No
dia 28 de Janeiro de 1996, partia para o
andar de cima, o criador do Superman Jerry Siegel(1914-1996).
Nascido
em Cleveland, Ohio, em 17 de Outubro de 1914. Era o caçula dos seis filhos de
imigrantes judeus da Lituânia.
Seu
pai era um pintor de placas e dono de uma loja de materiais, sempre procurava
encorajar as inclinações artísticas do filho, isso até ocorrer o trágico
episódio do assalto a loja do seu pai e
com esse susto ele acabou sofrendo um ataque cardíaco que o levou a morte.
Foi
quando ingressou na Greenville High School que ele conheceu seu futuro parceiro
na cocriação do Superman Joe Shuster(1914-1992).
Nas
palavras de Siegel sobre Shuster:
“Quando
Joe e eu nos conhecemos, foi como dois elementos se juntassem em uma perfeita
reação química.”
Shuster
que era canadense, mas assim como Siegel o fato de além de terem nascidos no
mesmo ano, também carregavam descendência judaica o que gerou uma forte conexão,
sendo Shuster filho de pai holandês que era alfaiate e sua mãe era ucraniana.
Joe Shuster era primo do comediante Frank Shuster(1916-2002), que junto a
Johnny* Wayne(1918-1990) a dupla humorística Wayne&Shuster.
Com quem ele dividiu a autoria da criação
do Superman para a revista Action Comics em 1938.
Pode-se dizer que o Superman reflete um
pouco de seus criadores, o fato de simbolizar um ser alienígena, que veio se
refugiar na Terra ainda bebê depois que sua terra natal Kripton foi destruída. E defende a humanidade que o acolheu, mesmo
essa humanidade sendo preconceituosa com os diferentes.
Traz
uma metáfora interessante sobre ele simbolizando um pouco de cada imigrante vivendo na América, na Terra das
Oportunidades. Sendo Shuster canadense e
Siegel que carregava sangue de imigrantes lituanos e ambos carregavam sangue
judaicos, isso tudo torna a obra muito fascinante.
A
história da relação deles tanto profissional quanto pessoal é muito explorado
na obra biográfica A História de Joe Shuster: O Artista por trás do Superman.
Trata-se de uma HQ(História em Quadrinhos)
biográfica sobre o cocriador do Superman de autoria da dupla Julian
Voloj(Roteiro) e Thomas Campi(Arte).
A obra
originalmente publicada em 2018, ano dedicado ao 80ª aniversário do Superman.
Contada
pela ótica do próprio Shuster em primeira pessoa, a obra nos apresenta uma
outra faceta interessante a respeito do cocriador do Superman e de como ele se
relacionava com Jerry Siegel, seu parceiro na criação do Superman, de como
foram os bastidores da criação do Superman e de como sua vida não foi nada
glamourosa ao contrário do que muitos fãs imaginam.
Ainda mais
depois que sua famosa criação foi um sucesso, ele passou anos sem receber um centavo de
royalties, por conta de um acordo que precisou assinar com uma empresa de quem
ele cedeu e não recebeu crédito nenhum
por isso e de como isso gerou a indignação do seu parceiro Jerry Siegel foi o
que mais lutou na justiça para obter de volta a propriedade intelectual do
Superman.
Também vai nos mostrando ao longo das páginas
diferentes momentos da vida de cada um,
onde Shuster como fio condutor da narrativa nos apresenta como se deu
sua trajetória de criar o Superman,
quando as primeiras páginas iniciam com ele idoso em 1975, jogado na rua
e encontrado por um guarda que o leva a uma cafeteria, lá ele começa contando
de sua família judia vinda da Holanda que imigrou para o Canadá de onde ele
nasceu em 1914 e de como conheceu seu parceiro Jerry que colaborou com ele na
criação do Superman e de como ele inconformado com isso, mas fez de tudo para
exigir seu reconhecimento.
É uma leitura que super recomendo para conhecer
mais outras camadas que envolvem seus criadores.
Trata-se de uma leitura envolvente com
ilustrações incríveis de Thomas Campi, que se utiliza de uma técnica
fotorealista em cada ângulo de quadro de cena, com uma expressividade sensacional
e uma qualidade perfeita em especial nas paletas de cores solares.
A estética textual e ilustrativa do quadrinho
traz muito um toque vintage que te faz imergir na história, conhecendo e se
aprofundando um pouco sobre os criadores do Superman e vendo que nem sempre a
relação dele era perfeita e de como no fim da vida, Siegel foi quem mais
batalhou contra o sistema industrial sem receber nenhum royalties pela sua
criação que o levou a vive na amargura da pobreza.
Um soco no estomago em retratar o lado pobre
das industrias de entretenimento e seus esquemas predatórios. Recomendo.
Im Memoriam,
Jerry Siegel.
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