terça-feira, 11 de agosto de 2026

35 ANOS DA ESTREIA DA ANIMAÇÃO DOUG

 

No dia 11 de Agosto de 1991, estreava na televisão dos Estados Unidos, a série animada de Doug(EUA, 1991-1999).




Doug foi uma produção da Nickelodeon, o personagem foi uma criação de Jim Jinkins que surgiu de uma maneira um tanto curiosa, ele foi inspirado na vida dele próprio.






Sua trama girava em torno de Douglas “Doug”Yancey Funnie, que após se mudar para uma nova cidade junto de sua família, a fictícia Bluffington, ele começa a narrar os seus acontecimentos cotidianos na escola ou mesmo numa festa com amigos no seu diário.  Era nesse diário que ele costumava compartilhar a sua paixão platônica pela Patty Maionese, ou mesmo suas imaginações como o herói Homem Codorna, inspirado no Superman e o espião Smash Adams, inspirado em James Bond.

Essa série animada foi uma produção da Nickelodeon, empresa a qual Jinkins já trabalhava, sua primeira aparição foi num comercial de refrescos. Um de seus episódios havia sido originado de um roteiro escrito para um livro.

Sua estreia no Brasil ocorreu primeiro no bloco da Nickelodeon no canal pago do Multishow em Outubro de 1994, só depois a partir de Janeiro de 1995 é que foi lançado na tv aberta na Tv Cultura em horário nobre. Foi assim que tive meu primeiro contato com a animação de Doug.




A série animada apesar de carregar o selo da Nickelondeon, foi na verdade uma co-produção da produtora de Jinks e da Jumbo Pictures, duas produtoras independentes, e sendo da Nickelondeon se tornou também popularmente referido como Nicktoon, junção de Nick referente a empresa Nickelondeon e toons referentes a cartoons que é como os americanos se referem a desenhos animados.   Ele foi uma das primeiras produções a ganhar essa nomenclatura.




Ele simboliza bem aquele ponto de partida do início do reinado do selo da Nickelodeon no cenário das animações na tv americana no começo dos anos 1990.

Período marcado pela forma moderna de assistir televisão que a criançada americana estava tendo contato, principalmente com o surgimento da popularidade do serviço dos canais de tv por assinatura que passou a ser uma forte concorrente dos canais abertos.

E cuja concorrência foi grande principalmente com o surgimento da Cartoon Network em Outubro de 1992, criado pelo recém-falecido magnata que investia naquele modelo de tv por assinatura Ted Turner(1938-2026).  



O seu estilo de animação mais conceitual e até experimental, fora da caixa, com os personagens sendo representados por pessoas comuns e de formas físicas não tão limpas com cada um sendo simbolizado de uma cor diferente de pele para mostrar a diversidade e explorando o lado psicodélico dos pensamentos do protagonista e abordando temáticas complexas e nos introduzindo aos conceitos filosóficos, como numa cena de um episódio que mostra Doug em mãos com a edição do livro Crítica da Razão Pura, famoso livro do filosofo alemão Immanuel Kant(1724-1804).


  
Cena de Doug folheando o livro Crítica da Razão Pura


Característica essa  que diferia até então do conceito das animações limitadas que estávamos acostumados a ver desde que essa indústria da animação surgida na televisão na década de 1950, com os animadores egressos da MGM William Hanna(1910-2001) e Joseph Barbera(1911-2006) se juntaram para formar sociedade e criarem a Hanna-Barbera Productions, a pioneira em trazer a animação para a televisão, com produção de orçamento barateado, que reinou nesse segmento por longos vinte anos como uma importante marca, mas que naquele momento da década de 1990, estava vivendo um declínio com a concorrência maior que o ramo estava passando e seu estilo já era visto como ultrapassado e passando por um forte colapso financeiro, que resultou no fechamento da empresa nos anos 2000 após os falecimentos de seus fundadores.





O sucesso de Doug durou por sete temporadas, sendo divididas em quatro da Nickelodeon que durou até 1994, e quando a Disney comprou a Jumbo Pictures em Fevereiro de 1996, ainda produziu três temporadas pelas mãos da Disney que durou até 1999.




Pelas mãos da Disney a produção deu umas modificadas, houve pequenas alterações no visual dos personagens e a narrativa tornou-se um pouco mais caricata e vibrante em comparação ao estilo mais intimista e realista da fase na Nickelodeon.




Na estrutura do seu enredo, Doug e seus amigos apareceram ligeiramente mais velhos, lidando com novas fases da pré-adolescência em Bluffington.

 O traço e a paleta de cores ficaram mais brilhantes. Personagens secundários ganharam mais espaço. O foco em dilemas cotidianos simples deu espaço a tramas mais chamativas.

Modificaram a abertura e sua trilha sonora e para quem acompanhou essa fase Disney quando estreou no programa do Disney Club(1997-2001) do SBT ali por volta de 1998 deve ter notado a mudança de voz no protagonista onde Fábio Lucindo na época com 13 anos assumiu esse “boneco” que aqui no jargão da dublagem explicado de forma bem resumida é uma terminologia usada normalmente para se referir quando um(a) dublador(a) é escalado com frequência para dublar um ator/atriz. 





Que também se aplica aqui no contexto desse personagem cartunesco que é o protagonista.  Esse “boneco” que até então era dublado por Sergio Rufino durante a fase  Nickelodeon, onde a dublagem foi feita mesmo estúdio paulista  da Álamo, que hoje já não existe, pois encerrou suas operações em 2011.

Doug realmente foi uma animação sem igual.




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