segunda-feira, 19 de maio de 2025

CINCO ANOS DO ASSASSINATO DOS IRMÃOS FLOR

 

Na fatídica manhã de terça-feira,   19 de Maio de 2020, o meu primo Túlio Flor era covardemente assassinado pelo seu irmão Tasso Flor que segundos depois  tiraria a própria vida.




Os  irmãos representavam uma das mais tradicionais  famílias potiguares do ramo  empresarial, que no caso é a Família  Flor. Muito  renomada no ramo das redes de postos de combustíveis  como a Jota Flor, que teve  início com o pai deles Joaquim Flor(1922-2012) e nas lojas de autopeças e empresas de transportes públicos.

      O crime ocorreu na “Fazenda Conceição, pertencente à família, e localizada em São Pedro, Agreste potiguar. A propriedade disputada pelos irmãos foi o local do crime que chocou a família e a sociedade potiguar.

(Trecho extraído do texto “Desentendimento acaba em tragédia entre irmãos no RN” da Tribuna do Norte de 20 de Maio de 2020).




 

       A motivação para o crime envolvia uma discordância entre os irmãos Flor por conta das divisões de propriedades, o que ocasionou numa discussão.  Após uma discussão e o empresário Tasso Flor sacou uma arma e realizou diversos disparos contra seu irmão, Túlio Flor. Em seguida, na presença de familiares, Tasso cometeu suicídio ao disparar contra a própria cabeça.”(Trecho tirado da Tribuna do Cabugi de 19 de Maio de 2020).

     O fatídico episodio repercutiu na imprensa local e foi o mais trágico ocorrido na família Flor, a mais importante família ligada ao ramo  dos combustíveis.

      Im Memoriam.

quinta-feira, 15 de maio de 2025

O POLÊMICO FILME DA CINEASTA DE ADOLF HITLER

 

O Triunfo da Vontade (Triumph des Willens,Alemanha, 1935) dirigida por Leni Riefenstahl (1902-2003), é um documentário que  trata de um importante registro em mostrar a ascensão do nazismo na Alemanha de Adolf Hitler (1889-1945).




Quando eu graduei no curso de História na UNP ali por volta dos anos 2000, meu professor Durval Alves  passou a sessão desse filme em sala de aula que ocorreu no meu último ano de graduação que foi em 2009 quando ele estava se não me falhe a memória a disciplina de História Contemporânea Parte 1?, para a gente fazer um relatório sobre esse filme, que posso descrever que se trata de uma obra exalta a propaganda dos ideais nazistas.  




O filme narra o Congresso do Partido Nazista de 1934 em Nuremberg, que contou com a presença de mais de 700.000 apoiadores nazistas. O filme contém trechos de discursos proferidos por líderes nazistas no Congresso, incluindo Hitler, Rudolf Hess e Julius Streicher, intercalados com imagens de tropas da Sturmabteilung (SA) e da Schutzstaffel (SS) e da reação do público. Seu tema principal é o retorno da Alemanha como uma grande potência com Hitler como seu líder. O filme foi produzido após a Noite das Facas Longas, e muitos ex-membros proeminentes da SA estão ausentes.”

(Página Clássicos do Cinema).

 Por propagandear os ideais nazistas exige-se que se tenha um certo discernimento ao apreciar a obra como filme da maneira como a Riefenstahl filmou em seus enquadramentos, seus planos e saber do perigo daquilo transmiti um discurso de ódio. 




É uma obra que mostra seu grau de importância como documento histórico, que não pode ser esquecido, nem muito menos negligenciado.

quinta-feira, 8 de maio de 2025

OS FILMES DOS ANOS 2000 QUE ENVELHECERAM MAL

 

Em 2025, se  completa 25 anos que a humanidade testemunhava a transição do final do século 20 para o começo do século 21. E é nesse distanciamento de tempo que selecionei umas 10  produções que foram lançadas ao longo de todo o ciclo dos anos 2000 fossem aclamadas ou esquecidas que olhando hoje em dia envelheceram mal fossem por quais motivos.  

Ela não é hankeada é baseada na minha opinião a respeito de quando os vi pela primeira  vez fosse quando foram lançados nas telonas, e depois na transição das  fitas VHS para as mídias digitais dos DVDs e assistindo passando nos canais a cabo.

 

 

Então vamos a lista:

 

 

TODO MUNDO EM PÂNICO(2000)




A sátira cômica da franquia de terror Pânico(Scream, EUA,1996), que foi concebida pelo trio dos Irmãos Wayans, onde um deles Keenen Ivory Wayans é quem assina como diretor e os outros dois Marlon e Shaw assinam a produção e estrelam o filme, que apresenta uma estética cômica paródica com os filmes de terror do momento e com outras produções.

Isso já mostra como o filme ficou datado, junte ao seu tipo de humor besteirol com usos de recursos escatológicos e piadas de cunho ofensivo. É por esse motivo que Todo Mundo em Pânico figura na minha lista dos filmes dos anos 2000 que envelheceram super mal.



AMERICAN PIE 2-A SEGUNDA VEZ É AINDA MELHOR(2001)



O segundo filme da franquia cômica American Pie-A Primeira Vez é Inesquecível(American Pie, EUA, 1999), esse segundo filme da franquia figura na minha lista como um dos filmes dos anos 2000 que envelheceram mal, em especial porque sua estética cômica teen sexy já teve seu auge nos anos 1980 com Porky´s(EUA, 1981) se mostrava um tanto antiquada para a geração dos anos 2000 mostrava ser um tanto antiquada ainda pela forma como eles abordaram a relação homoafetiva, mais especificamente lésbico quando eles se deparam com duas mulheres num acampamento de férias.

Um tipo de  piada que seria impensável de ser replicada pelo tom machista e lesbitofóbico.



007-UM NOVO DIA PARA MORRER(2002)




Lançado no ano em que a longeva franquia 007 completava 40 anos, inspirado na série literária do britânico Ian Fleming(1908-1964). Que já não contava mais com o comando da  dupla de executivos da Eon Productions formada por Albert R. Brocolli(1909-1996) e Harry  Saltzman(1915-1994)  que foram os responsáveis por transforma 007 numa marca.

O primeiro 007 do século 21, marcou o último filme da franquia  a contar com Pierce Brosnan no papel de James Bond que ele passou a representar a partir de 007 Contra Goldeneye(Goldeneye, Reino Unido, EUA, 1995), foi um filme cuja história foi muito mal desenvolvida e a qualidade dos efeitos especiais chega a soar brega vendo hoje em dia. Justamente por isso é que esse filme figura como um dos filmes dos anos 2000 que envelheceu mal.



HULK(2003)




Bem antes do Hulk que conhecemos no Universo Cinematográfico Marvel.  O Gigante Esmeralda  já havia ganhado uma adaptação para cinema com os telefilmes do Hulk lançado nos anos 1980.  Onde ele era alternado entre o saudoso ator Bill Bixby(1934-1993) fazendo David Banner  e o ex-fisiculturista Lou Ferrigno na versão gigante transformado em Hulk que faziam na série dos anos 1970.

Nessa produção de 2003, que foi dirigido pelo taiwanês Ang Lee, cineasta renomado internacionalmente pelo filme  O Tigre e o Dragão(Wòhǔ Cánglóng, China, Hong Kong, Taiwan, Estados Unidos, 2000) apresenta um enredo  que se desenrola muito vagarosamente e o efeito especial com  o CGI melhor que se tinha para a época, mostra o maior exemplo  de como esse filme ficou datado.



O EXPRESSO POLAR(2004)




Esse filme natalino  estrelado por Tom Hanks, dirigido e roteirizado  por Robert Zemekis que dividiu a função com William Broyles Jr., baseado num livro de Chris Van Allsburg que também esteve envolvido como um dos produtores executivos.

A principal razão para esse filme figurar na minha lista dos filmes dos anos 2000 que envelheceram mal se deve ao fato da produção utilizar da técnica do mocap. Que é a captura de movimentação digital dos atores.

Se para a época essa inovação foi vista como inovadora, olhando hoje em dia gera uma forte estranheza a qualidade um tanto fotorealista que essa técnica imprimiu.

Vê Tom Hanks em traço muito cartunizado se revezando em diferentes papeis gera uma sensação um tanto desconfortável. Do mesmo modo posso colocar com relação as crianças que a gente acompanha nessa jornada pelo expresso até o Papai Noel que foram representados por adultos.

A qualidade desse mocap faz parecer como o filme ficou brega, me faltando outras palavras para definir.



    O GALINHO CHINKEN LITTLE(2005)




Essa esquecida animação da Disney, lançada naquele período  que a empresa vivia a sua Era da Experimentação, cujo ponto de partida  ocorreu com o  lançamento de  Dinossauro(Dinosaur, EUA 2000) tentando trazer uma proposta diferente.

Usando pela primeira vez do CGI fotorealista em 3D e  também marcado pelo lançamento de A Nova Onda do Imperador(2000), que usava uma técnica tradicional do 2D, mas que dividiu as opiniões por sua história um tanto medíocre.

Junte a isso ao fato de que, ao longo dos primeiros anos desse  século 21, a Disney encarou uma forte concorrência com a DreamWorks que lançou a animação Shrek(2001) que usava de uma envolvente história cômica ao universo dos contos de fadas que ela construiu ao longo de décadas e usando o CGI, que se tornou o padrão  das animações daquele período e a Disney estava sofrendo um declínio com as produções de animações tradicionais em 2D que lançou até 2004, que a fez a Disney entrar em sua Segunda Era Sombria, a primeira foi durante os anos de 1970 a 1988, que teve início depois da morte de seu fundador Walt Disney em 1966, foi nessa época que a Disney adotou o modo mais simplificado de animação em xerografia para diminuir os custos, o que afetou a qualidade das histórias que teve o fim com o lançamento de A Pequena Sereia em 1989 que deu inicio a sua Era da Renascença que durou até 1999 com o lançamento do filme de Tarzan.

Pois bem, foi justamente nesse contexto especifico que a  Disney  estava passando  na primeira metade dos anos 2000, onde alguns dos  títulos lançados no modelo tradicional 2D, estavam virando uma série de fracassos que a Disney passou a partir de O Galinho Chicken Little a produzir no padrão 3D que outros estúdios estavam adotando na época.

Nessa animação que contou com a direção de Mark Dindall e com roteiro assinado por Steve Bencich, Ron J. Friedman e Ron Anderson, baseado na fábula de Henry Penny que a Disney já havia adaptado como animação, mas, no formato de curta-animado lançado em 1943, ou seja, durante a Segunda Guerra Mundial.

 “O filme também é o último filme de animação da Disney feita antes de John Lasseter ser nomeado chefe de criação da Disney Animation, e o último filme da Disney lançado sob a égide "Walt Disney Feature Animation"”(Fonte: Wikipédia).

Ele também foi um fracasso de bilheteria e ao revisitar hoje o que eu constatei como o fato dele ter envelhecido mal está na forma como foi concebida o traço 3D, em especial nas texturas dos cabelos dos personagens que mostra-se como não foi feito nenhum cuidado. Fora a história que é muito medíocre para se dizer o mínimo. Por conta disso, é que essa animação  caiu  no esquecimento com o passar dos anos.

 

 

DEU A LOUCA NA CHAPEUZINHO(2006)





Essa animação produzida de forma independente  pelas produtoras Blue Yonder Films e  Kanbar Entertainment, inspirado na famosa personagem dos contos literários infantis que surgiu como uma lenda oral e teve sua história publicada pela primeira vez pelo francês Charles Perrault(1628-1703) e ficou mais popularmente  conhecida pela versão publicada pela dupla de escritores alemães formada pelos irmãos Jacob(1785-1863) e Wilhelm Grimm(1786-1859).

Que por ser de domínio público, já contou com diferentes adaptações, uma dessas  foi o curta-animado A Folgosa Chapeuzinho Vermelho(Red Hot Ridding Hood, EUA, 1943), produzido pela MGM e contou com a direção do mestre da animação Tex Avery(1908-1980).

 Nessa  adaptação que contou com a direção e roteiro dos irmãos Todd e Cory Edwards e de Tonny Leech.

O filme procurou tentar seguir bem a estética do que Shrek havia começado essa tendência de fazer filmes paródicos ao universo dos contos de fadas da Disney com a técnica do 3D.

Procurando subverter em trabalhar num mote policial investigativo, que assim no papel até que se mostra genial, mas na execução peca bastante.

Fora que o traço da animação é tão vagabundo que o torna bastante esquecível, por essas e outras é que ele figura na minha lista dos filmes dos anos 2000 que envelheceram muito mal.

 

 

 

A LENDA DE BEOWULF(2007)




Esse filme que usou da técnica do mocap, prova bem como envelheceu mal.

Dirigido por Robert Zemekis e com inspiração  na lendária mitologia do guerreiro viking, que após a criatura Grendell, se torna o rei e ainda enfrenta a ira de sua mãe e de um dragão.

O uso do mocap deixa os personagens com um aspecto estranho, artificial, onde ao mesmo tempo que você vê os atores em cena, não parece que eles naturalmente.

É uma prova do vale da estranheza.

 



HOMEM DE FERRO(2008)





Esse primeiro filme do Vingador Dourador que deu início a fase do Universo Cinematográfico Marvel de filmes conectados. Nesse primeiro somos apresentados a  um Tony Stark egocêntrico e muito inconsequente, vivendo sua vida de playboy. Nesse filme que contou com a direção do Jon Favreau, que também participa como ator representando o segurança Happy Hogan, apresenta os diferentes fatores que envelheceu mal, um dele é o fato de mostrar Tony Stark dando um pega numa jornalista que o entrevista, o que bem mostra o crime de assédio sexual principalmente ao leva-la para cama. E o fato de mostrar ele concebendo sua primeira numa armadura numa caverna no Afeganistão, que foi bem naquele em que o pais ainda estava sob domínio das tropas americanas que durou até 2021 e onde mostra ele agindo como o salvador branco dos afegãos, tudo isso prova como esse filme envelheceu mal. 



X-MEN-ORIGENS: WOLVERINE(2009)




Quem viu Wolverine retornando ao cinema no terceiro filme solo do Deadpool em 2024 e ficou bastante empolgado, sequer se lembra que quando o Deadpool apareceu em X-Men-Origens: Wolverine, sua participação é até hoje execrável.

Uma das razões está na maneira como ele foi completamente descaracterizado.

Isso de fato, está longe de ser o único problema dessa produção que contou com a direção de Gavin Hood, cujo roteiro foi escrito por David Benioff que tiveram o duro desafio de estruturar o mote da história de fazer um filme solo de um personagem derivado da franquia dos X-Men contando toda a sua vida pregressa, que novamente contou  com Hugh Jackman repetindo o papel. Isso é algo que no papel se mostrou genial, mas que na execução digamos,  falhou miseravelmente.

A parte que se mostra o maior calcanhar de Aquiles do  filme é no momento que aparece a Kayla(Lynn Collins), o par romântico do herói. Porque, no primeiro momento que ela aparece não demonstra ser uma mutante e ela termina sendo assassinada pelo Dente-de-Sabre(Lieve Schreiber) o que motiva o Wolverine por vingança aceitar fazer parte do projeto Arma X. Com ele adquirindo o adamantium em seu corpo e dá inicio a todo um clima de investigação, até ele descobrir que a morte da Kayla foi forjada pelo William Striker(Danny Huston), mostrando ser um plot twist muito decepcionante ainda mais que ela usava o poder mutante sem ele perceber de controle mental e tinha sido enviada pelo próprio Striker para ficar vigiando. Fora que a atriz coitada, é muito desperdiçada pelo texto horrível.

Dentre outros problemas, como por exemplo, o desempenho medíocre  de Will I Am na pele do Espectro, que foi companheiro de Wolverine no começo da história no grupo de mercenários liderados por Striker,  ele como ator mostra que tem mais talento mesmo como cantor. Porque ele não demonstra função alguma e mais desperdiçado é a participação de Taylor Kitsch na pele do Gambit, que coitado era para sua função mostrar  um bom ponto de virada na história, mas também é prejudicado pela maneira como o roteiro foi estruturado onde apresenta alguns furos, que se a gente for incluir em toda linha temporal da franquia dos X-Men acaba ficando mais complicado de entender, a ponto de deixar mais lacunas.

Para dar um exemplo mais especifico, nesse filme aparece a Emma Frost, a mutante que se transforma em cristal como uma das prisioneiras na ilha de Striker, e ela é apresentada como a irmã da Kayla, ela aparece com um aspecto mais jovial, porém anos depois quando ela apareceu em X-Men: Primeira Classe compondo o Clube do Inferno ela não menciona isso no seu passado e nem sobre sua família.

Essas coisas bestas, servem bem para explicar a falta de coesão narrativa que envolveu essa franquia.

segunda-feira, 5 de maio de 2025

30 ANOS DO LANÇAMENTO DO ÚNICO CD DOS MAMONAS ASSASSINAS

 

Em Maio de 1995, o excêntrico conjunto musical brasileiro Mamonas Assassinas lançava seu único Compact Disc(CD).




Um sucesso que até chegar aquele patamar não foi  tarefa das mais fáceis para conseguir.

É difícil imaginar que antes deles irem ao segmento cômico do deboche, do pastiche, do espalhafatoso, do extravagante, do escracho   e do circense com suas letras de teor puramente sacanas, cheias de duplo sentido e com cunho satírico.





 Os cinco componentes formados por Alecsander Alves vulgo Dinho(1971-1996) como vocalista, Alberto “Bento” Hinoto(1970-1996) como guitarrista, Júlio César Barbosa vulgo Julio Rasec(1968-1996) que foi o tecladista, Sérgio Reis de Oliveira vulgo Sérgio Reoli(1969-1996) como baterista e seu irmão, o baixista Samuel Reis de Oliveira vulgo Samuel Reoli(1973-1996).  

Naturais de Guarulhos/SP, onde inicialmente formaram o Utopia.

Uma banda séria que nada lembrava o jeito exagerado dos Mamonas que eles se tornaram,  cuja estética musical que eles adotaram como Utopia era por meio do rock progressivo com doses de heavy metal, e punk. Influenciados pelo estilo consagrado do rock brasileiro dos anos 1980  da Legião Urbana, por exemplo,  onde as letras que  compunham carregavam um tom panfletário, de protesto, com cunho de crítica social  assim como era a Legião, com umas doses de new wave. Chegaram a lançar um álbum em   LP mas que não conseguiu vender a porcentagem do número de cópias que foram lançadas. 





Talvez pelo fato de que como naquele contexto da primeira metade da década de 1990, onde o que reinava no cenário comercial da indústria fonográfica brasileira dando rios de dinheiro, e figurando como as minas de ouros dos produtores das gravadoras, das emissoras de rádios em que tocavam com muito jabá,  e nas constantes apresentações  populares programas de auditório da TV e enchiam as suas agendas de shows  eram as músicas de artistas dos segmentos mais popularescos como o sertanejo, o pagode romântico e o ritmo baiano da axé music que importou para o Brasil inteiro o modelo das micaretas.



Fora também que havia os artistas do funky melody de artistas  como Latino e o forró eletrônico do Mastruz com Leite com o sucesso de Meu Vaqueiro, Meu Peão, uma composição de Rita de Cássia(1972-2023) que também figuravam entre os que mais davam rios de dinheiros para a grande indústria fonográfica e figuravam nos paradões das populares emissoras de rádio.  E estava havendo a transição da tradicional mídia  física do gigante Long Play(LP) perdendo seu espaço para o pequeno Compact Disc (CD).




Analisando esse contexto, pode-se dizer  com isso,  que os cantores do segmento rock brasileiro que reinavam nos anos 1980, com suas músicas de alto  teor  intelectualizado, com tons de  protesto, de crítica social   já tinham perdido espaço naquele cenário comercial que se encontrava a música brasileira, pois já não despertavam mais interesse de lucro  do mercado musical, que depositava todas as suas fichas nos artistas mais popularescos.




Foi a partir daí que os cinco rapazes acordaram para a realidade e   tiveram a brilhante ideia  de mudar completamente o segmento musical seguindo a sugestão do seu produtor Rick Bonadio,  e mudaram de nome e de identidade e passaram a se assumirem como artistas cômicos para se aderirem ao segmento popularesco como os Mamonas Assassinas, o que se mostrou de fato uma decisão sabia e acertada.





Ao adotarem este tipo de segmento que os tornaram famosos nacionalmente, sendo explorados até a última gota para darem audiência nos mais diversos programas de auditórios da época e tocavam a exaustão nas rádios brasileiras, figurando no top dos  discos mais vendidos e sendo premiados com discos de ouro, prata,  platina e diamante.




A unanimidade de sucesso de público, não correspondia a mesma coisa em relação ao que a crítica especializada pensava deles que os massacravam, considerando suas canções muito ofensivas, de puro mau gosto, principalmente para as camadas mais jovem, que incluía as crianças. Considerando o teor humorístico de suas canções com piadas escatológicas, um exemplo de pura música besteirol com uma estética bem característica de rock cômico.




As letras de puro teor sacana, pastelão poderiam não se adequarem a este tempos atuais adotado pela geração  do cancelamento. 

 

Aqui faço minha análise  das 14 faixas que compõe o único CD dos Mamonas Assassinas por ordem de apresentação:

 

 

 

Faixa 1:1406

A canção que abre a  faixa do CD, pelo título se referir a uma numeração  faz parecer ser referente a uma estação de rádio, principalmente quando na introdução Dinho menciona o nome de um tal  Creuzebek que faz você imaginar ser um radialista.  Que na verdade, trata-se do apelido dado pelo grupo ao produtor Rick Bonadio.

O título da canção na verdade faz referência ao digito do número de telefone comercial o (011) 1406 do Grupo Imagem exibia a exaustão nos intervalos das programações das grandes emissoras.




No que ficou conhecido  como formato de informercial, junção das palavras informação com comercial, o serviço de teleatendimento que era comum durante a década de 1990.

A canção,  refletia bem o  tom crítico sobre o comportamento social do modelo  moderno de  consumismo brasileiro na década de 1990, dos produtos que eram exibidos à exaustão nos intervalos das programações das grandes emissoras  naquela fase  pré-mídia digital nesse serviço de teleatendimento que eram veiculados pelo extinto Grupo Imagem  que encerraria suas operações em 1999 com menções aos produtos das Facas Ginsu e estava surgindo na época o canal por assinatura  Shoptime  que usava o formato de Home Shopping.




Aquilo era o melhor que a gente conhecia de conceito de  comércio moderno  que hoje  virou sinônimo de  brega, visto que a Internet estava sendo recém-instalada no Brasil e mais parecia um retrato beirando ao futurismo do que a então novela das oito da Globo Explode Coração(Brasil, 1995-1996) de Glória Perez, estava nos introduzindo por meio do casal protagonista Júlio Falcão(Edson Celulari) e a Cigana Dara(Tereza Seiblitz) de universos diferentes estavam se conhecendo pela internet.




Que aliás, por falar em cigana, porque não lembrar de quando eram exibidos os teleatendimentos dos horóscopos que popularizou alguns videntes como Walter Mercado(1932-2019).




A trupe do Casseta & Planeta satirizava em seu programa na Globo com o quadro das Organizações Tabajara.




Dinho  estruturou a canção trazendo uma curiosa história de um cara lascado, que sonhava em  morar num apartamento no Guarujá, mas, acaba conseguindo um barraco em Itaquá onde sua esposa fútil vive querendo sonhar para que ele compre os produtos mostrados na tv.

A evidência fica nesse trecho:

“Mas a pior de todas é minha mulher

Tudo o que ela olha a desgraçada quer

Televisão, micro-ondas, micro system

Microscópio

Limpa-vidro, limpa-chifre, e

Facas Ginsu”.

Na canção ele brinca com os excessos de estrangeirismos na língua portuguesa usados de forma comercial,  como no trecho:

“Money

Que é good nóis num have

Se nóis havasse nóis num tava aqui playando

Mas nóis precisa de worká”

 

Onde um fato curioso é “Money, Que é good nóis num have”, foi  tirado da canção Laika nóis Laika, gravado em 1973 pela dupla brega Ponto & Vírgula.




A canção apesar de soar datada, pelo fato de ter sido concebido no momento especifico de uma fase pré-midia digital que pode gerar alguma estranheza, de todo modo tem sua importância.

A forma como eles colocam uma menção a Xuxa e ao jogador Pelé(1940-2022) que uma década antes  tiveram uma relação amorosa. Pode ser uma interpretação racista, mas tinha a ideia de mencionar o azar da classe baixa. Ou seja, mesmo se chovesse mulheres bonitas, no colo do personagem da música, cairia uma desgraça.

 

 

 

Faixa 2:Vira-Vira

       Nessa canção que compõe a segunda faixa do CD que era a que mais era tocada nos paradões das rádios FMs brasileiras e eles mais tocavam em suas apresentações nos populares programas de auditório, gira em torno de um causo em que o vocalista Dinho representando o padeiro  português Manoel com uma voz empostada para representar o jeito caricato do sotaque lusitano.








           Conta a história da experiência dele  ter sido convidado para ir  numa festa que estava rolando uma suruba que é como se denomina uma orgia, ou seja, sexo em grupo, ele não pôde ir  mas sua esposa Maria foi em seu lugar.

         Depois de uma semana ao retornar para casa, Maria passa  a reclamar   como ficou  toda dolorida  dessa experiência para o marido Manuel. 

        Coisa que eu quando criança ao ouvir repetidas e incansáveis vezes o CD e me divertir dançando  jamais entenderia  esse duplo sentido nas entrelinhas do texto por não ter discernimento do lado malicioso dela.




          O seu  ritmo e sua estética trazia muita influência da típica dança folclórica lusitana do Vira junto das três   canções do popular cantor português Roberto Leal(1951-2019) famoso entre nós brasileiros que são: Na Casa da Mariquinha cuja letra  tem um refrão que bem remete a dança do Vira nesse trecho:

 Ora vira, vira, vira
Mas olhas se vira bem
Se você sair da roda
Olha que eu saio também
.”

      Do mesmo modo como a canção Bate o pé cuja letra é:

Ai, bate o pé, bate o pé, bate o pé
Ai, bate o pé, faça assim como eu”

       E Arrebita cuja letra é:

  Ai cachopa, se tu queres ser bonita/Arrebita, arrebita, arrebita!”

         A referência a dança lusitana  do Vira pode ser sentida no famoso trecho onde  eles costumavam fazer a coreografia do giro que é característico do Vira:

         Roda, roda e vira, solta a roda e vem

Me passaram a mão na bunda e ainda não comi ninguém”

Roda, roda e vira, solta a roda e vem

Neste raio de suruba

Já me passaram a mão na bunda

E ainda não comi ninguém

       E a menção as canções de Roberto Leal podem ser percebidas num trecho do diálogo de Manuel com Maria no antepenúltimo parágrafo da estrutura da letra:

           Ô, Maria essa suruba me excita

(Arrebita, arrebita, arrebita)

Então vá fazer amor com uma cabrita

(Arrebita, arrebita, arrebita)

Mas, Maria, isso é bom que te exercita

(Bate o pé, arrebita, arrebita)

Manoel, tu na cabeça tem titica

Larga de putaria e vem cuidar da padaria

       Até comenta-se que Leal quase foi obrigado a processá-los por ridicularizar o português, mas ele nunca se sentiu nada ofendido.

          Ao contrário,  observando o seu  filho curtindo a canção dos Mamonas, ele próprio viu aquilo como uma forma de ser introduzido as novas gerações dos anos 1990.

          Essa canção é a única da faixa desse CD dos Mamonas Assassinas que contou com um duo de Dinho com o tecladista  Júlio Rasec com quem também divide a autoria da composição,  representando a Maria, esposa do Manoel usando uma técnica de timbre vocal  em falsete para falar fino  reclamando  das dores que carrega depois dessa suruba e ficando bem ao nível do caricato para soar cômico.

         Outro fato curioso sobre essa canção, é que sua letra  também  foi inspirada na piada do famoso humorista boca-suja Costinha(1923-1995) contida no álbum do seu vinil O Peru da Festa Vol.2 Ao Vivo, lançado em 1981.



           Onde ela é toda estruturada como os Mamonas descrevem  e reproduzem na música Vira-Vira, e foi dessa piada contida no Vinil do Costinha que eles colocaram no final a frase: Ai como dói.

 

Faixa 3:Pelados em Santos

Nessa canção que compõe a terceira faixa do CD, mostra ser  uma música que debochava do teor romanticamente brega, principalmente na forma como ele demonstrava fazer uma declaração de amor a sua pitchula ao  convidá-la  para caminhar numa Brasília Amarela, carro  já visto como uma  velharia  e que já se encontrava fora de fabricação no Brasil há muito tempo, para fazer uma viagem ao Paraguai.



O que bem servia para refletir a condição social deles próprios que representavam um reflexo de pertencerem a maior parte da população brasileira que são de uma classe média-média, mas para o lado periférico, mas que tinham  um padrão de vida até confortável.

 A pitchula de quem Dinho se declara na canção, não é  referente   a Valéria Zorpello, com quem ele estava namorando na época e prestes a ficar noivo  como se pensava, ainda mais porque ela aparecia muito em público nos populares  programas de auditório da TV  onde ele se apresentava,  mas sim a Mirella Zacanini,  com quem ele  namorou antes dessa, quando já estava tocando  na banda  na época que  ainda era Utopia e era produtora de um programa de TV,  apresentado por seu pai Savério Zacanini chamado Sábado Show na Rede  Record onde lá a banda tocava constantemente.

A sonoridade do saxofone traz uma nota inspirada em Crocodile Rock que o cantor britânico Elton John gravou em 1972.

 

 

Faixa 4:Chopis Centis

A canção  Chopis Centis  que compõe a quarta faixa do CD representa bem uma crítica a representação de um cara da periferia   passeando  pelo shopping acompanhado da namorada e adora ostentar ser cliente das Casas Bahia e de quando fica impressionado com as quantidades de gente da classe média andando por lá e da estranheza com a comida sofisticada que experimentou num restaurante fino temperada de gergelim  que comeu e dando preferência a uma   comida simples como o aipim.

Tem uma letra que ficou datada demais, principalmente pela forma como ele na parte do cinema menciona os nomes dos astros Arnold Schwarzenegger e Jean-Claude Van Damme, que na época ok, eram os que mais reinavam com seus filmes de ação no ambiente mainstream da época, mas já faz muito tempo que eles tinham perdido seus espaços para outros gêneros e outros astros também.

 

 

 

 

 

Faixa 5:Jumento Celestino

Jumento Celestino é a quinta faixa do CD que traz  um pouco do tom intimista de como o vocalista  Dinho expressa um pouco da sua sensação como imigrante nordestino, nascido  em Irecê/BA, onde se mudou para Guarulhos/SP, ainda bebê com apenas dois meses de vida com seus pais, onde lá eles conseguiram viverem bem num padrão de vida confortável fincando raízes por lá  e Dinho estava conquistando isto. 




 De certa forma, a letra da música refletia bem um pouco dessa sensação de como Dinho se via como imigrante nordestino nessa canção que carrega muito da sonoridade do autentico  forró pé de serra, cujo começo  há uma introdução de uma popular  canção de Genival Lacerda(1931-2021) autor da canção Rock do Jegue  que na época estava sendo bastante tocada nos paradões da  rádios, cuja introdução é:

“De quem é esse jegue?

De quem é esse jegue?

De quem é esse jegue?

Oh, rapaz!

Não é jegue não, é Jumentiu

 

 

Faixa 6:Sabão Crá-Crá

Sabão Crá-Crá   é uma canção que compõe a sexta faixa do CD,  cuja autoria é desconhecida, surgiu de uma lenda urbana escolar, a forma de cantar deles dá a impressão de ter sido uma canção de ninar de duplo sentido como a letra bem transmiti de uma forma boba e infantilóide  com sentido escatológico, o que dá a impressão de ter envelhecido mal de tão datada que ficou:

“Sabão crá-crá

Sabão crá-crá

Não deixa os cabelos do saco enrolar

Sabão cré-cré

Sabão cré-cré

Não deixa os cabelos do saco de pé

Sabão crí-crí

Sabão crí-crí

Não deixa os cabelos do saco cair

Sabão cró-cró

Sabão cró-cró

Não deixa os cabelos do saco dar nó

Sabão crú-crú

Sabão crú-crú

Não deixe os cabelos do saco

Enrolar com os do cu

 

Faixa 7:Uma Arlinda Mulher

Com título inspirado  no filme Uma Linda Mulher*(Pretty Woman, EUA,1990) famoso filme  de romance da década de 1990, estrelado por Júlia Roberts e Richard Gere.




A sétima faixa do CD  também a meu ver  do repertório desse único álbum dos Mamonas Assassinas se trata de uma canção que mesmo tendo um  tom cômico de romance numa pegada de heavy metal, trazia uma bem trabalhada letra que usava de muitos conceitos científicos da física que dava um ar bastante intelectualizado a canção.

O que chega a provocar um pouco de viagem ao cosmo infinito.  Como a letra completa bem reflete isso com aquele debochado de sempre. Algo bastante conceitual.

 

      Faixa 8:Cabeça de Bagre II

Cabeça de Bagre II, a oitava faixa do  CD ficou datada, por se tratar de uma música onde Dinho também imprimiu um caráter bem intimista ao retratar como ele em sua fase de estudante de ensino fundamental de escola pública, foi um aluno problemático com  notas sofríveis e deploráveis  quando  ficou em repetência da quinta série.

Confesso que essa foi uma das músicas que eu mais me identificava quando menino e  ouvia constantemente  este CD no antigo aparelho de som do quarto dos meus pais. Já que na época eu também estava passando pela fase de repetência na escola. Ela até que carrega uma atemporalidade, por se tratar de uma canção que crítica bastante como funciona o sistema engessado do  método de ensino público brasileiro e suas políticas públicas, um problema que não mudou. 

Nesse aspecto, que até que a canção envelheceu bem. Porém existem, umas parte que ficaram bastante datadas, que talvez um jovem que não era nascido na época dessa época talvez não pegue a referência.  Como o fato dele mencionar quando repetiu a Quinta Série do antigo Ensino Fundamental brasileiro, que ainda era adotado dessa forma, mas que agora passou a equivaler ao Sexto Ano do Ensino Fundamental. E fazendo alusão a recente conquista do tetra  da seleção brasileira de futebol na Copa do Mundo de 1994 nos EUA com uma modificação da grafia para “Tretacampeão”, que longo que a seleção levou o Penta na Copa de 2002 poderia soar estranho. 

 

 

Faixa 9:Mundo Animal

A nona faixa ficou  bem atemporal  ao meu ver por se tratar de uma letra onde eles brincam com a característica com muito duplo sentido, mais que também reflete o contraste em relação a vida humana. Com tom bem debochado e com palavras inventadas. Como pode-se bem exemplificar no trecho abaixo:

No mundo animal

Ixéste muita putaria

Por exemplo, os cachorro

Que come a própria mãe, sua irmã e suas tias

Eles ficam grudados

De quatro, se amando em plena luz do dia

 

 

Faixa 10:Robocop Gay

Robocop Gay   é a décima faixa do  CD trata-se de  uma canção desse único álbum que na época mesmo em forma de deboche já demonstrava  tratar com um ar bastante  panfletário contra a homofobia e dando voz a representatividade LGBTQIAPN+,  numa época que boa parte ainda se escondia do armário por serem visto de forma banal como desviantes,  isto fica bem evidente quando ele coloca na letra que diz:

“Abra sua mente

Gay também é gente “

Por esse motivo ele tem um grau de importante relevância para a música brasileira, numa paródia do Robocop com o Capitão Gay, personagem do Jô Soares(1938-2022) no humorístico Viva o Gordo (1981-1987) da Rede Globo.

 

 

 

Faixa 11:Bois Don´t Cry

Bois Don´t Cry, a décima-primeira faixa do CD  trata-se de uma canção cujo título se referia ao clássico rock  Boys  Don´t Cry, sucesso nos anos 1980 da banda britânica The Cure**,  com uma letra   bem apropriada para se ouvir na fossa.




 Com aqueles toques bem eu-líricos que bem remete a típica   música da sofrência,  da dor de cotovelo, traição, do homem levando chifre na testa, um corno,  com uma pegada que  bem lembra as populares músicas de cantores  bregas como: Reginaldo Rossi(1943-2013) com Garçom,  Waldick Soriano(1933-2008)  com Eu não sou cachorro não ou mesmo Alípio Martins(1944-1997) como Lá vai ele com aquele toque bem cômico.

Usando de um ar shakespeariano com aquela famosa frase  da peça de HamletSer ou não ser, eis a questão”, uma das famosas obras do dramaturgo britânico William Shakespeare(1564-1616) aqui ele modificou  começando o texto com “Ser corno ou não ser eis a minha indagação”, para carregar bem o ar da pura dor de cotovelo de um cara traído pela amada tomando porres nos botecos,   acompanhado de  uma sonoridade de trombone no começo até a metade da canção, lembrando um  bolero tipicamente latino americano, principalmente quando ele coloca em um trecho “Soy um hombre conformado” com aquele exagero de galã canastrão de novela mexicana,    e vai ficando intensa com som de rock. Justamente pela estética da letra o torna bastante atemporal.  No final, pode-se ouvir umas notas de piano que remetem a trilha sonora do filme Contatos Imediatos do Terceiro Grau(Close Encounters of the Third Kind,EUA, 1977) dirigida por Steven Spielberg e com produção musical do maestro John Williams.

 

 

Faixa 12:Débil Metal

Débil Metal, a décima-segunda faixa do CD, também se mostrou muito atemporal por ter uma sonoridade e uma letra que apesar de ser toda em inglês ainda assim consegue manter o tom debochado ao se inspirar na estética musical do heavy metal, do grunge que estava em alta nos anos 1990, enfim. Fora a própria letra transmite bem isso.  Com Dinho cantando em um timbre imitando o vocalista do Sepultura.

 

 

 

 

Faixa 13:Sábado de Sol

Sábado de sol é  a penúltima faixa do único CD dos Mamonas Assassinas  que ficaram datadas, a que mais envelheceu mal. No sentido de que a maneira como foi gravado deixou parecer uma gravação muito amadora, gravada como se tivesse sido num encontro de luau de amigos de forma muito caseira, o que gera uma forte estranheza de qualidade sofrível. A canção não foi composta originalmente por nenhum dos Mamonas. Mas sim pelo Baba Cósmica, cuja sonoridade deram uma roupagem bem atemporal a letra. A letra contava o causo de um cara que programou o final para se juntar com uns amigos num caminhão para comer uma feijoada e de repente se deparam com muita maconha como o trecho pode bem exemplificar:

“Sábado de sol

Aluguei um caminhão

Pra levar a galera

Pra comer feijão

Chegando lá, mas que vergonha

Só tinha maconha

Os maconheiros tava doidão

Querendo meu feijão”

 

Faixa 14: Lá vem o Alemão.

Lá vem o Alemão, a última faixa do CD, trata-se de uma canção desse único álbum dos Mamonas que se mostrou bem atemporal por se tratar de uma canção que brincava com o pagode romântico que estava em alta na época.

Tanto que o título brinca com a canção Lá vem o negão, o único hit da banda de pagode Cravo e Canela com aquele ar  bem romântico  e bem debochado da banda sobre a sua amada  o ter trocado por um cara bonitão, loiro e forte de carro conversível, enquanto ele um lascado o levava de Kombi pelo Boqueirão, um famoso bairro de classe média de Santos para levar a curtir uma praia. Dinho em diferentes trechos dessa canção que fecha o único CD gravado pelo conjunto  faz imitações de dois vocalistas de bandas de pagodes de sucesso na época  que não por acaso eram conterrâneos da Banda, ou seja, ambos paulistas,  como Luiz Carlos do Raça Negra e  Netinho de Paula do Negritude Jr.  A letra expressa bem isso com um ar bem cômico.

No balanço geral, posso descrever que os Mamonas Assassinas representaram bem um ponto fora da curva dentro das tendencias musicais que estavam atraindo o mercado musical brasileiro naquele período dos meados dos anos 1990.

Principalmente no que diz respeito ao fato de que eles carregavam um estilo de musicalidade cômica com toques de deboches  misturando diferentes estilos musicais que tornaram sua identidade própria.

Pena que a carreira deles tenha sido tragicamente abreviada pelo acidente aéreo ocorrido na Serra da Cantareira/SP no dia 2 de Março de 1996, onde todos eram muito jovens. O tecladista Júlio Rasec que era o primogênito do grupo estava com 28 anos, o baterista Sérgio Reoli estava com 26 anos, o guitarrista Bento Hinoto estava com 25 anos, o vocalista Dinho estava com 24 anos, a poucos dias de completar 25 anos no dia 5 de Março, e o baixista  e irmão de Sérgio Reoli, que era o caçulinha grupo Samuel Reoli, faleceu com 22 anos, faltando poucos dias para completar 23 anos.

É meio difícil imaginar que se a carreira do conjunto não tivesse sido abreviada por esse acidente, se eles continuariam  fazendo sucesso até hoje, passados 30 anos após o lançamento desse único CD.

*O título original do filme do diretor Garry Marshall(1934-2016) se refere ao título da canção Oh Pretty Woman do cantor Roy Orbison(1936-1988) gravada em 1964 que é tocada na trilha sonora do filme.

**"Boys Don't Cry" é um single  da banda britânica  The Cure , lançado em junho de 1979 e relançado em abril de 1986 pela gravadora Fiction Records. Foi lançado no Reino Unido  como single autônomo em junho de 1979 e foi incluído como faixa-título na coletânea Boys Don´t Cry, de 1980. (Fonte: Wikipédia). Composição de Robert Smith,  Laurence Tolhurst e Michael Dempsey. O riff da guitarra usada para criar um clima contagiante para dançar, apresenta um letra depressiva sobre a cultura da masculinidade tóxica que ensina que homem não chora.