quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

AS ORÉADES

"As Oréades" são ninfas montanhesas da mitologia grega, pertencentes a uma categoria de ninfas associadas a elementos naturais específicos, como árvores, fontes e mares.

Diferente das ninfas aquáticas como as Náiades e as ninfas das árvores conhecidas como Dríades, as Oréades habitam as montanhas e cavernas, sendo uma personificação do espírito indomado da paisagem rochosa.




Entre suas funções serviam como protetoras de caçadores e aventureiros que transitavam pelas regiões montanhosas.

O mito de Echo destaca a natureza trágica e poética dessas entidades,ela era uma das Oréades que habitava o Monte Hélicon, conhecida por sua habilidade de distrair Hera com histórias, permitindo que Zeus tivesse encontros extraconjugais sem ser descoberto.

Quando Hera descobriu a artimanha, puniu Echo, condenando-a a repetir apenas as últimas palavras ditas por outros.

Este elemento do mito foi interpretado por diversos historiadores e estudiosos da antiguidade como uma alegoria para a reverberação natural das montanhas, integrando a narrativa mitológica à observação do fenômeno acústico.

No período helenístico, os poetas e artistas frequentemente usaram as ninfas para explorar temas de liberdade, naturalidade e a relação íntima entre os deuses e a paisagem.

Esse período foi marcado por um foco maior em representações detalhadas da natureza e do ser humano, revelando um interesse por retratos mais humanos e realistas das divindades e figuras míticas.

As ninfas, incluindo as Oréades, tornaram-se símbolos da beleza selvagem e das forças inexplicáveis do mundo natural.

Historiadores como Pausânias descrevem grutas e montanhas como moradas de tais entidades, ressaltando a crença enraizada de que as ninfas podiam influenciar tanto o clima quanto a fertilidade da terra.

A obra "As Oréades" de William-Adolphe Bouguereau (1902) exemplifica o romantismo e a nostalgia pela antiguidade clássica, destacando a visão idealizada e quase etérea dessas figuras, em um período em que o academicismo buscava capturar a perfeição técnica e a harmonia estética, resgatando os mitos antigos com um toque de sentimentalismo.

Texto tirado da página do Facebook: Presente de Grego.


segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

20 ANOS DO FILME TRÓIA

 

Nesse ano de 2024, se completou 20 anos que estreava nos cinemas o filme épico histórico Tróia(Troy,EUA, Reino Unido, Malta, 2004).




Produção caprichada da Warner inspirado livremente  na Ilíada de Homero para entrar no clima da edição dos Jogos Olímpicos ocorrido naquele ano em Atenas, capital grega e com passagens tirada do livro Posthomérica de Quinto de Esmirna.

O filme  contou com a direção do alemão Wolfgang Petersen(1941-2022) com roteiro adaptado por David Benioff.

O seu enredo girava em torno da mítica Guerra de Tróia, que ocorre depois que o príncipe Paris resolve raptar Helena.




Uma história já muito conhecida que ocasionou na Guerra de Tróia, ainda mais  que ela era esposa de Menelau, irmão de Agamemnon e a partir daí  temos  o começo da jornada que ocasionou no fim da mítica cidade, quando Odisseu criou o gigante cavalo de madeira para poder entrar e assim conseguir derrotar o exército troiano.

O cinema desde que surgiu no final do século 19, sempre teve um fascínio em reproduzir as histórias míticas  antigas, principalmente dessas façanhas heroicas dos mitos gregos que surgiram primeiramente por relatos orais que foram se espalhando até surgirem artistas como poetas, dramaturgos, que escreveram em pergaminhos, artesãos que começaram a criar gravuras e esculturas de deuses, semideuses, heróis como Hércules. Também surgiram escrivães que começaram a redigir poemas  em pergaminhos que séculos depois quando um inventor alemão Johanes Guthemberg(1400-1468) inventou a máquina da prensa no século 15, e deram  origem as publicações dos livros e os antigos textos em pergaminhos escritos no grego arcaico foram sendo traduzidos é que foram difundidos. É bom lembrar que na Grécia Antiga ainda não havia esse negócio de direitos autorais. Portanto, os mitos já eram de domínio público.





Bem antes de Tróia, já houve produções do famoso herói  Hércules, desses há dos mais diversos que se pode citar como: Hércules e a Rainha da Lídia(Ercole e la regina di Lidia, Itália, 1959)*, uma produção italiana estrelada pelo ex-fisiculturista americano Steve Reeves(1926-2000), que foi dirigida por Pietro Francisci(1906-1977), que também assinou o roteiro junto a Ennio de Concini(1923-2008) inspirado na obra de dois autores gregos da Antiguidade Clássica que foram  Sófocles(496-405 A.C) com Édipo em Colono e Ésquilo(524-455 A.C) com Sete contra Tebas.

Depois disso, veio o filme animado da Disney lançado em 1997.  E os telefilmes da série americana estreladas pelo Kevin Sorbo durante  a década de 1990.

Do mesmo modo que também foram surgindo outras produções com histórias de épicas de romances históricos monumentais inspirados nas lendas míticas gregas.





 

Além desse, também houve o exemplo a ser mencionado do épico de fantasia inspirado no mítico  herói Jasão  que foi Jasão e os Argonautas(Jason and the Argonauts,EUA,Reino Unido, 1963), uma produção estunidense-britânica que contou com a direção do britânico  Don Chaffey(1917-1990). Cujo roteiro foi inspirado no poema grego de As Argonáuticas  de Apolónio de Rodes(295 a.C-215 a.C).

Produção essa marcada pelos efeitos de animações em stop motion das criaturas que contou com a colaboração de um mestre nessa arte que foi o  americano  Ray Harryhause(1920-2013) e cuja trilha sonora foi assinada pelo também americano  Bernard Herman(1911-1975).

Cuja menção ao elenco vale mencionar a participação da britânica  Honor Blackman(1925-2020), que no filme fez um bom desempenho como a Deusa Hera que assume a função de ajudar Jasão que no filme foi muito bem  protagonizado pelo americano Todd Armstrong(1937-1992). Essa mesma que no ano seguinte faria a famosa bond girl Pussy Galore no filme 007 Contra Goldfinger(Goldfinger, Reino 1964) o terceiro estrelado por Sean Connery(1930-2020).

Quase vinte anos depois, foi produzida outra produção britânico-estadunidense inspirada no mito de Perseu que foi Fúria de Titãs(Clash of the Titans, EUA,Reino Unido, 1981).





Produção dirigida pelo britânico Desmond Davies(1926-2021), produção que contou novamente com um dedo de Ray Harryhause para produzir os efeitos animado em stop motion, nesse que foi seu último trabalho para cinema.

Contou em seu elenco com o americano Harry Hamlin como o protagonista  Perseu, com a britânica Maggie Smith(1934-2024), que para quem foi da geração infanto-juvenil que acompanhou a franquia do bruxinho Harry Potter(2001-2011) devem se lembrar dela como a Professora Minerva McGonaghall que em Fúria de Titãs representou a Ninfa Tétis, com a suíça Ursula Andress, famosa por fazer Honey Rider no primeiro filme da franquia 007 que foi 007 Contra o Satânico Dr. No(Dr. No, Reino Unido, 1962) que no filme representou o papel da Deusa Afrodite. Também há de mencionar os nomes de Laurence Olivier(1907-1989) que fez no filme o papel de Zeus e de Burgress Meredith(1907-1997) famoso pelo vilão Pinguim na série de TV do Batman nos anos 1960 e por viver o Mickey, o treinador de Rocky Balboa nos três primeiros filmes da franquia Rocky: Rocky:Um Lutador(1976), Rocky II(1979) e em Rocky III(1982) onde nesse último seu personagem morre, que em Fúria de Titãs representou o Ammom.




Também vale mencionar A Odisseia(The Odyssey, Alemanha, Estados Unidos, Grécia, Itália, Reino Unido, 1997) que foi uma produção em forma de minissérie, dirigida pelo russo  Andrey Konchalovsky, adaptado do livro de Homero, contava a jornada do retorno de Odisseu para o reino de Ítaca.





E sem esquecer também de mencionar o uso de elementos da mitologia grega no anime de Cavaleiros do Zodíaco(Saint Seyia, Japão, 1986-1989) criado pelo mangaká Masami Kurumada.

 

Nesse filme em questão, a história se mostrou impecável, com locações em Malta, locações no México e na Grã-Bretanha.

Onde foram bem trabalhadas as construções das cenografias dos monumentos da  Grécia Antiga, o trabalho de pesquisa para reproduzir os modelos de figurinos dos soldados mirmidões, espartanos, troianos e do povo de Troia.




Fora a menção ao grande elenco presente nesse filme, cujas primeiras menções vai para os principais:  Com Brad Pitt mostrando um  desempenho excelente  do Áquiles, o guerreiro que apesar de trabalhar para o exército  de Agamemnon está mais preocupado com sua gloria pessoal.

Outro galã a ser mencionado no filme é Eric Bana que no filme fez um excelente desempenho na pele do  príncipe troiano Heitor com seu perfil mais metódico e estrategista de batalha.




Também mencionar   Orlando Bloom na época já famoso por viver o Legolas na trilogia de O Senhor dos Anéis(2001-2003) na pele do príncipe troiano  Paris, o irmão de Heitor, representando bem o papel de um cara inconsequente ainda mais quando em nome do amor por Helena a rapta que dá origem ao conflito.

Helena de Tróia que no filme foi muito bem defendida pela ex-modelo alemã Diane Kruger que empresta bem  a sua atraente beleza para representar a importante mulher que causou a discórdia dessa guerra e mostra uma boa química em cena  com Orlando Bloom principalmente na picante cena de amor que eles fazem.

Outras feras presentes no filme a serem mencionados são:  Sean Bean que faz uma excelente representação  do Odisseu que é aliado de Agamemnon  e é o cabeça por idealizar o famoso Cavalo de Tróia.

Brian Cox representando o Agamemnon está um espetáculo a parte ao torna-lo um figura desprezível pelo seu caráter megalomaníaco e calculista. Brendan Gleeson que para quem acompanhou a franquia do bruxinho Harry Potter (2001-2011) deve lembrar-se dele como o Alastor “Olho Tonto” Moody e no filme faz uma representação extraordinária do Menelau, o irmão de Agamemnon, que movido pelo ódio de ver sua amada Helena o trocar   por Páris, mostra bem sua personalidade irascível.  

Assim como mencionar a presença do  veterano Peter O' Toole(1932-2013) que no filme dá um show de atuação ao representar o rei troiano Priamo.

E por fim mencionar a participação especial  de Julie Christie, musa do cinema nos anos 1960, que no filme faz uma representação excelente da Tétis, mãe do Aquiles em uma cena de diálogo que é emocionante.

Tróia é bem um exemplo que reflete um pouco uma retomada de Hollywood durante a primeira metade dos anos 2000  em produzir filmes de temáticas históricas épicas monumentais cujo ponto de partida se deu com Gladiador(Gladiator, EUA, 2000).

Esses tipos de produção já teve os seus auges nas décadas anteriores, principalmente nas décadas de 1950 que houveram produções históricas monumentais de temáticas bíblicas, dos impérios romanos, dos gregos, dos vikings e até sobre o mongol.

Mas que foram rareando devido ao custo alto de produção, aqui e ali vinha algumas produções desse calibre como os filmes de guerras sobre as lendas arturianas, sobre Robin Hood, sobre algum herói grego.

Enfim, e Tróia também não escapa de refletir bem esse momento que o cinema hollywoodiano  do começo do século 21 estava seguindo essa tendência.

É uma obra que ao revisitar constatei como ela envelheceu bem. Merece ser reassistida.  


*Num DVD  que eu tive desse filme estrelado por Steve Reeves que foi  lançado nos anos 2000 pela distribuidora Classicline com áudio original em inglês, sem dublagem e com legenda em português o título internacional era Hercules Unchained. Que numa tradução seria Hércules Livre.  Também pela Classicline tive um DVD de outra produção de Hércules intitulada Hércules na Conquista de Atlântida(1961), uma produção franco-italiana dirigida por Vittorio Cottafavi(1914-1998) e estrelada pelo britânico Reg Park(1928-2007) também outro ex-fisiculturista.

sábado, 14 de dezembro de 2024

A ANIMAÇÃO OS DOZE TRABALHOS DE ASTÉRIX(1976)

 

Outro dia conferi pelo acaso na Amazon Prime Vídeo ao filme animado Os Doze Trabalhos de AsterixLes Douze Travaux d'Astérix,França, 1976) inspirada no famoso herói gaulês das  histórias em quadrinhos criado em 1959 na revista Pilote  pela dupla  René Goscinny(1926-1977) e Albert Uderzo(1927-2020) que são os diretores desse filme. Onde Uderzo também colaborou como roteirista ao lado de Pierre Watrin(1918-1990) e codirigido por Pierre Tchernia(1928-2016).





Livremente inspirada na saga mítica do herói semideus grego Héracles que com a dominação do Império Romano eles passaram a adotar um culto aos deuses gregos modificando seus nomes e Héracles virou Hércules e foi daí que  originou  a saga  dos Doze Trabalhos de Hércules.

É bom deixar claro que quando Hércules surgiu nos tempos da Grécia Antiga, foram nos lendários relatos orais que foram se espalhando até surgirem artistas como artesãos que começaram a criar gravuras e esculturas de Hércules e   escrivães que começaram a redigir poemas  em pergaminhos.

 Esses mesmos  que  séculos depois quando um inventor alemão chamado  Johanes Guthemberg(1400-1468) inventou a máquina da prensa no século 15, e deram  origem as publicações dos livros e os antigos textos em pergaminhos escritos no grego arcaico foram sendo traduzidos é que foram sendo difundidos. É bom lembrar que na Grécia Antiga ainda não havia esse negócio de direitos autorais.

Portanto, a história do mítico herói Hércules já  era de domínio público muito antes de existir o conceito de direito autoral.




 

Na obra para quem gosta  do estilo peculiar de humor de  Astérix que satiriza o herói resistente a invasão romana na Gália, onde aqui mostra ele  tendo esse desafio proposto pelo Imperador Júlio César.

Ao longo da narrativa acompanhamos Astérix acompanhado de seu inesperável parceiro glutão Obélix cumprindo o desafio das Dozes Tarefas sugeridas por Júlio César inspirado na saga de Hércules como o próprio se mostra autoconsciente disso.

Eles enfrentaram cada desafio que vão testá-los física e psicologicamente enfrentando cada um  que vão desde um veloz corredor romano, um combate com gladiador germânico, se alimentarem num  restaurante cheio de comida farta onde de hora em hora  é servido diferentes pratos, a sedução das atraentes ninfas em sua ilha, encarar um prédio burocrático dentre outros dos mais pitorescos que se pode imaginar com aquele característico humor cartunesco das obras de Astérix.




Um dos  fatos curiosos a se comentar sobre essa animação é que ele carrega como característica o fato de ser o único  filme fosse em animação ou mesmo em live action adaptado de Astérix cuja história foi originalmente criada para o filme, Goscinny e Uderzo não pegaram de nenhuma história antes publicadas  por eles em papel impressos  que o  adaptaram para cinema.

Do mesmo jeito que também foi a única a animação de Astérix  produzida  pelo Stúdio Idéfix,  fundada em 1974, por seus criadores Goscinny e Uderzo, que anos depois  o irmão de Albert Uderzo, Marcel Uderzo publicou essa história em livro ilustrado numa série de doze livros ilustrados para jovens leitores.

Provavelmente   para terem controle criativo sobre a obra  e também contou com a colaboração  do editor  Georges Dargaud(1911-1990) fundador da Dargaud, importante editora francesa de quadrinhos  como cofundador da empresa que teve uma vida curta.





 

 Isso porque o   estúdio Idefix  encerrou suas operações em 1978, um ano após o falecimento de Goscinny em 05 de Novembro de 1977,  com 51 anos após sofrer um ataque cardíaco e nessa mesma data do fechamento da empresa lançaram o filme animado inspirado no herói Lucky Luck, criação da HQ  do belga Maurice de Bevere que assinava como Morris(1923-2001) que é A Balada dos Daltons(Lucky Luke: The Ballad of the Daltons, França, 1978) que foi um trabalho póstumo dirigido por Goscinny que faleceu faltando pouco para concluir a história.

Antes disso, houve a primeira adaptação animada de Astérix que foi Astérix, O Gaulês(Astérix, Le Gaulois, França, 1967) essa obra foi  dirigida pelo belga Ray Goossens(1924-2008) e foi inspirado na primeira HQ de Astérix publicada em 1961.




Em seguida veio Astérix e Cleópatra(Astérix et Cléopâtre, França, 1968), a segunda adaptação animada da HQ publicada em 1965, onde foi dirigido pelo próprio Goscinny e Uderzo e contou com  a codireção do americano  Lee Payant(1924-1976). Essas duas produções  contaram com a parceria da Dargaud e da Belvision.

Depois de Os Doze Trabalhos de Astérix, houve um longo hiato de 10 anos sem ter uma nova produção inspirado no famoso  herói gaulês até ser produzido um novo filme  animado de Astérix que foi Astérix e a Surpresa de César(Astérix et la Surprise de César – França, 1985).  Onde quem ficou encarregado da produção  foi a Dargaud junto com a Les Productions René Goscinny que contou com a direção dos irmãos Paul e Gäetan Brizzi.

Em seguida veio outras séries de filmes animados como: Astérix entre os Bretões(Astérix chez les Bretons, França, 1986),produção que contou com o dedo da importante companhia de cinema francesa Gaumont, fundada em 1895 pelo engenheiro Leon Gaumont(1864-1946) que teve o envolvimento de Pierre Tchenia como roteirista e foi dirigido pelo ítalo-canadense Pino van Lamsweerde(1940-2020).

Seguido de Astérix e a Grande Luta(Astérix et le coup du menhir, França, 1989) que contou com a direção de Philippe Grimmond e sem o envolvimento da mesma equipe criativa.

Na sequência vieram: Astérix Conquista a América(Astérix Conquers America, França, 1994) que contou com a direção do alemão Gerhard Hann, Astérix e os Vikings(Astérix et le Vikings, França, 2006) que contaram com a direção dos dinamarqueses Jesper Møller e Stefan Fjeldmark, Astérix e O Domínio dos Deuses(Astérix - Le Domaine des Dieux, França, Bélgica, 2014) com direção de Alexandre Astier e Louis Clichy que marca a primeira produção animada de Astérix a  usar a técnica em 3D e Astérix e o Segredo da Poção Mágica(Astérix: Le secret de la potion magique, França, 2018) que contou novamente com a direção de Astier e Clichy.

Isso sem contar a série de filmes live actions que começou a partir do final dos anos 1990 com Astérix e Obélix Contra César(Astérix & Obélix Contre Cesar, França,1999) dirigido por Claude Zidi e contou com Christian Clavier como Astérix, Gérard Depardieu como Obélix e o renomado cineasta italiano Roberto Benigni como o temido  imperador romano Júlio César.

Logo em seguida veio: Astérix e Obélix: Missão Cleópatra(Asterix & Obelix: Mission Cleopatra,França, 2002)  este  que contou com a direção de Alain Chabat que no filme também representou Júlio César, que além de contar novamente no elenco com Clavier e Depardieu repetindo os respectivos papeis de Astérix e Obélix, também contou  no elenco com a participação da  renomada atriz italiana  Monica Bellucci que representa bem em cena a mítica Rainha do Egito Cleópatra e amante de Júlio César  emprestando da  sua atraente beleza que também é baseado na mesma obra  que foi adaptada para a animação em 1968.

Na sequência tivemos:   Astérix nos Jogos Olímpicos(Astérix aux Jeux olympiques, França, 2008) filme que contou com a direção de Fréderic Forestier e Thomas Langmann, cujo elenco já não contou com Christian Clavier como Astérix, seu papel nesse filme  foi assumido por Clovis Cornilac e novamente contou com Gerard Depardieu na pele do Obélix.

Que também contou  no elenco com a participação de  Jean-Pierre Cassel(1932-2007), pai do ator Vincent Cassel que já foi casado com a atriz  Monica Bellucci a mesma que representou Cleópatra no filme anterior.

E  nesse filme fez o Druida Panoramix cuja participação marcou o seu papel póstumo e mencionar a participação do veterano e cultuado galã do cinema francês Alain Delon(1935-2024) que no filme representou Júlio César.  

Depois veio: Astérix e Obélix: Deus  Salve a  Britannia (Astérix & Obélix: Au Service de Sa Majesté, França, 2012) onde nesse ainda contou novamente com Gérard Depardieu representando o Obélix e já o Astérix foi trocado novamente por Edoard Baer, já o papel do sempre temido  Imperador Júlio César foi representado por Fabrice Luchini.

 E mencionar a participação da veterana musa francesa Catherine Deneuve muito lembrada pelo clássico filme da nouvelle vague  A Bela da Tarde(Belle de Jour, França, 1967) do diretor espanhol Luis Buñuel(1900-1983) que nesse filme representou  a Rainha Cordélia da Grã-Bretanha  e por fim tivemos o mais recente:    Astérix e Obélix: O Reino do MeioAstérix et Obélix: l'Empire du Milieu, França, 2023) que contou com a direção de Guilhaume Canet que também foi responsável por representar o Astérix, já que quem ficou encarregado do Obélix foi Gilles Lellouche, Vincent Cassel, o ex-marido de Monica Bellucci que fez Cleópatra em Astérix e Obélix: Missão Cleópatra (2002) e é filho de Jean-Pierre Cassel que fez o Druida Panoramix em Astérix e Obélix nos Jogos Olímpicos (2008) participou  do filme representando Júlio César e com Marion Cotillard representando Cleópatra.

Até o momento em que escrevo esse texto não há nenhuma notícia envolvendo alguma nova produção relacionada a marca Astérix, fosse em animação ou mesmo em live action.

A produção dessa animação de Os Doze Trabalhos de Astérix usou uma técnica que estava  sendo muito usada pela gigante Disney na época que é a xerografia.

A xerografia foi uma técnica que revolucionou a animação da Disney, permitindo que os desenhos dos artistas fossem transferidos diretamente para as células. O processo foi testado pela primeira vez em A Bela Adormecida(1959), mas foi usado em grande escala no curta-metragem Golias II e no filme 101 Dálmatas (1961). 

“A xerografia foi uma solução para o problema de transferir e tingir os desenhos dos animadores manualmente nas células de animação, um processo caro e demorado. A técnica permitiu que a Disney economizasse tempo e dinheiro, e também de controlar o tamanho dos personagens e dos objetos fotocopiados. 

O processo xerográfico foi adaptado por Ub Iwerks, o desenhista que criou o personagem Mickey Mouse. A técnica foi usada em praticamente todos os filmes de animação da Disney até A Pequena Sereia(1989), quando os computadores substituíram a necessidade de usar células.”

(Fonte: Texto retirado do Google).

Depois que Goscinny faleceu, Uderzo deu continuidade as criações de novas histórias do gaulês, em 1979 ele publicou Astérix entre os Belgas, que marcou o trabalho póstumo de Goscinny.

Em 1980, ele publica sua primeira história solo de Astérix que foi O Grande Fosso assumindo a dupla função de roteirista e ilustrador.

Uderzo deu continuidade as publicações de Astérix até  ele declarar sua aposentadoria em 2009, na época com 82 anos e já sentindo o peso do seu estado  de  saúde fragilizado. A última história que Uderzo havia publicado antes de declarar sua aposentadoria foi Astérix e o dia que o céu caiu pulicada em 2005.  

 Após declarar sua aposentadora Uderzo sofreu de uma artrite reumatoide na mão direita que o fez passar por uma cirurgia realizada em  2011.

Como se pode observar a sua saúde já se encontrava fragilizada nos últimos tempos e com o avançar da idade foi ficando cada vez mais comprometida até ele vir a    falecer  em  24 de Março de 2020 com 92 anos, também como consequência de um ataque cardíaco.

Um fato que chama aqui a atenção é que sua morte ocorreu bem no momento que havia sido decretado quarentena mundial por conta da pandemia do coronavírus, o que fez muita gente  remeter por mais estranho que se possa parecer a sua criação, isso porque existe uma publicação de Astérix intitulada de Astérix e a Transitálica publicada em 2017 mostrando  Astérix e seu parceiro Obélix participando de uma corrida onde nessa disputa  há um misterioso adversário mascarado com o nome de Coronavírus, e que por conta da coincidência do nome se criou um clima de provável profecia.

O que não passa de uma simples coincidência, mesmo porque nessa HQ em questão são de autorias de Jean-Yves Ferri como roteirista  e  Didier Conrad  como ilustrador que passaram a assumir a autoria das HQs de Astérix a partir de 2013, onde a primeira história criada por eles foi Astérix e os Pictos e Astérix e a Transitálica marca a terceira produção criada por essa dupla.

A vaga lembrança que eu carrego da primeira vez que eu tive contato  uma história de Astérix foi quando  li uns trechos de uma tira de Astérix contida no meu livro didático escolar na minha fase escolar  de Ensino Fundamental,  na antiga  6ª Série que hoje equivale ao 7ª Ano,  durante a disciplina de história abordando o Império Romano. Onde exemplificava bem  o assunto de uma forma bastante lúdica.

Das que eu pude ler, principalmente que comprei de um amigo  uns dez volumes publicado pela Record, posso descrever que as histórias são fascinantes e que funcionam bem redondinhas, fechadinhas, sem você tentar compreender as sequencias de continuidade da coesão narrativa deles.

Independente de qual você queira começar, cada uma funciona bem sem precisar compreender uma cronologia dos fatos que antecederam cada história. Elas funcionam bem isoladamente.

Seja como for, cada uma é válida.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

A PRIMEIRA ANIMAÇÃO DE O SENHOR DOS ANÉIS

 

Para quem está na expectativa da estreia da animação de O Senhor dos Anéis: A Guerra dos Rohirririm(The Lord of the Rings: The War of the Rohirrim, Japão, EUA, 2024) uma nova adaptação do famoso livro do britânico  John Ronald Reuel Tolkien ou como assinava abreviadamente J.R.R. Tolkien(1892-1973) nessa data de 2024 em que o famoso livro completou 70 anos de sua primeira publicação.




Sendo que  dessa vez  em forma de anime, já que será uma coprodução nipo-americana, cuja direção é do animador japonês Kenji Kamiyama.

Talvez não saibam que essa não é a primeira vez que a obra de Tolkien foi adaptada para animação.

Quase vinte anos antes de haver a monumental adaptação da  saga literária de Tolkien ganhar as telonas na trilogia de filmes lançadas nos anos 2000, produzidas pela New Line Cinemas e  dirigidas pelo neozelandês Peter Jackson que é formada por: A Sociedade do Anel(The Fellowship of the Ring, Nova Zelândia, EUA, 2001), As Duas Torres(The Two Towers, Nova Zelândia, EUA,  2002) e O Retorno do Rei(The Return f the King, Nova Zelândia, EUA, 2003).




          Houve uma primeira adaptação cinematográfica  de O Senhor dos Anéis feita por incrível que pareça  em animação.

Foi na animação O Senhor dos Anéis(The Lords of the Rings, EUA, 1978) dirigida por Ralph Baksh que caiu no esquecimento com o passar dos anos.




Eu lembro de ter tido contato a primeira vez com essa obra lá por volta de 2002, quando vi por mero acaso numa videolocadora esse filme disponível ainda em VHS. Peguei para locar por curiosidade e assim, confesso ter achado um tanto estranho, principalmente a qualidade da animação ser um  tanto sombria, principalmente as criaturas orcs que eram bem pavorosas e de aspecto medonho.

Lembravam bem o design de criaturas de filmes de terror.





Sobre essa animação que marcou o primeiro registro de adaptação cinematográfica de O Senhor dos Anéis, ela além de contar com a direção de Ralph Baksh que já era renomado nesse meio, isso porque antes ele havia lançado a animação de O Gato Frtiz(Frtiz The Cat, EUA, 1972) que é até hoje uma cultuada animação de temática adulta, se é que vocês me entendem de classificação inapropriada para menores de 18 anos pela sua estética bem fora do convencional.




A produção dessa primeira  versão animada de Senhor dos Anéis, também contou com o envolvimento de Saul Zaentz(1921-2014) como produtor-executivo, também contou com o envolvimento  dos roteiristas Chris Conkling e Peter S. Beagle que se encarregaram da função de serem os adaptadores do roteiro.

Assim como contou com o envolvimento dos músicos Leonard Rosenman(1924-2008) e Paul Kont(1920-2000) que se encarregaram de compor a trilha sonora do filme.




Do mesmo modo, há de mencionar o envolvimento de alguns renomados atores britânicos  que compuseram o  elenco das vozes originais que contou com John Hurt(1940-2017) que fez o Aragorn na animação, Anthony Daniels, expert em mimica que fez o androide C-3PO em todos filmes da franquia Star Wars(1977-2019), na animação deu voz ao Legolas.

E vale mencionar a participação no elenco  de André Morell(1909-1978), que na animação de Senhor dos Anéis fez o Elrond que marcou um dos seus últimos trabalhos em cinema, onde ainda deixou uma participação póstuma no filme O Primeiro Assalto de Trem(The First Great Train Robbery, Inglaterra, 1979).




Bom, a ideia de Baksh de fazer uma adaptação do cultuado livro de Tolkien, de quem ele assumidamente era muito fã e conseguiu adquirir os direitos de adaptação pouco tempo depois do  falecimento do autor  e procurando manter-se fiel cem por cento ao livro não seria uma tarefa das mais fáceis.




Ainda mais  porque o maior desafio seria tentar condensar os três livros em um filme só  que podiam carregar uma duração longa de tempo a ponto de ficarem entediantes e chatos  demais para se assistirem.





Foi pensando nisso que seguindo  a sugestão de sua produtora, Baksh condensou os dois livros: Sociedade do Anel e As Duas Torres  em  um único filme  e exploraria a conclusão do Retorno do Rei no filme seguinte que acabou não sendo lançado em virtude da animação  ter dividido as opiniões da crítica da época.

Apesar do filme ter sido um sucesso financeiro, ele foi recebido de forma mista pela crítica especializada e nenhuma sequência foi produzida para contar o restante da história.” (Fonte: Wikipédia).

Num comparativo ao trabalho que Jackson desenvolveu vinte anos depois ao adaptar cada um dos três livros numa franquia cinematográfica onde ele soube como bem desenvolver os arcos narrativos dramáticos dos leques de personagens que foram aparecendo ao longo da história e trabalhar a construção de suas personalidades com calma e dando tempo e respiro para os espectadores poderem  imergir ao universo da Terra-Média para acompanhar a jornada de Frodo  e companhia contra as forças de Sauron e do poderoso anel.





Com os melhores recursos disponíveis de efeitos especiais em CGI.   E explorando a muita contemplatividade panorâmica das montanhas que foram gravadas em locações da Nova Zelândia, terra natal do diretor Peter Jackson e saber como compreender as sutilezas complexas das mensagens filosóficas do texto de Tolkien que abordava sobre teologia, existencialismo entre outros conceitos filosóficos.

 Já nessa animação de Baksh, a coisa não foi muito bem trabalhada dessa forma.

O fato dele condensar dois livros num filme só, fez com que o andar da narrativa  em suas 2 horas e 12 minutos de duração soasse muito apressado e um tanto mastigado para conseguir absorver o cunho filosófico da obra a ponto de ficar raso.





Junte isso  a alguns cortes secos entre uma transição para outra, terminaram deixando a compreensão da narrativa confusa, e por deixar um final aberto já que Bakshi não produziu o filme do Retorno do Rei. O entendimento ficou inconcluso.

No entanto, há de destacar que a maior virtude que a obra apresentou foi quanto ao traço da animação que Baksh se utilizou da técnica da rotoscopia.

A rotoscopia é uma técnica de animação que consiste em desenhar sobre uma filmagem real, quadro a quadro, para criar personagens e objetos que se movem de forma realista.” (Informação gerada por IA-Inteligência Artificial numa pesquisa do Google).




O uso disso na animação criou uma brilhante aura psicodélica de movimentações fluidas, e com as paletas  de cores que variavam entre as mais quentes e saturadas nas cenas das florestas e mais densamente frias dos Orcs.

No entanto, há momentos onde nos deparamos com um ar de estranheza na animação, principalmente quando aparece os rostos reais de atores que cria uma sensação estranha, fora que o design dos olhos vermelhos dos orcs é de arrepiar.




Ainda assim, foi da referência dessa animação que Peter Jackson que já havia assistido antes e  quando este  dirigiu décadas depois a monumental trilogia de filmes usou para replicar algumas cenas que não existiam no livro, ou seja, recriou as licenças poéticas que Bakshi havia criado nessa animação. Exemplo: A cena dos orcs tentando matar os hobbits enfiando a espada enquanto eles estavam deitados  na cama dormindo, esse é um dos exemplos de cenas que não existiam nos livros que foi especialmente criado pelo diretor.

Enfim, posso concluir a respeito  dessa primeira adaptação cinematográfica de O Senhor dos Anéis, que ela não é perfeita, apresenta lá seus defeitos envolvendo  problemas em relação justamente a estrutura do roteiro que é muito apressado, e por não apresentar uma conclusão porque como  não foi produzida  a adaptação animada  de O Retorno do Rei, para poder fechar a história  isso gerou um enorme  vácuo deixando o final em aberto.

 Ainda mais por condensar dois livros em um único filme onde nisso termina se perdendo muita coisa da mensagem filosófica que o livro de Tolkien apresenta, mas em compensação no quesito do design da animação soube bem como criar um típico escapismo de fantasia que o torna incrível.

A nível de curiosidade vale a pena dá uma conferida, com uma ressalva de que apesar de ser animação ela tem uma classificação 12 anos, que não recomendo vocês assistirem acompanhado dos seus filhos pequenos.

Ainda mais pelo clima sombrio da  estética da animação, principalmente pela caracterização grotesca e pavorosa dos orcs, isso pode ser assustador. Portanto, sejam  cuidadosos.