Se
hoje estivesse vivo, o desenhista francês René Goscinny(1926-1977), o criador
do Asterix estaria completando hoje 100 anos.
Nascido
em Paris, em 14 de Agosto de 1926, filho de imigrantes judeus poloneses, seu
pai era professor de matemática e sua mãe era oriunda da Ucrânia.
Aos
2 anos, mudou-se com os pais para a Argentina em 1928, onde passou a sua
infância na capital Buenos Aires.
Já
mostrando uma aptidão notável para as artes, fez seus primeiros desenhos na
revista da escola, como Notre Voix e Quartier Latin. Pouco tempo após se
graduar em Belas Artes em 1943, Goscinny enfrentou a perda inesperada do pai, o
que o obrigou, por problemas financeiros a aceitar um emprego como
guarda-livros numa fábrica de pneus.
Depois
que decidiu pedir demissão, chegou a aceitar trabalhar como ilustrador júnior
numa agência de publicidade, onde não obteve muito sucesso. Em 1945, aceitou o
convite do seu tio materno para se mudar para Nova York onde levou sua mãe.
Lá
trabalhou durante algum tempo como tradutor até ser convocado para as tropas
francesas, no entanto, como a Segunda Guerra Mundial já estava chegando no fim,
ele não chegou a participar de nenhuma ação em batalha. Regressou para o bairro
do Brooklyn após a dispensa e voltou a sua jornada como artista.
Em 1948, conseguiu encontrar trabalho
como assistente num pequeno estúdio e aqui ele entrou em contato com o belga
Maurice de Bevere que assinava como Morris(1923-2001), o criador do Lucky Luke e com o americano Harvey
Kurtzman((1924-1993) que deu grande incentivo para otimizar seu trabalho.
Kurtzman foi a ponte de Goscinny para ele
tomar contato com os novos artistas americanos que estavam surgindo no cenário
da indústria, dentre eles os três fundadores da revista MAD: Will Elder(1921-2008), Jack Davis(1917-2000) e John Severin(1921-2012).
Após
já minerar bem o seu estilo ao ponto de chamar a atenção de um importante da
industrias dos quadrinhos franco-belgas Georges Troisfontaines(1919-2007), o
diretor da World Press Agency em Bruxelas, capital da Bélgica.
Ao
se mudar para a Bélgica, Goscinny também conheceu o diretor de arte da Agência
Dupuis, Jean-Michel Charlie(1924-1989), acabando por se estabelecer em Paris,
onde fez alguns trabalhos para a Dupuis vindo mais tarde, em 1951, a assumir a
gestão do Gabinete de Imprensa de Paris de Imprensa da World Press Agency. Foi
aqui que ele conheceu seu parceiro na criação de Astérix Albert Uderzo(1927-2020).
Foi em 1959, que Goscinny e
Uderzo lançaram na revista Pilote o
famoso herói gaulês Astérix, um
resistente a invasão dos romanos na Gália, com a ajuda da poção do druida Panoramix,
que parodiava a invasão moderna da cultura americana em território francês. Sua
inspiração foi num gaulês de verdade Vercigentorix.
Goscinny
também foi trabalhando na ilustração do livro infantil O Pequeno Nicolau de autoria de Jean-Jacques Sempé(1932-2022) e
criou ao lado de Jean Tabary(1930-2011)
outro personagem de quadrinho chamado de Iznogoud*.
ADAPTAÇÕES
DE ASTÉRIX NAS ANIMAÇÕES E LIVE ACTIONS.
O Astérix foi o que simbolizou a grande marca da
carreira de Goscinny a ponto dele ser bastante licenciado graças as adaptações
para filmes animados e live actions como entre esses que posso aqui mencionar que
mais me impressionou foi Os Doze Trabalhos de Astérix(Les Douze Travaux d'Astérix,França, 1976) que foi a terceira produção
de animação inspirado na marca Astérix,
foi a única produzida pelo Stúdio
Idéfix, fundada em 1974, por seus
criadores Goscinny e Uderzo.
Goscinny
e Uderzo são creditrados como diretores e Uderzo também colaborou como roteirista ao lado de
Pierre Watrin(1918-1990) e codirigido por Pierre Tchernia(1928-2016).
Provavelmente para terem controle criativo sobre a
obra e também contou com a
colaboração do editor Georges Dargaud(1911-1990) fundador da
Dargaud, importante editora francesa de quadrinhos como cofundador da empresa que teve uma vida
curta.
Isso porque o
Studio Idéfix encerrou suas operações em 1978, um ano após
o falecimento de Goscinny em 05 de Novembro de 1977, com 51 anos após sofrer um ataque cardíaco e
nessa mesma data do fechamento da empresa lançaram o filme animado inspirado no
herói franco-belga assim como Asterix
que é Lucky Luck com A Balada
dos Daltons(Lucky Luke: The Ballad of the Daltons, França, 1978) que foi um
trabalho póstumo dirigido por Goscinny que faleceu faltando pouco para concluir a história.
Antes
disso, houve a primeira adaptação animada de Astérix que foi Astérix,
O Gaulês(Astérix, Le Gaulois, França, 1967) essa obra foi dirigida pelo belga Ray Goossens(1924-2008) e
foi inspirado na primeira HQ de Astérix publicada em 1961.
Em
seguida veio Astérix e Cleópatra(Astérix et Cléopâtre, França,
1968), a segunda adaptação animada da HQ publicada em 1965, onde foi dirigido
pelo próprio Goscinny e Uderzo e contou com
a codireção do americano Lee
Payant(1924-1976). Essas duas produções
contaram com a parceria da Dargaud e da Belvision.
Livremente
inspirada na saga mítica do herói semideus grego Héracles que com a dominação
do Império Romano eles passaram a adotar um culto aos deuses gregos modificando
seus nomes e Héracles virou Hércules e foi daí que originou a saga dos Doze Trabalhos de Hércules.
Na
obra de Os Doze Trabalhos de Astérix
para quem gosta do estilo peculiar de humor de Astérix que satiriza o
herói resistente a invasão romana na Gália, onde aqui mostra ele tendo esse
desafio proposto pelo Imperador Júlio César.

Ao
longo da narrativa acompanhamos Astérix acompanhado de seu inesperável
parceiro glutão Obélix cumprindo o desafio das Dozes Tarefas
sugeridas por Júlio César inspirado na saga de Hércules como o próprio se
mostra autoconsciente disso.
Eles
enfrentaram cada desafio que vão testá-los física e psicologicamente
enfrentando cada um que vão desde um veloz corredor romano, um combate com
gladiador germânico, se alimentarem num
restaurante cheio de comida farta onde de hora em hora é servido diferentes pratos, a sedução das
atraentes ninfas em sua ilha, encarar um prédio burocrático dentre outros dos
mais pitorescos que se pode imaginar com aquele característico humor cartunesco
das obras de Astérix.
A
produção dessa animação de Os Doze Trabalhos de Astérix usou uma técnica
que estava sendo muito usada pela
gigante Disney na época que é a xerografia.
A
xerografia foi uma técnica que revolucionou a animação da Disney, permitindo
que os desenhos dos artistas fossem transferidos diretamente para as
células. O processo foi testado pela primeira vez em A Bela Adormecida(1959),
mas foi usado em grande escala no curta-metragem Golias II e no filme 101
Dálmatas (1961).
“A
xerografia foi uma solução para o problema de transferir e tingir os desenhos
dos animadores manualmente nas células de animação, um processo caro e
demorado. A técnica permitiu que a Disney economizasse tempo e dinheiro, e
também de controlar o tamanho dos personagens e dos objetos fotocopiados.
O
processo xerográfico foi adaptado por Ub Iwerks(1901-1971), o desenhista que
criou o personagem Mickey Mouse. A técnica foi usada em praticamente todos
os filmes de animação da Disney até A Pequena Sereia(1989), quando os
computadores substituíram a necessidade de usar células.”
(Fonte:
Texto retirado do Google).
Depois
de Os Doze Trabalhos de Astérix, houve um longo hiato de 10 anos sem ter
uma nova produção inspirado no famoso herói gaulês até ser produzido um novo filme
animado de Astérix que foi Astérix e a Surpresa de César(Astérix
et la Surprise de César – França, 1985).
Onde quem ficou encarregado da produção
foi a Dargaud junto com a Les Productions René Goscinny que contou com a
direção dos irmãos Paul e Gäetan Brizzi.
Em
seguida veio outras séries de filmes animados como: Astérix entre os
Bretões(Astérix chez les Bretons, França, 1986),produção que contou com o
dedo da importante companhia de cinema francesa Gaumont, fundada em 1895 pelo
engenheiro Leon Gaumont(1864-1946) que teve o envolvimento de Pierre Tchenia
como roteirista e foi dirigido pelo ítalo-canadense Pino van
Lamsweerde(1940-2020).
Seguido
de Astérix e a Grande Luta(Astérix et le coup du menhir, França, 1989)
que contou com a direção de Philippe Grimmond e sem o envolvimento da mesma
equipe criativa.
Na
sequência vieram: Astérix Conquista a América(Astérix Conquers America,
França, 1994) que contou com a direção do alemão Gerhard Hann, Astérix e os
Vikings(Astérix et le Vikings, França, 2006) que contaram com a direção dos
dinamarqueses Jesper Møller e Stefan Fjeldmark, Astérix e O Domínio dos
Deuses(Astérix - Le Domaine des Dieux, França, Bélgica, 2014) com direção
de Alexandre Astier e Louis Clichy que marca a primeira produção animada de Astérix
a usar a técnica em 3D e Astérix e o
Segredo da Poção Mágica(Astérix: Le secret de la potion magique, França,
2018) que contou novamente com a direção de Astier e Clichy.
Isso
sem contar a série de filmes live actions que começou a partir do final dos
anos 1990 com Astérix e Obélix Contra César(Astérix & Obélix Contre
Cesar, França,1999) dirigido por Claude Zidi e contou com Christian Clavier
como Astérix, Gérard Depardieu como Obélix e o renomado cineasta
italiano Roberto Benigni como o temido
imperador romano Júlio César.
Logo
em seguida veio: Astérix e Obélix: Missão Cleópatra(Asterix &
Obelix: Mission Cleopatra,França, 2002)
este que contou com a direção de
Alain Chabat que no filme também representou Júlio César, que além de contar
novamente no elenco com Clavier e Depardieu repetindo os respectivos papeis de
Astérix e Obélix, também contou no
elenco com a participação da renomada
atriz italiana Monica Bellucci que representa
bem em cena a mítica Rainha do Egito Cleópatra e amante de Júlio César emprestando da sua atraente beleza que também é baseado na
mesma obra que foi adaptada para a
animação em 1968.
Que
também contou no elenco com a
participação de Jean-Pierre
Cassel(1932-2007), pai do ator Vincent Cassel que já foi casado com a
atriz Monica Bellucci a mesma que
representou Cleópatra no filme anterior.
E nesse filme fez o Druida Panoramix cuja
participação marcou o seu papel póstumo e mencionar a participação do veterano
e cultuado galã do cinema francês Alain Delon(1935-2024) que no filme
representou Júlio César.
Depois
veio: Astérix e Obélix: Deus Salve a Britannia (Astérix & Obélix: Au
Service de Sa Majesté, França, 2012) onde nesse ainda contou novamente com
Gérard Depardieu representando o Obélix e já o Astérix foi trocado novamente
por Edoard Baer, já o papel do sempre temido
Imperador Júlio César foi representado por Fabrice Luchini.
E mencionar a participação da veterana musa
francesa Catherine Deneuve muito lembrada pelo clássico filme da nouvelle
vague A Bela da Tarde(Belle de
Jour, França, 1967) do diretor espanhol Luis Buñuel(1900-1983) que nesse filme
representou a Rainha Cordélia da
Grã-Bretanha e por fim tivemos o mais
recente: Astérix e Obélix: O Reino
do Meio( Astérix et Obélix:
l'Empire du Milieu, França, 2023) que contou com a direção de
Guilhaume Canet que também foi responsável por representar o Astérix, já
que quem ficou encarregado do Obélix foi Gilles Lellouche, Vincent Cassel, o
ex-marido de Monica Bellucci que fez Cleópatra em Astérix e Obélix: Missão
Cleópatra (2002) e é filho de Jean-Pierre Cassel que fez o Druida Panoramix
em Astérix e Obélix nos Jogos Olímpicos (2008) participou do filme representando Júlio César e com
Marion Cotillard representando Cleópatra.
Em
2025, foi lançada na Netflix a série animada de Astérix em CGI, dividida em
cinco episódios intitulada de Astérix e
Obelix: O Combate dos Chefes, com produção executiva de Alain Chabat.
ASTÉRIX
PÓS-GOSCINNY;
Depois
que Goscinny faleceu, Uderzo deu continuidade as criações de novas histórias do
gaulês, em 1979 ele publicou Astérix entre os Belgas, que marcou o
trabalho póstumo de Goscinny.
Em
1980, ele publica sua primeira história solo de Astérix que foi O
Grande Fosso assumindo a dupla função de roteirista e ilustrador.
Uderzo
deu continuidade as publicações de Astérix até ele declarar sua aposentadoria em 2009, na
época com 82 anos e já sentindo o peso do seu estado de
saúde fragilizado. A última história que Uderzo havia publicado antes de
declarar sua aposentadoria foi Astérix e o dia que o céu caiu pulicada
em 2005.
Após declarar sua aposentadoria Uderzo sofreu
de uma artrite reumatoide na mão direita que o fez passar por uma cirurgia
realizada em 2011.
Como
se pode observar a sua saúde já se encontrava fragilizada nos últimos tempos e
com o avançar da idade foi ficando cada vez mais comprometida até ele vir
a falecer em 24
de Março de 2020 com 92 anos, também como consequência de um ataque cardíaco.
Um
fato que chama aqui a atenção é que sua morte ocorreu bem no momento que havia
sido decretado quarentena mundial por conta da pandemia do coronavírus, o que
fez muita gente remeter por mais
estranho que se possa parecer a sua criação, isso porque existe uma publicação
de Astérix intitulada de Astérix e a Transitálica publicada em 2017
mostrando Astérix e seu parceiro Obélix
participando de uma corrida onde nessa disputa
há um misterioso adversário mascarado com o nome de Coronavírus, e que
por conta da coincidência do nome se criou um clima de provável profecia.
O
que não passa de uma simples coincidência, mesmo porque nessa HQ em questão são
de autorias de Jean-Yves Ferri como roteirista e
Didier Conrad como ilustrador que
passaram a assumir a autoria das HQs de Astérix a partir de 2013, onde a
primeira história criada por eles foi Astérix e os Pictos e Astérix e
a Transitálica marca a terceira produção criada por essa dupla.
A
vaga lembrança que eu carrego da primeira vez que eu tive contato com uma história de Astérix foi quando li uns trechos de uma tira de Astérix contida
no meu livro didático escolar na minha fase escolar de Ensino Fundamental, na antiga
6ª Série que hoje equivale ao 7ª Ano,
durante a disciplina de história abordando o Império Romano. Onde
exemplificava bem o assunto de uma forma bastante lúdica.
Das
que eu pude ler, principalmente que comprei de um amigo uns dez volumes
publicado pela Record, posso descrever que as histórias são fascinantes e que
funcionam bem redondinhas, fechadinhas, sem você tentar compreender as
sequencias de continuidade da coesão narrativa deles.
Independente
de qual você queira começar, cada uma funciona bem sem precisar compreender uma
cronologia dos fatos que antecederam cada história. Elas funcionam bem
isoladamente.
Seja
como for, cada uma é válida.


























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