segunda-feira, 30 de março de 2026

30 ANOS DA ESTREIA DO SAÍ DE BAIXO

 

No dia 31 de Março de 1996, estreava nas noites de domingo da Globo  após o Fantástico, o programa humorístico Sai de Baixo(1996-2002).




O programa nasceu de uma ideia que o ator Luís Gustavo(1934-2021) junto de Daniel Filho no começo dos anos 1990, na ocasião em que Daniel se encontrava fora da Globo.  




Havia sido proposto pelo SBT, que se recusou e então foi parar na Globo.

O formato do Sai de Baixo, uma sitcom gravada num teatro teve inspiração no humorístico A Família Trapo (1967-1971) produzida pela RecordTV, cujo enredo girava em torno de uma família rica formada pelo patriarca Pepino Trapo(Otelo Zeloni) de sua esposa  Helena(Renata Fronzi), os dois filhos Verinha(Cidinha Campos) e Sócrates(Renato Corte Real) e do Mordomo Gordon(Jô Soares) lidando com a presença indesejada de Carlo  Bronco Dinossauro(Ronald Golias), irmão de Verinha que é um típico  sujeito de perfil malandro, desagradável, inapropriado que vive infernizando a vida dessa família.



A estética desse programa gravado ao vivo e com plateia trazendo um toque bem teatral  foi o que inspirou posteriormente a estética do Sai do Baixo(Brasil, 1996-2002) produzida pela Globo nos anos 1990.




    Além de contar no elenco com Jô Soares(1938-2022) que além de representar o Mordomo Gordon também foi um dos roteiristas do programa e com Ronald Golias(1929-2005) apresentando pela primeira vez na TV seu famoso tipo surgido no rádio nos anos 1950, o Carlos Bronco. Que ele ainda retornaria com esse personagem na televisão posteriormente na série Super Bronco produzido pela Globo em 1979.

       Entre 1987 a 1990,  Golias estrelou a série  homônima Bronco na Bandeirantes(atual Band) que contou entre as duas  atrizes fazendo suas irmãs Nair Bello(1931-2007) como Vesúvia e Renata Fronzi(1925-2008) como Helena, não por acaso também representou sua irmã  de mesmo  nome em Família Trapo e a última vez que Golias representou o Bronco foi na série Meu Cunhado produzida pelo SBT entre 2004 a 2006.

 


 Seu elenco também contou com Otelo Zeloni(1921-1973) no papel do patriarca Pepino Trapo, Renata Fronzi como a matriarca Helena Trapo e no papel dos dois filhos do casal:  Renato Corte Real(1924-1982) como o Sócrates Trapo e Cidinha Campos como Verinha Trapo que até esse momento em que escrevo esse texto ela figura como a única atriz viva que compunha o elenco fixo da série.

Pois bem, foi dessa forma que originou o programa humorístico do Sai de Baixo, cujo enredo girava em torno do apartamento do Arouche, que é onde reside um senhor chamado Vanderley Mathias ou como é mais popularmente conhecido pelo apelido de Vavá(Luís Gustavo), é nesse apartamento que também funciona o escritório da sua agência de turismo chamada de VaváTur.




Vavá é um senhor solteirão que não tem filhos, convive em seu apartamento com a empregada desbocada da Edileusa(Claudia Jimenez) e com o porteiro  Ribamar(Tom Cavalcanti), namorado de Edileusa,  um sujeito bem tresloucado  que parece não regular bem da cabeça.

Mas o que vai mesmo tirar o sossego de Vavá vai ser quando repentinamente aparece em seu apartamento de mala e cuia na mão,   a sua irmã Cassandra Mathias Salão(Aracy Balabanian), uma senhora dondoca viúva de um brigadeiro que vem acompanhada de sua desmiolada filha Magda(Marisa Orth) e de seu genro mau caráter Caco Antibes(Miguel Falabella).

A razão para eles viverem de favor com Vavá foi: “Por necessidades financeiras, Cassandra, juntamente com sua filha Magda e o marido dela, Caco Antibes, são obrigados a pedir abrigo na casa de seu irmão Vavá. Obrigado, moralmente, a recebê-los, Vavá, sua empregada Edileusa e o namorado dela, o porteiro Ribamar, fazem de tudo para tornar a vida de seus hóspedes indesejáveis um inferno.

No entanto, quem passa a viver um inferno é Vavá, pois sua família não tem o menor problema em se recusar a ajudar nas despesas da casa procurando emprego. Ao contrário, para evitar o trabalho, Caco sempre surge com ideias mirabolantes de ganhar dinheiro fácil.

(Site Teledramaturgia).

O Sai de Baixo teve suas filmagens gravadas com plateia dentro do  Teatro Procópio Ferreira* localizado na Rua Augusta  em São Paulo, que agora no começo de 2026 foi demolido e  contou na sua vasta  equipe de roteiristas com Maria Carmen Barbosa**(1946-2023), Noemi Marinho, Flávio de Souza, José Antônio de Souza dentre outros. Com redação-final assinada por Flávio de Souza, Claudio Paiva, Juca Filho e Mauro Wilson.

E teve sua direção creditada a diferentes diretores ao longo de suas seis temporadas dentre eles estão: Cecil Thiré(1943-2020), Dennis Carvalho(1947-2026), José Wilker(1944-2014), Jorge Fernando(1955-2019) dentre outros.

As gravações aconteciam às terças e quarta-feiras no Teatro Procópio Ferreira, em São Paulo, em duas sessões: uma às 20 horas e a outra às 22 horas. Os ensaios de cada episódio começavam às 13 horas, no próprio dia da gravação. Cada episódio era gravado duas vezes, e na edição do humorístico eram misturadas as melhores imagens de cada gravação.

A primeira sessão era considerada um ensaio geral, já que, na maioria das vezes, tanto a plateia quanto o elenco estavam mais esquentados na segunda sessão.”

(Teledramaturgia).

Também contou com o envolvimento do músico Caçulinha(1938-2024), que nessa época integrava o elenco do Domingão do Faustão(1989-2021) que fazia as músicas incidentais.

O Sai de Baixo estreou nas noites de domingo com a dura tarefa ingrata de encarar o Topa Tudo por Dinheiro, programa apresentado pelo pioneiro da televisão brasileira Silvio Santos(1930-2024) no SBT.

Isso porque até aquela primeira metade da década de 1990, a Globo vinha sofrendo duras derrotas contra Silvio Santos naquela noite dominical.

O Saí de Baixo soube como explorar um estilo de comédia textual, onde o elenco sabia mostrar ser bem afiado para encarar momentos de improvisos, trazendo abordagens do cotidiano tipicamente brasileiro com pitadas de erotismo na entrelinhas do texto.

    O elenco dessa obra contou com a participação de muitos atores feras, um elenco primoroso formado por: Luís Gustavo, já saudoso que foi o idealizador do projeto, ele que já era um dinossauro da televisão brasileira.

Nascido na Suécia, filho de diplomata espanhol que se mudou para o Brasil quando ele era  ainda garotinho com cinco anos, Luís Gustavo acompanhou o surgimento da televisão, começou como contrarregra no rádio onde lá teve o intermédio de seu cunhado Cassiano Gabus Mendes(1929-1993), que o convidou para participar de muitas das novelas que ele escreveu.

Dentre as mais marcantes novelas que ele estrelou está Beto Rockfeller***(1968-1969) da extinta Tv Tupi, escrita por Bráulio Pedroso(1931-1990) que marcou a história da teledramaturgia brasileira.

No Saí de Baixo ele mostrou uma brilhante defesa do Vavá, um sujeito mau humorado que comanda em seu apartamento uma agência de turismo, onde tem de lidar com a presença indesejável de sua família desajustada e folgada, e lidar com dois empregados doidos de pedras.

Outro nome veterano presente no elenco do Saí de Baixo  e que também já partiu para o plano espiritual do mesmo jeito de que Luís Gustavo é Aracy Balabanian(1940-2023) representando a Cassandra, a irmã do Vavá, uma senhora que mesmo  vivendo de favor na casa do irmão, ainda mantém sua postura de dondoca posuda, perfil típico de uma madame coroca símbolo da tradicional elite paulista quatrocentona.

Uma atriz que aquela altura já acumulava um extenso currículo em novelas desde os primórdios da televisão brasileira e também participou de cinema.

Do mesmo modo vale mencionar a presença de Miguel Falabella como o Caco Antibes, aquele tipo bem repugnante com ar egocêntrico, narcisista, que representa aquele típico perfil de pessoa com pedigree que dizia carregar uma   ascendência nobre dinamarquesa, mas que no fundo não passava de um sujeito com complexo de superioridade sociopática, um verdadeiro canalha  para enganar muita gente e tentar passar a perna em todo mundo na malandragem.

O ator começou sua carreira nos anos 1980, fazendo parte das encenações do importante movimento teatral que ficou popularmente conhecido como teatro besteirol, foi lá que contracenou com muitos atores que ingressaram na televisão na década de 1980 assim como ele, cujo primeiro trabalho televisivo  foi na novela Sol de Verão(1982-1983) e foi também na década de 1980 que ele ficou marcado por comandar o extinto Vídeo Show(1983-2019) onde comandou a atração por longos 14 anos entre 1987 a 2001.

Suas performances ao lado de Marisa Orth fazendo a Magda com o bordão do “Cala a Boca, Magda”, tornam esse momento dos mais memoráveis.

Aliás, Marisa Orth em cena como Magda também se mostra incrível e com sua química e entrosamento com Miguel Falabella. A maneira como ela incorpora em cena a figura da Magda com sua atraente beleza, mas com um perfil de mulher sonsa falando errado as colocações das palavras que beira a infantilização faz uma representação bastante impagável.

Ela que  começou sua carreira na televisão integrando o elenco do programa infanto-juvenil Revistinha(1987-1990) na Tv Cultura e em seguida integrou o elenco da novela Rainha da Sucata(1990) representando a Nicinha como pode ser conferido em reprise no Vale a Pena Ver de Novo. Figurando como um novo talento  que estava despontando na televisão brasileira no começo da década de 1990.

Antes do Saí de Baixo ela participou de um episódio da série infantil Mundo da Lua(1991), uma co-produção da Tv Cultura e da Rede Globo. Em 1992, integrou o elenco da TV Pirata em sua temporada final, fez a Valquíria na novela Deus nos Acuda(1992-1993). Em seguida participou de um episódio do Caso Especial no episodio O Alienista exibido em 1993 e de episódios da Comédia da Vida Privada(1995-1997) e do Você Decide(1992-2000) durante o ano de 1995.

Até conseguir um grande destaque e popularidade representando a Magda no Saí de Baixo, que como eu bem já descrevi a maneira como ela em cena a  representava  como uma mulher de beleza atraente, mas de perfil  um tanto patética beirando a infantilidade, principalmente em sua ingenuidade nonsense e com certo ar de ninfomaníaca onde ela imprimiu aquele toque de sex appeal na personagem que a fez tornar uma sex symbol posando até nua para a capa da extinta revista Playboy em Agosto de 1997.



A maneira como ficava subentendido as piadas de cunho erótico deles, era mencionando  a frase do Canguru Perneta, que foi uma criação do próprio Miguel Falabella para rimar com "ganso de jaqueta" e tornou-se uma piada recorrente sobre uma suposta posição sexual exótica, frequentemente mencionada com tom cômico.

Assim como também brilham na série   Tom Cavalcante  como Ribamar, o porteiro completamente sem nenhum parafuso na cabeça do Prédio do Arouche. Ele que iniciou carreira como apresentador no final dos anos 1980, apresentando o Nordeste Rural e o telejornal VM Notícias, produções locais de sua terra natal, o Ceará pela TV Verdes Mares, uma afiliada cearense da Rede Globo.

Foi no final dos anos 1980, que ele teve contato com seu famoso  conterrâneo Chico Anysio(1931-2012) que o convidou para integrar o elenco do Chico Anysio Show e depois para a Escolinha do Professor Raimundo e em Estados Anysios de Chico City, onde ele apresentou o seu famoso personagem João Canabrava, um sujeito bebum.

Pode-se dizer que muito da carreira de Tom contou com o certo apadrinhamento de Chico Anysio.

Ele em cena como Ribamar  incorpora bem a sua essência hiperativa que o tornava bem pitoresco.

E por fim, a última menção do elenco fixo vai para a saudosa Claudia Jimenez(1958-2022) como a Edileusa, em cena a maneira como ela representou a tagarela desbocada foi surpreendente.

Ela que começou fazendo uma participação no primeiro episódio do seriado Malu Mulher(1979-1980) e ao longo da década de 1980 se destacou em programas de humor, onde mostrou um bom traquejo para trabalhar um estilo de humor próprio sem muito filtro.

No seriado o seu desempenho como Edileusa foi magnifico, principalmente pelas interações com Falabella, ela que só esteve presente só na primeira temporada em consequência de sua saída foi  motivada pelo incomodo com as piadas gordofóbicas a respeito do seu peso que os roteiristas colocavam nas falas do personagem.

O que ocasionou de ao longo dos seis anos que o programa durou no ar até chegar ao fim no dia 31 de Março de 2002 em diferentes mudanças de empregadas na família do Arouche, “Lucinete, vivida por Ilana Kaplan, atriz de teatro gaúcha que deixou um papel na novela O Amor Está no Ar(1997) para entrar no Sai de Baixo. Porém, no ar, não agradou e participou de apenas quatro episódios.
        Sua substituta foi Márcia Cabrita(1964-2017), amiga de Miguel Falabella e desde o início sua indicação. A nova empregada, Neide Aparecida, ficou no elenco até a licença-maternidade de Márcia, em setembro de 2000.Sua substituta foi Cláudia Rodrigues, que entrou com uma personagem que já fazia parte de seu repertório: a desbocada Sirene, que permaneceu até o final do programa.”

(Teledramaturgia).

Fora que também ficou marcado pelos conflitos de bastidores, que foram resultando em algumas mudanças de formatos.

Em 1999, o elenco fixo sofre outro desfalque com a saída de Tom Cavalcante que naquele momento ele “negociava com a direção da Globo sua liberação do Sai de Baixo para um programa solo, que viria a ser o Megatom. De início, Tom faria os dois programas simultaneamente. Porém, acabou resolvendo antecipar sua saída do Sai de Baixo intempestivamente, durante a gravação do episódio “Emergente como a Gente” (exibido em 13/06/99). Tom não voltou mais ao elenco e quase ficou sem seu Megatom, que estreou apenas em 2000 (sendo extinto poucos meses depois). Entre 2002 e 2004, o porteiro Ribamar foi integrado ao repertório de Tom, fazendo parte do humorístico Zorra Total. Ribamar também apareceu em programas de Tom no canal Multishow.”

Durante a temporada de 1999, “Marisa Orth engravidou durante a terceira temporada – e, com ela, Magda. Caco Antibes Jr., ou melhor, o Caquinho, passou a fazer parte do elenco em 1999. De início, por meio de um boneco bebê computadorizado, movido por controle remoto e com a voz do dublador Mário Jorge de Andrade  (que ficava na plateia). Houve até o lançamento de uma réplica do boneco em lojas de brinquedos. Em outubro daquele ano, o boneco “cresceu” e foi trocado pelo menino Lucas Hornos (então com 9 anos), que participou esporadicamente do programa até agosto de 2000. Hornos teve de deixar o elenco por pressão do Juizado de Menores, na mesma época em que a novela Laços de Família passou por problemas similares com os menores de seu elenco.”

(Teledramaturgia).

Durante a  “temporada de 2000, entraram para o elenco Ary Fontoura (Pereira) e Luís Carlos Tourinho (Ataíde). Pereira passou a ser o affair de Cassandra e deixou o elenco no fim do mesmo ano. Ataíde passou a ser o porteiro do prédio, assumindo a antiga função de Ribamar.”

(Teledramaturgia).

“Uma das marcas do Sai de Baixo era o improviso constante dos atores durante os episódios. Eles podiam se dirigir às pessoas da plateia e aos integrantes da equipe técnica, ou mesmo provocar o companheiro de cena. Miguel Falabella era um especialista nisso. Nas discussões entre Caco Antibes e Cassandra, por exemplo, ele podia dizer os maiores absurdos para Aracy Balabanian, chamá-la de cabeção, “Cascacu”, exaltar seu laquê e até mesmo elogiar debochadamente da aparência de Cassandra: “Você está um espetáculo hoje. Olha que cútis maravilhosa!”, ou simplesmente a beijar na boca. Falabella gostava ainda de revelar ao público “histórias secretas” da atriz, tudo devidamente distorcido. Até as participações dela em Vila Sésamo eram lembradas. Aracy Balabanian contou que vivia explicando às pessoas que essas loucuras eram apenas improviso, e que, longe das câmeras, os dois eram amigos. Quando Falabella esquecia o texto, declamava a clássica poesia infantil: “batatinha quando nasce, esparrama pelo chão. Isso tudo eu estou falando porque o texto não me vem na hora”.”

(Memória Globo).

O programa também contou com muitas participações especiais de personagens que apareciam para visitar a família do Arouche, que ajudavam a dar uma movimentada na trama, uma dessas participações bastante lembradas “foi a de Dercy Gonçalves(1907-2008), no episódio “A Estátua da Libertinagem”, exibido em 08/09/1996. A escrachada atriz viveu Dona Leopoldina, mãe de Vavá e Cassandra, e chegou até a mostrar os seios em cena. A participação chegou a suscitar debates sobre a baixaria na TV, inclusive porque foi exibida no mesmo dia em que o Domingão do Faustão mostrou o Latininho***, um adolescente com uma rara síndrome que “imitava” o cantor Latino.”

(Teledramaturgia)


O Saí de Baixo foi tão marcante na história da tv brasileira que anos após o seu termino de tantos repetecos que aumentou a popularidade do programa que em 2013, o extinto canal por assinatura Viva das Organizações Globo promoveu “um reunion do elenco original e produziu quatro novos episódios (roteiro de Artur Xexéo e Miguel Falabella, direção geral de Dennis Carvalho), gravados nos mesmos moldes, no teatro Procópio Ferreira, em São Paulo, com plateia e praticamente toda a equipe técnica do programa original (figurinistas, cenógrafos, músicos, iluminadores, câmeras), exibidos entre 11/06 e 02/07/2013, durante o aniversário do canal. Participaram Luís Gustavo, Aracy Balabanian, Miguel Falabella, Marisa Orth e Márcia Cabrita, além Tony Ramos, Ingrid Guimarães e Arlete Salles, como convidados especiais em cada episódio. Estes quatro episódios foram exaustivamente reprisados pelo Viva.
O sucesso dos episódios reunion levou a Globo a exibi-los na TV aberta, entre 03 e 24/11/2013, aos domingos após o Fantástico, no mesmo horário que o Sai de Baixo original.”

Em 2019, o Saí de Baixo ganhou uma adaptação para cinema  em 2019, com roteiro de Miguel Falabella e direção de Cris D´Amato, com parte do elenco original incrementado com outros atores.



O Sai de Baixo foi um programa de humor inigualável.

P.S. O nome Sai de Baixo antes de ser o título do programa humorístico da Globo nos anos 1990,  já foi título de um filme de comédia brasileira lançada em 1956, que foi uma produção em preto e branco da Cine Filmes e da Produções Cinematográficas Herbert Richers S.A. 






Do produtor brasileiro Herbert Richers(1923-2009), a mesma ligada a dublagem da qual virou uma forte marca. E teve a direção e roteiro escrito pelo croata-brasileiro Josip Bogoslaw Tanko que assinava como J.B.Tanko(1906-1993). O enredo desse filme não tinha nada a haver com o famoso humorístico da Rede Globo que carregou esse título que se refere a expressão coloquial brasileira usada para avisar alguém que se afaste, saia da frente ou se proteja de um perigo iminente. Também funciona como gíria para "saia da frente" ou "saia do caminho".

*Esse teatro onde o Saí de Baixo foi filmado e que sofreu uma demolição agora no começo de 2026, levava o nome do ator Procópio Ferreira(1898-1979) que foi um renomado ator do cenário teatral paulista que fez carreira no cinema e na televisão. Ele era pai da falecida atriz Bibi Ferreira(1922-2019).

**Essa autora  chegou a se juntar a Miguel Falabella para escreverem as novelas Salsa e Merengue(1996-1997) e A Lua Me Disse(2005).

***A novela Beto Rcokfeller, protagonizado por Luís Gustavo que foi a novela que marcou a história da teledramaturgia brasileira pela sua linguagem inovadora, simboliza bem o exemplo de uma lost media que trata-se de um termo genérico para descrever qualquer obra perdida que está indisponível para se encontrar facilmente. Digo isso porque, desde que a Tupi encerrou suas operações em Julho de 1980 e doou seu acervo para a Cinemateca Brasileira, em São Paulo. “Quase todos os capítulos foram apagados pela própria TV Tupi, que usava as fitas para gravar por cima os capítulos seguintes. A Tupi já passava por dificuldades financeiras e todos os projetos que apareciam tinham de ser feitos com baixos custos, mas que trouxessem lucros para a emissora.”(Teledramaturgia).

****O rapaz que apareceu no Domingão do Faustão no dia  08 de Setembro de 1996 fazendo cover de Latino tratava-se de Rafael Pereira dos Santos. Ele era um rapaz PCD(Pessoa Com Deficiência) de 15 anos, natural de Colatina-ES que media  87 cm de altura. Ele sofria da Síndrome de Serkel, um problema genético que ocasiona na pessoa microcefalia, nanismo e deficiência intelectual. Ele apareceu nesse dia cantando ao lado de Latino a canção Louca, Louca, e em seguida foi exposto ao ridículo com as chacotas da trupe do Café com Bobagem.

A razão para isso, envolveu uma resposta a Guerra de Audiência contra o Domingo Legal apresentado pelo saudoso Gugu Liberato(1959-2019) que dois domingos antes apresentou os dois lobisomens mexicanos. Uma fase louca que marcou a terra sem lei que a televisão brasileira dos anos 1990 viveu com a baixaria. Tanto que  logo em seguida, a mídia soltou o cacete em Faustão, tamanha foi a repercussão negativa que gerou até a capa da revista semanal de Veja, de 18 de Setembro de 1996 com o titulo de Mundo Cão na TV-Até onde vai a apelação. O que fez Faustão se retratar dizendo que a audiência o pressionou, é tanto que seu então diretor Carlos Manga(1928-2015) chegou a sugerir a direção do SBT, um código de ética para que ele não exibissem mais nada de degradante na televisão, mas, a direção do SBT se recusou argumentando não querer sofrer uma tentativa de censura por parte da Globo. E olha que quando isso ocorreu já foi bem depois que tínhamos saído da fase opressora da Ditadura Militar. A família de Latininho moveu um processo contra Faustão que resultou em 11 de Outubro de 2001, a juíza Simone Gastesi Chevrand Folly, da 36ª Vara Cível do Rio de Janeiro, condenou a Globo a pagar R$ 1 milhão à família de Latininho por danos morais por conta da exposição de maneira "vexatória" na  TV, "de forma desrespeitosa à sua dignidade, submetendo-o a situação constrangedora."(Fonte: Site Terra, matéria de 25 de Janeiro de 2021). Depois desse episódio, nunca mais se soube de nenhuma notícia atualizada a respeito do paradeiro do Latininho. Até que foi  somente em 2023 é que se tornou de conhecimento público a informação  de que Rafael Pereira dos Santos popular Latininho  havia falecido em 2005, com 24 anos, vítima de pneumonia. O que chama a atenção o fato que o seu falecimento não foi noticiado pela imprensa. 

 

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