sábado, 27 de junho de 2026

O DOCUMENTÁRIO DO TETRACAMPEONATO DA SELEÇÃO BRASILEIRA EM 1994

 

Para mim, que carrego uma grande memória afetiva que tenho da seleção brasileira de futebol que conquistou o Tetra, principalmente com relação a Copa do Mundo foi na Copa de 1994, sediado nos Estados Unidos, que não por acaso é o mesmo que sedia essa de 2026 junto com o México e o Canadá.





Eu era moleque de nove anos, quando testemunhei na televisão a seleção brasileira conquistar o título do Tetra sem ter muita ideia do que era isso, e não tinha muita consciência disso, principalmente para compreender como naquele contexto a conquista do título do Tetracampeonato da seleção brasileira veio depois de um longo jejum de 24 anos sem conquistar nenhuma Copa, a última vez que a seleção venceu foi em 1970 onde conquistou o Tricampeonato.




E de como aquilo marcou uma aura escapista de alegria para a população brasileira já um tanto sofrida pela desigualdade social, e que naquele momento especifico foi muito importante, principalmente no complicado cenário socioeconômico que vivíamos no começo dos anos 1990 Pós-Fim da Ditadura Militar e Pós-Redemocratização com a inflação em alta que com essa conquista nos fez por um bom momento esquecer aquele drama.

Isso é o que nos mostra o documentário Tetra: Acreditar de Novo(Brasil, 2026) da Netflix abordando justamente esse momento especifico que marcou a alegria dos brasileiros.




Com produção executiva, roteiro e direção de Luis Ara, o documentário, conta a jornada da conquista do Tetra tendo como ponto de partida após a eliminação da seleção brasileira nas oitavas de final da Copa de 1990 na Itália, perdendo por um a zero da Argentina, que chegou a final, mas foi derrotada pela Alemanha conquistando o Tri.




Contando com depoimentos dos muitos heróis do Tetra: Romário, Bebeto, Branco, Zinho, Gilmar, do técnico Carlos Alberto Parreira*, dos jogadores das seleções adversárias naquela Copa, tais como: Demetrio Albertini da seleção italiana, nossos adversários na final, assim como os jogadores suecos, camaroneses, holandeses, americano Tab Ramos, que nasceu no Uruguai, mas que naquela Copa jogou pelos anfitriões EUA, por imigrado em solo americano com 10 anos dentre outros representando os adversários do Brasil naquela Copa.  

Também conta com depoimento do jornalista esportivo Tino Marcos, que sempre acompanhou a seleção nas coberturas, principalmente durante os mais de 30 anos que prestou serviço para a Globo.





Esses depoimentos são os que ajudam a construir toda a narrativa de como foi a conquista da seleção desacreditada conseguir conquistar a jornada heroica do Tetracampeonato.

Que vão se intercalando com o vasto material de arquivo das reportagens fazendo a cobertura do evento, e nesses arquivos aparecem algumas figuras saudosas como a de Mário Jorge Lobo Zagallo(1931-2024), técnico do Tri** que acompanhou a seleção como assistente técnico, o saudoso Pelé(1940-2022) dando seus pitacos em entrevista  e Fernando Vannunci(1951-2020), outro nome importante do jornalismo esportivo brasileiro também são mostrados nesses arquivos noticiando a cobertura da Copa.





Onde todos eles explicam a preocupação psicológica de trazer isso para a população brasileira, ainda mais naquele momento daquele contexto histórico específico, onde como já antecipei o cenário socioeconômico do Brasil naquela primeira metade da década de 1990, estava vivendo um caos herdado do fim da Ditadura Militar que foi  da alta taxa de inflação, quando houve a primeira eleição presidencial direta em 1989 que elegeu Fernando Collor de Mello como o primeiro presidente eleito diretamente a situação piorou com os seus planos econômicos desastrosos como o Plano Verão, Plano Collor 1 e Plano Collor 2. Isto acabou por resultar no seu Impeachment em 1992.

Até surgir o Plano Real em Julho de 1994,  do qual  acompanhei o seu surgimento que foi uma febre na época em que estávamos mais otimistas pela conquista do Tetracampeonato da Seleção Brasileira  de Futebol na Copa do Mundo nos EUA onde algumas coisas básicas dava para se comprar com 1,00 Real,  seu  crescimento e sua atividade até hoje passados mais de 30 anos,  eu não tinha a menor dimensão de como estava passando o nosso Brasil anteriormente quando o Plano Real  nasceu e nem como essa importante moeda foi concebida, como o filme Real-O Plano Por Trás da História(Brasil, 2017),  retratou  bem como foram os bastidores da criação desta importante moeda que ajudou a tirar o Brasil  do sufoco da inflação que já vinha acompanhado e atormentando os brasileiros desde a década de 1980.

Essa obra dirigida por Rodrigo Bittencourt  com roteiro escrito por  Mikael de Albuquerque, adaptado do livro 3.000 dias no bunker – Um plano na cabeça e um país na mão  de autoria do jornalista Guilherme Fiuza, faz uma excelente dramatização sobre o surgimento da moeda no mesmo momento em que o foco estava na Copa do Mundo com a seleção fazendo uma ótima campanha com o tetracampeonato. Onde mostra o envolvimento do sociólogo Fernando Henrique Cardoso***, então Ministro da Fazenda de Itamar Franco(1930-2011) entre as mentes criativas como Gustavo Franco do Plano Real que o ajudou a eleger para a Presidência da República no mesmo ano de 1994.

Também fazem menção ao momento triste de que antes da copa o Brasil perdeu dois talentos do esporte: Primeiro do jogador Denner de 23 anos que era um talento promissor do futebol estava jogando no time da Portuguesa e estava cotado para disputar aquela até que tragicamente ele morreu em um acidente automobilístico no dia 19 de Abril de 1994. Sobre Denner, Luciano Ubirajara Nassar, autor do livro “Denner-O Deus do Dribler”:

Pela etnia, história de vida, ligação com o samba e o drible, ele representava o povo brasileiro.”

       Em seguida foi a perda do ídolo brasileiro da Formula Ayrton Senna(1960-1994) aos 34 anos, em 1º de Maio de 1994 quando estava disputando o Grande Prêmio de San Marino. A quem os jogadores, dedicaram uma homenagem no dia da conquista do Tetracampeonato.

       No balanço geral, posso concluir que documentário vale a pena ser assistido para os amantes do futebol.

 

*No momento em que escrevo esse texto, o ex-técnico da seleção tetracampeã do mundo, aos 83 anos,  está hospitalizado desde do 16 de Junho no Hospital Samaritano Barra no Rio de Janeiro por conta de uma inflamação pulmonar. “O ex-treinador convive desde 2023 com um linfoma de Hodgkin, tipo de câncer que se desenvolve no sistema linfático — rede de vasos e gânglios responsável pela defesa do organismo. Parreira chegou a ser considerado em remissão em 2025, mas voltou a necessitar de tratamento oncológico após a retomada da doença, situação que exige acompanhamento rigoroso, especialmente em pacientes mais idosos.”(Fonte: Site G1).

**Também na Netflix tem uma produção que aborda sobre o Tricampeonato em 1970 no México, o mesmo que figura  os três países que estão sediando essa Copa de 2026. Trata-se da minissérie Brasil 70: A Saga do Tri(Brasil, 2026). Produção da Netflix em parceria com a produtora independente 02 Filmes, que dramatiza em cinco episódios a jornada dos bastidores da seleção brasileira pela campanha do Tri em 1970, um título que deu alegria aos brasileiros em plena época opressiva de Ditadura Militar no Brasil. Produção que conta com a direção de Paulo Morelli, do seu filho Pedro Morelli e de Quico Meirelles com roteiro assinado por seis roteiristas e dentre os destaques das feras presentes no elenco estão: Rodrigo Santoro representando João Saldanha(1917-1990), que foi escolhido para ser técnico, mas que foi substituído por Zagallo pouco antes da Copa começar. Zagallo que é representado por Bruno Mazzeo, Nelson Baskerville representa João Havelange, o polêmico dirigente esportivo brasileiro que chegou a ser um dos poderosos da FIFA que morreu já centenário em 2016 e Marcelo Adnet representando o locutor Eusébio Teixeira que é um personagem ficcional criado para fins de simbolizar um pouco da emoção de cada brasileiro e também para condensar os diferentes locutores brasileiros que narraram essa partida.

***No momento em que escrevo esse texto, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso vem enfrentando aos 95 anos, um drama de interdição judicial por conta do Alzheimer. Um de seus filhos foi nomeado curador provisório. Ele sequer nem se lembra mais que já foi Presidente da República.  

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