No
dia 30 de Julho de 1986, partia o importante intelectual potiguar Luís da
Câmara Cascudo(1898-1986). Historiador,
folclorista, antropólogo, cronista e entre muitas outras facetas.
Câmara
Cascudo é uma importante referência nos estudos de folclores no Brasil todo.
Publicou
centenas de livros a respeito do estudo cultural das manifestações folclóricas
brasileiras, um desses que tive o prazer foi Superstição no Brasil.
Um
ótimo livro sobre que é um verdadeiro almanaque para compreender a formação
cultural brasileira, suas crendices, seus costumes dentre outros.
Um
outro livro interessante que já tive a oportunidade de ler foi Crônicas de Origem-A Cidade de Natal nas
crônicas cascudianas dos anos 20.
Publicado
pela Editora da UFRN-EDUFRN em 2005 com organização e estudo introdutório de
Raimundo Arrais. Neste livro somos apresentados aos melhores textos escritos pelo
ilustre Cascudo em sua coluna no jornal
A República na década de 1920.
O
livro nos transporta a uma verdadeira viagem no tempo, onde nos
proporciona conhecer um pouco mais de como era o modo de vida de uma Natal
desconhecida pela maioria de nós potiguares, principalmente ao exaltar a vida
artística dos antigos bairros da Ribeira, Cidade Alta e Alecrim lugares
ignorados pelos órgãos públicos com seus antigos monumentos em ruínas.
Uma
boa maneira de conhecer a nossa história e dá mais valor à nossa cultura. Interessante
observar pelo tipo de escrita e pela
forma de narrativa a maneira como era retratado, pincelado, moldado ou mesmo
desenhado o cenário cultural da boêmia
Natal provinciana de um século atrás com
o povo vivendo uma vida pacata de cidade bucólica onde a urbanização era bem
diferente, não existia shoppings centers, e sem aquela visão de peça
publicitária que estamos acostumados a ouvir de algum turista como um lugar
paradisíaco, edênico e tropical
a descrevendo aqui como a cidade do sol, exaltando o litoral e
suas peculiaridades, as dunas, o cajueiro entre outras infinidades em comparação
a atual Natal moderna com um modelo urbanização desenfreada,
desorganizada, transito engarrafado e caótico, violência urbana atormentando a
cidade enfim.
Ele
também escreveu uma obra de conto intitulada de A Princesa de Bambuluá, que inspirou o nome de um programa infantil
da Globo, chamado de Bambuluá(Brasil,
2000-2001).
Recentemente,
um projeto organizado pela neta de Câmara Cascudo, Daliana Cascudo de publicar
os manuscritos inéditos de suas poesias, vai ganhar uma publicação. Que também preside o Instituto Câmara Cascudo,
que cuida de preservar o acervo e a memória do escritor, segundo pelo que
declarou na matéria do AgoraRN:
“É um material que mostra também um novo
Cascudo. A gente tem obras muito interessantes, como um livro de poemas”,
afirma.
Segundo
a matéria do AgoraRN sobre o novo lançamento:
O manuscrito chama-se
“Caveira em Campo de Trigo” e ajuda a preencher uma lacuna na trajetória
literária do intelectual. Embora tenha escrito versos e compartilhado alguns
deles com nomes como Mário de Andrade e Manuel Bandeira, Cascudo jamais
publicou um livro de poesia.
A decisão foi
registrada pelo próprio autor em uma carta enviada a Mário de Andrade, em 1925.
Nela, escreveu que havia concluído o livro, mas desistiria da publicação. “Ele
diz: ‘Mário, eu terminei esse livro de poema, se chama Caveira em Campo de
Trigo, mas eu não vou publicar. Eu não sou poeta. Vou enterrar esse livro no
inferno da biblioteca’. E enterrou tão bem enterrado que a gente passou quase
cem anos para descobrir.”
Isso
prova como Cascudo, continua relevante mesmo tendo passado quatro décadas de
sua partida.







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