No
dia 23 de Junho de 1996, era assassinado o empresário brasileiro Paulo César
Farias ou como era nacionalmente conhecido P.C. Farias(1945-1996).
Ele
foi encontrado morto junto com a sua namorada Suzana Marcolino, que era 24 anos
mais nova que ele na sua residência de veraneio em Guaxuma, distrito litorâneo de
Maceió, capital alagoana.
Foram
mortos a tiros no peito de cada um que estavam deitados na cama.
A
primeira hipótese foi crime passional, onde Suzana o matou e depois tirou a
própria vida.
Mas
logo foram questionadas pelas pericias criminais, logo começou a desconfiar que
o seu crime teria alguma consequência envolvendo politicagem, principalmente
porque P.C.Farias não era uma pessoa qualquer, mas sim um homem público que já
trabalhou como tesoureiro da campanha de Fernando Collor de Mello a Presidência
da República e conhecia todos os esquemas de corrupção. Portanto, sua morte foi
uma queima de arquivo.
Para
compreender melhor, vamos analisar aqui o contexto:
Começando
pelo ponto de partida na Eleição de 1989, a primeira direta para eleger
Presidente da República, que marcou a transição da Fase Pós-Ditadura Militar e
começando na Redemocratização.
Foi
nessa eleição que Fernando Collor de Mello foi o primeiro Presidente da
República do Brasil eleito democraticamente.
Ele
obteve uma vitória acirrada num segundo turno contra o líder sindical,
ex-torneiro mecânico e fundador do Partido dos Trabalhadores(PT), Luiz Inácio
Lula da Silva, que enfrentava pela primeira vez uma campanha para o cargo de
Chefe de Estado da Nação, e sendo nosso atual Presidente da República.
Com
seu lindo rosto jovial, que atraiu o eleitorado feminino, medindo 1,85 cm de
altura, dono de uma voz de barítono que bem defini o perfil de sua oratória onde
conseguiu persuadir com um eloquente discurso a convencer de que era um sujeito
progressista, um tipo até então obscuro da política brasileira, cuja política
já vinha do seu histórico familiar.
Nascido
no berço de dois influentes clãs oligárquicos da política do Estado de Alagoas,
seu avô materno “Lindolfo Collor (1890-1942), era descendente dos
primeiros colonos chegados ao Brasil, em 1824. Foi eleito deputado
federal pelo Rio Grande do Sul nos anos de 1923 e 1927, tornando-se um dos
líderes da Revolução e sendo nomeado por Getúlio Vargas(1882-1954) o
primeiro titular do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, do qual
se afastou em 1932 ao romper com o presidente, tendo participado da Revolução
Constitucionalista daquele ano. Bisneto do jornalista Luís Bartolomeu
de Souza e Silva(1862-1932), criador da revista O Tico-Tico”. Além do fato
dele ser filho de Arnon Afonso Farias de Melo(1911-1983), influente nome da
política alagoana que já foi “deputado federal em 1950 e governador de Alagoas
de 1951 a 1956. Após deixar o governo do estado, foi eleito senador por
três mandatos consecutivos (1962, 1970 e 1978). Em 1963, no prédio do
Senado Federal, Arnon de Melo matou seu colega José Kairala(1924-1963) quando
tentava disparar à queima roupa em Silvestre Péricles de Góis Monteiro(1896-1972),
que supostamente também estava armado. Arnon de Melo não foi jamais formalmente
acusado pelo homicídio.” (Fonte: Wikpedia).
Usando
do slogan de Caçador de Marajás, querendo adotar uma política de
privatização para dar fim a empresas estatais que eram vistas como grandes Elefantes
Brancos.
O
que atraiu a camada dos empresários, que passaram a serem grandes apoiadores de
sua campanha, que depositavam nele uma esperança de salvação para o setor
econômico brasileiro que vivia aquela alta fase da inflação.
É
nesse contexto que entra o empresário P.C. Farias virando seu tesoureiro de
campanha, e foi um grande articulador dos bastidores de arrecadação de dinheiro
para a campanha que lhe deu a vitória.
Quando ele tomou posse em 1990, a
primeira medida que tomou foi confiscar a poupança dos brasileiros, adotou uns
planos econômicos que só aumentaram o problema da inflação e prejudicou a
produção do cinema nacional mandando fechar a Embrafilmes. E mandando retirar os
incentivos fiscais pelo governo.
O mandato de Collor iria se encurtaria
quando dois anos depois, seu irmão Pedro Collor(1952-1994) veio a público
aparecendo na capa da revista semanal Veja, publicada em Maio de 1992,
com a manchete Pedro Collor Conta Tudo para denunciar todos os esquemas
corruptos onde ele estava envolvido, junto com seu tesoureiro Paulo César
Farias.
O famoso Esquema PC Farias “arrecadou o equivalente a US$ 8 milhões de
empresários privados, equivalente a R$ 30 milhões em 2015, em dois anos e meio
do governo Collor (1990–1992). Além disso, o esquema que, segundo os
depoimentos coletados, teria contado com o envolvimento direto do presidente,
movimentou mais de US$ 1 bilhão dos cofres públicos.”
Inicialmente ninguém acreditava de que
aquilo fosse verdade, visto seu histórico com problemas de saúde mental, o
chamaram de louco. Mas depois que se investigou e se descobriu que era tudo
verdade, a mesma camada dos empresários que os apoiaram na Campanha de 1989, resolveram
se articularem para lhe derrubar e moveram as camadas populares com os jovens
cara-pintadas que resultou no seu processo de Impeachment.
Após
Collor ser impedido de continuar seu mandato pela decisão dos parlamentares, e
quem assumiu seu lugar foi o vice Itamar Franco(1930-2011). Dois anos após
denunciar o irmão, Pedro Collor faleceria em dezembro de 1994 de câncer com
melanoma maligno da pele com metástase no cérebro, o que agravou o problema
delicado de sua saúde mental.
Depois do Impeachment de Collor,
P.C.Farias viveu foragido, “Em 1993, com
depósitos feitos pelo mafioso Angelo Zanetti na conta do advogado Ricca, PC
subornou policiais da Interpol no Brasil e no Uruguai, a fim de facilitar a fuga do
Brasil num bimotor acompanhado pelo piloto Jorge Bandeira de Mello, seu sócio
na empresa de táxi aéreo Brasil-Jet. Logo foi decretada a prisão preventiva de
PC Farias por crime de sonegação fiscal. Em 1994, PC foi condenado pelo Supremo
Tribunal Federal (STF) a sete anos de prisão por falsidade ideológica, obtendo
posteriormente liberdade condicional”.
Foi na cadeia que P.C. Farias conheceu e
começou a se relacionar com Suzana Marcolino, depois que ele foi solto em
liberdade condicional em Dezembro de 1995, ele estava viúvo:
“A
partir de então, Suzana passou a levar vida de princesa. Ganhou joias, roupas
caras, carro zero-quilômetro, uma generosa conta bancária e montou uma butique
de grife – a Lady Blue – em Maceió. Passou a ser vista com frequência ao lado
do namorado recém-liberto, a bordo de uma luxuosa BMW branca conversível.”
(Trecho
retirado do site Aventuras na História
de 15 de Fevereiro de 2020).
A suspeita do crime ser passional se
deveu ao fato de que os dois viviam discutindo e como P.C. Farias carregava uma
fama de mulherengo, usava da sua influência para pegar rabo de saia se criou
essa narrativa do crime ter sido passional.
Algo que inclusive na época, eu era
moleque, tinha só 11 anos, mas recordo bem que a cobertura jornalística apontava
para esse caminho, sem eu que tivesse muita de que o P.C.Farias se tratava de
um homem que já foi muito ligado a história política brasileira e isso foi
bastante explorado até a última gota.
O que dá para concluir com isso tudo é que
realmente passados três décadas depois desse crime ainda hoje ele continua inconcluso,
em diferentes oportunidades já foram feitas novas instigações contrariando
antigas pericias de crime passional e até hoje não se qual foi sua autoria.
Continua sendo o maior mistério da história
criminal no Brasil.












Nenhum comentário:
Postar um comentário