Há
20 anos, no dia 16 de Agosto de 2006, o tirano mais cruel que o continente
sul-americano conheceu partia exilado no Brasil, estou falando do general
paraguaio Alfredo Stroessner(1912-2006).
Stroessner
governou o pais com mãos de ferro ao longo de 35 anos, entre 1954 a 1989 com
perseguições, torturas, censura e mortes.
Alfredo
Stroessner Matiauda nasceu em Encarnacion, localizado no sul do Paraguai,
próximo à fronteira com a Argentina, no dia 3 de Novembro de 1912. Era filho de
um imigrante alemão que chegou ao Paraguai em 1895, e montou uma cervejaria e
sua mãe carregava a descendência hispânica pertencendo a uma importante família
da classe alta paraguaia.
Aos
17 anos, Stroessner entrou no exército, que por intermédio de seu tio Vicente
Matiauda, alcançou o posto de tenente dois anos depois. Participou da Guerra do Chaco(1932-1935) contra a
Bolívia.
Em
1948, com 36 anos, alcançou o posto de General de Brigada, tornando-se o
general mais jovem da América do Sul.
Promoveu
nesse mesmo ano uma tentativa fracassada de golpe, fugiu para a embaixada
brasileira, no porta-malas de um carro, o que lhe rendeu a alcunha de “coronel do porta-malas”. Em 1951, ingressou no Partido Colorado e foi
nomeado Comandante Chefe das Forças Armadas.
Stroessner
participou da Revolução de Pyandi(“Pés
Descalços” em guarani), uma guerra civil na qual a classe trabalhadora de
Assunção foi massacrada, encerrando o governo liberal e colocando o Partido
Colorado no Poder.
Em
1954, liderou o Golpe de Estado que derrubou do poder o então presidente
Federico Chaves(1882-1978). Ironicamente seu companheiro de partido.
O
Conselho de Administração do Partido Colorado o elegeu candidato a presidente.
Em 11 de Julho de 1954, foi eleito presidente sem oposição e assumiu o mandato
da presidência do Paraguai em 15 de Agosto. Stroessner foi reeleito em oito
legislaturas quais também participaram candidatos do Partido Liberal, Partido
Liberal Radical Autêntico e do Partido Revolucionário Febrerista.
Já
comandando a nação com o objetivo de acabar com os 50 anos do que ele chamou de
anarquia, mas que era uma sucessão controversa de presidentes
constitucionalistas, incluindo o próprio Federico Chaves, democraticamente
eleito pelo Partido Colorado, que ele foi destruindo através de sua ditadura
para transforma-los nos bajuladores do seu governo.
Stroessner
aboliu as garantias constitucionais e exerceu severa repressão. Governando com
o apoio do Exército e do Partido Colorado. Além de praticar muita
corrupção. Num modelo de regime
anticomunista que favorecia os interesses dos americanos.
Estima-se
que durante os 35 anos que ele governou autoritariamente o Paraguai de forma
repressiva, as estatísticas sobre as violações dos direitos humanos sejam de:
336 pessoas assassinadas, 9.862 pessoas foram presas de forma arbitrária,
18.772 foram torturadas e 3.470 forram forçados a se exilarem.
Dentre
essas violações de direitos humanos, houve relatos de crimes sexuais praticados
a meninas menores de idade entre 10 e 15 anos, que eram estupradas por esses
bandidos de farda.
Apesar
de manter uma postura conservadora, Stroessner não teve boas relações com a
Igreja Católica, existe três datas que ficaram marcadas pelos conflitos que ele
encarou com essa importante instituição religiosa: 1967, 1969 e 1988.
Foi
durante o seu mandato que foi inaugurada a Ponte da Amizade, que interliga a
fronteira do Paraguai com o Brasil.
Stroessner
mostrava grande simpatia pelos nazistas, inclusive chegou a garantir a asilo político
a dois oficiais alemãs que haviam fugido de sua terra natal após perderem a
Segunda Guerra Mundial que eram: Josef Mengele(1911-1979)* e Eduard Roschman(1908-1977)**,
o que terminou rendendo muitas críticas do seu governo na mídia internacional.
Foi
inspirado no modelo do genocídio nazista contra os judeus, que Stroessner
praticou isso contra o povo indígena Aché.
Foi no mandato de
Stroessner que o setor econômico paraguaio obteve um bom crescimento, mesmo uma
medida de implementar uma liberalização econômica, durante a década de 1960, o seu
crescimento econômico foi em média de 4,2%. Entre
1976 a 1981, ocorreu um boom econômico com a construção da Usina Hidrelétrica
de Itaipu que permitiu um crescimento de 11% no PIB, ao mesmo tempo que crescia
a corrupção e o contrabando.
O final da década de 1980 foi um período onde os países vizinhos ao
Paraguai, estavam deixando de viver sob a repressão dos militares, se
redemocratizando. Foi nesse clima que o povo paraguaio passou a sair nas ruas
para se manifestar, com lideranças Febreristas e pelos sindicatos. Stroessner
foi abandonado pelos seus ex-aliados e agravado pelo cenário econômico inflacionário.
Tudo isso resultou no fim melancólico do seu governo no dia 3 de Fevereiro de
1989, dia em que ocorreu o Golpe de Estado e ele foi deposto do poder.
Logo após ter sido deposto
do poder, Stroessner pediu asilo politico no Brasil, onde passou a residir
desde então.
Nos 17 anos que Stroessner viveu exilado
em território brasileiro depois que foi
desposto do poder no Paraguai com o
Golpe de Fevereiro de 1989, um dos momentos que marcou a sua estadia em solo
brasileiro foi o seu envolvimento indireto
com o crime de sequestro e assassinato de uma criança que ocorreu em 1992 na região litorânea de
Guaratuba/PR que chocou o Brasil inteiro, foi na época da investigação do desaparecimento do
menino Evandro Ramos Caetano de 7 anos,
até hoje sem solução.
Sua conexão indireta com o sumiço do menino Evandro se deve ao fato de que dois dos sete suspeitos
do sequestro e assassinato do menino: Osvaldo
Marcineiro e Davi dos Santos Soares haviam sido mandados para a sua antiga
mansão de veraneio para serem interrogados e torturados pelo grupo TIGRE(Táticos
Integrados de Grupos de Repressão) onde muito tempo depois de passarem por
julgamentos equivocados foi provado a inocência deles.
Esse episódio foi relatado na série documental do Globoplay O Caso Evandro(Brasil, 2021).
Durante esse tempo, o governo paraguaio fez muitas tentativas em vão de
tentar convencer o governo brasileiro com um pedido de extradição de Stroessner para retornar ao Paraguai e responder pelos seus
crimes. Numa dessas tentativas ocorreu
em setembro de 2000, onde um pedido de extradição foi despachado pelo juiz
Rubén Dario Frutos, como consequência do desaparecimento e assassinado do
médico Agustin Goiburú em 1977, mas o Brasil se absteve de cumprir o pedido.
Outra tentativa ocorreu em outubro de 2003, quando Stroessner foi convocado a
retornar ao Paraguai após o juiz Arnaldo Fleitas determinar a sua prisão e
solicitar a Interpol ser acionada pela policia paraguaia para capturar o
ex-presidente, no caso envolvendo o assassinado de Celestina Pérez em 1974, que é a esposa do ativista de direitos humanos Martin
Almada(1937-2024) um dos presos políticos de sua ditadura. E a última tentativa
em vão ocorreu em setembro de de 2004, onde o juiz paraguaio Gustavo Santander
ordenou a extradição de Stroessner, dessa vez pelo envolvimento no desaparecimento
de três pessoas. O que foi vetado pelo governo brasileiro com a justificativa
do seu asilo politico.
Foi em solo brasileiro que Stroessner viveu o seus últimos dias de vida,
na época em que faleceu ao 93 anos, com uma idade avançada e com sua saúde fragilizada, havia se submetido a uma operação
cirúrgica em duas hérnias iguinais no Hospital Santa Lúcia de Brasília, e dessa
cirurgia ele precisou enfrentar uma complicação pulmonar que resultou numa
pneumnia que o manteve em estado de alerta até o seu falecimento em 16 de agosto de
2006, devido as essas complicações.
Strossner foi sepultado em 17 de agosto de 2006 no Cemitério Campo da
Paz de Brasília, em uma cerimônia privada, onde apenas compareceram o seus
familiares e amigos íntimos. Foi planejado mudar os restos mortais de
Stroessner para o Paraguai dentro de alguns meses, mas o governo Paraguai anunciou
que não iria receber o corpo de Stroessner com honras militares.
Sobre
a vida intima de Stroessner, ele casou-se com Eligia Mora(1910-2006), mais
conhecida publicamente como Ligia Stroessner em 1945. Tiveram três filhos, fora
os filhos ilegítimos de casos extraconjugais que Stroessner teve envolvendo os
casos de estupros de menores que só vieram a conhecimento público após ele
deposto do poder.
A
união dela com Stroessner durou até o seu falecimento ocorrido em 3 de
fevereiro de 2006, seis meses antes do falecimento de Stroessner. Na ocasião
com 95 anos, ainda que legalmente ela estivesse casada com Stroessner, que comente-se
que ela detestava o seu estilo de vida com essas atividade sociais e digeriu
suas infidelidades. Por conta do exilio, eles estavam separados, ela fugiu para
os Estados Unidos, enquanto o marido vivia exilado no Brasil. Ainda retornou ao
Paraguai, onde viveu até o fim da vida morrendo no Hospital Americano de
Assunção.
Stroessner
que faleceu seis meses depois, não pode estar presente no funeral a ponto de
terminar sofrendo prisão pelas autoridades paraguaias.









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