sexta-feira, 28 de agosto de 2026

AS AEROMOÇAS DA VARIG NA CAPA DA PLAYBOY

 

Há 20 anos, a extinta revista masculina da Playboy Brasil  trazia em sua  capa para a edição de setembro de 2006, o  ensaio estrelado pelo trio de Ex-Aeromoças da Varig formado por: Patrícia Kreusburg Marques, Sabrina Knop e Juliana Neves.







A escolha delas não foi pelo acaso, até porque elas refletem bem aquele momento onde especificamente o setor aéreo brasileiro viveu uma fase crítica e um tanto caótica por conta do Apagão Aéreo.

Nome dado a esse período especifico ali por volta da segunda metade dos anos 2000, “para referir-se a graves falhas estruturais em algum setor, por analogia ao sentido original de falta de energia elétrica (blecaute).

Durante mais de um ano a situação no transporte aéreo de passageiros no Brasil passou por dificuldades, como atrasos de voos longos e diários, problemas sobre a infraestrutura aeroportuária,questionamentos dos controladores de voo etc.

(Wikipédia).

 

Por essa razão especial é que essas três aeromoças foram as escolhidas para estrelar a capa da antiga Playboy que hoje já não opera mais em solo brasileiro desde 2018, ainda mais  porquê constantemente a imprensa fazia a cobertura mostrando a situação da aglomeração de pessoas  dos aeroportos com filas imensas esperando os voos atrasados. 

Junto ao fato de que   naquele momento a antiga  empresa brasileira de aviação Varig, fundada em 1927 estava encerrando suas operações após perder espaço para Gol e para Tam  que estavam crescendo por  vender passagens mais  baratas  enquanto que a Varig estava passando por uma crise financeira brava e para piorar o cenário do Apagão Aéreo que a indústria da aviação estava vivendo, também  ocorreu o trágico acidente do Voo Gol 1907 em 29 de Setembro de 2006.



Sobre o atual paradeiro das três ex-aeromoças da Varig que estamparam a capa da Playboy: Sabrina Knop e Juliana Neves optaram por uma vida comum  longe dos holofotes após a repercussão inicial. Na época, Sabrina chegou a assinar brevemente com uma agência de modelos e fez carreira nas Relações Públicas e Juliana virou fisioterapeuta.  




Já quanto a Patrícia Kreusburg utilizou bem o cachê para investir em outra carreira na área de turismo. Em 2021, enfrentou uma batalha contra um câncer no ovário onde até postou uma foto nas redes sociais irreconhecível devido a quimioterapia descrevendo sua luta para conseguir vencer a doença.

 

 

 

DOCUMENTÁRIO SOBRE O APAGÃO AÉREO.

Aproveitando o tema   para dar uma dica de produção que explora bem o que foi esse período da crise do apagão aéreo que ocorreu na indústria da aviação brasileira, recomendo assistirem a série documental da Netflix Congonhas: Tragédia Anunciada (Brasil, 2025).  




Dividida em 3 episódios, com direção de Angelo Defanti, com roteiro de Eduardo Aquino, Lívia Arbex e Fábio Leal.

O documentário é narrado pelo ponto de partida do acidente aéreo do voo da Tam 3054, no dia 17 de julho de 2007, onde são mostrados por meio das entrevistas com os parentes dos passageiros mortos no voo, os investigadores, os peritos, as testemunhas oculares dentre outros exemplos.




Que narram como aquele acidente já tinha tudo para ser uma tragédia anunciada como bem indica o subtítulo, principalmente quando são analisados todos os contextos relacionado ao cenário caótico do apagão aéreo que a indústria da aviação brasileira vinha enfrentando naquele período.

Que intercalados com as imagens de arquivos das reportagens da época que mostravam o registro das filas gigantes com os atrasos nos aeroportos gerando transtorno.




Onde entra na questão do cenário socioeconômico e político do Brasil dos dois mandatos de Lula na Presidência da República na primeira e segunda metade dos anos 2000, onde com o alto crescimento econômico brasileiro que fez criar uma nova ascensão de classe média e que com esse alto poder aquisitivo de compra fez explodir o número de compras de passagens, o que gerou como efeito colateral que os aeroportos não tinham estrutura para lidar com essa alta demanda.

E também aborda o momento onde a tradicional Varig fechava suas portas, justamente nesse contexto.

Foi naquele contexto que é mencionado o acidente da Gol 1907 que caiu na Amazônia em setembro de 2006, meses antes do acidente da Tam em Congonhas e também a outro acidente aéreo que ocorreu em 1996 que foi com o Voo 402 com o Folker 100 que caiu no bairro da Jabaquara próximo de Congonhas, onde até fazem menção ao importante gestor da empresa Rolim Amaro(1942-2001).

Ele também mostra o depoimento da então gestora da  ANAC(Agência Nacional de Aviação Civil) Denise Abreu procurando se defender da situação dizendo que virou um bode expiatório, tentando se vitimizar, o que se torna um tanto revoltante.

Uma situação que agravado pelo fato da pista molhada e inapropriada para pouso, já tinha tudo para virar uma tragédia anunciada, e todos os contornos dos processos judiciais cujos resultados por conta da lentidão da justiça brasileira resultou em impunidades.  Vale a pena assistir para saber desse momento trágico que não pode ser esquecido jamais ocasionado pela negligencia dos nossos aeroportos. Principalmente se você pensa em programa uma viagem ter essa consciência.

P.S: Ironicamente Rolim Amaro também morreria num acidente aéreo em 8 de julho de 2001, sendo ocasionado quando ele pilotava um helicóptero em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. A caminho de uma reunião no país, pilotava um helicóptero, que, segundo testemunhas, voava baixo quando bateu no alto de uma árvore, caindo e matando todos a bordo.  

O homem símbolo da aviação brasileira, morreu justamente num acidente na aérea na qual era muito apaixonado.

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