Para
mim, que carrego uma grande memória afetiva que tenho da seleção brasileira de
futebol que conquistou o Tetra, principalmente com relação a Copa do Mundo foi
na Copa de 1994, sediado nos Estados Unidos, que não por acaso é o mesmo que sedia
essa de 2026 junto com o México e o Canadá.
Eu
era moleque de nove anos, quando testemunhei na televisão a seleção brasileira
conquistar o título do Tetra sem ter muita ideia do que era isso, e não tinha
muita consciência disso, principalmente para compreender como naquele contexto
a conquista do título do Tetracampeonato da seleção brasileira veio depois de
um longo jejum de 24 anos sem conquistar nenhuma Copa, a última vez que a
seleção venceu foi em 1970 onde conquistou o Tricampeonato.
E
de como aquilo marcou uma aura escapista de alegria para a população brasileira
já um tanto sofrida pela desigualdade social, e que naquele momento especifico
foi muito importante, principalmente no complicado cenário socioeconômico que
vivíamos no começo dos anos 1990 Pós-Fim da Ditadura Militar e Pós-Redemocratização
com a inflação em alta que com essa conquista nos fez por um bom momento
esquecer aquele drama.
Isso
é o que nos mostra o documentário Tetra:
Acreditar de Novo(Brasil, 2026) da Netflix abordando justamente esse
momento especifico que marcou a alegria dos brasileiros.
Com
produção executiva, roteiro e direção de Luis Ara, o documentário, conta a jornada
da conquista do Tetra tendo como ponto de partida após a eliminação da seleção
brasileira nas oitavas de final da Copa de 1990 na Itália, perdendo por um a
zero da Argentina, que chegou a final, mas foi derrotada pela Alemanha
conquistando o Tri.
Contando
com depoimentos dos muitos heróis do Tetra: Romário, Bebeto, Branco, Zinho,
Gilmar, do técnico Carlos Alberto Parreira*, dos jogadores das seleções
adversárias naquela Copa, tais como: Demetrio Albertini da seleção italiana,
nossos adversários na final, assim como os jogadores suecos, camaroneses,
holandeses, americano Tab Ramos, que nasceu no Uruguai, mas que naquela Copa
jogou pelos anfitriões EUA, por imigrado em solo americano com 10 anos dentre outros
representando os adversários do Brasil naquela Copa.
Também
conta com depoimento do jornalista esportivo Tino Marcos, que sempre acompanhou
a seleção nas coberturas, principalmente durante os mais de 30 anos que prestou
serviço para a Globo.
Esses
depoimentos são os que ajudam a construir toda a narrativa de como foi a
conquista da seleção desacreditada conseguir conquistar a jornada heroica do Tetracampeonato.
Que
vão se intercalando com o vasto material de arquivo das reportagens fazendo a
cobertura do evento, e nesses arquivos aparecem algumas figuras saudosas como a
de Mário Jorge Lobo Zagallo(1931-2024), técnico do Tri** que acompanhou a seleção
como assistente técnico, o saudoso Pelé(1940-2022) dando seus pitacos em
entrevista e Fernando
Vannunci(1951-2020), outro nome importante do jornalismo esportivo brasileiro
também são mostrados nesses arquivos noticiando a cobertura da Copa.
Onde
todos eles explicam a preocupação psicológica de trazer isso para a população
brasileira, ainda mais naquele momento daquele contexto histórico específico,
onde como já antecipei o cenário socioeconômico do Brasil naquela primeira
metade da década de 1990, estava vivendo um caos herdado do fim da Ditadura
Militar que foi da alta taxa de
inflação, quando houve a primeira eleição presidencial direta em 1989 que
elegeu Fernando Collor de Mello como o primeiro presidente eleito diretamente a
situação piorou com os seus planos econômicos desastrosos como o Plano Verão,
Plano Collor 1 e Plano Collor 2. Isto acabou por resultar no seu Impeachment em
1992.
Até
surgir o Plano Real em Julho de 1994, do
qual acompanhei o seu surgimento que foi
uma febre na época em que estávamos mais otimistas pela conquista do
Tetracampeonato da Seleção Brasileira de
Futebol na Copa do Mundo nos EUA onde algumas coisas básicas dava para se
comprar com 1,00 Real, seu crescimento e sua atividade até hoje passados
mais de 30 anos, eu não tinha a menor
dimensão de como estava passando o nosso Brasil anteriormente quando o Plano
Real nasceu e nem como essa importante
moeda foi concebida, como o filme Real-O Plano Por Trás da História(Brasil,
2017), retratou bem como foram os bastidores da criação desta
importante moeda que ajudou a tirar o Brasil
do sufoco da inflação que já vinha acompanhado e atormentando os
brasileiros desde a década de 1980.
Essa
obra dirigida por Rodrigo Bittencourt com
roteiro escrito por Mikael de
Albuquerque, adaptado do livro 3.000 dias no bunker – Um plano na cabeça
e um país na mão de autoria do
jornalista Guilherme Fiuza, faz uma excelente
dramatização sobre o surgimento da moeda no mesmo momento em que o foco estava
na Copa do Mundo com a seleção fazendo uma ótima campanha com o
tetracampeonato. Onde mostra o envolvimento do sociólogo Fernando Henrique
Cardoso***, então Ministro da Fazenda de Itamar Franco(1930-2011) entre as
mentes criativas como Gustavo Franco do Plano Real que o ajudou a eleger para a
Presidência da República no mesmo ano de 1994.
Também
fazem menção ao momento triste de que antes da copa o Brasil perdeu dois
talentos do esporte: Primeiro do jogador Denner de 23 anos que era um talento
promissor do futebol estava jogando no time da Portuguesa e estava cotado para
disputar aquela até que tragicamente ele morreu em um acidente automobilístico
no dia 19 de Abril de 1994. Sobre Denner, Luciano Ubirajara Nassar, autor do
livro “Denner-O Deus do Dribler”:
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“Pela etnia, história de vida, ligação com
o samba e o drible, ele representava o povo brasileiro.” |
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Em seguida foi a perda do ídolo brasileiro
da Formula Ayrton Senna(1960-1994) aos 34 anos, em 1º de Maio de 1994 quando
estava disputando o Grande Prêmio de San Marino. A quem os jogadores, dedicaram
uma homenagem no dia da conquista do Tetracampeonato.
No balanço geral, posso concluir que
documentário vale a pena ser assistido para os amantes do futebol.
*No
momento em que escrevo esse texto, o ex-técnico da seleção tetracampeã do mundo,
aos 83 anos, está hospitalizado desde do
16 de Junho no Hospital Samaritano Barra no Rio de Janeiro por conta de uma inflamação
pulmonar. “O ex-treinador convive desde
2023 com um linfoma de Hodgkin, tipo de câncer que se desenvolve no sistema
linfático — rede de vasos e gânglios responsável pela defesa do organismo. Parreira
chegou a ser considerado em remissão em 2025, mas voltou a necessitar de
tratamento oncológico após a retomada da doença, situação que exige
acompanhamento rigoroso, especialmente em pacientes mais idosos.”(Fonte:
Site G1).
**Também
na Netflix tem uma produção que aborda sobre o Tricampeonato em 1970 no México,
o mesmo que figura os três países que
estão sediando essa Copa de 2026. Trata-se da minissérie Brasil 70: A Saga do Tri(Brasil, 2026). Produção da Netflix em
parceria com a produtora independente 02 Filmes, que dramatiza em cinco
episódios a jornada dos bastidores da seleção brasileira pela campanha do Tri
em 1970, um título que deu alegria aos brasileiros em plena época opressiva de Ditadura
Militar no Brasil. Produção que conta com a direção de Paulo Morelli, do seu
filho Pedro Morelli e de Quico Meirelles com roteiro assinado por seis
roteiristas e dentre os destaques das feras presentes no elenco estão: Rodrigo
Santoro representando João Saldanha(1917-1990), que foi escolhido para ser
técnico, mas que foi substituído por Zagallo pouco antes da Copa começar.
Zagallo que é representado por Bruno Mazzeo, Nelson Baskerville representa João
Havelange, o polêmico dirigente esportivo brasileiro que chegou a ser um dos
poderosos da FIFA que morreu já centenário em 2016 e Marcelo Adnet representando
o locutor Eusébio Teixeira que é um personagem ficcional criado para fins de
simbolizar um pouco da emoção de cada brasileiro e também para condensar os
diferentes locutores brasileiros que narraram essa partida.
***No
momento em que escrevo esse texto, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso
vem enfrentando aos 95 anos, um drama de interdição judicial por conta do
Alzheimer. Um de seus filhos foi nomeado curador provisório. Ele sequer nem se
lembra mais que já foi Presidente da República.







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