segunda-feira, 22 de junho de 2026

30 ANOS DO ASSASSINATO DE P.C.FARIAS

 

No dia 23 de Junho de 1996, era assassinado o empresário brasileiro Paulo César Farias ou como era nacionalmente conhecido P.C. Farias(1945-1996).




Ele foi encontrado morto junto com a sua namorada Suzana Marcolino, que era 24 anos mais nova que ele na sua residência de veraneio em Guaxuma, distrito litorâneo de Maceió, capital alagoana.

Foram mortos a tiros no peito de cada um que estavam deitados na cama.

A primeira hipótese foi crime passional, onde Suzana o matou e depois tirou a própria vida.




Mas logo foram questionadas pelas pericias criminais, logo começou a desconfiar que o seu crime teria alguma consequência envolvendo politicagem, principalmente porque P.C.Farias não era uma pessoa qualquer, mas sim um homem público que já trabalhou como tesoureiro da campanha de Fernando Collor de Mello a Presidência da República e conhecia todos os esquemas de corrupção. Portanto, sua morte foi uma queima de arquivo.




Para compreender melhor, vamos analisar aqui o contexto:

Começando pelo ponto de partida na Eleição de 1989, a primeira direta para eleger Presidente da República, que marcou a transição da Fase Pós-Ditadura Militar e começando na Redemocratização.




Foi nessa eleição que Fernando Collor de Mello foi o primeiro Presidente da República do Brasil eleito democraticamente.  

Ele obteve uma vitória acirrada num segundo turno contra o líder sindical, ex-torneiro mecânico e fundador do Partido dos Trabalhadores(PT), Luiz Inácio Lula da Silva, que enfrentava pela primeira vez uma campanha para o cargo de Chefe de Estado da Nação, e sendo nosso atual Presidente da República.




Com seu lindo rosto jovial, que atraiu o eleitorado feminino, medindo 1,85 cm de altura, dono de uma voz de barítono que bem defini o perfil de sua oratória onde conseguiu persuadir com um eloquente discurso a convencer de que era um sujeito progressista, um tipo até então obscuro da política brasileira, cuja política já vinha do seu histórico familiar.

Nascido no berço de dois influentes clãs oligárquicos da política do Estado de Alagoas, seu avô materno “Lindolfo Collor (1890-1942), era descendente dos primeiros colonos   chegados ao Brasil, em 1824. Foi eleito deputado federal pelo Rio Grande do Sul nos anos de 1923 e 1927, tornando-se um dos líderes da Revolução e sendo nomeado por Getúlio Vargas(1882-1954) o primeiro titular do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, do qual se afastou em 1932 ao romper com o presidente, tendo participado da Revolução Constitucionalista daquele ano. Bisneto do jornalista Luís Bartolomeu de Souza e Silva(1862-1932), criador da revista O Tico-Tico”. Além do fato dele ser filho de Arnon Afonso Farias de Melo(1911-1983), influente nome da política alagoana que já foi “deputado federal em 1950 e governador de Alagoas de 1951 a 1956. Após deixar o governo do estado, foi eleito senador por três mandatos consecutivos (1962, 1970 e 1978). Em 1963, no prédio do Senado Federal, Arnon de Melo matou seu colega José Kairala(1924-1963) quando tentava disparar à queima roupa em Silvestre Péricles de Góis Monteiro(1896-1972), que supostamente também estava armado. Arnon de Melo não foi jamais formalmente acusado pelo homicídio.” (Fonte: Wikpedia).

Usando do slogan de Caçador de Marajás, querendo adotar uma política de privatização para dar fim a empresas estatais que eram vistas como grandes Elefantes Brancos.





O que atraiu a camada dos empresários, que passaram a serem grandes apoiadores de sua campanha, que depositavam nele uma esperança de salvação para o setor econômico brasileiro que vivia aquela alta fase da inflação.




É nesse contexto que entra o empresário P.C. Farias virando seu tesoureiro de campanha, e foi um grande articulador dos bastidores de arrecadação de dinheiro para a campanha que lhe deu a vitória.

       Quando ele tomou posse em 1990, a primeira medida que tomou foi confiscar a poupança dos brasileiros, adotou uns planos econômicos que só aumentaram o problema da inflação e prejudicou a produção do cinema nacional mandando fechar a Embrafilmes. E mandando retirar os incentivos fiscais pelo governo.  

        O mandato de Collor iria se encurtaria quando dois anos depois, seu irmão Pedro Collor(1952-1994) veio a público aparecendo na capa da revista semanal Veja, publicada em Maio de 1992, com a manchete Pedro Collor Conta Tudo para denunciar todos os esquemas corruptos onde ele estava envolvido, junto com seu tesoureiro Paulo César Farias.




      O famoso Esquema PC Farias “arrecadou o equivalente a US$ 8 milhões de empresários privados, equivalente a R$ 30 milhões em 2015, em dois anos e meio do governo Collor (1990–1992). Além disso, o esquema que, segundo os depoimentos coletados, teria contado com o envolvimento direto do presidente, movimentou mais de US$ 1 bilhão dos cofres públicos.

      Inicialmente ninguém acreditava de que aquilo fosse verdade, visto seu histórico com problemas de saúde mental, o chamaram de louco. Mas depois que se investigou e se descobriu que era tudo verdade, a mesma camada dos empresários que os apoiaram na Campanha de 1989, resolveram se articularem para lhe derrubar e moveram as camadas populares com os jovens cara-pintadas que resultou no seu processo de Impeachment.





Após Collor ser impedido de continuar seu mandato pela decisão dos parlamentares, e quem assumiu seu lugar foi o vice Itamar Franco(1930-2011). Dois anos após denunciar o irmão, Pedro Collor faleceria em dezembro de 1994 de câncer com melanoma maligno da pele com metástase no cérebro, o que agravou o problema delicado de sua saúde mental.




      Depois do Impeachment de Collor, P.C.Farias viveu foragido, “Em 1993, com depósitos feitos pelo mafioso Angelo Zanetti na conta do advogado Ricca, PC subornou policiais da Interpol no Brasil  e no Uruguai, a fim de facilitar a fuga do Brasil num bimotor acompanhado pelo piloto Jorge Bandeira de Mello, seu sócio na empresa de táxi aéreo Brasil-Jet. Logo foi decretada a prisão preventiva de PC Farias por crime de sonegação fiscal. Em 1994, PC foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a sete anos de prisão por falsidade ideológica, obtendo posteriormente liberdade condicional”.

     Foi na cadeia que P.C. Farias conheceu e começou a se relacionar com Suzana Marcolino, depois que ele foi solto em liberdade condicional em Dezembro de 1995, ele estava viúvo:

     A partir de então, Suzana passou a levar vida de princesa. Ganhou joias, roupas caras, carro zero-quilômetro, uma generosa conta bancária e montou uma butique de grife – a Lady Blue – em Maceió. Passou a ser vista com frequência ao lado do namorado recém-liberto, a bordo de uma luxuosa BMW branca conversível.”

(Trecho retirado do site Aventuras na História de 15 de Fevereiro de 2020).

      A suspeita do crime ser passional se deveu ao fato de que os dois viviam discutindo e como P.C. Farias carregava uma fama de mulherengo, usava da sua influência para pegar rabo de saia se criou essa narrativa do crime ter sido passional.




     Algo que inclusive na época, eu era moleque, tinha só 11 anos, mas recordo bem que a cobertura jornalística apontava para esse caminho, sem eu que tivesse muita de que o P.C.Farias se tratava de um homem que já foi muito ligado a história política brasileira e isso foi bastante explorado até a última gota.




    O que dá para concluir com isso tudo é que realmente passados três décadas depois desse crime ainda hoje ele continua inconcluso, em diferentes oportunidades já foram feitas novas instigações contrariando antigas pericias de crime passional e até hoje não se qual foi sua autoria.

      Continua sendo o maior mistério da história criminal no Brasil.

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