento, especialmente quando eles criaram figura de uma parenta de Dick Grayson/Robin  que convive na mansão Wayne chamada de Harriet Cooper, a Tia Harriet que cuida de Bruce e Dick e vive com o mordomo Alfred Pennyworth para não gerar nenhuma desconfiança de conotação homoafetiva entre a dupla dinâmica e para justificar deles   manterem suas identidades secretas.

E levando em conta como eu já havia colocado no começo do texto que a obra foi concebida naquele momento onde a televisão americana estava vivendo o surgimento das cores, pois bem, a obra soube bem como explorar o jogo das paletas de cores bem berrantes principalmente na cena da dupla dinâmica lutando com os vilões onde aparecem  os efeitos das onomatopeias referentes aos quadrinhos que deixava sua estética bem cartunesca.

Dentre os atores que participaram das três temporadas do seriado contou com a participação de nomes veteranos da antiga Hollywood como: Cesar Romero(1907-1994) que foi um grande galã do cinema na década de 1940, estrelou em produções que contou com o protagonismo  da brasileira Carmen Miranda(1909-1955) cujo fato curioso quando encarnou o Coringa na série era o fato de que como ele era bigodudo isso dava  um trabalho para ele ser maquiado e como ele se recusava a tirar o bigode, isso já resultou em muita dor de cabeça para a produção.

Além dele também contou com a participação de Burgess Meredith(1907-1997), na pele do Pinguim, cuja risadinha característica o tornaram icônico, ainda mais pela maneira como ele transformava o seu guarda-chuva numa arma, principalmente gases soníferos. Meredith também já era um veterano do cinema na época que participou da série e anos depois faria o Mickey Goldmill na franquia Rocky(1976-1983).

Assim como Frank Gorshin(1933-2005) que representou o Charada, Vicent Price(1911-1993) que representou o Cabeça de Ovo, Victor Buono(1938-1982) como Rei Thut, David Wayne(1914-1995) como Chapeleiro Louco, Madge Blake(1899-1969) como a Tia Harriet, Neal Hamilton(1899-1984) como o Comissário Gordon,  Staford Repp(1918-1974) como o Chefe O´Hara e Alan Napier(1903-1988) como Alfred.

Muitos desses veteranos do cinema, do mesmo modo que o protagonista Adam West(1928-2017) que antes de ficar marcado no papel, já tinha um longo currículo em papeis medíocres.

Ele em cena mostra um excelente desempenho do Batman canastrão, fora de forma, fazendo dancinha, usando um bermudão numa cena da praia, encarando uma disputa de surf com o Coringa, enfrentando um tubarão de borracha enfim, ele mostra conseguir entrar no tom cômico pastelão da obra.

Assim como destacar o bom desempenho de Burt Ward estreando em seu primeiro papel com apenas 20 anos representando o Robin, o fiel parceiro do Batman, ele que no ano passado completou 80 anos, figura até o momento em que escrevo esse texto como um dos poucos atores vivos do seriado.

Um dos momentos mais memoráveis do seu desempenho como Robin no seriado eram os bordões onde ele sempre começava com santa, santo, quando demonstrava uma reação de surpresa, ou mesmo de perigo,  que no original ele dizia Holly, mas que na versão dublada nos 1960 do estúdio paulista da AIC***** onde o saudoso dublador Rodney Gomes(1936-2006), captou essa essência memorável com as frases marcantes entre elas:

Santa Barbaridade, Batman.

Que bem simbolizava essa essência cômica do seriado.

Do mesmo  modo vale mencionar  os desempenhos de Yvone Craig(1937-2015) como a Barbara Gordon/Batgirl, o desempenha dela  em cena é sensacional, principalmente na maneira como ela distinguir a Barbara Gordon com o uniforme e sem o uniforme também é incrível.

Também mencionar os bons desempenhos de Julie Newmar como a Mulher-Gato, ela já tinha uma extensa carreira na televisão e no cinema, a maneira como ela mostrou uma boa desenvoltura para representar em cena a sensual felina com seus rosnados, acabou ajudando de forma indireta, ela foi a responsável por trazer de volta a personagem as publicações dos quadrinhos. Depois de um curto período de ausência  causado pelos censores do CCA( Comics Code Authority). 

Julie Newmar até o momento em que escrevo também figura como a única atriz viva do elenco do seriado.  Com 92 anos, ela tem cuidado do único filho que tem problemas de audição e tem Síndrome de Down e tem lidado com o drama da Doença de Charcot-Marie-Tooth. No seriado ela foi substituída na temporada final pela cantora Eartha Kitt(1927-2008).

Do mesmo como também brilham os atores Neal Hamilton que mostra um desempenho sensacional do Comissário Gordon, ainda mais quando ligava para o Batman para pedir com uma ameaça que os bandidões perigosos ligando por um telefone particular vermelho e com interação com o Chefe O´Hara muito bem representado por Stanford Repp que tinha um perfil cômico bonachão que equilibrava no contraste a seriedade de Gordon e por fim, mencionar a participação do britânico Alan Napier(1903-1988) como o mordomo Alfred trazendo um toque refinadamente teatral a obra.

Em um balanço geral, posso colocar que o seriado clássico do Batman dos anos 1960 tem seu brilho reconhecido e o seu legado atravesse gerações.

Foi inclusive como eu coloquei no começo do texto  que um dos atores que futuramente faria o Batman no cinema, foi um dos telespectadores mirins que acompanhou, estou me referindo a Val Kilmer(1959-2025), que protagonizou o Batman em Batman Eternamente(Batman Forever, EUA,1995) como ele bem comentou sobre isso no documentário Val(EUA,2021).

Independentemente de quem julgue sua estética a vendo como brega, há de levar em conta  de pelo menos ela conseguiu dá o seu nível contribuição da história pop como a conhecemos.

Santo 60 anos,  Batman.

P.S:O seriado dos anos 1960, também produziu um filme que estreou nos cinemas no dia 30 de Junho de 1966. Que aqui no Brasil ganhou o título em português de Batman: O Homem Morcego. Cuja direção foi de Leslie H. Martinson(1915-2016).    Ele contou com grande parte do elenco da série numa história a parte sem muita ligação com a série de tv. A única ausência foi a Julie Newmar que representou a Mulher-Gato, onde quem assumiu o papel foi Lee Meriwether, uma ex-modelo eleita Miss Estados Unidos em 1955, e que na ocasião estava em alta na tv estrelando a série Túnel do Tempo( The Time Tunnel, EUA, 1966-1967). No filme, ela se destaca pela maneira como consegue atrair o herói para uma armadilha usando como disfarce se fazer passar por uma jornalista soviética Kitka.  Foi nesse filme que aparece a situação que mencionei do Batman enfrentando um tubarão de borracha.

Nessa obra contou com a participação do veterano da antiga Hollywood clássica  Reginald Denny(1891-1967) na pele do Comodoro Schmidlapp que foi o último da carreira que partiu no ano seguinte após o lançamento do filme.

Na série também contou com outros personagens criados exclusivamente além da já citada Harriet Cooper, como o Chefe O´Hara, e alguns vilões como Rei Thut e Cabeça de Ovo.

Além da Mulher-Gato, outros vilões na série também foram mudando de interpretes como o Charada por exemplo, que contou com Frank Gorshin na primeira temporada sendo substituído por John Astin, o astro da série A Família Addams(1964-1966) onde protagonizou o papel do patriarca Gómez Addams e até o momento em que escrevo esse texto, o ator com 95 anos é também um dos poucos vivos que participaram do seriado e é o único vivo  de A Família Addams.

E fora também o exemplo do Senhor Frio, que no seriado foi representado primeiro pelo russo-britânico George Sanders(1906-1972), seguido pelo austríaco Otto Preminger(1905-1986) e por último foi representado por Eli Wallachi(1915-2014).

Foi justamente numa produção sobre Carmen Miranda mencionada que marcaria o ultimo trabalho de Cesar Romero que no caso foi no documentário Carmen Miranda: Banana is Bussiness (1995), com o seu depoimento  filmado antes do seu falecimento no dia 1º de Janeiro de 1994.

 

 

 

 


*Por um bom tempo essas obras haviam ficado apagadas, figurando como mídias perdidas, só sendo redescobertas décadas depois ao serem relançadas pelo mercado de home vídeo ali por volta da década de 1980.

**Soap Opera é o nome que se dá a novela de fácil assimilação e em cujo enredo geralmente  melodramático são inseridas numerosas personagens. O seu significado traduzido literalmente é Ópera de Sabão, em referência ao fato dessas produções nos Estados Unidos serem patrocinadas por marcas de sabão.

***O formato dividido em capítulos semanais da televisão é derivado do nome do gênero literário que consiste em uma narrativa de caráter breve, sendo, porém, considerado o gênero mediano entre o conto, em menor extensão, e o romance, de maior extensão. Dentre as principais características desse gênero estão: o número reduzido de personagens, a sequencialidade dos fatos, a linguagem objetiva, a narração rápida e a variedade de temas. Suas origens remontam aos primórdios do Renascimento, designadamente a Giovanni Boccaccio (1313-1375) e a sua grande obra, o Decameron, que, sobretudo por seu aspecto realista, rompeu com a tradição literária medieval. Trata-se de uma compilação de cem histórias contadas por dez pessoas refugiadas numa casa de campo para escaparem dos horrores da Peste Negra, a qual é objeto de uma vívida descrição no preâmbulo da obra. No Brasil, um dos autores que escreveu uma obra em formato de novela foi Machado de Assis(1839-1908) com O Alienista. Antes do surgimento da televisão, esse foi adaptado no rádio, que se inspirou no formato dos folhetins das historias escritas diariamente nos jornais. Foi na radionovela que surgiram os primeiros roteiristas que escreveriam novelas para a televisão tais como: Janete Clair(1925-1983), Dias Gomes(1922-1999), Cassiano Gabus Mendes(1929-1993), Ivani Ribeiro(1922-1995) dentre outros.

****O temido selo do Comics Code Authority ainda perdurou por décadas  até a sua extinção definitiva ocorrer em 2011.  Em 2021, a editora brasileira Pipoca & Nanquim publicou a HQ biográfica de Wertham intitulada Fredric, William e a Amazona: Perseguição e Censura aos Quadrinhos de autoria da dupla francesa Jean-Marc Lainé e Thierry Olivier que conta um pouco de como foram os bastidores desse momento tão infame na história da indústria dos quadrinhos.

*****Abreviação de Arte Industrial Cinematográfica foi um estúdio de dublagem lendário em São Paulo, ativo principalmente nas décadas de 1960 e início de 1970, famoso por dar voz a clássicos como Os Flintstones e Pica-Pau, e que faliu em meados dos anos 70, dando lugar ao estúdio BKS no mesmo local, mantendo a tradição da dublagem brasileira com vozes icônicas. A AIC funcionou entre 1962 e 1976, sendo um dos primeiros grandes estúdios do Brasil, localizado na Rua Tibério, Lapa, em São Paulo. Afetado pela  crise econômica, a AIC encerrou suas atividades em 1976. O local foi então comprado e transformado no estúdio BKS (Bodham Kostiw Studios), que continuou o trabalho de dublagem.