quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

30 ANOS SEM O CRIADOR DO SUPERMAN

 

No dia 28 de Janeiro de 1996, partia para o  andar  de cima, o  criador do Superman Jerry Siegel(1914-1996).




Nascido em Cleveland, Ohio, em 17 de Outubro de 1914. Era o caçula dos seis filhos de imigrantes judeus da Lituânia.

Seu pai era um pintor de placas e dono de uma loja de materiais, sempre procurava encorajar as inclinações artísticas do filho, isso até ocorrer o trágico episódio do assalto a loja do seu pai  e com esse susto ele acabou sofrendo um ataque cardíaco que o levou a morte.





Foi quando ingressou na Greenville High School que ele conheceu seu futuro parceiro na cocriação do Superman Joe Shuster(1914-1992).

Nas palavras de Siegel sobre Shuster:

Quando Joe e eu nos conhecemos, foi como dois elementos se juntassem em uma perfeita reação química.”

Shuster que era canadense, mas assim como Siegel o fato de além de terem nascidos no mesmo ano, também carregavam descendência judaica o que gerou uma forte conexão, sendo Shuster filho de pai holandês que era alfaiate e sua mãe era ucraniana. Joe Shuster era primo do comediante Frank Shuster(1916-2002), que junto a Johnny* Wayne(1918-1990) a dupla humorística Wayne&Shuster.





       Com quem ele dividiu a autoria da criação do Superman para a revista Action Comics em 1938.

      Pode-se dizer que o Superman reflete um pouco de seus criadores, o fato de simbolizar um ser alienígena, que veio se refugiar na Terra ainda bebê depois que sua terra natal Kripton foi destruída.  E defende a humanidade que o acolheu, mesmo essa humanidade sendo preconceituosa com os diferentes.




        Traz uma metáfora interessante sobre ele simbolizando um pouco de cada  imigrante vivendo na América, na Terra das Oportunidades.  Sendo Shuster canadense e Siegel que carregava sangue de imigrantes lituanos e ambos carregavam sangue judaicos, isso tudo torna a obra muito fascinante.




A história da relação deles tanto profissional quanto pessoal é muito explorado na obra biográfica A História de Joe Shuster: O Artista por trás do Superman.

         Trata-se de uma HQ(História em Quadrinhos) biográfica sobre o cocriador do Superman de autoria da dupla Julian Voloj(Roteiro) e Thomas Campi(Arte).




 A obra originalmente publicada em 2018, ano dedicado ao  80ª aniversário do Superman.

      Contada pela ótica do próprio Shuster em primeira pessoa, a obra nos apresenta uma outra faceta interessante a respeito do cocriador do Superman e de como ele se relacionava com Jerry Siegel, seu parceiro na criação do Superman, de como foram os bastidores da criação do Superman e de como sua vida não foi nada glamourosa ao contrário do que muitos fãs imaginam.

Ainda mais  depois que sua famosa criação foi um sucesso,  ele passou anos sem receber um centavo de royalties, por conta de um acordo que precisou assinar com uma empresa de quem ele cedeu  e não recebeu crédito nenhum por isso e de como isso gerou a indignação do seu parceiro Jerry Siegel foi o que mais lutou na justiça para obter de volta a propriedade intelectual do Superman.

Também vai nos mostrando ao longo das páginas diferentes momentos da vida de cada um,  onde Shuster como fio condutor da narrativa nos apresenta como se deu sua trajetória de criar o Superman,  quando as primeiras páginas iniciam com ele idoso em 1975, jogado na rua e encontrado por um guarda que o leva a uma cafeteria, lá ele começa contando de sua família judia vinda da Holanda que imigrou para o Canadá de onde ele nasceu em 1914 e de como conheceu seu parceiro Jerry que colaborou com ele na criação do Superman e de como ele inconformado com isso, mas fez de tudo para exigir seu reconhecimento.

É uma leitura que super recomendo para conhecer mais outras camadas que envolvem seus criadores.

Trata-se de uma leitura envolvente com ilustrações incríveis de Thomas Campi, que se utiliza de uma técnica fotorealista em cada ângulo de quadro de cena, com uma expressividade sensacional e uma qualidade perfeita em especial nas paletas de cores solares.

A estética textual e ilustrativa do quadrinho traz muito um toque vintage que te faz imergir na história, conhecendo e se aprofundando um pouco sobre os criadores do Superman e vendo que nem sempre a relação dele era perfeita e de como no fim da vida, Siegel foi quem mais batalhou contra o sistema industrial sem receber nenhum royalties pela sua criação que o levou a vive na amargura da pobreza.

Um soco no estomago em retratar o lado pobre das industrias de entretenimento e seus esquemas predatórios. Recomendo.

Im Memoriam,

Jerry Siegel.

*Não confundir esse Johnny Wayne com John Wayne(1907-1979), o astro dos westerns. Já que apesar deles serem homônimos as grafias dos seus nomes  nos créditos são muito diferentes. 

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