quinta-feira, 30 de julho de 2026

40 ANOS SEM CÂMARA CASCUDO

 

No dia 30 de Julho de 1986, partia o importante intelectual potiguar Luís da Câmara Cascudo(1898-1986).  Historiador, folclorista, antropólogo, cronista e entre muitas outras facetas.

Câmara Cascudo é uma importante referência nos estudos de folclores no Brasil todo.




Publicou centenas de livros a respeito do estudo cultural das manifestações folclóricas brasileiras, um desses que tive o prazer foi Superstição no Brasil.




Um ótimo livro sobre que é um verdadeiro almanaque para compreender a formação cultural brasileira, suas crendices, seus costumes dentre outros.

Um outro livro interessante que já tive a oportunidade de ler foi Crônicas de Origem-A Cidade de Natal nas crônicas cascudianas dos anos 20.




Publicado pela Editora da UFRN-EDUFRN em 2005 com organização e estudo introdutório de Raimundo Arrais. Neste livro somos apresentados aos melhores textos escritos pelo ilustre Cascudo em sua coluna   no jornal A República na década de 1920.

O livro nos transporta a uma verdadeira viagem no tempo, onde nos proporciona conhecer um pouco mais de como era o modo de vida de uma Natal desconhecida pela maioria de nós potiguares, principalmente ao exaltar a vida artística dos antigos bairros da Ribeira, Cidade Alta e Alecrim lugares ignorados pelos órgãos públicos com seus antigos monumentos em ruínas.

Uma boa maneira de conhecer a nossa história e dá mais valor à nossa cultura. Interessante observar  pelo tipo de escrita e pela forma de narrativa a maneira como era retratado, pincelado, moldado ou mesmo desenhado o cenário cultural da  boêmia Natal provinciana  de um século atrás com o povo vivendo uma vida pacata de cidade bucólica onde a urbanização era bem diferente, não existia shoppings centers, e sem aquela visão de peça publicitária que estamos acostumados a ouvir de algum turista como um  lugar  paradisíaco, edênico e tropical  a  descrevendo aqui   como a cidade do sol, exaltando o litoral e suas peculiaridades, as dunas, o cajueiro entre outras infinidades  em comparação  a atual Natal moderna com um modelo urbanização desenfreada, desorganizada, transito engarrafado e caótico, violência urbana atormentando a cidade enfim. 

Ele também escreveu uma obra de conto intitulada de A Princesa de Bambuluá, que inspirou o nome de um programa infantil da Globo, chamado de Bambuluá(Brasil, 2000-2001).





Recentemente, um projeto organizado pela neta de Câmara Cascudo, Daliana Cascudo de publicar os manuscritos inéditos de suas poesias, vai ganhar uma publicação.  Que também preside o Instituto Câmara Cascudo, que cuida de preservar o acervo e a memória do escritor, segundo pelo que declarou na matéria do AgoraRN:

É um material que mostra também um novo Cascudo. A gente tem obras muito interessantes, como um livro de poemas”, afirma.




 

Segundo a matéria do AgoraRN sobre o novo lançamento:

O manuscrito chama-se “Caveira em Campo de Trigo” e ajuda a preencher uma lacuna na trajetória literária do intelectual. Embora tenha escrito versos e compartilhado alguns deles com nomes como Mário de Andrade e Manuel Bandeira, Cascudo jamais publicou um livro de poesia.

A decisão foi registrada pelo próprio autor em uma carta enviada a Mário de Andrade, em 1925. Nela, escreveu que havia concluído o livro, mas desistiria da publicação. “Ele diz: ‘Mário, eu terminei esse livro de poema, se chama Caveira em Campo de Trigo, mas eu não vou publicar. Eu não sou poeta. Vou enterrar esse livro no inferno da biblioteca’. E enterrou tão bem enterrado que a gente passou quase cem anos para descobrir.”

Isso prova como Cascudo, continua relevante mesmo tendo passado quatro décadas de sua partida.




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