No
dia 11 de Agosto de 1991, estreava na televisão dos Estados Unidos, a série
animada de Doug(EUA, 1991-1999).
Doug foi
uma produção da Nickelodeon, o personagem foi uma criação de Jim Jinkins que
surgiu de uma maneira um tanto curiosa, ele foi inspirado na vida dele próprio.
Sua
trama girava em torno de Douglas “Doug”Yancey Funnie, que após se mudar para
uma nova cidade junto de sua família, a fictícia Bluffington, ele começa a
narrar os seus acontecimentos cotidianos na escola ou mesmo numa festa com
amigos no seu diário. Era nesse diário
que ele costumava compartilhar a sua paixão platônica pela Patty Maionese, ou
mesmo suas imaginações como o herói Homem Codorna, inspirado no Superman e o
espião Smash Adams, inspirado em James Bond.
Essa
série animada foi uma produção da Nickelodeon, empresa a qual Jinkins já
trabalhava, sua primeira aparição foi num comercial de refrescos. Um de seus
episódios havia sido originado de um roteiro escrito para um livro.
Sua
estreia no Brasil ocorreu primeiro no bloco da Nickelodeon no canal pago do Multishow em Outubro de 1994, só depois
a partir de Janeiro de 1995 é que foi lançado na tv aberta na Tv Cultura em
horário nobre. Foi assim que tive meu primeiro contato com a animação de Doug.
A
série animada apesar de carregar o selo da Nickelondeon, foi na verdade uma
co-produção da produtora de Jinks e da Jumbo Pictures, duas produtoras
independentes, e sendo da Nickelondeon se tornou também popularmente referido
como Nicktoon, junção de Nick referente a empresa Nickelondeon e toons
referentes a cartoons que é como os americanos se referem a desenhos animados. Ele foi uma das primeiras produções a ganhar
essa nomenclatura.
Ele
simboliza bem aquele ponto de partida do início do reinado do selo da Nickelodeon
no cenário das animações na tv americana no começo dos anos 1990.
Período
marcado pela forma moderna de assistir televisão que a criançada americana
estava tendo contato, principalmente com o surgimento da popularidade do
serviço dos canais de tv por assinatura que passou a ser uma forte concorrente
dos canais abertos.
E
cuja concorrência foi grande principalmente com o surgimento da Cartoon Network em Outubro de 1992, criado
pelo recém-falecido magnata que investia naquele modelo de tv por assinatura
Ted Turner(1938-2026).
O
seu estilo de animação mais conceitual e até experimental, fora da caixa, com
os personagens sendo representados por pessoas comuns e de formas físicas não
tão limpas com cada um sendo simbolizado de uma cor diferente de pele para
mostrar a diversidade e explorando o lado psicodélico dos pensamentos do
protagonista e abordando temáticas complexas e nos introduzindo aos conceitos filosóficos,
como numa cena de um episódio que mostra Doug em mãos com a edição do livro Crítica da Razão Pura, famoso livro do filosofo
alemão Immanuel Kant(1724-1804).
Característica
essa que diferia até então do conceito
das animações limitadas que estávamos acostumados a ver desde que essa indústria
da animação surgida na televisão na década de 1950, com os animadores egressos
da MGM William Hanna(1910-2001) e Joseph Barbera(1911-2006) se juntaram para
formar sociedade e criarem a Hanna-Barbera
Productions, a pioneira em trazer a animação para a televisão, com produção
de orçamento barateado, que reinou nesse segmento por longos vinte anos como
uma importante marca, mas que naquele momento da década de 1990, estava vivendo
um declínio com a concorrência maior que o ramo estava passando e seu estilo já
era visto como ultrapassado e passando por um forte colapso financeiro, que
resultou no fechamento da empresa nos anos 2000 após os falecimentos de seus
fundadores.
O
sucesso de Doug durou por sete
temporadas, sendo divididas em quatro da Nickelodeon que durou até 1994, e
quando a Disney comprou a Jumbo Pictures em Fevereiro de 1996, ainda produziu
três temporadas pelas mãos da Disney que durou até 1999.
Pelas
mãos da Disney a produção deu umas modificadas, houve pequenas alterações no
visual dos personagens e a narrativa tornou-se um pouco mais caricata e
vibrante em comparação ao estilo mais intimista e realista da fase na
Nickelodeon.
Na
estrutura do seu enredo, Doug e seus amigos apareceram ligeiramente mais
velhos, lidando com novas fases da pré-adolescência em Bluffington.
O traço e a paleta de cores ficaram mais
brilhantes. Personagens secundários ganharam mais espaço. O foco em dilemas
cotidianos simples deu espaço a tramas mais chamativas.
Modificaram a abertura e sua trilha sonora e para quem acompanhou essa fase Disney quando estreou no programa do Disney Club(1997-2001) do SBT ali por volta de 1998 deve ter notado a mudança de voz no protagonista onde Fábio Lucindo na época com 13 anos assumiu esse “boneco” que aqui no jargão da dublagem explicado de forma bem resumida é uma terminologia usada normalmente para se referir quando um(a) dublador(a) é escalado com frequência para dublar um ator/atriz.
Que também se aplica aqui no contexto desse personagem
cartunesco que é o protagonista. Esse “boneco”
que até então era dublado por Sergio Rufino durante a fase Nickelodeon, onde a dublagem foi feita mesmo
estúdio paulista da Álamo, que hoje já não existe, pois encerrou suas operações em
2011.
Doug realmente
foi uma animação sem igual.













Nenhum comentário:
Postar um comentário